terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Resenhas

Aguentem a onda que agora vou bancar o crítico musical.
Na minha última viagem comprei três discos que, num primeiro exame, não teriam muita coisa em comum. O primeiro adquirido, ainda em São Paulo, foi "Luz Negra", de Fernanda Takai. Não comprei o anterior, "Onde Brilhem os Olhos Teus". Aliás, achei mesmo que era esse que estava comprando. Não me arrependi, pois o disco é ótimo e o repertório, testado e ampliado, é igualmente muito bom. Fernanda escolheu uma banda básica e enxuta, mas composta de
multiinstrumentistas de primeiríssima linha, incluindo, claro, o maridão John Ulhôa. O disco traz algumas faixas de "Onde Brilhem Os Olhos Teus", e acrescenta outras ótimas. A versão em japonês para "O Barquinho" é um primor. Mantém o clima da canção original, mas a bateria nervosa dá uma modernizada no som. Tal arranjo não poderia ser feito por outra pessoa que não o versátil John Ulhôa, cérebro musical do genial Pato Fu.
"Ben", de Michael Jackson, poderia até ter soado meio oportunista, não fosse o fato de ela já ser cantada por Fernanda em shows e de o disco ter sido gravado antes da morte do cantor americano. "Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos" por sua
vez amplia a redescoberta de Roberto Carlos por cantores/bandas b
rasileiros. Também dignas de menção são as inclusões de "There Must Be An Angel" e "Ordinary World", além é claro do chorinho "Odeon", que ganhou uma roupagem meio cabaré.
Durante a passagem por Paris, entrei numa loja da Virgin e encontrei o novo disco de Norah Jones, "The Fall". Para este disco, Norah dispensou a "Handsome Band" e começou do zero em busca de uma nova sonoridade. A voz suave ainda está lá, mas a pegada é muito mais pop. Norah, desta vez, faz mais uso de guitarras, e não se atém ao piano clássico, o que já havia feito no disco anterior. Usa e abusa do delicioso som de um Wurlitzer. Essa nova sonoridade tem tudo para dar certo, pois Norah tem versatilidade suficiente para isso.
Finalmente, já de partida para o Brasil, em Taipé, descobri Joanna Wang. Americana descoberta por produtor taiwanês, Joanna conquistou-o com seus talentos de cantora e compositora já aos 14 anos. A sonoridade é bluesy, com pitadas de jazz, voz doce e melancólica, mas muito sensual e passeia suficientemente pelos anos 60 e 70. Tikiville tem até pitadas de bossa nova.
O álbum traz ainda versões em chinês das músicas. O pacote traz dois discos, sendo que o segundo tem o título "The Adult Storybook" e o que aparenta ser o nome de uma banda, New Tokyo Terror. Não encontrei referências a essa banda na internet. Ambos são muito bons de se ouvir. Há ainda uma versão do álbum com um DVD.
Para fechar este post musical vou fazer propaganda de uma banda São José do Rio Preto. Recebi o disco de presente de um amigo e foi uma grata surpresa. Honestamente eu acho que pensaria duas vezes antes de comprar um disco de uma banda chamada Coletivo Iboruna. O som dos caras não tem nada de étnico, a não ser que se considere
afrobeat étnico. É soul, funk das antigas, muito metal e swing. Infelizmente eu acho que o disco deles não está disponível em lugar algum. Os caras têm uma página no MySpace, talvez os interessados devessem começar por lá. Vale a pena pois é muito divertido.
Para terminar, segue um link para o vídeo de "Tel Yer Mama", do novo disco de Norah Jones:


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Con...fuso

Levei quatro dias para conseguir dormir uma noite normal de sono, após chegar a Hamamatsu. A diferença é de 11 horas, nesta época do ano, mas o pior é a viagem. Escolhemos ir pela Europa. Pessoalmente acho que não há deslocamento menos cruel. Não há rota possível que torne essa viagem mais palatável. A não ser que se durma uma noite (ou algumas horas, pelo menos) no meio do caminho.
Em seguida há o estranhamento com a comida. Para nós, café da manhã signifca pão, manteiga, queijo, etc. Para eles, arroz, peixe, e por aí afora. Para as refeições normais, tudo se normaliza. Ou quase.
Uma semana depois de chegar ao Japão e chegou a hora de ir para Taiwan. Tudo diferente, muito diferente. Os taiwaneses adoram o Japão. Mas a maioria não fala japonês. Existe uma Taipé moderna, de arranha-céus e ruas perfeitas. E logo ali do lado existe a outra, mais antiga, mais bagunçada, mais tradicional. Percebe-se, de cara, uma diferença brutal: o Japão é mais silencioso. Os japoneses fazem tudo mais silenciosamente. Quando fomos a Kyoto (objeto de outro post, mais tarde), tomamos o Shinkansen. Não se ouve nada além do ruído do funcionamento do trem.
Outra coisa que chama muito a atenção em Taipé são os scooters. Milhares deles. O que estou dizendo, podem facilmente ser milhões deles. Acho que se se abolissem os scooters aquele país pararia. Eles estão por toda parte, de todo tipo e modelo, pilotados por toda gente. De jovens a idosos, homens e mulheres. Normalmente com um ou dois passageiros. Às vezes mais.
Dizem que por ali se fala o chinês mais clássico. Chinês que, aparentemente, não se ensina mais nem na China. E a comida...bem, deve-se aplicar mais uma generosa dose de adaptação. A culinária chinesa que conhecemos e gostamos é muito simples e do nosso gosto. Os chineses raramente exportam o que é mais peculiar. Em alguns casos, graças a Deus. Caminhando um dia pela rua que levava do hotel para o escritório, passei por dois restaurantes - vamos chamá-los assim - e senti o que posso garantir foi o pior cheiro já exalado por uma cozinha. Vi uma mulher mexendo com algo que se parecia com uma pele de porco, mas não imaginava que aquilo pudesse estar exalando aquele odor. Descobri depois. O negócio chama-se "choutofu". Nada mais é do que tofu frito em imersão. São utilizados certos produtos químicos que ajudam na conservação do queijo. Ao contato com o óleo quente - este muito provavelmente velho como a própria Muralha - sobe um fedor indescritível. Por outro lado, há lugares que servem coisas maravilhosas como os dumplings cozidos no vapor, recheados com carne de porco, camarão e vegetais que são simplesmente incríveis. Carne de porco frita servida com arroz frito com ovo, por exemplo, absolutamente divina.
Bem, agora é lidar com o fuso da volta. A cabeça demora a processar as coisas, o organismo se recusa a funcionar direito, o sono está completamente torto. Mais alguns dias então. Tenho algumas fotos para mostrar e pretendo escrever um post sobre a visita a Kyoto. Até.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Japão e a arte de comer

Este post culinário não vai ter nome de prato algum.
E por uma razão muito simples: em Hamamatsu pouca gente ou quase ninguém fala inglês. Como o povo japonês não é de gesticular, a comunicação em um restaurante, por exemplo, fica restrita a apontar as coisas em cardápios e muitos, mas muitos acenos de cabeça.
Isso feito, pode-se apreciar bons pratos da maravilhosa culinária japonesa. E o preço foi outra surpresa pois, em três pessoas, pedimos entrada mais prato principal, dois drinques cada e a conta bateu em pouco menos de setenta dólares. A experiência conta mais que tudo. Desde tirar os sapatos na entrada e depositá-los num escaninho com tranca cuja "chave" é um pedaço de madeira com dois cortes na parte inferior (a tataravó da fechadura moderna, provavelmente), até a mesa instalada num recesso no piso, onde se chega simplesmente andando por cima dos assentos. Os cubículos são separados entre si por cortinas de madeira. Não há privacidade completa, porém suficiente para podermos nos concentrar na comida e na companhia, sem ligar para o que acontece na mesa do lado. A iluminação é sempre indireta e muito agradável.
No fim, uma noite extremamente agradável. Devo observar que, em uma semana, foi a primeira noite que pude dormir por quase oito horas seguidas. Life's good.
Panqueca de repolho com ovo, gengibre e molho yakitori (incrível)

Esse sopão aí contém ostras, cogumelos cujo nome já me esqueci, repolho e outros verdes

Esses rolinhos primavera são recheados com carne de porco picante e outra verdura qualquer

Sushi de ovas (não sei de quê)

O sashimi de salmão é servido numa "cama" de bambu, acompanhado de wasabi

Ostras empanadas servidas com molho e repolho fatiado

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Fuso horário, ou que dia é hoje mesmo?


Meio lugar comum ficar reclamando de fuso horário quando se viaja para muito longe. Hoje me lembro e acho a maior graça dos tempos em que morávamos no Mato Grosso do Sul e viajávamos para a casa de minha avó, no interior de São Paulo, que ficava "uma hora à frente"...Ah, ah, ah.
Digo isso porque estou 11 horas à frente do Brasil. Fuso extremo. O problema disso tudo é que, após dezenas de horas gastas dentro de um avião, outras tantas zanzando em aeroportos, a cabeça entende a diferença, mas o corpo não. O resultado disso foi que dormi demais na primeira noite (e perdi a hora do trabalho), e muito pouco na segunda. Perdi a hora no primeiro dia e perdi o sono no segundo.
Hoje a coisa foi ainda pior, pois consegui dormir, mas fui acordado por um colega à meia-noite. Not cool. Felizmente o tempo anda bom, ainda que um pouco frio.
O Japão é um paraíso de compras para quem quer o mais moderno e recente. Quem procura preço tem que olhar em outro canto. O país tem um custo de vida elevado e a recente crise não ajudou muito. Por aqui ouve-se conversas sobre fechamento de fábrica, gente que está desempregada desde março e por aí afora.

O que mais chama atenção neste país, na minha opinião, é a polidez de seu povo. tem-se a impressão de que o respeito ao próximo é objeto de lei. Nas ruas, mesmo em horário de rush, reina o silêncio. O voo de Paris para Tóquio foi o mais silencioso que me recordo ter feito. Todos entram, encontram seus lugares, colocam suas bagagens e não se tem a impressão de que uma manada de elefantes entrou no avião.
Causou-me estranheza, entretanto, o fato de quase ninguém falar inglês, numa cidade considerada industrial, ainda que estejamos falando de uma cidade do interior. Mas a experidência tem sido muito interessante. Quando eu me acertar com o fuso horário tenho certeza de que aproveitarei melhor. Mas aí já será hora de ir embora...
Acima, o amanhecer em Hamamatsu, da janela do meu hotel.

domingo, 22 de novembro de 2009

Gaijin

Estrangeiro. É assim que estou me sentindo. Ah, mas é normal, afinal de contas estou mesmo no exterior. Sim, verdade. Mas quando se é minoria a gente se sente ainda mais estrangeiro. Não fosse o povo japonês extremamente discreto e educado, acho que teria reações diferentes. O cansaço que essa viagem nos causa é algo monstruoso. O organismo enlouquece e fica-se com a sensação de estar permanentemente "do avesso".
Ainda tenho horas para esperar até por os pés no hotel e poder tomar um bom banho (o último foi sexta-feira). I'll keep posting.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Mais um continente

Ásia. Extremo Oriente. Não sei dizer por quê, mas nunca me senti atraído por aquelas partes do mundo. Pelo menos nunca me vi planejando uma viagem para qualquer país asiático. A não ser o óbvio: adoraria conhecer Bali ou Bora Bora, ou qualquer daqueles lugares paradisíacos, onde pudesse passar umas semanas fazendo n-a-d-a.
Eis a oportunidade de ir para aquelas bandas se apresenta. Lá vou eu integrar uma missão que completará a modernização consular no Japão (uma equipe já fez Tóquio e Nagóia), passando por Hamamatsu e seguindo depois para Taipé. Nada me deixa muito animado com essa viagem. Longas horas de voo, longas horas em aeroportos, 11 horas de diferença, inverno por lá, multidões nas ruas (não sou muito fã de multidões) e culinária nem sempre palatável. Hamamatsu é uma cidade industrial. Já tentou obter informações turísticas na internet? Não consegui sequer encontrar hotéis no Booking.com. Pelo menos não como eu queria. A comunidade brasileira por lá gira em torno de 100.000, o que significa que o Consulado deve ter muuuuuuito trabalho. Consulado-Geral esse que, aliás, foi criado para aliviar o peso sobre o Consulado em Nagóia. Outra coisa que me desanima: chegar na tarde do domingo e ir trabalhar na manhã de segunda. Isso vai ser meio punk nos primeiros dias.
Mas, como não devemos deixar o ceticismo tomar conta, armar-me-ei de curiosidade e bom humor e deixarei rolar. Depois relato minhas primeiras impressões.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sexta-feira 13. Você tem medo?

E aí? Você acredita? Abre e-mails com cuidado? Não deixa calçados virados? Não passa debaixo de escadas? Tem horror a gato preto? Calça sempre o pé direito do sapato primeiro?
Conte aí suas superstições e tenha uma ótima sexta-feira 13!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Fotos.



















Como prometido, fotos de Pirenópolis. Começando com a ponte sobre o rio das Almas, bem no centro histórico da cidade.

Acima a igreja Matriz, reconstruída após um incêndio que a destruiu totalmente.

Exemplo do belo e muito bem conservado casario.

Tão encantadora à noite quanto de dia. O movimento todo deve-se ao feriado prolongado.







domingo, 1 de novembro de 2009

Tirando férias de tudo

Tiramos o fim-de-semana prolongado para um sossegado retiro na pacata Pirinópolis, estado de Goiás. Cidade tombada pelo patrimônio histórico, Pirenópolis tornou-se sinônimo de refúgio e contato com a natureza, na forma de suas inúmeras cachoeiras, pousadas e restaurantes típicos. Essa, pelo menos, era a imagem que eu tinha, pois aqui estive pela primeira vez há 12 anos, pelo menos. A cidade não cresceu muito, mas os efeitos positivos do turismo são claros. O casario está incrivelmente bem cuidado e restaurado. Há pousadas de todos os tipos e para todos os bolsos e gostos. A estrutura de apoio ao turista é muito boa. Pode-se visitar as cachoeiras (todas em áreas particulares e de preservação) por conta própria ou com guias contratados. A cidade conserva, em seu centro histórico, o encanto de uma antiga cidade que teve seu auge durante os anos em que a extração de prata sustentava a vida aqui. Com o passar dos anos, chegaram os hippies e outros "malucos de plantão", mas a cidade manteve seu charme. Seguiu-se uma certa exploração imobiliária, que causou a compra de boa parte do casario por gente de fora, de cidades como Goiânia e Brasília. O sonho de muita gente de ter sua própria pousada foi transferido de cidades praianas para o belíssimo interior goiano. A culinária riquíssima, o artesanato de criatividade acima de qualquer suspeita, a hospitalidade sem igual do povo goiano, tudo isso contribuiu para tornar Piranópolis o que é hoje, um pólo fabuloso de turismo, encravado na serra dos Pireneus.
Num feriado prolongado como o que estamos passando, testemunhamos o pior que o turismo traz. Uma invasão total por gente da região toda, que lota toda e qualquer pousada, suíte, chácara, hotel e tudo quanto é lugar que sirva de hospedagem. Vem gente de todo tipo, desnecessário dizer. Aqueles manés que equipam seus carros com sons que poderiam dar conta de uma boate, e circulam pela cidade com música da pior espécie a todo volume. Bem, ninguém pode dizer que a cidade não é democrática. É democrática até demais. Há gente consciente. Assim como tem gente que ainda insiste em jogar lixo por onde passa. A cidade, na onda de seu progresso, acaba adotando procedimentos execráveis, como a onda - que aliás, assolar todo o interior do país - de carros de som, com anúncios de todo tipo, o tempo todo, inclusive aos domingos de manhã. Dessa forma, aquele que vem para cá em busca de sossego, acaba não achando sossego nenhum.
Mesmo assim, os encantos da cidade compensam esses poréns. Assim, só posso recomendar a visita. Gente solteira, gente casada, gente bonita e feia, gente na boa e gente da balada. Pirenópolis tem de tudo para todos. Fotos assim que eu voltar para casa, pois me reencontrei com minha Canon 400D, que trouxe armada com lentes Sigma 10-20 e 24-70 (f/2.8) e fotografei em RAW. Neste mesmo batcanal, em breve.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Rossi e o nono ovo.

Abandonei meu blog, eu sei. Não que muita gente tivesse sentido falta, mas abandonei assim mesmo. Uma boa dose de trabalho e outra maior ainda de falta de inspiração. Usei muito pouco meu computador na última viagem e estou agora me preparando psicologicamente para a próxima. Mas isso é conversa para outra hora. O assunto de hoje provavelmente não é do interesse de muita gente, haja vista não ser o esporte a que me referirei lá muito popular no Brasil. Estou falando de motovelocidade. MotoGP, para ser mais preciso. A categoria máxima do motociclismo mundial. A Fórmula 1 das motos, se preferir. E qual a razão de eu ter escolhido esse assunto? Para falar daquele que, se ainda não é, não está longe de ser o maior piloto do motociclismo mundial de todos os tempos: Valentino Rossi. The Doctor. Vale. Vou até me arriscar a dizer que nenhuma outra categoria de esporte motorizado tenha produzido um campeão como Rossi. Alguns podem até argumentar que o Senna foi um grande campeão. Sim. Não vou entrar nesse mérito. Rossi, no último domingo, no GP da Malásia, conquistou seu nono - isso mesmo, nono - campeonato mundial, sendo seu sétimo na categoria máxima. E ele tem apenas 31 anos de idade. Mais do que um piloto de talento nato e fantástico, Rossi tem carisma. E não faz a menor força para tê-lo. Rossi é sempre Rossi. Em dias ruins, em dias excelentes, sempre um sorriso no rosto, um aceno para os fãs. Sempre a comemoração junto aos admiradores, na pista, com alguma palhaçada. O show em cada capacete, a cada corrida. Rossi não deixa nem mesmo de fazer piada consigo mesmo, assumindo o erro numa corrida, pintando um burro (o burro do desenho Shrek) em seu capacete na prova seguinte. Mesmo quando o fisco italiano o perseguia alegando sonegação da ordem de 120 milhões de euros, Rossi nunca esqueceu seu público, nem de quem ele era.
Exímio acertador de motores e suspensões, piloto arrojado, de técnica limpa, Rossi faz tudo parecer muito fácil. Exceto para seus concorrentes, que parecem pedir a Deus que faça algo para pará-lo. Não foram raras as vezes que Rossi, após uma largada complicada, veio lá de trás, ultrapassando um por um, como se eles não existissem, e terminasse por ganhar a corrida. Mais de uma vez ele caiu, levantou-se, e terminou lá na frente. Ver Rossi pilotar é como assistir um maestro compor sua obra-prima. É isso. Cada corrida é uma obra-prima. Dá gosto vê-lo correr. Suas comemorações nada têm de presunçosas ou humilhantes para os derrotados. Pelo contrário. Rossi, quando comemora, mostra a todos o quanto gosta daquilo que faz. É fato que ele ganha bem por isso. Mas outros pilotos, na sua situação, já teriam se aposentado. Ele ainda tem pelo menos dois anos de contrato com a Yamaha.
Pois é, Yamaha. Quando anos atrás ele simplesmente deixou aquela que era considerada a melhor equipe, com a melhor moto do mundial, imbatível havia anos, a poderosa Honda Repsol, ninguém acreditou. Trocar aquilo tudo pelo azarão que ninguém conseguia fazer competitiva: a Yamaha M1. Loucura. Diziam que ele tinha jogado sua carreira pela janela. Mas Rossi, antes de mais nada, é um homem inteligente. Não dá ponto sem nó. Assim como suas desconcertantes ultrapassagens, sua estréia na Yamaha deixou o mundo boquiaberto. Não só ele ganhou a primeira prova que disputou com o azarão, como ganhou também o campeonato daquele ano. Rossi devolveu a alegria aos Yamahistas, órfãos desde o abandono de Wayne Rainey, que ficou paraplégico depois de um acidente. Nesses anos, deixou de ser campeão duas vezes. Mas voltou sempre. E levou o campeonato para casa.
Assistir a uma prova de MotoGP ao vivo, como tive oportunidade de fazer por três vezes, é como ir a um clássico num estádio de futebol. A única diferença é que há apenas uma torcida definida: a de Vale. Seus torcedores são tão fanáticos quanto os ferraristas. Quando Rossi faz uma ultrapassagem em qualquer ponto do circuito, não é preciso olhar para o telão para saber o que aconteceu. O urro da torcida (que só pode ser a torcida dele) faz-se ouvir por todo o autódromo, acima mesmo do rugir dos poderosos motores. Jovens de ambos os sexos, crianças, mulheres, velhos cheios de tatuagens e roupas de couro, todos exibem pelo menos algo que os identifique como um fã do incomparável Doutor. E ele não os decepciona. Rossi é admirado por seus fãs. Invejado...e admirado por seus adversários. Admirado até por seus ídolos. Um campeão como nenhum outro. Domingo passado, Rossi adicionou mais um ovo à sua cesta de campeonatos. O ovo de número 9. Outro como ele, tenho para mim, vai demorar muito ainda a aparecer.
Valeu, Vale.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Turistas e lojas convenientes

Turista normalmente é um bicho preguiçoso. Talvez por essa razão as lojas de souvenirs e outras cositas "típicas" sobrevivam. Convenhamos, souvenires são, em sua quase totalidade, muuuuuito bregas. Uma coisinha ou outra ainda passa. Mas me pergunto o que leva certas pessoas a levarem para casa um prato com a cara do Mozart impresso nele? Ou uma caneca com o retrato da rainha? Eu e minha mulher temos como rotina, sempre que vamos a algum lugar novo, comprar algum ímã de geladeira. Começou há alguns anos. Mas sou chato. Não compro qualquer um e detesto aqueles de foto. Sempre busco algo que seja representativo, criativo e de boa qualidade.
Mas voltemos às lojas e os turistas. Lojas de souvenires são convenientemente montadas em lugares estratégicos. Até aí tudo bem. Faz sentido, pois a grande massa turística não quer ficar rodando a cidade atrás de algo realmente típico. Acabam comprando coisas típicas, mas produzidas na China. Para mim, isso tira o encanto. É como ir ao Brasil e comprar berimbau no aeroporto. Mas muita gente faz isso, pois é conveniente.
Acho bacana levar souvenires para casa, depois de uma viagem. Mas tenho queda por artesanato, seja ele representativo do lugar ou não. Pode ser algo feito de material abundante na região. E aí a coisa degringola também. Se um lugar é famoso pelos cristais, fatalmente, em alguma loja, você vai encontrar Mickey Mouses, torres Eiffel, fuscas e outros badulaques feitos do material "típico" mas que nada têm a ver com o país. E tem gente que compra. É meio ridículo.
Acho que talvez o problema sejam os turistas que deixam para comprar as lembrancinhas de última hora e acabam atacando a lojinha do chinês ao lado do hotel, na pressa, com o ônibus esperando e todo mundo lá dentro (sim, esse pessoal está sempre numa excursão). Aí compram quinze chaveiros com a foto dum castelo que eles nem visitaram - e provavelmente nem sabem onde fica - além de chocolates, doces produzidos em algum outro lugar que nada tem a ver com o lugar onde eles estão, abridores de garrafa aos montes, ímãs de geladeira (qualquer um, a tia velha não liga) e toda sorte de badulaque Made in China. Sim, porque loja de souvenir que se preze está nas mãos de chineses.
E sempre tem alguém filmando, não fotografando, mas filmando isso tudo.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O que pode dar errado?

Tudo. Agora há pouco escrevi um post bacana sobre coisas que podem dar errado no dia de um sujeito comum. Estava até virando um pequeno conto. Um comandozinho besta que saiu não sei de onde pôs tudo a perder. Que tal? Daí que desanimei e resolvi não tentar reescrever o post. Bem, vá lá. O que pode dar errado quando você está prestes a dormir a primeira noite num hotel qualquer? Você descobre que seu quarto, no sexto andar, fica junto do poço do - velho - elevador, que faz um telec-tec-tec-te-tec-telec toda vez que sobe ou desce. E é um entra e sai do caraças. Adivinha que música vai tocar para embalar seu sono?
Desejem-me uma boa noite.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

On the road again

Depois de pouco mais de 30 dias de descanso, caio na estrada novamente. Desta vez, os destinos são europeus. E para atingi-los, uma verdadeira via crucis de aeroportos. Dá desânimo só de pensar. É o mesmo tipo de desânimo que dá quando se planeja ir à praia de carro. A dois mil quilômetros de casa. Sim, o deslocamento é parte da "diversão" da viagem. Mas quando se está num avião, a 10 mil metros de altitute, com pouca coisa ou nada a fazer, não podendo dar aquela paradinha para um xixi amigo e apreciar a paisagem, o desânimo bate por completo. Por isso acabamos nos sobrecarregando quando viajamos: iPod, livros, vídeos, netbook e sei mais o quê. Azar o seu se viajar com uma empresa que sequer oferece a opção de monitores de tv individuais, pois você terá que assistir o que eles quiserem naquelas telas que ficam dependuradas do teto. Raramente consigo assistir qualquer coisa naquelas coisas. As viagens de carro, hoje, estão menos traumáticas, graças aos mimos tecnológicos disponibilizados pelas fábricas. Em outros tempos nos divertíamos fazendo uma contagem dos carros que víamos na estrada...Quem viaja com crianças hoje, em modernas vans, pode instalar tocadores de DVD, com vários monitores. Estes podem ser conectados a fones de ouvido, que permitem aos pais, pelo menos, ouvirem uma música enquanto os pimpolhos se divertem com qualquer que seja a baboseira da hora.
Colegas me sugeriram tomar um Dramine ao embarcar. Por outro lado, prefiro um espumante, seguido de vinho tinto com a refeição. O pior é enfrentar a chatice de imigração, alfândega e horas esperando pelas bagagens. Mas...It´s a dirty job and somebody´s gotta do it. Escreverei da estrada.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Dirigindo

Minha carreira de motorista não começou cedo, sempre fui das motos. Tirei a habilitação quase um ano depois de completar dezoito anos. Fui reprovado uma vez no teste prático (uma bobagem). Só fui comprar meu primeiro carro com vinte e tantos anos. Depois disso, meio que abandonei as motos até o ano passado. Nesses anos dirigi em muitos lugares. Considero-me um bom motorista. Cuidadoso, se não habilidoso. Reflexo dos meus quarenta anos talvez. Qual o pior lugar para se dirigir? Qualquer lugar que não se conheça bem. Depois de algumas semanas dirigindo na Arábia Saudita, acabei me acostumando. Na época tinha um carro pouco comum por lá e de tamanho reduzido. Sentia-me ainda mais "reduzido" ao parar nos semáforos ao lado de singelos SUV americanos e japoneses. Já viu um Suburban da GM, com lugar para 500 passageiros e motor de 8.7 litros? Não? Bem, o número de passageiros é exagero. Cada cidade tem peculiaridades e seus moradores desenvolvem certo hábitos que se tornam meio que regras de trânsito. Andar em velocidades sempre acima do recomendado é uma regra muito praticada na maioria das cidades brasileiras. Não sinalizar suas ações também. O motorista médio brasileiro acha que senão tem ninguém atrás não há porque sinalizar. O problema é que esse motorista adquire o (péssimo) hábito de NÃO sinalizar...
Na Arábia Saudita eles adoram copiar os americanos. Copiam-nos em muitas coisas: nos carros imensos, no exagero com comida e por aí afora. Copiam-nos também em certas regras de trânsito. Uma que acho excelente é a seguinte: imagine duas avenidas que se cruzam. No Brasil, você não pode sair de uma e virar à esquerda em outra. Por lá sim, pois os semáforos são polifásicos, o que significa que cada lado das vias tem sua vez. E é permitido virar à direita direto. Você só tem que parar, olhar e entrar. Parar. É o que dizem as placas de "PARE". Não sei se isso daria certo por aqui. Exigiria uma boa dose de reeducação. É fato que na Arábia Saudita, se você não parar ninguém vai lhe multar. Mas nos EUA, as chances de levar uma canetada são grandes. Não estou dizendo que coisas erradas acontecem. Acontecem e aos montes. Pare significa que você tem que...hã...parar completamente o carro, e não apenas diminuir a marcha. Essa é outra característica dos motoristas daqui, nunca querem parar por completo, ou diminuir a marcha. e se você o faz, lá vem buzina.
Nossas vias têm características que poderiam ser alteradas. Por exemplo, faixas de aceleração. Quando o motorista vem de uma pista de serviço para entrar numa via rápida, por exemplo. A pista de aceleração é "fechada" para o tráfego que vem pela via rápida, para permitir que quem sai de uma via lateral possa entrar nela, atingir a velocidade da via e posicionar-se com segurança. Por aqui é comum ter um pequeno trecho de pista de aceleração, em geral já dividindo a pista com o tráfego que vem a uma velocidade maior. Situação complicada. Em Roterdã, por exemplo, contornar uma rotatória era tarefa facílima desde que você se posicionasse, na pista de entrada, tendo em mente onde exatamente você pretendia sair. O resto a própria pista fazia por você, sem sustos.
Costumo dizer que se você sobreviveu ao trânsito no Oriente Médio, você sobrevive em qualquer lugar. Descobri, nos meus anos de Holanda, que motoristas ruins existem em toda parte. Eu morava no centro e me divertia assistindo às tentativas de estacionamento na rua em frente ao meu prédio. Por lá as calçadas são baixinhas, o que permite que os motoristas entrem de frente (e, pois é), subam na calçada e estacionem sem muito esforço. O que isso acarreta é uma tremenda incapacidade de fazer balizas mais tradicionais, como estacionar de ré. Maus motoristas são uma praga que desafia trânsitos bem organizados como o holandês - poderíamos importar muita coisa de lá, como as faixas de aceleração e outras, ou autoridades super-vigilantes como as britânicas. Vi maus motoristas por tudo quanto foi canto por onde andei. O motorista brasileiro é bom, mas mau-educado. O nível de egoísmo no trânsito ainda atrapalha demasiadamente. Dizem que países escandinavos tem uma combinação perfeita de trânsito organizado e motoristas educados. Nunca dirigi por lá. Como em todo lugar eles devem ter seus senões.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

I belong

O homem tem, desde seu nascimento, a necessidade de "pertencer"a algum lugar, a um grupo. Sente, ainda que a negue, a necessidade de se identificar com alguma coisa, algum ideal, alguém. Daí nasceram o casamento, os partidos políticos, grupos de motociclistas, torcidas de futebol, clubes de truco e por aí afora.
Como ser social, ele tem gravado em seu subconsciente o dever de fazer parte de alguma coisa, de ser aceito por seus pares. Às vezes não funciona. Os resultados são desastrosos. Ele confunde indentificação com submissão e a coisa se turva. Mas divago.
Em certas ocasiões, essa identificação toma formas singelas: você frequenta todos os dias o mesmo bar, por semanas, até que um dia, ao entrar, o dono diz para um dos empregados "uma Skol (ou qualquer que seja sua marca preferida) pro meu amigo aqui". Você não é amigo do cara, mas cliente. Entretanto, a sensação é de amizade.Você foi aceito no círculo dos frequentadores daquele lugar. Não pediu isso, apenas conquistou pela simples presença constante ali. Passou a fazer parte do grupo de assíduos daquele bar. E lhes digo, amigos, a sensação de pertencer a alguma lugar é muito reconfortante. Se você passa anos fora do seu país, longe da sua cidade, longe da família (fisicamente, ao menos) e dos amigos, algo se perde. Suas raízes. Suas conexões. O papo com os amigos tornou-se genérico. O que antes lhe parecia interessante, deixou de ter a mesma importância. E você se sente "assitu". Inventei isso, não existe. Mas quero dizer que você fica com a sensação de simplesmente não pertencer a lugar algum. O país ou cidade que escolheu para viver ainda não lhe "adotou". Sua cidade natal já lhe parece estranha a ponto de você andar pelas ruas e não reconhecer quase ninguém. As pessoas se perguntam quem é o cara "de fora"e apontam para você. Em suma, você não "pertence" a lugar algum.
E quando você entra no bar e alguém mandar "descer" a sua cerveja sem que você peça, você se dá conta de que agora sim, aquele é seu lugar. Aquele bar, aquela quadra, aquele bairro, aquela cidade. E esse sentimento não tem preço.

A loucura do clima

Já está ficando meio batido dizer que o clima está mudando, que a previsão do tempo é "imprevisível". Brasília este ano praticamente não teve sua estação seca. Ao que parece as chuvas já começaram.
Isso trouxe um efeito colateral bem bacana. A cidade que, nesta época, está normalmente marrom, poeirenta, com árvores peladas e gramados mortos, está toda florida. Ipês, paineiras e outras espécies não entenderam os aguaceiros fora de época e mandaram ver na florada. Por outro lado, aqueles que não conhecem bem Brasília perderam a chance de ver o "milagre verde", quando tudo volta ao normal assim que caem as primeiras chuvas. A saúde também agradece, pois é comum as salas de emergência dos hospitais se entupirem com pessoas, principalmente idosos e crianças, com problemas respiratórios causados pela secura. Sem falar no festival de lábios rachados de que muitos são vítimas.
Enquanto as chuvas são bem-vindas por aqui, em outras regiões elas causam estragos, atrapalham o plantio...
Nos cinco anos que morei na Europa, tivemos 2 - isso mesmo, dois - verões realmente quentes. Os demais eram cinzentos e frios. As primaveras por lá ainda salvam a pátria, com algumas semanas de estiagem, sol e calor.
Esperaremos para ver agora o que acontece durante a estação chuvosa por aqui. Será que chove menos?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Redescobrindo.

Tem coisas que nos rondam a vida toda e não prestamos atenção ou não damos o devido valor. A música dos Beatles não é uma dessas coisas. Mas está ali, há anos, décadas. Muita gente conhece muita coisa deles, mas a maioria se atém aos sucessos. Eu era um desses. Bem, quase. Dentre meus cerca de mil discos (mais ou menos), entre cds e lps, há alguns bons álbuns dos Fab Four. "A Hard Day's Night", que saiu no Brasil com uma capa vermelha e o horrendo título "Os Reis do Ié-Ié-Ié" contém minha música predileta dos Beatles, "I'll Be Back". Os clássicos "White Album" e "Abbey Road", além das duas principais coletâneas, que cobrem a carreira toda, entre outras coisas. Tenho uma coletânea das músicas dos 5 filmes lançados por eles, acompanhada de um excelente encarte, cheio de excelentes fotos dos filmes e filmagens, em inglês. Das coletâneas, eu sabia cantar a vermelha todinha...Aliás, numa nota paralela, foi "catando milho" na velha Triumph do meu pai, que aprendi as primeiras palavras em inglês e comecei a prestar atenção a como eram pronunciadas corretamente. Copiava tudo o que caía de letras nas minhas mãos e tratava de decorá-las.
Mas voltemos à pauta em pauta...Esperei com certa ansiedade pelo relançamento remasterizado dos álbuns dos Beatles. remasterização essa feita sob os ouvidos atentos dos Beatles remanescentes. Finalmente pude pôr as mãos em discos que há muito ensaiava comprar. Numa tacada, comprei "Please Please Me", "With The Beatles" e o meu favorito desse trio "Revolver". Esse disco contém três composições do George Harrison e abre com a fabulosa "Taxman".
Bem, não pretendo analisar a fundo a obra dos caras, não tenho capacidade para tanto. Mas estou aproveitando o relançamento para "redescobrir"a obra desses "Quatro Fabulosos". Quem nunca parou para ouvir um disco deles, pulando os grandes sucessos, deveria pensar seriamente em fazê-lo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Botecos

Bar. Botequim. Boteco. Pé-sujo. De responsa. Eles existem de todo tipo e tamanho, em todo canto sem exceção. São frequentados por trabalhadores, patrões, gente pobre, rica, intelectuais ou não, de esquerda, centro e direita. Botecos existem desde tempos imemoriais. Em alguns lugares e épocas faziam parte de estalagens. Em outros, essas estalagens eram chamadas "public houses", expressão que mais tarde originou o "pub". Em botecos se bebe, se come, se chora mágoas, fala-se mal da vida alheia, discute-se política, religião (tema este não recomendável) e futebol (menos recomendável ainda, porém inevitável).

Em botecos nasceram idéias para livros, poemas, canções. Partidos foram fundados em bares - donde se supõe que políticos vivam em constante estado de embriaguez. E os nazistas? Loucos ou simplesmente uns bebuns? Bem, não simplifiquemos.

Em bares celebramos datas, a vitória do time do coração. Também afogamos as mágoas e a frustração pela derrota do time do coração. Botecos criam seus próprios mitos e tradições, têm seus seguidores fiéis, frequentadores assíduos, com conta ou sem. Alguns são famosos pela frequência, outros por algum petisco especial e outros pura e simplesmente pela cerveja gelada. O serviço pode tornar um bar famoso ou condená-lo ao fracasso. Garçons viram celebridades no meio e tornam-se figuras folclóricas. Fato é que há até aqueles que não bebem, mas que mesmo assim frequentam algum botequim.

Este post foi escrito na companhia de uma Serramalte, no Gambar (foto), em Brasília.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

40

Chegou o dia. Durante boa parte da minha vida me imaginei com quarenta anos. Parecia distante e naqueles longínquos anos eu supunha que, aos quarenta, eu já teria a vida arrumada, filhos, etc. Chegou depressa? Não. Mas também não demorou muito. É uma estranha sensação se olhar no espelho e constatar que os anos passaram e que aquele sujeito no reflexo está completando quarenta anos. Não me sinto um quarentão. Sou meio careta, mas por outro lado sempre fui. Mas não me sinto um quarentão. Os planos e os ideais são os mesmos, ou quase. As possibilidades de colocar esses planos em prática mais reais, mas ainda sobrou um pouco de falta de maturidade, que me faz ter a sensação de que ainda estou longe da marca histórica. Muita gente diz que é uma idade na qual se dá uma virada. Muda-se planos. Põe-se velhos projetos em prática. Melhor aprender a curtir cada momento e levar a vida mais na boa, sem deixar que as preocupações e o stress tomem conta. Tipo resolução de fim de ano. Por exemplo: não vou mais me estressar no trânsito. Essa é difícil pois me estresso o tempo todo. Mas é algo a se tentar, se me ajudar a levar uma vida mais calma e tranquila. Bem, os quarenta chegaram. Melhor começar a curti-los.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pequenos prazeres

* Ovo frito com arroz (tem quem goste, não eu).

* Ouvir passarinho cantando de manhã.

*Comer tomate com sal de pé na beira da pia.

* Andar descalço na terra.

* Andar descalço em casa depois de um dia de trabalho.

* Enfiar-se sob as cobertas num dia de muito frio pra assistir a tudo quanto é porcaria que estiver passando na TV, com chá e bolinhos, ou chocolate quente, ou café com pão-de-queijo, ou...ah, deixa pra lá.

* tomar longos banhos quentes (ou frios). Tá, nada ecológico, mas muito prazeroso.

* Sair sem rumo num domingo de manhã.

* Sentar ao sol e calanguear.

Acrescente os seus aqui.



sábado, 5 de setembro de 2009

Interlocutório

Sei que o blog está meio abandonado. Meus (poucos) leitores são muito educados e não ficam me cobrando. Voltei de três semanas de viagem a trabalho direto para uma mudança de endereço (a coisa ainda está meio fora de esquadro) e a cirurgia da minha esposa. Jogue nesse meio um período com muito trabalho e pouco pessoal na divisão e está formado o caos. Mas é bom estar em casa.

Acredito que todo mundo que decide escrever algo, seja uma coluna, um blog, um livro, acaba trombando em algum momento com a dúvida cruel: sobre o quê escrever? Tem um bocado de coisas acontecendo na minha cidade e no meu país neste momento que assunto é o que não falta. Mas, estou nessa encruzilhada. Decidi, dessa forma, escrever um post interlocutório. Palavrinha muito utilizada no meio diplomático, significa dar uma resposta sem dar resposta alguma. Pois um post interlocutório é mais ou menos como os scripts do Seinfeld: sobre nada. Tenho até alguns rascunhos num caderno moleskine que, depois da mudança, já nem sei onde foi parar. Num deles quero falar sobre coisas do nosso dia-a-dia que julgávamos desaparecidas. Falo de coisinhas mesmo. Objetos. Trecos dos tempos dos nossos avós. Sabe aquele moinho de café que sua avó tinha na despensa? Pois é. Ainda se encontra esse tipo de coisa. Mas esse post requer uma pesquisa um tiquinho mais aprofundada, e umas fotos. Para essas vou precisar de autorização. Mas o post virá.
Acho que a inspiração para esse post aí veio de um programa que eu assistia, sobre coisas dos anos 80. Ou teria sido sobre tecnologia nos anos 70? Ah, who cares? Pode ter sido uma conversa com meu chefe sobre discos de vinil. Voltei a comprá-los, a propósito. Nos Estados Unidos são ridiculamente baratos. E são desses especiais que no Brasil saem por não menos que 100 reais. Surreal, pois por lá um duplo saiu por 25 dólares. O triplo do Police, com o show da última turnê gravado em BAires, saía por 30 dólares. A mala já estava pesada e me contive.
De volta ao sábado então. Fui.

domingo, 23 de agosto de 2009

Viagem de volta


Voltar para casa é sempre bom. O que atrapalha é a viagem de volta.
Mala, avião, aeroporto, check-in, imigração, poltronas apertadas, cansaço. Quatro aeroportos em cerca de 18 horas. Mas, finally home. A viagem foi interessante, mas cansativa. Tenho alguns posts preparados, mas isso fica para depois.
Cheers.

domingo, 16 de agosto de 2009

This is LA


A viagem de Assunção para Los Angeles foi mais ou menos assim: cheguei em Sampa lá pelas duas e, após uma rápida passagem na Receita para registrar uns eletrônicos que carregava comigo (simpaticamente atendido, pela segunda vez pelos funcionários do órgão), dirigi-me para o Fast Sleep do aeroporto. No Fast Sleep você aluga uma cabine, com ou sem banheiro privativo, para passar algumas horas. Eles cobras R$ 50,00 pela primeira hora e R$ 15,00 pelas adicionais. Há pacotes específicos. Se sua cabine não tiver banheiro, você pode usar os banheiros sociais, que são constantemente limpos e higienizados. Os quartos, ou melhor, cabines, são minúsculos, mas contam com telefone, TV e internet. Tudo muito limpinho e bem organizado. Paguei R$ 115,00 por quatro horas em cabine com banheiro privativo. A experiência foi bacana, pois pude descansar e tomar um bom banho antes de encarar as doze horas e meia de vôo para LA.Delta Airlines. Não gostei. Eles usam um 767-300 ER no trajeto, que não é dos piores aviões, mas não é novo. Não dispõe de monitores de tv individuais, o que hoje, num vôo com essa duração é praticamente obrigatório. O serviço de bordo, na minha opinião é ruim. Os comissários são simpáticos o bastante para americanos, mas a qualidade do que é servido perde até para a TAM em vôos mais longos. Caraca, acho que perde até para a TAP. O vôo transcorreu sem sobressaltos e até passou bem depressa.
Chegamos a Los Angeles. Nosso Consulado fica em Beverly Hills, aparentemente na parte pobre da cidade. Surpresa: em pleno sábado pela manhã, o lugar tinha cara de domingo. Tudo fechado e quase nenhum movimento. O Consulado fica no prédio onde funciona a Flynt Publications. Sim, isso mesmo, do Larry Flynt, o maluco da Hustler. O escritório dele ainda é no mesmo prédio e ele possui um monte de negócios diferentes, cassinos, empresa de aviação, o diabo.
John Wayne guarda a entrada do dito edifício. No fim da tarde, após uma tentativa de iniciar os trabalhos, resolvemos dar uma volta. Nos indicaram um passeio pelo The Grove, que compreende um shopping a céu aberto, além de um edifício inteiro - que não cheguei a explorar - e um Farmer's Market, cheio de barracas de comidas e bugigangas. Algo que não esperava encontrar em LA LA Land. O lugar é bacana e muito movimentado. Aliás, uma das barracas onde se podia ver uma longa fila era a da Pampas Grill. Bem, hoje alugaremos um carro e daremos uma banda por aí.

Paraguay, bye, bye.

Quatro dias em Assunção. Não conheci nada, mas saí com uma impressão até que boa de lá. Não tive a chance de andar muito pela cidade, pois o tempo era escasso e tivemos muito trabalho. Reencontrei amigos que não via há anos e essa foi a melhor parte de nossa passagem por lá. O Consulado está muito bem instalado e o pessoal que lá trabalha é da melhor qualidade. A cidade, em alguns pontos - principalmente o centro - lembra muito as nossas próprias cidades. O reencontro com a cultura paraguaia foi muito bacana para mim e trouxe lembranças. Não tive a mesma sensação em Ciudad del Este de onde, apesar de ter conhecido um pessoal bem bacana no Consulado, não pude guardar uma boa impressão. Aquele lugar é, como diria o Bezerra da Silva, "macabro".
Em Assunção não pude deixar de comprar um mateiro de alumínio revestido em couro e uma bomba de alpaca, para restaurar meu hábito de tomar tereré. Aproveitei a passagem por um shopping center para comprar música. Não encontrei o que procurava, mas encontrei bons discos dos Fabulosos Cadillacs, do Soda Stereo e de uma banda paraguaia muito doida chamada Revolber. Fui atendido por uma moça que me orientou super-bem. Coisa que hoje só se encontra em lojas mmmmmuito boas de discos no Brasil.
Nosso hotel era antigaço, numa casa de que deve ter pertencido a uma fazenda. Pés-direitos dignos de palácios antigos e instalações idem. Mas o staff - como o povo paraguaio em geral - muito simpático e atencioso. Usar guaranis é uma experiência surreal. A conta do hotel deu Gs 1.320.000,00!! E , em determinado momento eu tinha meio milhão de guaranis na carteira. A fórmula é a seguinte: tira-se 3 zeros, divide-se por dois e subtrai-se 10% para se chegar ao valor em reais.
LA fica pro próximo post.

domingo, 9 de agosto de 2009

Niagara x Iguaçu

Fiz hoje um passeio que me devia há anos: fui às Cataratas do Iguaçu. Nos anos 70 meu pai nos levou para conhecer as 7 Quedas (que eram 15), que depois desapareceram com a formação do lago de Itaipu. Hoje o tempo amanheceu virado, nublado, com muito vento e frio, depois de dias de tempo bom e calor. Devo dizer que mesmo sem conhecer eu já imaginava que as nossas Cataratas eram mais imponentes, pois elas caem em vários pontos, por vários degraus e com intensidades diferentes. As do Niagara caem principalmente num único ponto, majestoso, bem verdade.

Sem bairrismos, as nossas arrasam. Altamente elogiável também é a estrutura existente hoje no parque. Muito organizado, limpo e bem mantido, o Parque das Cataratas é exemplo a ser seguido.

Sinta-se em casa.

Veja o que a cuidadosa camareira do hotel em Foz fez todo santo dia, ao arrumar o quarto:




quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Ciudad del Este

Chegar a esta cidade ontem no fim da tarde foi algo de assustador. O lugar parecia uma sucursal do inferno. Muito carro, caminhão, moto, gente, lixo, bagunça, sujeira e uma desorganização generalizada. Nem vou comentar sobre o fato de eu ter vindo do aeroporto com minha mala (19kg) no meu colo, pois o carro que nos buscou não comportava todas as malas e as pessoas. A Ponte da Amizade é outra coisa de surreal - nem vou entrar no mérito de que a coisa toda é surreal - com grades altas que supostamente deveriam evitar que contrabandistas atirem mercadorias por sobre a amurada para lanchas e botas lá no rio. Bem, não funciona muito, aparentemente. Um rapaz que estava lá para nos ajudar contou histórias de horror, dignas de morro carioca, sobre assassinatos encomendados por traficantes e contrabandistas, sobre a polícia de Foz do Iguassu que após as dez da noite trata qualquer um como bandido no melhor estilo "bate primeiro e pergunta depois"...Scary. Hoje começaremos o trabalho no Consulado, esperando que a primeira impressão seja, senão apagada, pelo menos amenizada.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

On the road again

Quando eu mais preciso de um descanso, eis que sou obrigado a viajar. Muita gente sonha com um trabalho no qual viagens sejam uma constante. Creia-me, amigo meu, nem sempre você vai estar a fim de arrumar mala, reservar hotel, enfrentar aeroporto, longos vôos. Meus próximos destinos serão Ciudad del Este e Assunção e depois Los Angeles. Só de pensar que enfrentarei 13 horas no vôo para LA e depois a imigração americana, já dá um desânimo. Pior que isso é chegar num sábado pela manhã e ir direto trabalhar. Verei se consigo postar minhas impressões dessas cidades. Nasci e cresci próximo à fronteira com o Paraguai, mas ambas as cidades aí são novidade. Assim como Los Angeles. Vai ser minha primeira incursão aos Estados Unidos e minha segunda à América do Norte. Sinceramente não estou um pingo a fim de viajar. Mas...trabalho é trabalho. A reforma de nosso novo apartamento tá quase acabando e devemos nos mudar assim que eu retornar desta viagem. Mas por mim, me mudaria semana que vem. Voltarei a escrever "da estrada". Inté.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

27 de julho: dia do motociclista




As fotos acima foram tiradas no último dia do 6º. Bsb Moto Capital.


Viva nós. Eu e todos aqueles que em algum momento de suas vidas foram picados pelo mosquito motociclístico. Viva todos aqueles que usam a moto todos os dias, faça chuva ou sol. Todos aqueles que escolheram eliminar duas rodas de suas vidas e assim economizar tempo, estacionar em espaços exíguos, poluir menos - ao contrário do que afirmam certas "otoridades"- e contribuir cada vez menos com os congestionamentos que assolam nossas cidades. Viva todos aqueles que sobem pela manhã em suas motos e passam o dia entregando pizza, documentos, encomendas, água, gás e toda sorte de coisas que precisem chegar rápido aos seus destinos. Viva todos aqueles que se arriscam nesse trânsito cada vez mais selvagem e egoísta de nossas cidades.

É um dia excelente para se discutir opções para um trânsito mais amigável e mais pacífico. Não somos vilões. Mas muitos de nós, infelizmente, não são mocinhos. Cada um de nós precisa fazer sua parte para que o todo do trânsito possa melhorar. Devemos dar o exemplo todo santo dia, e desmentir aqueles que acham que todo motociclista é um marginal em potencial. Ao levar uma fechada, respire fundo e siga seu caminho. Revidar só vai levar a mais violência e mais incompreensão. E aos motoristas, vale lembrar que quando se fecha um outro automóvel, corre-se o risco de uma batida, danos materais. Quando se fecha um motociclista - não importa o que tenha ele feito - o risco de uma queda fatal é altíssimo. Seu retrovisor não vale uma vida. E aos meus caríssimos colegas de guidão, deixemos os retrovisores dos carros em paz. É bem verdade que muitos deles não são utilizados. Fazer o quê? Paz no trânsito. E viva a motocicleta. Viva nós, motociclistas!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O quintal da minha casa

Muita gente sabe onde fica Brasília. Muita gente conhece Brasília. Pouca gente conhece bem Brasília. Menos gente ainda tem noção de que Brasília não é só um monte de edifícios desenhados e construídos nos anos 50/60. A maioria acha que é onde ficam os políticos pilantras. Na, na, não. Político pilantra - a maioria de outros estados - fica só três dias por semana aqui...
Mas não é sobre isso que quero escrever. Vejam estas fotos:
Sabem o que é isto? O quintal da minha casa. Ahã, isso mesmo, meu quintal. Sabe o que são aquelas árvores ali? Espécies nativas do cerrado brasileiro. Não foram plantadas ali não. Nasceram ali. Os que moram no Rio têm na Floresta da Tijuca seu pedacinho de Mata Atlântica. Não sei onde fica exatamente, mas não acho que muita gente tenha a Floresta da Tijuca como seu quintal. Em Sampa nem faço idéia de onde fica a mata nativa mais próxima. Mas em Brasília não é preciso andar muito para encontrar o belo e velho e bom cerrado. Ele está ali, na entre-quadra. Está lá, no Parque da Cidade, em abundância. Está nas 900, na Asa Norte. E em alguns pedaço da Asa Sul também. Está lá pros lados do Pontão. Está no Parque Olhos d'Água, em plena Asa Sul, superquadra 412/413 se não me engano. Esse parque, aliás, é todo natural. Nativo. Originalzinho...Assim como pelo menos 70% da vegetação do enorme Parque da Cidade. Ele está também na reserva biológica do Sudoeste, protegido (ainda) da especulação imobiliária. Está logo ali, atrás da Praça dos Três Poderes e em torno dos palácios da Alvorada, do Jaburu e da Granja do Torto. E basta sair da cidade que ele está por toda parte. Quer ver? Olhaí, a menos de 30 minutos do Plano Piloto:
E pra essa foto eu fui longe, nem precisava. E a sua casa, tem quintal?



quinta-feira, 9 de julho de 2009

Herói ou um policial muito estúpido?

Vocês devem ter lido algo recentemente sobre um assalto no Rio de Janeiro - ou teria sido em São Paulo? - bem não importa. Eis a situação:
quadrilha assalta banco, em pleno horário comercial, sem disparar um único tiro. Ao sair, é avistada por policial - eu disse policial, no singular - que resolve, sabe-se lá por que razão, impedir a fuga da quadrilha - eu disse quadrilha, coletivo. Segue-se troca de tiros durante a qual adolescente é baleada na barriga, vindo a falecer no hospital horas depois.
Que tipo de treinamento recebem nossos policiais? Será que não são ensinados a executar o mais básico dos procedimentos, ou seja, pensar? Não passou pela cabeça do idiota, digo, policial, que ele tinha a seu favor o fato de estar à paisana, e que ele poderia anotar a placa e a descrição do veículo de fuga e desta forma, avisar a seus colegas policiais, que poderiam por sua vez tentar cercar o veículo da fuga, quem sabe em local menos movimentado? Não teve a capacidade de pensar que contra ele pesava o fato de estar sozinho e enfrentar uma quadrilha - coletivo, lembram? Não passou pela cabeça do energúmeno que fogo seria respondido com fogo, em plena rua, cheia de civis e em horário comercial e que isso, como vou dizer, não é bom? Esse camarada vai ser visto como herói, ou como o policial estúpido e incompetente que é, que ainda por cima causou a morte de uma adolescente que fazia compras no local, inocentemente, no dia do seu aniversário. Santo Presente, hein Batman?

domingo, 5 de julho de 2009

Domingo é dia de...

Acordar tarde, ir à missa, fazer compras na feira, fazer nada...
Cada um tem seu jeito de curtir o domingo. Para alguns é dia de dormir mesmo até tarde, sem culpa, e acordar com o cheiro do frango assando na cozinha. Para outros, nada justifica ficar na cama além das sete da manhã: é dia de levantar cedo para curtir ao máximo, mesmo que seja para ficar na frente da tv o dia todo.
Para uns é dia santo, para outros dia de pequenos pecados como o da gula.
Eu, particularmente, acordo cedo todos os dias. A não ser que esteja muito frio, ou que eu esteja com muito sono. Ou de ressaca. Há anos cultivo o hábito de levantar-me cedo aos domingos. A manhã do domingo é meu momento solo. Saio para andar de moto, sem rumo, saio para fotografar, sento à frente da tv para assistir filmes ou a uma corrida. Desde os tempos do colegial já tinha esse hábito. Enquanto entre meus colegas rolava uma competição para ver quem dormia mais, eu quase abria a piscina do clube. Sempre curti muito as férias de verão, mesmo quando não viajávamos. Depois do almoço, enquanto muitos se refestelavam em seus sofás, eu pegava minha moto e saía sem rumo por aí.
Mais tarde um pouco, passei a usar essas manhãs de domingo para me "perder". Morei em São José do Rio Preto durante os anos de faculdade e saía frequentemente cedo para explorar recantos da cidade. Me perdia com vontade, para ver se achava fácil o caminho de volta.
Era como a música do Ira!: "nas manhãs de domingo, parece que todos olham pra você/Atravessando as ruas sem olhar pro farol/Nas manhãs de domingo..."
E ao escrever esta postagem, às 0715 da manhã, estou ainda indeciso sobre o que fazer: levar o cachorro pra dar uma volta, dar uma volta de moto e depois lavá-la...Bem, não tenho porque ter pressa, afinal é domingo.
E você, o que faz aos domingos?

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Coisas que a cidade esquece




Vez por outra nossos administradores públicos criam leis, regulamentos e outros atos do gênero com o propósito de coibir todo tipo de prática. Normalmente a coisa toda segue padrões da moda ou reclamação geral da comunidade.
Há não muito tempo, o governador do Distrito Federal, seguindo o exemplo do prefeito de São Paulo, resolveu bolar a lei da cidade limpa. Brasília era, então, uma infestação de placas, faixas e outdoors de todo tipo e tamanho, afixados em qualquer lugar, sem o mais vago critério. Havia faixas anunciando cursos, feiras, garage sales, eventos de todo tipo, vendas de apostilas, serviços de digitação e por aí afora. Os outdoors estavam (bem, muitos deles ainda estão) por toda parte. Faixas nos canteiros centrais, em árvores, em cercas, nos gradis de pontilhões e viadutos, fachadas de edifícios, etc. A fiscalização sempre existiu, mas nunca coibiu qualquer dessas práticas. E olhem que não era difícil: todas elas continham, pelo menos, um número de telefone. Já ouviram falar em fiscalização inteligente? Pois por aqui isso não existia. As autoridades alegavam falta de recursos. Ok, vá lá.
Mas aí veio a legislação pertinente e a fiscalização, e por algum tempo as faixas - úlceras na cara da cidade - desapareceram.
O tempo passou e os "colocadores de faixa" encontraram pequenas brechas na legislação. Por exemplo: as faixas não são mais fincadas no chão, mas ficam de pé por força e obra de trabalho contratado, sabe-se lá por quanto. Duplas encarregam-se de chegar pela manhã aos locais indicados e de segurar as faixas até o fim do dia. Tecnicamente as faixas não estão "afixadas" mas somente sendo apresentadas ao público que passa. Ridículo, não? Pois é. Mas a criatividade vai mais longe. Nos setores onde se localizam as concessionárias e oficinas, caminhões - isso mesmo - caminhões com gruas são estacionados em área pública como canteiros centrais e áreas vizinhas às vias de acesso e das gruas são dependuradas faixas gigantescas que ali permanecem durante o dia todo. E a fiscalização o que acha disso? Quem sabe? Em datas espceciais como o dia das mães, os senhores deputados distritais fazem a sua parte, o desserviço de colocar faixas - pequenas, mas numerosas - por toda parte, "parabenizando" as mães pelo seu dia, ou o que quer que seja a comemoração do dia. Aparentemente a legislação não prevê punição para o senhor distrital. Ele, eleito pelo povo, e que deveria ser o primeiro a zelar pelo cumprimento de leis, é o primeiro a descumpri-las. Curioso é que isso só acontece em anos que precedem anos eleitorais. Como se com isso eles esperassem refrescar a memória do eleitorado. Seria ótimo que o eleitorado mantivesse essa memória fresca no dia da eleição e se recusasse a reeleger deputado sujão e desrespeitador de leis.
E as faixas, assim, voltam às nossas ruas, com toda força. Impunes.
Lá em cima, fotos em diversos pontos da cidade como Sudoeste e Asa Sul.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Chapéus e cavalheiros


Bons tempos aqueles em que se usava chapéu. Hoje em dia está cada vez mais difícil ver um cavalheiro usando chapéu. Damas só em ocasiões especiais. Concentremo-nos no âmbito masculino. Bem verdade que muito descoladinho por aí usa chapéu. Mas o acessório, nesses casos, perdeu o charme, na minha opinião. Vão sempre tortos nas cabeças, acompanhando tênis nos pés. Tsc, tsc. Meu primeiro chapéu comprei no Panamá. Sim, um Panamá. Os legítimos são feitos no Equador, único lugar onde se encontra aquela palhinha molinha e flexível. Depois, há alguns anos, comprei um de feltro muito bacana, marrom, de inverno, em Gent, Bélgica. Usava-o sempre que podia. Na mudança da Holanda para cá, apesar de meus reiterados pedidos, o pobre foi embalado de qualquer jeito, prensado entre objetos mais pesados. Chegou aqui todo deformado. Esse chapéu já fora arrancado da minha cabeça numa noite de vento e chuva e, numa cena típica de desenho animado, parou bem debaixo das rodas de uma van. Desconsolado, resgatei-o do aslfato sujo e molhado e levei-o para casa. No dia seguinte, já escovado e cuidadosamente colocado sobre superfície plana, estava pronto para outra. Mas não resistiu à incompetência do primeiro mundo.
Nesse meio tempo descobri os excelentes Tilley. Feitos no Canadá, os Tilley foram criados por um sujeito - Mr. Tilley - que adora viajar, velejar e outros "ar", e sentia-se frustrado por não encontrar um chapéu que aguentasse os rigores de suas aventuras. Criou o primeiro protótipo que fez sucesso entre seus familiares e amigos. A partir daí, foi evoluindo e hoje conta com uma fantástica linha de chapéus, roupas e acessórios para viagens. Dê uma sacada: www.tilleyendurables.com
Os chapéus do sêo Tilley protegem do sol, são extremamente resistentes, bóiam, secam rápido, podem ser achatados na mala, entre outras características bacanas. Na recente viagem ao Canadá, não resisti e adicionei outro modelo ao meu guarda-roupa: o modelo Audubon, em verde oliva, juntou-se ao tradicional T5. São chapéus para serem usados frouxos na cabeça e por isso mesmo muito confortáveis.
Mas infelizmente, no Brasil, estranha-se ao ver alguém usar chapéu - exceto lá em Barreto- pelo simples prazer de usá-lo. Tom Jobim o fazia sem problemas. Fazia parte do "personagem". Por outro lado, os homens de outros tempos eram mais elegantes. Mesmo os jovens. Os tempos são outros, mas gostaria que o hábito de usar um bom chapéu voltasse. Farei a minha parte.

P.S.: a foto lá em cima foi tirada do site da Tilley e mostra o Audubon.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Toronto e outras coisas

Tenho atualizado o blog menos do que gostaria. Parece que em um momento ou outro todo blogueiro acaba usando essa desculpa. Um misto de falta de tempo - o trabalho tem ocupado largas horas - e falta de animação são os culpados. Falta de animação, não de inspiração. Toronto revelou-se uma cidade muito bacana, apesar de um tanto movimentada demais para o meu gosto. O oposto exato de Ottawa, que tem um ar quase interiorano, apesar do buxixo que rola na área do By Ward Market nos fins de tarde. Diferentemente de alguns colegas, achei o povo canadense muito simpático. O atendimento em lojas e restaurantes tem sido, do meu ponto de vista, agradável e solícito. Há pequenas variações e exceções à regra, mas isso é normal e perfeitamente aceitável. O trabalho tem corrido bem. Como acontece com toda instalação de um novo sistema, tem gente que aceita e pega rápido e tem outros que ficam mais reticentes, com medo de deixar de lado procedimentos e rotinas já bem conhecidas. Mas, felizmente, isso está correndo bem.

Pude tirar umas horinhas para passeios. No sábado, por exemplo, fui à CN Tower no fim do dia. Tirei um bocado de fotos (trouxe a pequena notável Canon Powershot A590IS, muito mais carregável do que a EOS 400D), como seria de se esperar. Passei a pé por ruas movimentadas e outras mais escondidas, dei voltas pelo bairro central onde se localiza a Universidade e, esgotado, voltei pro hotel. No domingo fomos em grupo para Niagara Falls. Passamos um dia muito agradável e divertido (e molhado). E ontem, dia 15, foi dia de compras. Não achei o que buscava. O que achei, comprei errado. E achei o que não procurei, o que acaba sendo sempre interessante. Bateu saudade de casa faz tempo e estou muito agradecido porque amanhã embarcamos de volta. Termino com umas fotos: a primeira de Niagara Falls e a segunda, do lago visto de uma das janelas de observação da CN Tower.




domingo, 7 de junho de 2009

Canadá: primeiras impressões

Minhas primeiras impressões do Canadá não poderiam ser melhores. Bem verdade que Ottawa é uma cidade que pode ser considerada pequena. Mas há uma certa vibração por aqui. Essa impressão pode ter sido reforçada pelos dias excelentes que têm feito. Dias claros e de muito calor – para os padrões canadenses, claro. Fui extremamente bem atendido em todos os lugares onde entrei. Lojas, restaurantes, bares e táxis. Táxis são conduzidos em sua grande maioria por imigrantes. Nas lojas, atendentes simpáticos e solícitos, sempre com um sorriso no rosto. Nos bares e restaurantes, garçons e garçonetes atenciosos e de bom humor, gente que aparentemente gosta do que faz. Algo que europeus poderiam aprender com os canadenses, pois em certos lugares temos a impressão de que estão nos fazendo um favor quando nos atendem. Pelas ruas, inclusive à noite, o verão provoca a subida de saias e redução de shorts. Muita pele à mostra, muita alegria e disposição, mesmo no frescor (para eles, frio para nós) da noite. Esse fato pode ser facilmente explicado pelos invernos de seis meses ou mais e temperaturas que podem girar em torno de -35C. Nesta área de predominância da língua inglesa o bilinguismo está por toda parte. Não vou poder conferir se na área de predominância do francês o mesmo ocorre, mas imagino que sim. O que me supreendeu foi a secura do ar em Ottawa. Mesmo estando às margens de um grande rio e praticamente cercada por água, a cidade tem um ar muito, muito seco. E isso vindo de alguém que mora em Brasília e já morou no meio do deserto saudita. Rosto, lábios e um mal-estar geral são as consequências disso. Bem, mas hoje é domingo e aprevisão é de uma frente fria que trará chuva. Veremos o que nos reserva o dia.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Thank you.

This is the first - and most probably - the only post I'll write in English. And the reason for that is to thank my new friends at Sprint Computer, in Ottawa. Tim Warden and his cohorts were extremely helpful in trying to locate a netbook (which I am using to write this post) for me. Their offer, although pretty good, couldn't be fulfilled until next Monday. So Tim phoned and phoned until he finally secured me machine. He didn't even blink when I asked if it would be too much trouble for him to get me a cab. So, there it is guys: thank you so very much. You rock!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Aeroportos, lá vou eu.

Amanhã parto para mais uma missão, a primeira desde meu retorno no ano passado. Viajar não é tão divertido assim. Fazer mala, planos, conferir tudo, verificar se nada que poderá ser necessário para a viagem ficou para trás. O pior de tudo: decidir o que levar. Por mais que tente viajar leve, não consigo deixar de pensar em imprevistos, emergências, etc. Verdade, há fórmulas testadas para se decidir exatamente o que levar numa viagem. Mas não consigo. 15 dias fora resultaram em quase 20 kg de bagagem. Minha bagagem de mão é que está compacta: só uma bolsa do tipo mensageiro. Será que tá frio? Será que o frio continua? Levo roupa leve? Quantas calças, camisas, camisetas...Arrrrrrrrrrrrgh!!
Para completar estou tendo que viajar com uma mala maior do que queria, simplesmente porque a menor disponível não comportava minhas coisas. A intermediária...não está em casa. Bem, bem. Na pior das hipóteses, tem espaço para cositas. Quem viaja sem comprar alguma coisinha? Ainda mais que tem 4 aniversários na família nos próximos dois meses, além de dia dos namorados (minha "namorada" não deixa passar em branco).
Em outra nota, nossa reforma vai começar esta semana. A boa notícia é que a cozinha não vai sair tão cara quanto temíamos. Por outro lado, o sistema elétrico requer uma alteraçãozinha, se quisermos instalar chuveiros de gente grande. Explico: o apê é no primeiro andar, a água tem pouca pressão. O que exige um chuveiro pressurizado, portanto mais potente. Mas o eletricista já acenou que o serviço não é complicado (estar no primeiro andar tem suas vantagens), apesar de ainda não ter apresentado a estimativa de custos. A decisão final sobre piso para a cozinha vai ficar para a minha volta. Bem como a decisão para as cores de paredes e portas.
Tentarei escrever do Canadá, se a aquisição de um netbook der certo. Valeu? Então tá e inté.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A praça da discórdia

E Oscar Niemeyer está realmente empenhado em construir sua bendita praça. Diminuiu seu tamanho, propôs a construção em outro lugar, insistiu no discurso de que a capital federal "precisa" de uma grande praça. A praça dos três poderes é o quê? Os jardins da torre de TV são o quê? Putzgrilo, a Esplanada é o quê? Uma grande praça, basta colocar uns bancos por ali e pronto. Brasília "precisa" sim, senhor Niemeyer, de soluções inteligentes para os problemas de cidades grandes que a afetam, como a falta de estacionamento, o trânsito caótico - que tem origem no excesso de veículos, e que por sua vez tem origem na péssima qualidade do transporte público. Sem falar no péssimo estado de conservação de alguns edifícios que o senhor mesmo desenhou. Dessa forma, em lugar de gastar dinheiro público com a construção de mais um espaço "cívico", a população de Brasília prefere que esse seja gasto com obras e melhorias que tragam realmente algum conforto para quem aqui mora - e já demonstrou isso repudiando a idéia da construção pretendida pelo famoso arquiteto. Da idéia original, apenas o estacionamento deveria ser aproveitado. E registro aqui que sou a favor de se começar a cobrar por estacionamento em áreas como o setor comercial sul e, se um dia for mesmo construído o estacionamento sob a Esplanada, esse também deveria ser cobrado.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A primeira reforma, pt. II

A reforma ainda não começou. Mas o volume do que tem para fazer aumentou. Descobrimos, na dependência de empregada, uma infiltração que vem provavelmente do banheiro da suíte. Isso requer um exame mais detalhado, pois o problema pode exigir quebra-quebra. A cozinha é original, da época da construção do apartamento - uns bons 30 anos atrás. Não está em mau estado, mas a quantidade de armários é pequena. Daí, resolvemos que uma cozinha nova não seria má idéia. Mas o piso é original: feio e não combinaria com uma cozinha branca. Bem, vamos ter que fazer o piso da cozinha. Felizmente, hoje em dia já se pode assentar um piso sobre o outro e no nosso caso isso parece ser possível. O que é bom, pois evitamos quebra-quebra, que consome tempo. Uma das paredes da cozinha, bem, essa não vai escapar. O revestimento é diferente do das demais paredes, e estranhamente igual ao dos banheiros, o que nos leva a crer que houve ali um lavabo, desmanchado a fim de se aumentar a cozinha. Por que cargas d´água o sujeito não trocou o revestimento da parede é que é o mistério. O pedreiro vai fazer o reconhecimento do local hoje, e o eletricista/bombeiro amanhã. Daí teremos uma idéia mais clara do tamanho do pepino que vamos ter que descascar. Temos uns poucos dias para tomar algumas decisões-chave. Dia 3 viajo para o Canadá, por quinze dias.

domingo, 17 de maio de 2009

Vendedores de esquina

Eles estão por toda parte. Provavelmente na maioria das grandes cidades do Brasil. Ao chegar de volta à terra brasilis, voltei a me espantar com a sua presença. A gente se acostuma. A gente acaba se acostumando. Vendem de tudo: panos de chão, frutas da época - caquis, atualmente - jornais (procuro só comprar deles) e por aí vai. Com o tempo, dá para deixar de vê-los com desconfiança. Sim, certamente eles poderiam estar roubando ou simplesmente mendigando. Mas estão ali, o dia todo, debaixo do sol, tentando voltar pra casa com algum no fim do dia. Os vendedores de jornal são sempre simpáticos. Os panos de chão são ótima qualidade e as frutas, acredite ou não, estão sempre frescas. Poucos, mas motivos mais que suficientes para me fazer desistir de fechar a janela do carro. Não me incomodam mais. Nem mesmo os que ficam distribuindo panfletos de propaganda de tudo quanto é loja e supermercado da cidade. Eles acabam sendo úteis. Pense bem nisso, antes de fechar a janela do carro ao primeiro sinal de alguém lhe oferecendo algo no cruzamento.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Aqui começa a nossa primeira reforma

Amanhã sairei para o primeiro levantamento de preços, antes de começar a pequena obra do nosso novo apertamento. Como mencionei, o apê é funcional. Como todo funcional, nunca é entregue perfeito. As coisas já foram piores. O primeiro que recebemos (à época dividiria com outros dois colegas, solteiros), estava totalmente destruído. Soubemos que a pessoa que o ocupava, ilegalmente, recebera ordem para vagar o imóvel e decidiu destruí-lo, para se vingar. Como prova da benevolência vigente então, nada aconteceu com a pessoa. Bem, lá fomos nós ver o tal apartamento, que possui uma vista muito bacana, pois fica no fim da Asa Norte. Nada inteiro sobrou. Armários destruídos a marreta, piso com tacos arrancados - até marcas de fogo achamos - louças de banheiros quebradas, pedra da pia destruída, paredes rachadas, vidros cheios de restos de sabe-se lá o quê, enfim, uma visão do inferno. Desta vez, fomos ver o imóvel com ambos os pés atrás. Para nossa surpresa, nem está em estado tão abominável. Uma reforma faz-se necessária sim, mas nada radical.
Como dá para ver pela foto acima, a sala vai requerer pouco serviço. O pior encontra-se na cozinha e nos banheiros. A cozinha pede novos gabinetes e uma troca de azulejos em uma das paredes. No geral, há poucos serviços de monta e muitos outros menores. Também não temos certeza das cores a serem utilizadas. Arandelas serão substituídas, fechaduras, tomadas e interruptores, também. Chuveiros e ventiladores de teto precisam ser instalados e válvulas de descarga consertadas. Vou mostrar capítulos dessa pequena história aqui neste espaó, à medida em que eles acontecerem. Por ora, bon weekend.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Um pequeno furacão chamado Becky Sweet Demski

Semana retrasada ela chegou por fim. Esta é a Becky, nossa Jack Rusell Terrier. Um terror em forma de filhote. Tem dois meses e adora morder o que vê pela frente. Principalmente os pêlos da minha perna e os mindinhos dos meus pés. Não vemos a hora de poder levá-la para fora, pois energia ela tem de sobra.

Coisas que odiamos fazer

Já passei por muitas mudanças na vida. E já fiz e/ou ajudei a fazer muita mudança por aí. Mudança mesmo, de carregar móveis, geladeiras, caixas cheias de tralhas e tal. As três últimas foram minhas mesmo. Internacionais. A primeira delas foi tranqüila: tinha um colchão, uma cama, um jogo de sofás e uma porrada de cds. A segunda foi mais complicada. Já casado, acumuláramos coisas e cositas más. Container de 20 pés...atolado. A terceira. Achávamos que tudo sairia bem, afinal era uma empresa holandesa de renome. Nunca deu tanta m****! Até agora não conseguimos pôr tudo em ordem - mas isso não é mais culpa dos zola ("zolandês"). Pensei: agora estamos aqui, não há por que ter pressa. Até que resolvi, em fevereiro, pedir a cessão de um apartamento funcional, pois nosso contrato de aluguel vai até setembro e nem a mais remota possibilidade de comprar nosso cafofo nesses poucos meses em vista. Pois bem. Na quinta-feira passada recebo uma chamada do pessoal que coordena a cessão dos apês perguntando se eu gostaria de ver um apartamento que acabara de vagar. YES!!!!!!!! Fumus, vimos e gostemos. Como temos esses quatro meses de aluguel ainda, poderemos fazer uma reforma básica vagarosa e mais barata. Mas...bateu aquela lembrança: vais ter que fazer outra mudança, cabra! Putsgrilo. Não, de novo, não. Da última vez que mudei de endereço na mesma cidade, a mudança foi feita numa única viagem na Kombi da Elo, amiga minha do coração. Tinha a idéia de fazer a mudança aos poucos, levando um cadinho aqui e outro ali, montando um treco cá e outro acolá. Mas estou começando a achar que meu irmão tem razão e que é melhor contratar uns cabras pra fazer o serviço de uma vez só. Desanimo só de pensar em encaixotar coisas como discos, livros e afins. Bem, a nova morada vai ser ligeiramente mais espaçosa, mas ainda temos coisas pra fazer por lá, para ficar como queremos. Não é o nosso ainda, mas pelo menos não temos prazo para deixá-lo, o que nos dá tempo de sobra para procurar com calma algo para comprar. E nesse meio tempo, fazer uma bela de uma poupança.
Em tempo, desculpem pela ausência aos poucos de vcs que lêem estas malescritas.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Post atrasado

Este post era para ter saído logo após o aniversário de Brasília. Vai sair agora. Abaixo algumas fotos que tirei da maratona e dos preparativos para a festa, dia 21 de abril:
A destruição da Esplanada começou cedo. Os ambulantes não têm dó e simplesmente estacionam seus carros e reboques sobre o canteiro, recém-plantado.
A "redação móvel" da tevê grobinho também estava lá, desde cedo.

Esse aí andou o dia todo vestindo a bandeira do Brasil.


Aqui tentei um approach mais fotojornalístico, segurando a câmera bem no alto, sem ver o que estava fotografando. Usei o flash nesta. Os atletas eram das mais variadas idades, todo mundo se divertindo muito. Lógico que tinha os que estavam ali para competir. Dava pra ver a diferença nitidamente.

E até Tiradentes deu as caras.

Na foto abaixo, um dos muito momentos do revezamento.