quinta-feira, 26 de março de 2009

Out with the old, in with the new

Em Brasília, o velho e o novo convivem em harmonia. Ou quase. Quem passa por aqui fica com a noção de que Brasília é só arquitetura moderna, arrojada. Houve um momento na história da cidade no qual a arquitetura reinante resumia-se a barracões de madeira e telhado de lata (acho que Eternit ainda não existia). A Cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante, também não era pavimentada. Pudera, o destino da cidade seria a demolição, uma vez terminadas as obras de construção da Nova Capital. A Cidade Livre era o acampamento dos trabalhadores. Os que ficaram são conhecidos como Pioneiros.




Na foto acima, o prédio dos Correios. Abaixo, foto aérea, no qual pode-se ver a Avenida Central.


Pelas ruas do Bandeirante, como é chamado carinhosamente por aqui, ainda pode-se ver alguns edifícios remanescentes daqueles anos. O Hotel Central até há pouco tempo ainda funcionava, e encontrava-se exatamente como fora construído. Das construções mais célebres da capital pode-se mencionar a Igrejinha da Vila Planalto e o Catetinho. A primeira foi totalmente destruída pelo fogo e reconstruída recentemente seguindo as plantas e desenhos originais - apenas mais segura. O Catetinho quase foi todo carcomido por cupins, mas felizmente foi recuperado a tempo. A foto abaixo mostra uma casa na Vila Planalto, uma das muito poucas ainda existentes em sua forma original.

O desaparecimento desses exemplos de arquitetura tão simples quanto charmosa deve ser evitado a todo custo. Isso é mais que arquitetura. É história pura - perdoem a rima pobre. Finalmente, o exemplo do que há de mais moderno na arquitetura de Brasília, o belíssimo prédio da PGR, Procuradoria Geral da República.


terça-feira, 24 de março de 2009

E outra semana se passou

Radiohead, minha caríssima Ísis? Nah, não gosto dos caras. Aliás, gostei de muito pouca coisa que apareceu nos anos 90. Eu passei pela minha fase mais pop. Nunca tive paciência para Radiohead, Oasis, e aquele outro cujo vocalista sem graça casou com aquela atriz mais sem graça. Naqueles anos, além de explorar minha veia pop, redescobri boas coisas do blues, fui atrás de outros, como o grande JJ Cale, comprei Eric Clapton até enjoar. Não, isso já foi no século XXI. Houve um ponto em minha vida em que passei a ter desconfiança toda vez que um cantor ou banda começava a ser idolatrado. Meu tesão com a Legião Urbana durou até o quarto disco. Quando neguinho começou a chamar o RR de profeta, trovador, poeta isso e aquilo, eu disse: "parei". E comecei a comprar Gilberto Gil. Considero-me um sujeito de gosto eclético. Gosto de tudo um pouco, mas tem limites. Ouvi a palavra "axé" aí? Pra mim o axé matou o carnaval como eu o conhecia. Como não gosto de samba-enredo só me resta resgatar algum disco de marchinhas e curtir o carnaval em casa. Na minha coleção de CDs encontra-se de João Nogueira a ZZ Top, passando por Almir Sater, Fleetwood Mac, Miles Davis, Deep Purple, muito jazz e blues e pop descartável. Traço os limites quanto à música sertaneja (adoro música caipira, no entanto, modas de viola e tal): não dá, simplesmente não dá.




Pausa para uma foto nada a ver:

A Juju em frente ao belíssimo edifício da PGR, aqui na Capitar.


Voltando aos gostos musicais. Discordo de quem acha o John Lennon um gênio. Ele foi um gênio enquanto tinha como parceiro outro gênio que atende pela alcunha de Macca. Separados, o melhor deles era o George Harrison. Duvida? Ouça o póstumo "Brainwashed".

Outro dia li numa revista brasileira - não li, na verdade, pois não tive paciência ainda - de fotografia uma matéria sobre a velha questão: fotografia é arte? Na minha humilde opinião, se arte moderna pode ser considerada arte (sério, empilhar tijolos e dar à "obra" um nome estúpido?), então fotografia é a maior das artes. Os grandes mestres sempre usaram a luz de maneira criativa em suas obras-primas. Nada mais familiar à fotografia que o uso criativo da luz. Mas isso já é papo para um outro post. Então tá então.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Clodovil.

Uma semana sem postar nada. Não tenho desculpas a não ser desinteresse e falta de assunto. Os últimos dias, entretanto, foram muito interessantes. Escândalos nos EUA, chuvas no Brasil, a morte de Clodovil. Fico imaginando a alma dele chegando nos portões do céu e já criticando aquele robe branco sem-graça de São Pedro...Meu amor, precisamos por uma corzinha nisso aí, que está um horrrror!
Pois é. Goste-se dele ou não, o sujeito era um personagem cômico, frequentemente polêmico. Políticos no Congresso saíram a elogiá-lo em entrevistas, exaltando seu espírito, bom-humor e lembrando das polêmicas por ele deflagradas já nos seus primeiros dias de mandato. Ele deve ter sido, muito provavelmente, motivo de chacota entre os parlamentares, quando de sua eleição. Não importa. Meio milhão de votos não é para qualquer político.
Bem, os céus com certeza vão ficar um pouco mais alegres agora. Parafraseando minha amiga Marcita, vai chover purpurina.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Outras notícias que irritam

O Brasil é um país sem ídolos no momento. A imprensa em geral trabalha incessantemente em busca de um novo ídolo. Infelizmente a maioria é passageira, ou pratica esportes de pouca ou nenhuma repercussão entre nós. Após a morte de Senna, nenhum brasileiro fez muita coisa na F1. Para se ter noção, até Rubinho Barrichello está sendo bajulado pela mídia, por causa dos bons resultados nos treinos pré-temporada. O Guga durou 3 anos. Depois, mais recentemente, teve a Maureen Maggi. Cada um é objeto de bajulação e adulação incontroláveis pela mídia em geral.
Agora tem o retorno do Ronaldo. Desculpem, acho Fenômeno um exagero. Um grande jogador? Sim. Merece uma segunda chance? Lógico. Mas tem limites, né? Agora, cada jogo é uma estréia: contra o Palmeiras foi a verdadeira estréia (no Corinthians). Hoje é uma estréia: em São Paulo, praticamente em casa. Ainda falta a estréia no Parque São Jorge. Vai ter a estréia na Copa do Brasil, no Campeonato Brasileiro, na Taça Rio-São Paulo (existe ainda?), vai ter a estréia de inverno, a estréia de camisa nova, a estréia depois da chuva, a estréia dessa ou daquela semana...Aliás, deviam era mandar a conta daquele alambrado em Presidente Prudente para ele pagar. A torcida não teria arrebentado o troço não tivesse o sujeito pulado lá e a incitado.

Notícias que irritam

Nunca fui simpático ao movimento dos sem-terra. Assim mesmo, com minúsculas. Nem quando eu panfletava e bancava o cabo eleitoral petista. Nunca vi uma manifestação de qualquer um dos movimentos chamados "da terra" que me despertasse interesse ou concordância. No comecinho, eles escolhiam fazendas já declaradas improdutivas pelo governo e usavam a invasão como ferramenta de pressão. Não mais. As fazendas escolhidas são sempre de propriedade de gente famosa - políticos, em geral - quase nunca improdutivas e, o mais importante, muito bem montadas. A bandidagem começa na invasão. Os "trabalhadores sem-terra" invadem, chegam quebrando, depredando, destruindo, roubando e, não raro, atirando para matar. Depois dizem que atiraram em defesa própria. Não faz muito tempo, num dia internacional da mulher, as alas femininas de um desses movimentos, invadiu uma fazenda no sul do país, onde uma empresa produzia mudas de árvores para reflorestamento. Nesse lugar, pesquisadores trabalhavam há mais de dez anos. Todos seus esforços simplesmente ignorados e arrasados. As "senhoras do movimento sem terra" destruíram tudo o que encontraram pela frente. Mudas, arquivos, registros de pesquisas...Ninguém foi preso. Ninguém respondeu pelo caso. Essas mesmas senhoras, há dois dias, fizeram um protesto no qual depredaram estoques de celulose prontos para exportação, e usaram crianças, suas próprias crianças, como escudos vivos. Nenhuma autoridade levantou-se contra esse crime contra a segurança dessas crianças. Nessas horas, esses movimentos intitulam-se "movimentos sociais", portanto sem qualquer registro, não podendo responder como unidade. Mas podem receber ajuda financeira do governo, mesmo não tendo "registro". Eles têm como se organizar, têm porta-vozes mas não respondem criminalmente a nenhum desses atos. Quando Diolinda, esposa do José Rainha, era julgada por, se não engano, formação de quadrilha, apareceram interessados de todo lado, defendendo seus direitos humanos, transformando-a quase em mártir. A última grande fazenda alvo da reforma agrária tinha uma super-estrutura montada lá. A primeira providência tomada pelos primeiros assentados foi destruir o laboratório. Nas suas escolas, o mst ensina, ou melhor, doutrina suas crianças com o que há de melhor e mais ultrapassado em termos de ideologia de esquerda. E nada acontece.

Agora que a agropecuária brasileira atingiu níveis produtivos nunca antes antingidos (e isso graças ao odiado - pelos sem-terra - agronegócio), que a pesquisa brasileira na área está entre as mais diversificadas e produtivas (lamento pelos que discordam, mas a EMBRAPA deveria ser motivo de orgulho para todos nós e exemplo a ser seguido), querem levar o Brasil de volta à era da agricultura de subsistência. Esses sem-terra sequer têm a noção de, quando assentados, formar cooperativas e fazer uso das instalações que muitas vezes lhes caem no colo, caso do laboratório por eles destruídos em nome de uma ideologia canhestra. O INCRA deveria, isso sim, fazer um teste da enxada com todo e qualquer pretendente a um quinhão de terra.

Honestamente, não precisamos disso.

sexta-feira, 6 de março de 2009

De volta às aulas

Descobri já na faculdade que a vida acadêmica não é para mim. Não tenho concentração nem paciência suficientes para o estudo. Tenho a memória pouco treinada o que torna difícil a memorização de fatos e dados. De qualquer modo, pude absorver muito naqueles quatro anos. Depois disso, minha experiência com estudos resumiu-se a algumas horas por dia de estudo para o concurso (no qual acabei sendo aprovado) e, posteriormente, um curso para habilitação ao serviço exterior, necessário para os servidores do ministério que pretendem remoção (transferência) para o exterior. Uma festa em BH na véspera impediu que eu passasse no curso de serviço consular - tive que dirigir os 700km de ida, mais os 700 de volta, sozinho, em menos de 24h, incluindo o rega-bofe, que foi de responsa. A BR 040 naqueles dias não vivia seus melhores dias.
Nunca me preocupei em fazer pós ou mestrado, pois sabia que teria imensas dificuldades em conciliar meu dia-a-dia com uma volta aos estudos - sem falar na volta aos estudos propriamente dita.
Mas algo tinha de acontecer, mais cedo ou mais tarde. E assim decidi que aprenderia outra língua. Vejam bem, por razões que não enumerarei aqui, deixei de aprender árabe (vivi 5 anos na Arábia Saudita) e holandês (cinco anos e meio na Holanda). Escolhi o francês. Na faculdade, éramos duas turmas, inglês e francês. Naqueles tempos eu não morria de amores pela língua francesa, gostava mais do som do espanhol que do francês. Passei muito por Paris, com a Air France, durante meus anos árabes. Acabei me acostumando e descobrindo a musicalidade francesa. Foi curioso estar numa sala de aula de novo, e começando do zero, do abecedário, repetindo as palavras e frases com a professora. O curso é da Aliança Francesa e não estou pagando nada por ele. E ainda vou ensinar minha mulher. Veremos como a coisa rola.
E bom fim-de-semana.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Internet e seus mitos.

Vale a pena ler o artigo.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u398444.shtml

Inspiração: eu quero uma pra viver

Estou com falta de. Cheio de vontade de escrever, mas sem a menor inspiração. Escrever sobre o quê? É a pergunta que tenho feito a mim mesmo nos últimos dias. A coisa piora quando leio outros blogs e vejo textos super bem escritos, engraçados, articulados, etc. Fica aquela sensação de "não sou tão bom assim". Prefiro não ligar. Gosto de escrever, assim como gosto de fotografar (e também não sou tão bom fotógrafo como gostaria). Sabendo que não tenho talento para a literatura, formei-me em tradução. Nunca exerci a profissão, mas sempre tive vontade. Outro dia comecei a ler um livro traduzido por meu ex-professor (será que eles deixam de ser nossos professores algum dia?) e amigo Álvaro. Minha mulher diz que sou suspeito para falar, mas estou adorando a tradução feita por ele. Aí, bate aquela dúvida: será que sou um bom tradutor? Provavelmente não. Falta experiência.



Já escrevi sobre o trânsito, sobre a cidade onde vivo, sobre carnaval. E agora, cúmulo da falta de assunto, escrevo sobre a falta de assunto. Quem nunca viveu uma situação de falta de assunto? Aqueles momentos desagradáveis na sala de estar, na presença do pai da namorada, esperando o que parece ser horas, até que ela apareça pronta para sair. Que assunto puxar com ele? Futebol? Você não gosta tanto de futebol assim. Vamos falar sobre motos? Ele acha que todo motoqueira deveria ser eliminado sem deixar vestígios da face da terra. Tempo? Putz, falar sobre o tempo é coisa para vizinho que só troca bom-dia e para barbeiro. E subir em elevadores? Aquela vizinha que você sabe mora no apartamento de cima, já cruzou com ela no hall várias vezes, de repente toma o elevador com você. E só com você. E o seu andar não chega nunca...



O escritor que senta-se à frente do computador e encara a página em branco é figura carimbada em filmes. Por onde começar? Como começar? Não, não. Preocupe-se com o epílogo quando a hora chegar. Que Deus abençoe os escritores e os proteja nos momentos em que a falta de inspiração lhes bater à porta.



A propósito, o livro que estou lendo chama-se "Cidade de Ladrões", de David Benioff. Recomendo.