segunda-feira, 22 de junho de 2009

Chapéus e cavalheiros


Bons tempos aqueles em que se usava chapéu. Hoje em dia está cada vez mais difícil ver um cavalheiro usando chapéu. Damas só em ocasiões especiais. Concentremo-nos no âmbito masculino. Bem verdade que muito descoladinho por aí usa chapéu. Mas o acessório, nesses casos, perdeu o charme, na minha opinião. Vão sempre tortos nas cabeças, acompanhando tênis nos pés. Tsc, tsc. Meu primeiro chapéu comprei no Panamá. Sim, um Panamá. Os legítimos são feitos no Equador, único lugar onde se encontra aquela palhinha molinha e flexível. Depois, há alguns anos, comprei um de feltro muito bacana, marrom, de inverno, em Gent, Bélgica. Usava-o sempre que podia. Na mudança da Holanda para cá, apesar de meus reiterados pedidos, o pobre foi embalado de qualquer jeito, prensado entre objetos mais pesados. Chegou aqui todo deformado. Esse chapéu já fora arrancado da minha cabeça numa noite de vento e chuva e, numa cena típica de desenho animado, parou bem debaixo das rodas de uma van. Desconsolado, resgatei-o do aslfato sujo e molhado e levei-o para casa. No dia seguinte, já escovado e cuidadosamente colocado sobre superfície plana, estava pronto para outra. Mas não resistiu à incompetência do primeiro mundo.
Nesse meio tempo descobri os excelentes Tilley. Feitos no Canadá, os Tilley foram criados por um sujeito - Mr. Tilley - que adora viajar, velejar e outros "ar", e sentia-se frustrado por não encontrar um chapéu que aguentasse os rigores de suas aventuras. Criou o primeiro protótipo que fez sucesso entre seus familiares e amigos. A partir daí, foi evoluindo e hoje conta com uma fantástica linha de chapéus, roupas e acessórios para viagens. Dê uma sacada: www.tilleyendurables.com
Os chapéus do sêo Tilley protegem do sol, são extremamente resistentes, bóiam, secam rápido, podem ser achatados na mala, entre outras características bacanas. Na recente viagem ao Canadá, não resisti e adicionei outro modelo ao meu guarda-roupa: o modelo Audubon, em verde oliva, juntou-se ao tradicional T5. São chapéus para serem usados frouxos na cabeça e por isso mesmo muito confortáveis.
Mas infelizmente, no Brasil, estranha-se ao ver alguém usar chapéu - exceto lá em Barreto- pelo simples prazer de usá-lo. Tom Jobim o fazia sem problemas. Fazia parte do "personagem". Por outro lado, os homens de outros tempos eram mais elegantes. Mesmo os jovens. Os tempos são outros, mas gostaria que o hábito de usar um bom chapéu voltasse. Farei a minha parte.

P.S.: a foto lá em cima foi tirada do site da Tilley e mostra o Audubon.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Toronto e outras coisas

Tenho atualizado o blog menos do que gostaria. Parece que em um momento ou outro todo blogueiro acaba usando essa desculpa. Um misto de falta de tempo - o trabalho tem ocupado largas horas - e falta de animação são os culpados. Falta de animação, não de inspiração. Toronto revelou-se uma cidade muito bacana, apesar de um tanto movimentada demais para o meu gosto. O oposto exato de Ottawa, que tem um ar quase interiorano, apesar do buxixo que rola na área do By Ward Market nos fins de tarde. Diferentemente de alguns colegas, achei o povo canadense muito simpático. O atendimento em lojas e restaurantes tem sido, do meu ponto de vista, agradável e solícito. Há pequenas variações e exceções à regra, mas isso é normal e perfeitamente aceitável. O trabalho tem corrido bem. Como acontece com toda instalação de um novo sistema, tem gente que aceita e pega rápido e tem outros que ficam mais reticentes, com medo de deixar de lado procedimentos e rotinas já bem conhecidas. Mas, felizmente, isso está correndo bem.

Pude tirar umas horinhas para passeios. No sábado, por exemplo, fui à CN Tower no fim do dia. Tirei um bocado de fotos (trouxe a pequena notável Canon Powershot A590IS, muito mais carregável do que a EOS 400D), como seria de se esperar. Passei a pé por ruas movimentadas e outras mais escondidas, dei voltas pelo bairro central onde se localiza a Universidade e, esgotado, voltei pro hotel. No domingo fomos em grupo para Niagara Falls. Passamos um dia muito agradável e divertido (e molhado). E ontem, dia 15, foi dia de compras. Não achei o que buscava. O que achei, comprei errado. E achei o que não procurei, o que acaba sendo sempre interessante. Bateu saudade de casa faz tempo e estou muito agradecido porque amanhã embarcamos de volta. Termino com umas fotos: a primeira de Niagara Falls e a segunda, do lago visto de uma das janelas de observação da CN Tower.




domingo, 7 de junho de 2009

Canadá: primeiras impressões

Minhas primeiras impressões do Canadá não poderiam ser melhores. Bem verdade que Ottawa é uma cidade que pode ser considerada pequena. Mas há uma certa vibração por aqui. Essa impressão pode ter sido reforçada pelos dias excelentes que têm feito. Dias claros e de muito calor – para os padrões canadenses, claro. Fui extremamente bem atendido em todos os lugares onde entrei. Lojas, restaurantes, bares e táxis. Táxis são conduzidos em sua grande maioria por imigrantes. Nas lojas, atendentes simpáticos e solícitos, sempre com um sorriso no rosto. Nos bares e restaurantes, garçons e garçonetes atenciosos e de bom humor, gente que aparentemente gosta do que faz. Algo que europeus poderiam aprender com os canadenses, pois em certos lugares temos a impressão de que estão nos fazendo um favor quando nos atendem. Pelas ruas, inclusive à noite, o verão provoca a subida de saias e redução de shorts. Muita pele à mostra, muita alegria e disposição, mesmo no frescor (para eles, frio para nós) da noite. Esse fato pode ser facilmente explicado pelos invernos de seis meses ou mais e temperaturas que podem girar em torno de -35C. Nesta área de predominância da língua inglesa o bilinguismo está por toda parte. Não vou poder conferir se na área de predominância do francês o mesmo ocorre, mas imagino que sim. O que me supreendeu foi a secura do ar em Ottawa. Mesmo estando às margens de um grande rio e praticamente cercada por água, a cidade tem um ar muito, muito seco. E isso vindo de alguém que mora em Brasília e já morou no meio do deserto saudita. Rosto, lábios e um mal-estar geral são as consequências disso. Bem, mas hoje é domingo e aprevisão é de uma frente fria que trará chuva. Veremos o que nos reserva o dia.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Thank you.

This is the first - and most probably - the only post I'll write in English. And the reason for that is to thank my new friends at Sprint Computer, in Ottawa. Tim Warden and his cohorts were extremely helpful in trying to locate a netbook (which I am using to write this post) for me. Their offer, although pretty good, couldn't be fulfilled until next Monday. So Tim phoned and phoned until he finally secured me machine. He didn't even blink when I asked if it would be too much trouble for him to get me a cab. So, there it is guys: thank you so very much. You rock!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Aeroportos, lá vou eu.

Amanhã parto para mais uma missão, a primeira desde meu retorno no ano passado. Viajar não é tão divertido assim. Fazer mala, planos, conferir tudo, verificar se nada que poderá ser necessário para a viagem ficou para trás. O pior de tudo: decidir o que levar. Por mais que tente viajar leve, não consigo deixar de pensar em imprevistos, emergências, etc. Verdade, há fórmulas testadas para se decidir exatamente o que levar numa viagem. Mas não consigo. 15 dias fora resultaram em quase 20 kg de bagagem. Minha bagagem de mão é que está compacta: só uma bolsa do tipo mensageiro. Será que tá frio? Será que o frio continua? Levo roupa leve? Quantas calças, camisas, camisetas...Arrrrrrrrrrrrgh!!
Para completar estou tendo que viajar com uma mala maior do que queria, simplesmente porque a menor disponível não comportava minhas coisas. A intermediária...não está em casa. Bem, bem. Na pior das hipóteses, tem espaço para cositas. Quem viaja sem comprar alguma coisinha? Ainda mais que tem 4 aniversários na família nos próximos dois meses, além de dia dos namorados (minha "namorada" não deixa passar em branco).
Em outra nota, nossa reforma vai começar esta semana. A boa notícia é que a cozinha não vai sair tão cara quanto temíamos. Por outro lado, o sistema elétrico requer uma alteraçãozinha, se quisermos instalar chuveiros de gente grande. Explico: o apê é no primeiro andar, a água tem pouca pressão. O que exige um chuveiro pressurizado, portanto mais potente. Mas o eletricista já acenou que o serviço não é complicado (estar no primeiro andar tem suas vantagens), apesar de ainda não ter apresentado a estimativa de custos. A decisão final sobre piso para a cozinha vai ficar para a minha volta. Bem como a decisão para as cores de paredes e portas.
Tentarei escrever do Canadá, se a aquisição de um netbook der certo. Valeu? Então tá e inté.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A praça da discórdia

E Oscar Niemeyer está realmente empenhado em construir sua bendita praça. Diminuiu seu tamanho, propôs a construção em outro lugar, insistiu no discurso de que a capital federal "precisa" de uma grande praça. A praça dos três poderes é o quê? Os jardins da torre de TV são o quê? Putzgrilo, a Esplanada é o quê? Uma grande praça, basta colocar uns bancos por ali e pronto. Brasília "precisa" sim, senhor Niemeyer, de soluções inteligentes para os problemas de cidades grandes que a afetam, como a falta de estacionamento, o trânsito caótico - que tem origem no excesso de veículos, e que por sua vez tem origem na péssima qualidade do transporte público. Sem falar no péssimo estado de conservação de alguns edifícios que o senhor mesmo desenhou. Dessa forma, em lugar de gastar dinheiro público com a construção de mais um espaço "cívico", a população de Brasília prefere que esse seja gasto com obras e melhorias que tragam realmente algum conforto para quem aqui mora - e já demonstrou isso repudiando a idéia da construção pretendida pelo famoso arquiteto. Da idéia original, apenas o estacionamento deveria ser aproveitado. E registro aqui que sou a favor de se começar a cobrar por estacionamento em áreas como o setor comercial sul e, se um dia for mesmo construído o estacionamento sob a Esplanada, esse também deveria ser cobrado.