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Mostrando postagens de Setembro, 2009

On the road again

Depois de pouco mais de 30 dias de descanso, caio na estrada novamente. Desta vez, os destinos são europeus. E para atingi-los, uma verdadeira via crucis de aeroportos. Dá desânimo só de pensar. É o mesmo tipo de desânimo que dá quando se planeja ir à praia de carro. A dois mil quilômetros de casa. Sim, o deslocamento é parte da "diversão" da viagem. Mas quando se está num avião, a 10 mil metros de altitute, com pouca coisa ou nada a fazer, não podendo dar aquela paradinha para um xixi amigo e apreciar a paisagem, o desânimo bate por completo. Por isso acabamos nos sobrecarregando quando viajamos: iPod, livros, vídeos, netbook e sei mais o quê. Azar o seu se viajar com uma empresa que sequer oferece a opção de monitores de tv individuais, pois você terá que assistir o que eles quiserem naquelas telas que ficam dependuradas do teto. Raramente consigo assistir qualquer coisa naquelas coisas. As viagens de carro, hoje, estão menos traumáticas, graças aos mimos tecnológicos disp…

Dirigindo

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Minha carreira de motorista não começou cedo, sempre fui das motos. Tirei a habilitação quase um ano depois de completar dezoito anos. Fui reprovado uma vez no teste prático (uma bobagem). Só fui comprar meu primeiro carro com vinte e tantos anos. Depois disso, meio que abandonei as motos até o ano passado. Nesses anos dirigi em muitos lugares. Considero-me um bom motorista. Cuidadoso, se não habilidoso. Reflexo dos meus quarenta anos talvez. Qual o pior lugar para se dirigir? Qualquer lugar que não se conheça bem. Depois de algumas semanas dirigindo na Arábia Saudita, acabei me acostumando. Na época tinha um carro pouco comum por lá e de tamanho reduzido. Sentia-me ainda mais "reduzido" ao parar nos semáforos ao lado de singelos SUV americanos e japoneses. Já viu um Suburban da GM, com lugar para 500 passageiros e motor de 8.7 litros? Não? Bem, o número de passageiros é exagero. Cada cidade tem peculiaridades e seus moradores desenvolvem certo hábitos que se tornam meio que…

I belong

O homem tem, desde seu nascimento, a necessidade de "pertencer"a algum lugar, a um grupo. Sente, ainda que a negue, a necessidade de se identificar com alguma coisa, algum ideal, alguém. Daí nasceram o casamento, os partidos políticos, grupos de motociclistas, torcidas de futebol, clubes de truco e por aí afora.Como ser social, ele tem gravado em seu subconsciente o dever de fazer parte de alguma coisa, de ser aceito por seus pares. Às vezes não funciona. Os resultados são desastrosos. Ele confunde indentificação com submissão e a coisa se turva. Mas divago. Em certas ocasiões, essa identificação toma formas singelas: você frequenta todos os dias o mesmo bar, por semanas, até que um dia, ao entrar, o dono diz para um dos empregados "uma Skol (ou qualquer que seja sua marca preferida) pro meu amigo aqui". Você não é amigo do cara, mas cliente. Entretanto, a sensação é de amizade.Você foi aceito no círculo dos frequentadores daquele lugar. Não pediu isso, apenas conq…

A loucura do clima

Já está ficando meio batido dizer que o clima está mudando, que a previsão do tempo é "imprevisível". Brasília este ano praticamente não teve sua estação seca. Ao que parece as chuvas já começaram. Isso trouxe um efeito colateral bem bacana. A cidade que, nesta época, está normalmente marrom, poeirenta, com árvores peladas e gramados mortos, está toda florida. Ipês, paineiras e outras espécies não entenderam os aguaceiros fora de época e mandaram ver na florada. Por outro lado, aqueles que não conhecem bem Brasília perderam a chance de ver o "milagre verde", quando tudo volta ao normal assim que caem as primeiras chuvas. A saúde também agradece, pois é comum as salas de emergência dos hospitais se entupirem com pessoas, principalmente idosos e crianças, com problemas respiratórios causados pela secura. Sem falar no festival de lábios rachados de que muitos são vítimas. Enquanto as chuvas são bem-vindas por aqui, em outras regiões elas causam estragos, atrapalham o…

Redescobrindo.

Tem coisas que nos rondam a vida toda e não prestamos atenção ou não damos o devido valor. A música dos Beatles não é uma dessas coisas. Mas está ali, há anos, décadas. Muita gente conhece muita coisa deles, mas a maioria se atém aos sucessos. Eu era um desses. Bem, quase. Dentre meus cerca de mil discos (mais ou menos), entre cds e lps, há alguns bons álbuns dos Fab Four. "A Hard Day's Night", que saiu no Brasil com uma capa vermelha e o horrendo título "Os Reis do Ié-Ié-Ié" contém minha música predileta dos Beatles, "I'll Be Back". Os clássicos "White Album" e "Abbey Road", além das duas principais coletâneas, que cobrem a carreira toda, entre outras coisas. Tenho uma coletânea das músicas dos 5 filmes lançados por eles, acompanhada de um excelente encarte, cheio de excelentes fotos dos filmes e filmagens, em inglês. Das coletâneas, eu sabia cantar a vermelha todinha...Aliás, numa nota paralela, foi "catando milho" …

Botecos

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Bar. Botequim. Boteco. Pé-sujo. De responsa. Eles existem de todo tipo e tamanho, em todo canto sem exceção. São frequentados por trabalhadores, patrões, gente pobre, rica, intelectuais ou não, de esquerda, centro e direita. Botecos existem desde tempos imemoriais. Em alguns lugares e épocas faziam parte de estalagens. Em outros, essas estalagens eram chamadas "public houses", expressão que mais tarde originou o "pub". Em botecos se bebe, se come, se chora mágoas, fala-se mal da vida alheia, discute-se política, religião (tema este não recomendável) e futebol (menos recomendável ainda, porém inevitável). Em botecos nasceram idéias para livros, poemas, canções. Partidos foram fundados em bares - donde se supõe que políticos vivam em constante estado de embriaguez. E os nazistas? Loucos ou simplesmente uns bebuns? Bem, não simplifiquemos. Em bares celebramos datas, a vitória do time do coração. Também afogamos as mágoas e a frustração pela derrota do time do coração.…

40

Chegou o dia. Durante boa parte da minha vida me imaginei com quarenta anos. Parecia distante e naqueles longínquos anos eu supunha que, aos quarenta, eu já teria a vida arrumada, filhos, etc. Chegou depressa? Não. Mas também não demorou muito. É uma estranha sensação se olhar no espelho e constatar que os anos passaram e que aquele sujeito no reflexo está completando quarenta anos. Não me sinto um quarentão. Sou meio careta, mas por outro lado sempre fui. Mas não me sinto um quarentão. Os planos e os ideais são os mesmos, ou quase. As possibilidades de colocar esses planos em prática mais reais, mas ainda sobrou um pouco de falta de maturidade, que me faz ter a sensação de que ainda estou longe da marca histórica. Muita gente diz que é uma idade na qual se dá uma virada. Muda-se planos. Põe-se velhos projetos em prática. Melhor aprender a curtir cada momento e levar a vida mais na boa, sem deixar que as preocupações e o stress tomem conta. Tipo resolução de fim de ano. Por exemplo: n…

Pequenos prazeres

* Ovo frito com arroz (tem quem goste, não eu).
* Ouvir passarinho cantando de manhã.
*Comer tomate com sal de pé na beira da pia.
* Andar descalço na terra.
* Andar descalço em casa depois de um dia de trabalho.
* Enfiar-se sob as cobertas num dia de muito frio pra assistir a tudo quanto é porcaria que estiver passando na TV, com chá e bolinhos, ou chocolate quente, ou café com pão-de-queijo, ou...ah, deixa pra lá.
* tomar longos banhos quentes (ou frios). Tá, nada ecológico, mas muito prazeroso.
* Sair sem rumo num domingo de manhã.
* Sentar ao sol e calanguear.
Acrescente os seus aqui.


Interlocutório

Sei que o blog está meio abandonado. Meus (poucos) leitores são muito educados e não ficam me cobrando. Voltei de três semanas de viagem a trabalho direto para uma mudança de endereço (a coisa ainda está meio fora de esquadro) e a cirurgia da minha esposa. Jogue nesse meio um período com muito trabalho e pouco pessoal na divisão e está formado o caos. Mas é bom estar em casa.
Acredito que todo mundo que decide escrever algo, seja uma coluna, um blog, um livro, acaba trombando em algum momento com a dúvida cruel: sobre o quê escrever? Tem um bocado de coisas acontecendo na minha cidade e no meu país neste momento que assunto é o que não falta. Mas, estou nessa encruzilhada. Decidi, dessa forma, escrever um post interlocutório. Palavrinha muito utilizada no meio diplomático, significa dar uma resposta sem dar resposta alguma. Pois um post interlocutório é mais ou menos como os scripts do Seinfeld: sobre nada. Tenho até alguns rascunhos num caderno moleskine que, depois da mudança, já …