quarta-feira, 30 de setembro de 2009

On the road again

Depois de pouco mais de 30 dias de descanso, caio na estrada novamente. Desta vez, os destinos são europeus. E para atingi-los, uma verdadeira via crucis de aeroportos. Dá desânimo só de pensar. É o mesmo tipo de desânimo que dá quando se planeja ir à praia de carro. A dois mil quilômetros de casa. Sim, o deslocamento é parte da "diversão" da viagem. Mas quando se está num avião, a 10 mil metros de altitute, com pouca coisa ou nada a fazer, não podendo dar aquela paradinha para um xixi amigo e apreciar a paisagem, o desânimo bate por completo. Por isso acabamos nos sobrecarregando quando viajamos: iPod, livros, vídeos, netbook e sei mais o quê. Azar o seu se viajar com uma empresa que sequer oferece a opção de monitores de tv individuais, pois você terá que assistir o que eles quiserem naquelas telas que ficam dependuradas do teto. Raramente consigo assistir qualquer coisa naquelas coisas. As viagens de carro, hoje, estão menos traumáticas, graças aos mimos tecnológicos disponibilizados pelas fábricas. Em outros tempos nos divertíamos fazendo uma contagem dos carros que víamos na estrada...Quem viaja com crianças hoje, em modernas vans, pode instalar tocadores de DVD, com vários monitores. Estes podem ser conectados a fones de ouvido, que permitem aos pais, pelo menos, ouvirem uma música enquanto os pimpolhos se divertem com qualquer que seja a baboseira da hora.
Colegas me sugeriram tomar um Dramine ao embarcar. Por outro lado, prefiro um espumante, seguido de vinho tinto com a refeição. O pior é enfrentar a chatice de imigração, alfândega e horas esperando pelas bagagens. Mas...It´s a dirty job and somebody´s gotta do it. Escreverei da estrada.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Dirigindo

Minha carreira de motorista não começou cedo, sempre fui das motos. Tirei a habilitação quase um ano depois de completar dezoito anos. Fui reprovado uma vez no teste prático (uma bobagem). Só fui comprar meu primeiro carro com vinte e tantos anos. Depois disso, meio que abandonei as motos até o ano passado. Nesses anos dirigi em muitos lugares. Considero-me um bom motorista. Cuidadoso, se não habilidoso. Reflexo dos meus quarenta anos talvez. Qual o pior lugar para se dirigir? Qualquer lugar que não se conheça bem. Depois de algumas semanas dirigindo na Arábia Saudita, acabei me acostumando. Na época tinha um carro pouco comum por lá e de tamanho reduzido. Sentia-me ainda mais "reduzido" ao parar nos semáforos ao lado de singelos SUV americanos e japoneses. Já viu um Suburban da GM, com lugar para 500 passageiros e motor de 8.7 litros? Não? Bem, o número de passageiros é exagero. Cada cidade tem peculiaridades e seus moradores desenvolvem certo hábitos que se tornam meio que regras de trânsito. Andar em velocidades sempre acima do recomendado é uma regra muito praticada na maioria das cidades brasileiras. Não sinalizar suas ações também. O motorista médio brasileiro acha que senão tem ninguém atrás não há porque sinalizar. O problema é que esse motorista adquire o (péssimo) hábito de NÃO sinalizar...
Na Arábia Saudita eles adoram copiar os americanos. Copiam-nos em muitas coisas: nos carros imensos, no exagero com comida e por aí afora. Copiam-nos também em certas regras de trânsito. Uma que acho excelente é a seguinte: imagine duas avenidas que se cruzam. No Brasil, você não pode sair de uma e virar à esquerda em outra. Por lá sim, pois os semáforos são polifásicos, o que significa que cada lado das vias tem sua vez. E é permitido virar à direita direto. Você só tem que parar, olhar e entrar. Parar. É o que dizem as placas de "PARE". Não sei se isso daria certo por aqui. Exigiria uma boa dose de reeducação. É fato que na Arábia Saudita, se você não parar ninguém vai lhe multar. Mas nos EUA, as chances de levar uma canetada são grandes. Não estou dizendo que coisas erradas acontecem. Acontecem e aos montes. Pare significa que você tem que...hã...parar completamente o carro, e não apenas diminuir a marcha. Essa é outra característica dos motoristas daqui, nunca querem parar por completo, ou diminuir a marcha. e se você o faz, lá vem buzina.
Nossas vias têm características que poderiam ser alteradas. Por exemplo, faixas de aceleração. Quando o motorista vem de uma pista de serviço para entrar numa via rápida, por exemplo. A pista de aceleração é "fechada" para o tráfego que vem pela via rápida, para permitir que quem sai de uma via lateral possa entrar nela, atingir a velocidade da via e posicionar-se com segurança. Por aqui é comum ter um pequeno trecho de pista de aceleração, em geral já dividindo a pista com o tráfego que vem a uma velocidade maior. Situação complicada. Em Roterdã, por exemplo, contornar uma rotatória era tarefa facílima desde que você se posicionasse, na pista de entrada, tendo em mente onde exatamente você pretendia sair. O resto a própria pista fazia por você, sem sustos.
Costumo dizer que se você sobreviveu ao trânsito no Oriente Médio, você sobrevive em qualquer lugar. Descobri, nos meus anos de Holanda, que motoristas ruins existem em toda parte. Eu morava no centro e me divertia assistindo às tentativas de estacionamento na rua em frente ao meu prédio. Por lá as calçadas são baixinhas, o que permite que os motoristas entrem de frente (e, pois é), subam na calçada e estacionem sem muito esforço. O que isso acarreta é uma tremenda incapacidade de fazer balizas mais tradicionais, como estacionar de ré. Maus motoristas são uma praga que desafia trânsitos bem organizados como o holandês - poderíamos importar muita coisa de lá, como as faixas de aceleração e outras, ou autoridades super-vigilantes como as britânicas. Vi maus motoristas por tudo quanto foi canto por onde andei. O motorista brasileiro é bom, mas mau-educado. O nível de egoísmo no trânsito ainda atrapalha demasiadamente. Dizem que países escandinavos tem uma combinação perfeita de trânsito organizado e motoristas educados. Nunca dirigi por lá. Como em todo lugar eles devem ter seus senões.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

I belong

O homem tem, desde seu nascimento, a necessidade de "pertencer"a algum lugar, a um grupo. Sente, ainda que a negue, a necessidade de se identificar com alguma coisa, algum ideal, alguém. Daí nasceram o casamento, os partidos políticos, grupos de motociclistas, torcidas de futebol, clubes de truco e por aí afora.
Como ser social, ele tem gravado em seu subconsciente o dever de fazer parte de alguma coisa, de ser aceito por seus pares. Às vezes não funciona. Os resultados são desastrosos. Ele confunde indentificação com submissão e a coisa se turva. Mas divago.
Em certas ocasiões, essa identificação toma formas singelas: você frequenta todos os dias o mesmo bar, por semanas, até que um dia, ao entrar, o dono diz para um dos empregados "uma Skol (ou qualquer que seja sua marca preferida) pro meu amigo aqui". Você não é amigo do cara, mas cliente. Entretanto, a sensação é de amizade.Você foi aceito no círculo dos frequentadores daquele lugar. Não pediu isso, apenas conquistou pela simples presença constante ali. Passou a fazer parte do grupo de assíduos daquele bar. E lhes digo, amigos, a sensação de pertencer a alguma lugar é muito reconfortante. Se você passa anos fora do seu país, longe da sua cidade, longe da família (fisicamente, ao menos) e dos amigos, algo se perde. Suas raízes. Suas conexões. O papo com os amigos tornou-se genérico. O que antes lhe parecia interessante, deixou de ter a mesma importância. E você se sente "assitu". Inventei isso, não existe. Mas quero dizer que você fica com a sensação de simplesmente não pertencer a lugar algum. O país ou cidade que escolheu para viver ainda não lhe "adotou". Sua cidade natal já lhe parece estranha a ponto de você andar pelas ruas e não reconhecer quase ninguém. As pessoas se perguntam quem é o cara "de fora"e apontam para você. Em suma, você não "pertence" a lugar algum.
E quando você entra no bar e alguém mandar "descer" a sua cerveja sem que você peça, você se dá conta de que agora sim, aquele é seu lugar. Aquele bar, aquela quadra, aquele bairro, aquela cidade. E esse sentimento não tem preço.

A loucura do clima

Já está ficando meio batido dizer que o clima está mudando, que a previsão do tempo é "imprevisível". Brasília este ano praticamente não teve sua estação seca. Ao que parece as chuvas já começaram.
Isso trouxe um efeito colateral bem bacana. A cidade que, nesta época, está normalmente marrom, poeirenta, com árvores peladas e gramados mortos, está toda florida. Ipês, paineiras e outras espécies não entenderam os aguaceiros fora de época e mandaram ver na florada. Por outro lado, aqueles que não conhecem bem Brasília perderam a chance de ver o "milagre verde", quando tudo volta ao normal assim que caem as primeiras chuvas. A saúde também agradece, pois é comum as salas de emergência dos hospitais se entupirem com pessoas, principalmente idosos e crianças, com problemas respiratórios causados pela secura. Sem falar no festival de lábios rachados de que muitos são vítimas.
Enquanto as chuvas são bem-vindas por aqui, em outras regiões elas causam estragos, atrapalham o plantio...
Nos cinco anos que morei na Europa, tivemos 2 - isso mesmo, dois - verões realmente quentes. Os demais eram cinzentos e frios. As primaveras por lá ainda salvam a pátria, com algumas semanas de estiagem, sol e calor.
Esperaremos para ver agora o que acontece durante a estação chuvosa por aqui. Será que chove menos?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Redescobrindo.

Tem coisas que nos rondam a vida toda e não prestamos atenção ou não damos o devido valor. A música dos Beatles não é uma dessas coisas. Mas está ali, há anos, décadas. Muita gente conhece muita coisa deles, mas a maioria se atém aos sucessos. Eu era um desses. Bem, quase. Dentre meus cerca de mil discos (mais ou menos), entre cds e lps, há alguns bons álbuns dos Fab Four. "A Hard Day's Night", que saiu no Brasil com uma capa vermelha e o horrendo título "Os Reis do Ié-Ié-Ié" contém minha música predileta dos Beatles, "I'll Be Back". Os clássicos "White Album" e "Abbey Road", além das duas principais coletâneas, que cobrem a carreira toda, entre outras coisas. Tenho uma coletânea das músicas dos 5 filmes lançados por eles, acompanhada de um excelente encarte, cheio de excelentes fotos dos filmes e filmagens, em inglês. Das coletâneas, eu sabia cantar a vermelha todinha...Aliás, numa nota paralela, foi "catando milho" na velha Triumph do meu pai, que aprendi as primeiras palavras em inglês e comecei a prestar atenção a como eram pronunciadas corretamente. Copiava tudo o que caía de letras nas minhas mãos e tratava de decorá-las.
Mas voltemos à pauta em pauta...Esperei com certa ansiedade pelo relançamento remasterizado dos álbuns dos Beatles. remasterização essa feita sob os ouvidos atentos dos Beatles remanescentes. Finalmente pude pôr as mãos em discos que há muito ensaiava comprar. Numa tacada, comprei "Please Please Me", "With The Beatles" e o meu favorito desse trio "Revolver". Esse disco contém três composições do George Harrison e abre com a fabulosa "Taxman".
Bem, não pretendo analisar a fundo a obra dos caras, não tenho capacidade para tanto. Mas estou aproveitando o relançamento para "redescobrir"a obra desses "Quatro Fabulosos". Quem nunca parou para ouvir um disco deles, pulando os grandes sucessos, deveria pensar seriamente em fazê-lo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Botecos

Bar. Botequim. Boteco. Pé-sujo. De responsa. Eles existem de todo tipo e tamanho, em todo canto sem exceção. São frequentados por trabalhadores, patrões, gente pobre, rica, intelectuais ou não, de esquerda, centro e direita. Botecos existem desde tempos imemoriais. Em alguns lugares e épocas faziam parte de estalagens. Em outros, essas estalagens eram chamadas "public houses", expressão que mais tarde originou o "pub". Em botecos se bebe, se come, se chora mágoas, fala-se mal da vida alheia, discute-se política, religião (tema este não recomendável) e futebol (menos recomendável ainda, porém inevitável).

Em botecos nasceram idéias para livros, poemas, canções. Partidos foram fundados em bares - donde se supõe que políticos vivam em constante estado de embriaguez. E os nazistas? Loucos ou simplesmente uns bebuns? Bem, não simplifiquemos.

Em bares celebramos datas, a vitória do time do coração. Também afogamos as mágoas e a frustração pela derrota do time do coração. Botecos criam seus próprios mitos e tradições, têm seus seguidores fiéis, frequentadores assíduos, com conta ou sem. Alguns são famosos pela frequência, outros por algum petisco especial e outros pura e simplesmente pela cerveja gelada. O serviço pode tornar um bar famoso ou condená-lo ao fracasso. Garçons viram celebridades no meio e tornam-se figuras folclóricas. Fato é que há até aqueles que não bebem, mas que mesmo assim frequentam algum botequim.

Este post foi escrito na companhia de uma Serramalte, no Gambar (foto), em Brasília.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

40

Chegou o dia. Durante boa parte da minha vida me imaginei com quarenta anos. Parecia distante e naqueles longínquos anos eu supunha que, aos quarenta, eu já teria a vida arrumada, filhos, etc. Chegou depressa? Não. Mas também não demorou muito. É uma estranha sensação se olhar no espelho e constatar que os anos passaram e que aquele sujeito no reflexo está completando quarenta anos. Não me sinto um quarentão. Sou meio careta, mas por outro lado sempre fui. Mas não me sinto um quarentão. Os planos e os ideais são os mesmos, ou quase. As possibilidades de colocar esses planos em prática mais reais, mas ainda sobrou um pouco de falta de maturidade, que me faz ter a sensação de que ainda estou longe da marca histórica. Muita gente diz que é uma idade na qual se dá uma virada. Muda-se planos. Põe-se velhos projetos em prática. Melhor aprender a curtir cada momento e levar a vida mais na boa, sem deixar que as preocupações e o stress tomem conta. Tipo resolução de fim de ano. Por exemplo: não vou mais me estressar no trânsito. Essa é difícil pois me estresso o tempo todo. Mas é algo a se tentar, se me ajudar a levar uma vida mais calma e tranquila. Bem, os quarenta chegaram. Melhor começar a curti-los.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pequenos prazeres

* Ovo frito com arroz (tem quem goste, não eu).

* Ouvir passarinho cantando de manhã.

*Comer tomate com sal de pé na beira da pia.

* Andar descalço na terra.

* Andar descalço em casa depois de um dia de trabalho.

* Enfiar-se sob as cobertas num dia de muito frio pra assistir a tudo quanto é porcaria que estiver passando na TV, com chá e bolinhos, ou chocolate quente, ou café com pão-de-queijo, ou...ah, deixa pra lá.

* tomar longos banhos quentes (ou frios). Tá, nada ecológico, mas muito prazeroso.

* Sair sem rumo num domingo de manhã.

* Sentar ao sol e calanguear.

Acrescente os seus aqui.



sábado, 5 de setembro de 2009

Interlocutório

Sei que o blog está meio abandonado. Meus (poucos) leitores são muito educados e não ficam me cobrando. Voltei de três semanas de viagem a trabalho direto para uma mudança de endereço (a coisa ainda está meio fora de esquadro) e a cirurgia da minha esposa. Jogue nesse meio um período com muito trabalho e pouco pessoal na divisão e está formado o caos. Mas é bom estar em casa.

Acredito que todo mundo que decide escrever algo, seja uma coluna, um blog, um livro, acaba trombando em algum momento com a dúvida cruel: sobre o quê escrever? Tem um bocado de coisas acontecendo na minha cidade e no meu país neste momento que assunto é o que não falta. Mas, estou nessa encruzilhada. Decidi, dessa forma, escrever um post interlocutório. Palavrinha muito utilizada no meio diplomático, significa dar uma resposta sem dar resposta alguma. Pois um post interlocutório é mais ou menos como os scripts do Seinfeld: sobre nada. Tenho até alguns rascunhos num caderno moleskine que, depois da mudança, já nem sei onde foi parar. Num deles quero falar sobre coisas do nosso dia-a-dia que julgávamos desaparecidas. Falo de coisinhas mesmo. Objetos. Trecos dos tempos dos nossos avós. Sabe aquele moinho de café que sua avó tinha na despensa? Pois é. Ainda se encontra esse tipo de coisa. Mas esse post requer uma pesquisa um tiquinho mais aprofundada, e umas fotos. Para essas vou precisar de autorização. Mas o post virá.
Acho que a inspiração para esse post aí veio de um programa que eu assistia, sobre coisas dos anos 80. Ou teria sido sobre tecnologia nos anos 70? Ah, who cares? Pode ter sido uma conversa com meu chefe sobre discos de vinil. Voltei a comprá-los, a propósito. Nos Estados Unidos são ridiculamente baratos. E são desses especiais que no Brasil saem por não menos que 100 reais. Surreal, pois por lá um duplo saiu por 25 dólares. O triplo do Police, com o show da última turnê gravado em BAires, saía por 30 dólares. A mala já estava pesada e me contive.
De volta ao sábado então. Fui.

IBILCE: 60 anos da minha Alma Mater

Escrevi a crônica abaixo, a pedido da amiga Nilce, atual editora da revista Notícias Ibilce, por ocasião dos 60 anos do nosso querido In...