terça-feira, 27 de outubro de 2009

Rossi e o nono ovo.

Abandonei meu blog, eu sei. Não que muita gente tivesse sentido falta, mas abandonei assim mesmo. Uma boa dose de trabalho e outra maior ainda de falta de inspiração. Usei muito pouco meu computador na última viagem e estou agora me preparando psicologicamente para a próxima. Mas isso é conversa para outra hora. O assunto de hoje provavelmente não é do interesse de muita gente, haja vista não ser o esporte a que me referirei lá muito popular no Brasil. Estou falando de motovelocidade. MotoGP, para ser mais preciso. A categoria máxima do motociclismo mundial. A Fórmula 1 das motos, se preferir. E qual a razão de eu ter escolhido esse assunto? Para falar daquele que, se ainda não é, não está longe de ser o maior piloto do motociclismo mundial de todos os tempos: Valentino Rossi. The Doctor. Vale. Vou até me arriscar a dizer que nenhuma outra categoria de esporte motorizado tenha produzido um campeão como Rossi. Alguns podem até argumentar que o Senna foi um grande campeão. Sim. Não vou entrar nesse mérito. Rossi, no último domingo, no GP da Malásia, conquistou seu nono - isso mesmo, nono - campeonato mundial, sendo seu sétimo na categoria máxima. E ele tem apenas 31 anos de idade. Mais do que um piloto de talento nato e fantástico, Rossi tem carisma. E não faz a menor força para tê-lo. Rossi é sempre Rossi. Em dias ruins, em dias excelentes, sempre um sorriso no rosto, um aceno para os fãs. Sempre a comemoração junto aos admiradores, na pista, com alguma palhaçada. O show em cada capacete, a cada corrida. Rossi não deixa nem mesmo de fazer piada consigo mesmo, assumindo o erro numa corrida, pintando um burro (o burro do desenho Shrek) em seu capacete na prova seguinte. Mesmo quando o fisco italiano o perseguia alegando sonegação da ordem de 120 milhões de euros, Rossi nunca esqueceu seu público, nem de quem ele era.
Exímio acertador de motores e suspensões, piloto arrojado, de técnica limpa, Rossi faz tudo parecer muito fácil. Exceto para seus concorrentes, que parecem pedir a Deus que faça algo para pará-lo. Não foram raras as vezes que Rossi, após uma largada complicada, veio lá de trás, ultrapassando um por um, como se eles não existissem, e terminasse por ganhar a corrida. Mais de uma vez ele caiu, levantou-se, e terminou lá na frente. Ver Rossi pilotar é como assistir um maestro compor sua obra-prima. É isso. Cada corrida é uma obra-prima. Dá gosto vê-lo correr. Suas comemorações nada têm de presunçosas ou humilhantes para os derrotados. Pelo contrário. Rossi, quando comemora, mostra a todos o quanto gosta daquilo que faz. É fato que ele ganha bem por isso. Mas outros pilotos, na sua situação, já teriam se aposentado. Ele ainda tem pelo menos dois anos de contrato com a Yamaha.
Pois é, Yamaha. Quando anos atrás ele simplesmente deixou aquela que era considerada a melhor equipe, com a melhor moto do mundial, imbatível havia anos, a poderosa Honda Repsol, ninguém acreditou. Trocar aquilo tudo pelo azarão que ninguém conseguia fazer competitiva: a Yamaha M1. Loucura. Diziam que ele tinha jogado sua carreira pela janela. Mas Rossi, antes de mais nada, é um homem inteligente. Não dá ponto sem nó. Assim como suas desconcertantes ultrapassagens, sua estréia na Yamaha deixou o mundo boquiaberto. Não só ele ganhou a primeira prova que disputou com o azarão, como ganhou também o campeonato daquele ano. Rossi devolveu a alegria aos Yamahistas, órfãos desde o abandono de Wayne Rainey, que ficou paraplégico depois de um acidente. Nesses anos, deixou de ser campeão duas vezes. Mas voltou sempre. E levou o campeonato para casa.
Assistir a uma prova de MotoGP ao vivo, como tive oportunidade de fazer por três vezes, é como ir a um clássico num estádio de futebol. A única diferença é que há apenas uma torcida definida: a de Vale. Seus torcedores são tão fanáticos quanto os ferraristas. Quando Rossi faz uma ultrapassagem em qualquer ponto do circuito, não é preciso olhar para o telão para saber o que aconteceu. O urro da torcida (que só pode ser a torcida dele) faz-se ouvir por todo o autódromo, acima mesmo do rugir dos poderosos motores. Jovens de ambos os sexos, crianças, mulheres, velhos cheios de tatuagens e roupas de couro, todos exibem pelo menos algo que os identifique como um fã do incomparável Doutor. E ele não os decepciona. Rossi é admirado por seus fãs. Invejado...e admirado por seus adversários. Admirado até por seus ídolos. Um campeão como nenhum outro. Domingo passado, Rossi adicionou mais um ovo à sua cesta de campeonatos. O ovo de número 9. Outro como ele, tenho para mim, vai demorar muito ainda a aparecer.
Valeu, Vale.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Turistas e lojas convenientes

Turista normalmente é um bicho preguiçoso. Talvez por essa razão as lojas de souvenirs e outras cositas "típicas" sobrevivam. Convenhamos, souvenires são, em sua quase totalidade, muuuuuito bregas. Uma coisinha ou outra ainda passa. Mas me pergunto o que leva certas pessoas a levarem para casa um prato com a cara do Mozart impresso nele? Ou uma caneca com o retrato da rainha? Eu e minha mulher temos como rotina, sempre que vamos a algum lugar novo, comprar algum ímã de geladeira. Começou há alguns anos. Mas sou chato. Não compro qualquer um e detesto aqueles de foto. Sempre busco algo que seja representativo, criativo e de boa qualidade.
Mas voltemos às lojas e os turistas. Lojas de souvenires são convenientemente montadas em lugares estratégicos. Até aí tudo bem. Faz sentido, pois a grande massa turística não quer ficar rodando a cidade atrás de algo realmente típico. Acabam comprando coisas típicas, mas produzidas na China. Para mim, isso tira o encanto. É como ir ao Brasil e comprar berimbau no aeroporto. Mas muita gente faz isso, pois é conveniente.
Acho bacana levar souvenires para casa, depois de uma viagem. Mas tenho queda por artesanato, seja ele representativo do lugar ou não. Pode ser algo feito de material abundante na região. E aí a coisa degringola também. Se um lugar é famoso pelos cristais, fatalmente, em alguma loja, você vai encontrar Mickey Mouses, torres Eiffel, fuscas e outros badulaques feitos do material "típico" mas que nada têm a ver com o país. E tem gente que compra. É meio ridículo.
Acho que talvez o problema sejam os turistas que deixam para comprar as lembrancinhas de última hora e acabam atacando a lojinha do chinês ao lado do hotel, na pressa, com o ônibus esperando e todo mundo lá dentro (sim, esse pessoal está sempre numa excursão). Aí compram quinze chaveiros com a foto dum castelo que eles nem visitaram - e provavelmente nem sabem onde fica - além de chocolates, doces produzidos em algum outro lugar que nada tem a ver com o lugar onde eles estão, abridores de garrafa aos montes, ímãs de geladeira (qualquer um, a tia velha não liga) e toda sorte de badulaque Made in China. Sim, porque loja de souvenir que se preze está nas mãos de chineses.
E sempre tem alguém filmando, não fotografando, mas filmando isso tudo.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O que pode dar errado?

Tudo. Agora há pouco escrevi um post bacana sobre coisas que podem dar errado no dia de um sujeito comum. Estava até virando um pequeno conto. Um comandozinho besta que saiu não sei de onde pôs tudo a perder. Que tal? Daí que desanimei e resolvi não tentar reescrever o post. Bem, vá lá. O que pode dar errado quando você está prestes a dormir a primeira noite num hotel qualquer? Você descobre que seu quarto, no sexto andar, fica junto do poço do - velho - elevador, que faz um telec-tec-tec-te-tec-telec toda vez que sobe ou desce. E é um entra e sai do caraças. Adivinha que música vai tocar para embalar seu sono?
Desejem-me uma boa noite.