quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Japão e a arte de comer

Este post culinário não vai ter nome de prato algum.
E por uma razão muito simples: em Hamamatsu pouca gente ou quase ninguém fala inglês. Como o povo japonês não é de gesticular, a comunicação em um restaurante, por exemplo, fica restrita a apontar as coisas em cardápios e muitos, mas muitos acenos de cabeça.
Isso feito, pode-se apreciar bons pratos da maravilhosa culinária japonesa. E o preço foi outra surpresa pois, em três pessoas, pedimos entrada mais prato principal, dois drinques cada e a conta bateu em pouco menos de setenta dólares. A experiência conta mais que tudo. Desde tirar os sapatos na entrada e depositá-los num escaninho com tranca cuja "chave" é um pedaço de madeira com dois cortes na parte inferior (a tataravó da fechadura moderna, provavelmente), até a mesa instalada num recesso no piso, onde se chega simplesmente andando por cima dos assentos. Os cubículos são separados entre si por cortinas de madeira. Não há privacidade completa, porém suficiente para podermos nos concentrar na comida e na companhia, sem ligar para o que acontece na mesa do lado. A iluminação é sempre indireta e muito agradável.
No fim, uma noite extremamente agradável. Devo observar que, em uma semana, foi a primeira noite que pude dormir por quase oito horas seguidas. Life's good.
Panqueca de repolho com ovo, gengibre e molho yakitori (incrível)

Esse sopão aí contém ostras, cogumelos cujo nome já me esqueci, repolho e outros verdes

Esses rolinhos primavera são recheados com carne de porco picante e outra verdura qualquer

Sushi de ovas (não sei de quê)

O sashimi de salmão é servido numa "cama" de bambu, acompanhado de wasabi

Ostras empanadas servidas com molho e repolho fatiado

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Fuso horário, ou que dia é hoje mesmo?


Meio lugar comum ficar reclamando de fuso horário quando se viaja para muito longe. Hoje me lembro e acho a maior graça dos tempos em que morávamos no Mato Grosso do Sul e viajávamos para a casa de minha avó, no interior de São Paulo, que ficava "uma hora à frente"...Ah, ah, ah.
Digo isso porque estou 11 horas à frente do Brasil. Fuso extremo. O problema disso tudo é que, após dezenas de horas gastas dentro de um avião, outras tantas zanzando em aeroportos, a cabeça entende a diferença, mas o corpo não. O resultado disso foi que dormi demais na primeira noite (e perdi a hora do trabalho), e muito pouco na segunda. Perdi a hora no primeiro dia e perdi o sono no segundo.
Hoje a coisa foi ainda pior, pois consegui dormir, mas fui acordado por um colega à meia-noite. Not cool. Felizmente o tempo anda bom, ainda que um pouco frio.
O Japão é um paraíso de compras para quem quer o mais moderno e recente. Quem procura preço tem que olhar em outro canto. O país tem um custo de vida elevado e a recente crise não ajudou muito. Por aqui ouve-se conversas sobre fechamento de fábrica, gente que está desempregada desde março e por aí afora.

O que mais chama atenção neste país, na minha opinião, é a polidez de seu povo. tem-se a impressão de que o respeito ao próximo é objeto de lei. Nas ruas, mesmo em horário de rush, reina o silêncio. O voo de Paris para Tóquio foi o mais silencioso que me recordo ter feito. Todos entram, encontram seus lugares, colocam suas bagagens e não se tem a impressão de que uma manada de elefantes entrou no avião.
Causou-me estranheza, entretanto, o fato de quase ninguém falar inglês, numa cidade considerada industrial, ainda que estejamos falando de uma cidade do interior. Mas a experidência tem sido muito interessante. Quando eu me acertar com o fuso horário tenho certeza de que aproveitarei melhor. Mas aí já será hora de ir embora...
Acima, o amanhecer em Hamamatsu, da janela do meu hotel.

domingo, 22 de novembro de 2009

Gaijin

Estrangeiro. É assim que estou me sentindo. Ah, mas é normal, afinal de contas estou mesmo no exterior. Sim, verdade. Mas quando se é minoria a gente se sente ainda mais estrangeiro. Não fosse o povo japonês extremamente discreto e educado, acho que teria reações diferentes. O cansaço que essa viagem nos causa é algo monstruoso. O organismo enlouquece e fica-se com a sensação de estar permanentemente "do avesso".
Ainda tenho horas para esperar até por os pés no hotel e poder tomar um bom banho (o último foi sexta-feira). I'll keep posting.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Mais um continente

Ásia. Extremo Oriente. Não sei dizer por quê, mas nunca me senti atraído por aquelas partes do mundo. Pelo menos nunca me vi planejando uma viagem para qualquer país asiático. A não ser o óbvio: adoraria conhecer Bali ou Bora Bora, ou qualquer daqueles lugares paradisíacos, onde pudesse passar umas semanas fazendo n-a-d-a.
Eis a oportunidade de ir para aquelas bandas se apresenta. Lá vou eu integrar uma missão que completará a modernização consular no Japão (uma equipe já fez Tóquio e Nagóia), passando por Hamamatsu e seguindo depois para Taipé. Nada me deixa muito animado com essa viagem. Longas horas de voo, longas horas em aeroportos, 11 horas de diferença, inverno por lá, multidões nas ruas (não sou muito fã de multidões) e culinária nem sempre palatável. Hamamatsu é uma cidade industrial. Já tentou obter informações turísticas na internet? Não consegui sequer encontrar hotéis no Booking.com. Pelo menos não como eu queria. A comunidade brasileira por lá gira em torno de 100.000, o que significa que o Consulado deve ter muuuuuuito trabalho. Consulado-Geral esse que, aliás, foi criado para aliviar o peso sobre o Consulado em Nagóia. Outra coisa que me desanima: chegar na tarde do domingo e ir trabalhar na manhã de segunda. Isso vai ser meio punk nos primeiros dias.
Mas, como não devemos deixar o ceticismo tomar conta, armar-me-ei de curiosidade e bom humor e deixarei rolar. Depois relato minhas primeiras impressões.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sexta-feira 13. Você tem medo?

E aí? Você acredita? Abre e-mails com cuidado? Não deixa calçados virados? Não passa debaixo de escadas? Tem horror a gato preto? Calça sempre o pé direito do sapato primeiro?
Conte aí suas superstições e tenha uma ótima sexta-feira 13!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Fotos.



















Como prometido, fotos de Pirenópolis. Começando com a ponte sobre o rio das Almas, bem no centro histórico da cidade.

Acima a igreja Matriz, reconstruída após um incêndio que a destruiu totalmente.

Exemplo do belo e muito bem conservado casario.

Tão encantadora à noite quanto de dia. O movimento todo deve-se ao feriado prolongado.







domingo, 1 de novembro de 2009

Tirando férias de tudo

Tiramos o fim-de-semana prolongado para um sossegado retiro na pacata Pirinópolis, estado de Goiás. Cidade tombada pelo patrimônio histórico, Pirenópolis tornou-se sinônimo de refúgio e contato com a natureza, na forma de suas inúmeras cachoeiras, pousadas e restaurantes típicos. Essa, pelo menos, era a imagem que eu tinha, pois aqui estive pela primeira vez há 12 anos, pelo menos. A cidade não cresceu muito, mas os efeitos positivos do turismo são claros. O casario está incrivelmente bem cuidado e restaurado. Há pousadas de todos os tipos e para todos os bolsos e gostos. A estrutura de apoio ao turista é muito boa. Pode-se visitar as cachoeiras (todas em áreas particulares e de preservação) por conta própria ou com guias contratados. A cidade conserva, em seu centro histórico, o encanto de uma antiga cidade que teve seu auge durante os anos em que a extração de prata sustentava a vida aqui. Com o passar dos anos, chegaram os hippies e outros "malucos de plantão", mas a cidade manteve seu charme. Seguiu-se uma certa exploração imobiliária, que causou a compra de boa parte do casario por gente de fora, de cidades como Goiânia e Brasília. O sonho de muita gente de ter sua própria pousada foi transferido de cidades praianas para o belíssimo interior goiano. A culinária riquíssima, o artesanato de criatividade acima de qualquer suspeita, a hospitalidade sem igual do povo goiano, tudo isso contribuiu para tornar Piranópolis o que é hoje, um pólo fabuloso de turismo, encravado na serra dos Pireneus.
Num feriado prolongado como o que estamos passando, testemunhamos o pior que o turismo traz. Uma invasão total por gente da região toda, que lota toda e qualquer pousada, suíte, chácara, hotel e tudo quanto é lugar que sirva de hospedagem. Vem gente de todo tipo, desnecessário dizer. Aqueles manés que equipam seus carros com sons que poderiam dar conta de uma boate, e circulam pela cidade com música da pior espécie a todo volume. Bem, ninguém pode dizer que a cidade não é democrática. É democrática até demais. Há gente consciente. Assim como tem gente que ainda insiste em jogar lixo por onde passa. A cidade, na onda de seu progresso, acaba adotando procedimentos execráveis, como a onda - que aliás, assolar todo o interior do país - de carros de som, com anúncios de todo tipo, o tempo todo, inclusive aos domingos de manhã. Dessa forma, aquele que vem para cá em busca de sossego, acaba não achando sossego nenhum.
Mesmo assim, os encantos da cidade compensam esses poréns. Assim, só posso recomendar a visita. Gente solteira, gente casada, gente bonita e feia, gente na boa e gente da balada. Pirenópolis tem de tudo para todos. Fotos assim que eu voltar para casa, pois me reencontrei com minha Canon 400D, que trouxe armada com lentes Sigma 10-20 e 24-70 (f/2.8) e fotografei em RAW. Neste mesmo batcanal, em breve.