quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Aniversário

Meu grande amigo e irmãozinho faria hoje 41 anos. Interrompo meu bloqueio e minha falta de inspiração para esta homenagem. Espero que você esteja muito bem, alemão. As saudades e a lembrança o mantém vivo para todos nós.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Show de horrores. Acho que essa é uma boa definição para as eleições deste ano. Impossível não chegar à conclusão de que não sabemos mesmo votar. Para muitos de nós, eleição é uma obrigação da qual nos desembaraçamos num domingo qualquer, com a mesma leviandade com que jogamos o osso de frango assado no lixo. Pronto, acabou. O que vem agora?
Impossível não levantar o assunto Tiririca. Podemos descartá-lo como uma brincadeira de mau gosto que deu muito errado? Mais de um milhão de eleitores resolveram entrar na brincadeira e dar uma chance ao sujeito. Prefiro pensar que ele vá realmente fazer alguma coisa, que por trás da fachada galhofeira existe alguém com alguma proposta que preste. O problema é que o próprio candidato preferiu vender outra imagem. Preferiu vender a imagem do Tiririca, o cantor-palhaço, fazendo uma campanha chula e sem nada de concreto. Se a sua eleição foi um voto de protesto, minha conclusão é de que foi um voto de protesto que deu muito errado. E ainda levou com ele vários candidatos dos quais sabemos menos ainda.
Enquanto isso, no Distrito Federal, o coroné põe em andamento uma manobra no mínimo suspeita e consegue criar a mulher-laranja. Seu despreparo é tal que os candidatos adversários, em debate na TV tiveram de ser extremamente polidos e não usaram esse despreparo contra ela. Não sei se o coroné teria sido tão educado. Foi um show de horrores que seria cômico, não fosse tão trágico. Os melhores momentos são um hit no YouTube. A manobra acabou dando certo e graças à divisão entre a esquerda distrital e ao imenso curral eleitoral do coroné, vamos ser obrigados a voltar às urnas num segundo turno, que espero não tenha o desfecho trágico de ver o coroné de volta à cadeira de governador, como eminência parda.
Outra nota negativa das eleições por aqui foi o flagrante desrespeito à lei eleitoral às vésperas das eleições. A lei manda que a propaganda eleitoral tem que sumir das ruas no dia que antecede à votação. O que se viu foi o aumento de faixas e cartazes irregulares espalhados por todos os cantos do DF. E não foi só esse ou aquele candidato. A prática foi utilizada por todos. Na madrugada, todo o excedente da campanha acabou nas ruas e calçadas próximas e até defronte às zonas eleitorais. Boca de urna passiva, é o que é. Era impossível não se dirigir ao local de votação sem passar por um mar de papel jogado no chão. Uma vergonha. Um exemplo que a capital federal não tinha de dar.
As notas positivas dão conta, no entanto, de foi dada uma boa renovada na câmara distrital, elegemos bons deputados federais e dois excelentes senadores, nas figuras de Rodrigo Rollemberg e Cristovam Buarque. Agora é ficar de olho nessa turma toda e não dar trégua à carne fraca da corrupção.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Na subida do morro me contaram...

Sim, subi o morro. Todos os dias. Especialmente no último, quando pude fazer uma trilha, a do Carteiro, saindo de Tiradentes até um mirante a cerca de 1.050 metros de altitude.
Éramos um grupo pequeno, composto do guia, Vinícius, Luan, um estudante de geografia originário de São Tomé das Letras e do casal Lu e Vitor, de Beagá, além deste que vos escreve.
Essa trilha leva esse nome porque as notícias da cidade eram levadas para o outro lado da serra por um mensageiro, ou carteiro. Esse infeliz acabou morto numa emboscada à época da inconfidência, pois o Visconde de Barbacena achou que ele levava notícias e instruções dos inconfidentes. Dessa trilha faz parte a calçada dos escravos, foto abaixo:
Estamos subindo a calçada enquanto Vinícius dá uma de Tarzan. Aliás, vendo uma mata como essa por dentro - e aqui estamos falando da Mata Atlântica - fica realmente difícil acreditar no Tarzan, com todo aquele sistema de cipós só esperando por ele. E nem vamos lembrar do último filma da saga Indiana Jones.
Apesar de parecer excruciante (e no início realmente é), essa subida, no trecho dentro da mata, é uma maravilha. O ar é de uma pureza inacreditável e a temperatura cai uns bons cinco graus. Finalmente, chegamos ao mirante onde pudemos nos sentar e apreciar esta vista:
Last, but not least, yo, moi, me, myself and I, ik, Ich, io, este que vos escreve, em foto tirada pelo guia, Vinícius (thank you, mate!):
E por hoje é só, pessoal.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A Estrada Real e a buraqueira mais real

Andar por Tiradentes é uma desafio para as juntas de qualquer cristão. A cidade mantém o calçamento de séculos atrás. Saindo de São João del Rei há dois caminhos (fora a Maria Fumaça): pela BR 261 ou pela Estrada Real. Sim, ela ainda está lá. Versão tupiniquim da Via Appia, ela alterna trechos passáveis e trechos nos quais as suspensões e pneus dos carros são postos à prova. Meno male que a cidade seja pequena, pois é melhor andar a pé. As pedras das ruas, rústicas e sem qualquer acabamento, foram meramente enterradas e assim mesmo elas estão e ficarão. A arquitetura é aquela conhecida. Há um casario muito bem conservado e, como em Pirenópolis, Goiás, uma pousada em cada esquina. Escolhemos uma chamada Pé da Serra, que tem esta vista:

OK. A da igreja é preciso dar uma esticada no pescoço e no olho, pois essa foto foi tirada com uma lente de 300mm. A foto do alto mostra a Serra de São José em todo o seu esplendor. O pessoal da pousada nos colocou num quarto de frente para essa vista. A sala de café da manhã também é virada para esse lado.
Quando entramos na Estrada Real, passamos por este marco:
Este é o Marco Inicial da Estrada Real. Há outros, menores, espalhados ao longo da estrada.
Na manhã de hoje fomos ao bairro do Bichinho, dar uma sacada no artesanato, mas nada nos animou. Vendem por lá o que vendem por aqui. Fica-se com a impressão de que a fabricação do artesanato é centralizada e as lojas distribuem. Não há sequer diferença de estilos. Mas hoje em dia é assim em tudo quanto é canto. Em João Pessoa não foi diferente. No caminho para Bichinho, paramos no Museu do Automóvel da Estrada Real. Muito bacana com exemplares muito bem conservados, incluindo uma celebridade: um FNM com o qual Chico Landi chegou em segundo nas mil milhas brasileiras do ano... fico devendo.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Tiradentes

O começo foi bem. Passamos no Núcleo Bandeirante para deixar a Becky, nossa elétrica Jack Russell e seguimos, já mais de dez da manhã, rumo a Belo Horizonte. O plano era chegar em Betim, para dormir, lá pelas sete. Contávamos já com o excesso de trânsito perto de Beagá, pois era sete de setembro. Mas foi muito pior. Só fomos chegar no hotel às nove e meia depois de muito trânsito e de quase ser abalroado duas vezes, entre Contagem e Betim. Tava todo mundo muito doido nas ruas. A sinalização deficiente e as vias em péssimo estado em nada ajudaram.
Hoje já foi mais tranquilo. A Fernão Dias está em ordem e em Tiradentes não dá para andar de carro...

domingo, 29 de agosto de 2010

Fazendo inveja


Nossa amiga Kika está de passagem por Brasília. Como bons anfitriões, fizemos um passeiozinho e, claro, a coisa tem que acabar em comida. Ela queria comida típica. Num dia normal não teríamos dúvida: comida mineira, pois há ótimos restaurantes mineiros em Brasília. Como o ar estava muito quente e seco, sugeri algo mais leve. Fomos ao Peixe na Rede, especializado em pratos com filé de tilápia, como a moqueca com caju da foto. Tive que postar a foto a pedido de Kika, que quis tripudiar da irmã. Sorry, Holandesa.
Acima, riosles, quibe e bolinhos, todos feitos de tilápia.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A história do nome

Acho que vale a pena contar como cheguei ao nome Borges.
É sabido que todo Fusca que se preze, tem nome. E nome de Fusca tem que ser bacana ou ter alguma história. A história do nome do Borges começou quando ainda batia por aí com o Átila, o Uno (eh, eh, sorry!). Aliás, bem lembrado, Kaká. Thanks. Anyways, estava de férias em 1997 e fui com meu pai visitar meu (finado) tio Zé, em Santa Fé do Sul, SP. Tio Zé tinha um belíssimo rancho às margens do lago da represa de Ilha Solteira, bem lá em cima.
Pois bem, no primeiro dia sentamos na varanda, bebemos cerveja (eu e meu tio, meu pai já tinha parado com isso) e comemos peixe frito. Lá pelas tantas, apareceu por ali um sapo. Um sapão, que ficou embaixo do tanque de lavar roupas, só "assuntando" aqueles três humanos. Um tempo depois eu, já meio alto, olhei para aquele sapo e proclamei: "você tem cara de Borges". E Borges ficou. No dia seguinte, o sapo ainda por ali, e todo mundo chamando-o pelo nome.
Alguns meses depois, tive que vender o Átila e providenciei a aquisição do Fusca. Meu pai e meu tio me ajudaram na tarefa, localizando o veículo no interior de São Paulo. E lá fui eu, buscar o VW 1300L Sedan (nome oficial da coisa). Pois bem, ao chegar de volta a Brasília comecei a bolar um nome. Tinha que ser bacana ou ter uma história, lógico.
Já quase desistindo, pensei: "o bicho parece um sapo, né? Sapo? Uôu, BORGES!"
There you have it.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Borges is back!

Ele é novo no blog, mas já me pertence há tempos. Depois de longa temporada no interior de São Paulo, aos cuidados do meu pai e do super mecânico Gilberto Cambão, Borges volta a Brasília. Em excelentes condições mecânicas, Borges agora aguarda para "entrar na faca". Os próximos meses serão de pequenas e constantes revoluções, até chegar ao capítulo final: o novo visual, na forma de uma pintura totalmente nova. A cor escolhida, até agora, foi o vermelho Anhambi. Essa cor faz parte da paleta original da VW para o ano de 1978. Mas isso é assunto para um post muito futuro. Esse tipo de, chamemos restauração, requer tempo, paciência e, lógico, grana. Algumas coisas são fáceis de serem encontradas na internet. Para outras, lojas locais costumam ser suficientes. Entre as pequenas coisinhas que precisam ser feitas: troca dos botões do painel, troca dos cintos de segurança, que já começaram a perder a cor e a integridade física, troca dos assentos e por aí vai. Nenhuma dessas peças impede o bom funcionamento do carro, são substituições estéticas, que serão feitas paulatinamente, sem pressa. Digamos que seja o perfeccionista em mim. A pintura vai demandar mais trabalho, dinheiro e tempo. Aproveitarei a época das chuvas para ir à caça de oficinas, levantar preços, etc, pois o carro terá que ser totalmente repintado, após ter seus painéis livres de pequenos defeitos e pontos de ferrugem.A pintura começou a rachar em alguns pontos, o que é perfeitamente normal num carro fabricado nos anos 70 (O Borges é de 78), exposto à ação do sol e da chuva. O Borges é um veículo do dia-a-dia, não uma peça de coleção.
Na foto acima, Borges se prepara para o primeiro banho após seu retorno à capital federal. Em tempo, não estou fazendo propaganda da resina Microlite.
Borges encontra-se agora sob uma capa, descansando defronte ao nosso prédio.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Música

Este vai ser um post musical. Música nova no pedaço. Acho que já mencionei por aqui, mas tem disco novo do Pato Fu. Chama-se "Música de Brinquedo" e a idéia dos geniais mineiros foi fazer um disco utilizando instrumentos de brinquedo. Em lugar de músicas novas, grandes sucessos de fácil identificação pelo público. Apesar da associação óbvia, John e companhia acabaram fazendo um disco para adultos que poderá ser assimilado de maneira muito bacana pela criançada. Após coletar instrumentos de brinquedo adquiridos nas muitas viagens do grupo no Brasil e no exterior eles se puseram a modificá-los para que pudessem mais facilmente ter seus sons captados pelos modernos equipamentos do estúdio 128 Japs. Não vou entrar em detalhes aqui. Comprem o disco e dêem uma sapeada no link abaixo para conferir o trabalho deles. www.patofu.com.br Tem dois vídeos dos bastidores da gravação do disco que valem a pena.
Outro veterano com disco novo na área é o Nasi. Depois do episódio que até hoje ninguém entendeu e que culminou com sua saída do Ira!, Nasi volta à carga com "Vivo Na Cena", disco gravado ao vivo em estúdio com uma banda de primeiríssima, com versão em DVD. O disco é meio sujo, intencionalmente, acredito. Os vocais soam inseguros, às vezes, mas num apanhado geral, é muito bom, muito honesto. Tem excelentes participações especiais. No site www.nasioficial.com.br tem um texto bacana do Kid Vinil.

Quem também ataca de novo é o Mombojó. Após a morte de um de seus integrantes, à tenra idade de 24 anos, eles voltam com disco novo: "Amigo do Tempo", disponível para download gratuito no site da banda: www.mombojo.com.br
A fórmula é a mesma. Guitarras, toques eletrônicos e vocais que podem dar sono, mas que combinam genialmente com o tipo de música que fazem. Vale a pena conferir.

Outra coisa que vale a pena divulgar aqui é o que faz a Merge Records, dos Estados Unidos. Entre outros, esse selo é responsável pela distribuição dos ótimos discos da dupla She & Him, formada pela atriz Zooey Deschanel e pelo guitarrista Matt Ward. A música deles é um pop doce e muito agradável de se ouvir.

A voz de Zooey é encantadora - assim como a própria. Um toque country suave permeia várias das canções, a maioria composta por Zooey. Os discos chamam-se "Volume One" e "Volume 2". A razão de mencioná-los aqui é a seguinte: comprei ambos os discos em vinil. O que a Merge faz é incluir um voucher junto do encarte, com uma senha de acesso que permite ao comprador do bolachão fazer um download do álbum, de maneira que ele pode curtir a bolacha em casa e levar as músicas consigo, num tocador de MP3. Devo dizer que a idéia é muito simpática e, com os preços que estão cobrando nos LPs por aqui, muito honesta e bem-vinda. Devo lembrar que, nos Estados Unidos, isso é mesmo um presente, pois as bolachas custam por lá não mais que US$ 30.00! A versão para download tem cerca de 90Mb, vem zipada e é de excelente qualidade.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ainda procrastino

Continuo procrastinando. Ainda estou devendo uma ligação telefônica pra mão do meu falecido amigo. Não sei por que não rolou ainda. Minha teoria é de que ainda não assimilei o fato por completo. É muito estranho. Mas, como rola aquela música, "the show must go on".
XX--XX

Ficamos dois anos sem tirar férias. Em maio/junho, tiramos parte do atraso com aquela viagem maravilhosa a João Pessoa. Agora começou a bolação da próxima, que acontece mês que vem. Ano passado completei 40 anos. Por uma série de motivos, não comemoramos. Queria ter feito uma festa e tal, mas não rolou. Este ano vou passar meu aniversário viajando, com minha adorada melhor metade. Tiradentes é o destino escolhido e ficaremos por lá uns cinco dias. Depois desceremos para Atibaia, para encontrar uns amigos da Holanda que vão estar de férias pelo Brasil. Muitas saudades desse povo também. Foi bacana eles terem escolhido Atibaia. Na verdade, foi uma feliz coincidência, pois quando soubemos que eles viriam para cá já tínhamos meio que decidido ir para o sul de Minas. Em princípio tinha pensado em ir para lugares mais isolados, como Carrancas ou Conceição do Ibitipoca. Como minha Bia não curte muito passeios em campos ou montanhas, decidi irmos para um lugar em que ela pudesse ficar na dela, lendo e relaxando enquanto eu me enfio montanha acima. Vamos aproveitar a localização e visitar Carrancas, São Tomé das Letras, passear de Maria Fumaça (turista é turista) e comer muito.
Como viajaremos de carro, vou levar meu equipamento completo: câmeras (sim, no plural), lentes (10-20, 70mm Macro, 18-250 e 24-70 f/2.8), tripé e monopé (que serve como walking stick para o trekking) e outros quetais mais. Entre as câmeras a versátil Canon A590is compacta, a minha briosa EOS 400D e a Pentax P30t (com a lente 50mm) com vários rolos de filme Ilford preto e branco. Ah, claro, o netbook para poder atualizar este espaço peripatético.
XX--XX
Dica musical: o novo disco do Pato Fu, "Música de Brinquedo". Trabalho genial e divertido dos super-criativos mineiros. Ouça sem preconceito. Fui

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Jean Carlo Schulz - 1969-2010

Perdi um grande amigo, um irmãozinho.
Parece que foi ontem, no meu primeiro dia de aula. Terceira série, cidade nova, escola nova. A primeira conversa foi com ele. Nascia ali nossa amizade. Éramos muito diferentes. Opostos até. Ele, extrovertido e bonachão, não tinha dificuldades em fazer amizades. Sempre de bem com a vida, não me lembro de vê-lo bravo com alguma coisa ou alguém.
Com ele aprendi a andar de moto, a ouvir rock. Aprendi o que é ser amigo. Éramos melhores amigos. Assim eu o considerava.
O tempo passou e a gente se separou. Mudei de estado, para estudar, mas ainda havia um certo contato. Ele nunca foi muito de escrever, não era a praia dele. Certa vez, para me sacanear, escreveu uma carta em papel higiênico. Dos mais vagabundos. Sacaneei de volta escrevendo uma em folhas soltas, fora de ordem.
Finalmente, por mudanças de ritmo na vida de todos nós, por falta de atenção até, sabe Deus, perdemos contato. Isso foi lá pelos idos de 1989. Reestabelecemos um breve contato em 1994. Depois disso, mais silêncio. Fui para o exterior, minha vida virou de pernas para o ar, mas a lembrança daquele branquelo brincalhão e de sua família maravilhosa nunca me deixou. Finalmente, em 2007, graças à internet, reestabelecemos contato. Houve trocas breves de e-mails, mensagens e chats pelo Orkut. Sabia que a vida não andava lá muito boa para ele. Algumas coisas ruins vinham acontecendo e ele por vezes ficava estranho. Mas vez por outra o velho e bom amigo dava as caras.
Não sei explicar porque nunca conversamos por telefone. Eu, o velho procrastinador, ficava sempre deixando para depois. Recentemente, depois de mais de vinte anos, reencontrei sua mãe e irmãs, a quem considero mãe e irmãs minhas. Ficou a promessa de não mais perdermos contato. Ficou pendente uma reencontro com todos. Prometi que ligaria para ele. Procrastinei.
Falhei com você, irmãozinho. Agora, deixo minhas palavras aqui. Algum dia vou bater com você aquele papo que sempre ficou para depois. Vai com Deus, alemão. Ficam sua memória e a saudade.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Riders For Health

Existe um mundo de ONGs por aí que se dispõem a levar o que quer que esteja faltando a um lugar remoto do mundo qualquer. Uma infinidade delas tem o dedo de celebridades. Dessas, muitas são realmente honestas e não tem preocupação com outra coisa que não cumprir o objetivo a que se dispuseram.
Uma dessas ONGs chama-se Riders For Health (Pilotos Pela Saúde). No início dos anos 80, um grupo de pessoas começou a levantar fundos para países pobres nos paddocks de competições motociclísticas. Numa de várias viagens à África, para verificar a utilização desse dinheiro, Barry e Andrea Coleman, juntamente com o piloto Randy Mamola, descobriram que veículos adquiridos para levar ajuda a locais mais remotos estavam parados por falta de manutenção. Em muitos casos, uma mísera peça de 3 dólares impedia que esses veículos saíssem das garagens. Locais inóspitos, áridos e de poucos recursos representavam um desafio insuperável para os veículos que para lá eram enviados.
Surgiu então a Riders For Health. Essa instituição levanta fundos não somente para aquisição de veículos, mas promove, nas comunidades onde atua (sete países africanos, hoje), cursos de pilotagem de motocicletas e de manutenção de veículos em geral. O RFH detectou que não bastava apenas mandar dinheiro, medicamentos e veículos para regiões desprovidas de assistências. O problema principal era a falta de manutenção desses veículos. Barry voltou dessas viagens determinados a criar sistemas de manutenção de veículos em regiões inóspitas, o que acabou se tornando uma especialidade premiada da instituição. Andrea organiza mundialmente a arrecadação de fundos, que apoio total da comunidade motociclística mundial. Recentemente a Yamaha doou cinco unidades das novíssimas SuperTénéré 1200 para a instituição. Em eventos motociclísticos no Reino Unido é possível encontrar o "helmet park" da Organização, que nada mais é que um ônibus no qual os visitantes podem "estacionar" seus capacetes até o fim do evento.
Clique no link para um vídeo de apresentação: http://www.youtube.com/RidersForHealthTV#p/search ou acompanhe o trabalho deles no www.youtube.com/RidersForHealthTV
Fica difícil não pensar no nosso próprio país, que sofre de problemas parecidos e que aind anão encontrou soluções tão simples quanto eficientes.

sábado, 3 de julho de 2010

Cabô

Ontem pela manhã eu ia ao supermercado quando um sujeito que passava por mim comentou que a cidade estava vazia. E completou: "o Brasil podia perder logo, para esse povo voltar a ralar".
Taí, "irmão" (foi como ele se dirigiu a mim). Hora de voltar a ralar.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Copa 2010

Você trabalha o ano todo. Economiza, pensando naquela viagem, faz planos, pesquisa roteiros. Você adquire uma câmera nova, porque vai querer registrar a viagem com circunstância. Chega o dia da viagem, você vai e...não era o que esperava. O lugar não é tão bonito, as pessoas não são agradáveis, o clima não ajudou, o vôo foi horrível.
Estou assim com a copa do mundo. Toda aquela preparação, toda a ansiedade e a expectativa. E o que ganhamos? Jogos piores do que os campeonatos estaduais. Jogadores sem motivação, técnicos sem inspiração. Assistir aos jogos pela tevê hoje só encanta aqueles que podem ter canais em alta definição em casa. Futebol mesmo...
Como em toda copa alguém tem sempre de inventar uma moda. Nesta, inventaram (rá, rá, rá) a tal da vuvuzela. Não é invenção nenhuma, essas irritantes cornetas existem há séculos e podem ser encontradas em qualquer campo de várzea. Tenho até a impressão de que a Federação Sul-Africana contratou metade da população só para ir aos jogos (não importa de quem) e tocar as malditas cornetas. Os locutores vão ao delírio e exaltam a balbúrdia da torcida. A verdade é que às vezes chega a ser impossível ouvir o que os locutores dizem, pois há microfones espalhados pelos estádios, registrando a "animação" da torcida. Soma-se a isso o espetáculo pífio que tem sido o futebol apresentado e temos uma senhora copa do mundo pronta para ser esquecida.
Daqui a quatro anos tem mais.

sábado, 12 de junho de 2010

Turning american

A tradução do título é "virando americano".
Acompanho o mundo automobilístico e motociclístico há anos, através de revistas, programas de tevê, etc. Os norte-americanos sempre foram conhecidos pelo desperdício. Carros enormes, com motores enormes, para motoristas enormes. As crises de anos recentes tem feito com que os consumidores daquele país passassem por uma transformação. As fábricas de automóveis daquele país, hoje, começaram a lançar carros antes inimagináveis naquele mercado. Carros minúsculos como o Smart passaram a ser vistos com outros olhos. De desconfiança, passaram a ser vistos com admiração e cobiça. Eles finalmente entenderam que um carro não precisa ser gigantesco para ser eficiente ou confortável e que motores pequenos e econômicos são mais do que uma mera necessidade no mundo de hoje.
Nós, brasileiros, estamos virando americanos, no entanto. A recente pujança econômica por que passa nosso país despertou o consumista enrustido que havia em nosso povo. Basta dar uma olhadinha em nossas ruas. Alguém já notou a quantidade de SUVs que vemos rodando por aí? Algumas marcas chegam a ter três modelos diferentes desses veículos. O cliente compra o menor, porque seu dinheiro só compra aquilo. Mas logo ele cobiça o modelo ligeiramente maior, e logo, logo o maior ainda e por aí vai. E esses carros são equipados, na maioria das vezes, com motores potentes, a gasolina. Até há pouco tempo, nos EUA, SUVs e pick-ups enormes vinham equipadas com motores V8 a gasolina. O americano só está descobrindo as vantagens dos modernos motores a diesel agora. O etanol também existe por lá, mas me parece que ainda há uma aura de desconfiança cercando esse tipo de combustível. Mais medo de ficar sem carro tem o americano de ficar sem comida.
E nós, com nossa ascensão econômica, estamos indo no mesmo caminho. Claro que, ao contrário dos americanos, temos uma cultura de carros pequenos e econômicos. mas também temos a cultura do querer sempre mais, do achar que o do vizinho é melhor, e não é raro ver gente solteira desfilando em seus SUVs orgulhosamente. Fazer o quê. Temos a impressão - equivocada, na minha opinião - de que nosso etanol salvará a pátria. É uma alternativa, sim, não uma panacéia. As fábricas tem anunciado com orgulho versões de suas caminhonetes com motores flex. Isso significa carros de quase três toneladas movidos por motores a gasolina/etanol. Nada econômicos. Sim, o meio ambiente agradece o uso do etanol, menos poluente. Mas não vai agradecer quando o mercado exigir o aumento da produção, porque o número de carros beberrões movidos pelo combustível renovável disparou. Isso sem falar que hoje, na maioria dos estados brasileiros, não compensa rodar com álcool. Perdão, etanol. O nosso fantástico etanol perdeu toda sua vantagem sobre a gasolina. Acho que precisamos de um exame de consciência urgente. Onde vamos parar com isso? O que vai acontecer daqui a alguns anos com esse monte de SUV? Bem, eles vão estar velhos e mais baratos e vão parar nas mãos daqueles que os cobiçavam mas não podiam comprá-los. Vão estar desatualizados e seus donos não terão grana para mantê-los em perfeita ordem de funcionamento. Entenderam onde quero chegar, não?

quarta-feira, 9 de junho de 2010

ON de novo

Eu tinha me esquecido dele. Já fiz um post sobre o homem, sobre como ele pensa que pode dizer o que fazer com Brasília. Escrevi sobre a absurda praça da República (acho que era esse o nome), com seu ridículo obelisco de concreto que ele queria encravar no coração da cidade. Dizia que a cidade estava precisando de praças. Não as dele.
Recentemente, durante nossa passagem por João Pessoa, fui lembrado de sua existência. Ao passarmos pela Cidade da Ciência e Tecnologia (acho que é esse o nome), o nosso bugueiro orgulhosamente apontou para os prédios e disse que eram obra dele. Vejam:

Parece óbvio que a "obra" é dele, não? E é óbvio simplesmente pela ausência de verde. Não falo de grama, falo de árvores.
Não nego que o sujeito tenha sido um gênio no seu tempo. Hoje, infelizmente, suas obras guardam a marca registrada do gênio, mas não têm nada de genial, sendo meras reciclagens do que ele já fez por aí. Como gênio teve seu auge e deixou sua marca. Como arquiteto, parou no tempo. Dá para ver o Museu de Arte Contemporânea de Niterói no prédio de João Pessoa, assim como dá para vê-lo no Museu da República em Brasília - que, aliás, é uma obra extremamente mal executada. As mesmas rampas estão lá. O prédio que eu mostro ali em cima lembra muito o Memorial JK, também em Brasília, aquele bloco de concreto que qualquer criança desenha numa brincadeira inocente, tal a falta de imaginação. A Biblioteca, argh, Leonel Brizola, foi feita à imagem e semelhança de outros edifícios na cidade.
Aqui, na capital federal, existem pessoas que não podem ouvir falar no nome do arquiteto que se molham de êxtase. Exagero? Houve gente que achava que, sim, a Praça da República - ou seja lá qual for o nome da coisa - tinha que ser construída, sim.
Mas eu desafio essas pessoas a darem um passeio com o arquiteto pelas ruas da cidade, numa segunda-feira, lá pelo meio-dia. Lúcio Costa, com certeza, não iria gostar do cenário. Nas áreas centrais da cidade não há um espaço sequer que não esteja ocupado por carros. Carros, carros, carros e mais carros. Por todo canto. Nas áreas próximas aos setores de autarquias sul e norte, setores hoteleiros sul e norte, setores comerciais sul e norte, as faixas da extrema direita das ruas viraram estacionamento. A polícia nem se dá ao trabalho de multar mais, pois não há alternativa. Os edifícios não tem vagas suficientes. Na Esplanada, os ministérios não tem vagas sequer para seus funcionários. Gostaria de ver ON propor uma solução para esse problema. Adoraria ver uma obra sua que não seja uma proposta vazia, e nem me importo que seja um bloco de concreto saído direto da Rússia comunista. Desde que tenha uma função e que a cumpra. Brasília está ficando cada vez mais sufocada. Não política nessa área. O governo trabalha para melhorar o acesso à cidade. Beleza, assim mais e mais pessoas poderão tirar seus carros da garagem e vir para Brasília onde não terão onde parar!
No Brasil não se incentiva o uso de veículos mais práticos como a motocicleta e similares. Em Brasília não é diferente. Vagas exclusivas para motos são raras. Detalhe: numa vaga onde se estaciona um carro pequeno, dá para parar até seis motos.
O transporte público deveria cobrir essa lacuna. Nem vou entrar no mérito dessa questão. O que se vê são terrenos e mais terrenos vazios que poderia estar sendo utilizados para edifícios-garagem, mas que acabam virando prédios de escritórios chiques para abrigar os lobistas que circulam pela capital. Há uma infinidade de áreas que poderiam virar estacionamentos subterrâneos e que não afetariam o "Plano Original" da cidade tombada. Até mesmo nas entrequadras residenciais esse tipo de empreendimento poderia ser implantado. Bastaria licitar direito e entregar os projetos e a exploração à iniciativa privada. Quando uma cidade carece de conforto para seus habitantes, deve-se começar a buscar alternativas e, por que não, cobrar por elas. Esperar para que o governo sozinho dê solução é acreditar em Papai Noel e coelhinho da Páscoa.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Férias pra que te quero 7 - Cabô!

Bem, a perna paraibana da viagem, pelo menos. Agora estamos só matando o tempo para irmos para o aeroporto. Acabamos deixando de fazer alguns passeios. Perdemos Areia Vermelha por causa da maré. Ontem até poderíamos ter ido a Picãozinho, mas estamos meio de saco cheio e nem um pouco a fim de passar horas a fio dentro de um barco, disputando espaço na pouco sombra disponível e ouvindo sabe-se lá que tipo de música. Não me entendam mal, música faz parte da experiência de se viajar para qualquer lugar. Mas...enche. Enfim, ficamos pela praia de Tambaú. Sim, voltando aos passeios que não fizemos, deixamos de ver também o litoral norte. Eu tinha interesse especial pelo forte. Mas não deu. Fica para a próxima. Acho que se ganhasse na mega-sena compraria algo por aqui, com certeza. Adoramos a cara de cidade pequena que a porção litorânea de João Pessoa apresenta, limpa (na maior parte) e arrumadinha. Ah, claro. Arrumadinho. Ei-lo:
Essa porção, aliás, é considerada petisco. No geral achamos a comida em JP barata e muito bem servida. Sim, sim, claro. Anteontem almoçamos no famoso Mangai. Não conhecemos o de Brasília ainda, mas adoramos o daqui. A comida é excelente e o ambiente agradabilíssimo. Banana empanada... eles sim, sabem fazê-la.
Era minha intenção fotografar tudo o que comêssemos aqui, mas houve dias em que preferimos não carregar a câmera conosco, então faltaram, entre outros, o camarão ao molho de côco da Palhoça do Gaúcho com o Baiano, o peixe grelhado ao molho de camarão e a carne de sol do Bahamas, o bacalhau com natas da Casa do Bacalhau (que recomendo) e, claro, o prataço que fiz no Mangai.
Resumo da ópera: João Pessoa. Altamente recomendável. Esta época do ano normalmente é de chuvas, que este ano ainda não começaram. Não sabíamos disso, mas demos sorte. Dos dez dias aqui tivemos chuva em apenas dois. E mesmo assim, choveu leve, suficiente para dar uma boa refrescada. Não sei como é a cidade em alta temporada, mas estamos acostumados a viajar na baixa, então gostamos. Ao contrário de certos locais, JP não pára na baixa temporada, só desacelera. Em junho a alta temporada começa e, junto com ela, a invasão européia. Para famílias com crianças pequenas, as praias são razoavelmente limpas e o mar, na maior parte do tempo, é calmo. Enfim, altamente recomendável. That's it, folks. Stay tuned. Cheers.




terça-feira, 25 de maio de 2010

Férias pra que te quero 6 - Armaggedon

Depois de uma semana na praia, cometi a besteira das besteiras. Estava nada a fim de ficar na praia, mas fomos assim mesmo. Decidi ficar na sombra, debaixo do pára-sol. Sabedor que sou de que o mormaço queima tanto ou mais que o próprio sol, achei de ficar ali calangueando sem usar protetor solar. Resultado? Ora, vermelhidão e queimaduras onde o bronzeado já estava bacana.
People are really stupid, aren't they? Anyhoo, após o almoço e o soninho da tarde, pegamos duas bicicletas do hotel - se ainda não fiz a indicação, aqui vai: Hotel VerdeGreen - e nos abalamos para os lados de Cabo Branco. A prefeitura andou fazendo obras, que ainda não terminaram, pela orla. Cabo Branco e Tambaú já estão servidas por uma calçada larga e ciclovia, que fica entre a faixa de estacionamento e a calçada. Sim, há internet wi-fi em boa parte da orla. É segura e gratuita.
No meio do passeio fizemos paradinha estratégica para provar, por indicação de minha amiga Gilmara, a empadinha Barnabé. Palmito, camarão e frango foram as preferidas.
Não sei se dá para ver direito na camiseta que estou usando na foto, mas ela traz a figura de Jackson do Pandeiro, com os versos de "Comadre Sebastiana". Não me lembro se é esse o nome da música, se não for fica sendo. Aliás, a cena musical é razoavelmente variada. Para quem não gosta de forró (como eu), recomendo a audição da banda Cabruêra. Eles fazem uso de ritmos regionais mesclados com música eletrônica e rock. Dá para baixar o último disco dos caras, que já excursionaram à beça pela Europa, pelo site http://www.overmundo.com.br/banco/visagem-cabruera . Bão que só.
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Hoje amanheceu chovendo. Meu couro agradece. Vou fazer compras de produtos regionais e pegar um cineminha mais tarde. Ainda não fomos ao Mangai, pode?

sábado, 22 de maio de 2010

Férias pra que te quero 5 - alien vs predator

Dia dedicado às compras. Não sei se é de conhecimento geral, mas uma das coisas que se tornaram típicas da Paraíba é o algodão colorido. Geneticamente modificado, ele já é colhido em cores variadas, que vão do beige ao verde. É possível comprar coisas muito bacanas feitas com o tal algodão. O artesanato da região, muito parecido com o de seus vizinhos nordestinos, encanta pela qualidade. Pertinho da orla fica o Mercado do Artesanato Paraibano, passeio que recomendo. O lugar foi construído especialmente para esse fim e é muito organizado, limpo e os preços são honestos. O atendimento reflete a hospitalidade paraibana.
Quanto à comida: reincidimos mais duas vezes na Palhoça do Gaúcho com o Baiano, uma vez no Bahamas (onde a carne de sol é bem servida) e em outros lugares variados. Ainda não fomos ao Mangai, mas a Casa do Bacalhau é altamente recomendável.
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Nota à parte, reparei com certa surpresa que as autoridades parecem fazer vista grossa para algumas coisas. Gente aboletada em buggies já era de se esperar (nós mesmos experimentamos duas vezes). A coisa é temerosa, mas faz parte da cultura turística de toda esta região. O problema que reparei é que muita gente anda de moto sem capacete, aparentemente sem o menor receio de serem parados pela polícia ou mesmo de levar uma multa. Lógico que o problema tem consequências mais graves. Alguém sabe o significado da palavra "acidente"?
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Num próximo post vou mostrar alguma coisa do centro da cidade. Ah, e o tal pôr-do-sol ao som do bolero de Ravel? Na minha opinião uma tremenda enganação e um caça-níqueis sem precedentes.

Férias pra que te quero 4 - A Revanche

E aí, pipou?
Recapitulando os últimos dias: ao sair para a praia na quinta-feira, fomos abordados por um bugueiro. Pensamos: "por que não?" Então, sem planejamento, aboletamo-nos num buggy verde-limão, pilotado pelo Gilson, e lá fomos nós conhecer o litoral sul. Neste passeio passamos pelo Farol do Cabo Branco, avistamos de seu mirante a Ponta do Seixas, descemos mais um pouco, passamos por Jacumã, Coqueirinho e Tambaba, entre outros.

Na praia de Coqueirinho visitamos também os cânions, formados por erosão natural, sem solução, segundo nosso guia. O lugar é surreal:

O ponto alto do passeio foi, sem dúvida, Coqueirinho. Paradisíaco, o lugar é um show. Daqueles que nos fazem querer ficar o dia todo, e ainda voltar. Uma linha de rochedos funciona como quebra-mar e o lugar vira uma enseada maravilhosa, de mar calmo e temperatura da água agradabilíssima. O local é cercado por matas e falésias. Por ali há uma fileira de barraquinhas uma do lado das outras, cada uma com suas mesas na areia e chuveiros para tirar o suor e a água salgada do couro. A hospitalidade do povo paraibano nos surpreende todo dia. Aqui uma pequena amostra de Coqueirinho:


Lamento se isso causou água na boca de alguém, mas as fotos não fazem justiça.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Férias pra que te quero 3 - sozinhos em João Pessoa

Reincidimos hoje e repetimos a dose de ontem. Praia - um tantinho mais à frente em Tambaú para fugir dos repentistas. Depois, barraca de praia. Os quiosques de João Pessoa (se é que se pode chamá-los de quiosques) são muito bons. Não achamos os preços abusivos e o serviço é, em geral, muito bom.
Depois de tentar a barraca mais próxima e tomar uma Skol não muito gelada, descobrimos que eles não tinham macaxeira. Mrs. B. estava com desejo de comer mandioca frita. A solução foi reincidir na Palhoça do Gaúcho com o Baiano - que recomendo. Bom serviço, banheiros limpos e preços honestos. Matamos uma porção de mandioca (macaxeira) frita e uma porção de camarões no molho de coco com arroz branco e purê (vai entendê). Tudo muito bom.
Nessa palhoça também tem o melhor chuveiro de praia que já vi. Por enquanto é isso. Fui.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Férias pra que te quero 2 - A Missão (não resisti)

Segundo dia em JP. Difícil acordar cedo, uma vez que o sol sobre muuuuuuuito cedo por aqui. Lembramos imediatamente de Natal. O bom de tudo é que após horas e hors de sono, o com o sol já alto ainda eram pouco mais de seis da manhã. Nosso hotel revelou-se ser um bom business hotel, o que é ótimo. O café da manhã é muito bom.
Ajeitamo-nos e saímos para a praia. Dia lindo, sol forte. Escolhemos um trecho logo após o Hotel Tambaú, onde alugamos cadeiras e um pára-sol que não parava. Vento. Vento.
Desculpem o horizonte torto da foto. Meu Photoshop está no pc em casa.
A água estava numa temperatura magnífica. Nem fria nem morna. Ideal. Entrei ja bem tarde depois de morgar algumas horas sob o sol e o vento. Escolhemos uma barra para comer algo. A da vez foi a Palhoça do Gaúcho com o Baiano. Serviço atencioso, preços honestos e banheiros limpissimos (!). Recomendo.
A tarde será reservada para morgação na piscina do hotel, sauna e algumas comprinhas. Jantar, muito provavelmente no Mangai. Stay tuned.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Férias pra que te quero

Então, voltei. Mas já fui. Digo, vim. De férias.
Depois de um longo e tenebroso inverno, como diria o ditado popular, voltei a estas páginas. Chega de falar de política. Pelo menos por enquanto.
Estou à toa há mais de uma semana, mas sinto que só hoje minhas férias (nossas, digo) começaram. As primeiras em dois anos. Primeironas desde que voltamos ao Patropi. Escolhemos a pacata João Pessoa para o reencontro com o ócio e as praias brasileiras. Se alguém espera histórias tenebrosas de viagem de férias, fico devendo, por enquanto. Espero...
Aeroporto vazio. Check-in feito com antecedência. Bagagens despachadas em poucos minutos. Pouco ou quase nenhum atraso. Tecnicamente não houve atraso, uma vez que o avião começou a taxiar no horário exato do vôo. Escala rápida no Recife e, 30 minutinhos depois, chegamos a João Pessoa. Ou John People, como venho me referindo. O aeroporto modesto, mas bem jeitoso, nos recebe com uma lufada de ar-condicionado, em contraste ao bafão quente do lado de fora. Rapidinho nos aboletamos num táxi muito limpo - o preço é justo, R$ 58,00 até o hotel distante pouco mais de 23 km - e cujo motora foi muito simpático.
O hotel que escolhemos, Verdegreen, está muito bem cotado. Fica no bairro de Manaíra, grudadinho em Tambaú. Chegamos, desempacotamos e fomos caçar donde comer.
Matamos uma moqueca capixaba num modesto mas simpático restaurante e partimos para a digestão caminhando até a praia de Cabo Branco.


Anoitece muito cedo por aqui e voltamos já escuro, lá pelas seis. Agora é descansar que amanhã tem mais. Stay tuned.

domingo, 9 de maio de 2010

Panes et circensis

Está chegando aquela época, quando os homens poderosos, e aqueles que querem uma fatia desse poder, fazem qualquer coisa para chegar lá. É uma época em que todos são competentes, honestos, bem intencionados...e sem memória. Esquecem de tudo que fizeram de errado, ilegal e ruim. Promessas se renovam - assim como se renovaram há quatro anos. É, as promessas são as mesmas. E o que é mais assustador é o fato de que aqueles que deveriam se lembrar dessas promessas, delas se esqueceram completamente. Esqueceram-se justamente aqueles que acreditaram nelas, há quatro anos. São justamente aqueles que acabaram tendo que reclamar daquele mesmo governo, dos mesmos parlamentares que ajudaram a subir ao poder. O tempo faz milagres.
Em ano de copa do mundo essa amnésia coletiva se agrava. Até fins de julho ninguém vai se lembrar de política. E depois vão escolher qualquer um apenas para se livrarem mais rapidamente da obrigação de ter que escolher. E eis que inicia-se um novo ciclo.
E eis que vem a lei da Ficha-Limpa, contemplando incontáveis exceções. Aqui no DF, nosso medo recai no fato de que até agora o Tribunal Eleitoral só ameaçou, mas não invalidou a candidatura Joaquim "Vem Que Eu Dou Lote" Roriz. God help us.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Arruda solto. E Roriz também.

Enquanto isso, Arruda é solto e as "otoridades" dizem que vão investigar o Roriz no caso das bezerras. Ano eleitoral, quero só ver se vai dar em alguma coisa. O sujeito já abriu escritório eleitoral. Com o PT rachado, ele tem todas as chances do mundo. Infelizmente. Voltam os revanchistas e sangue-sugas ao Buriti. Abrem-se novas fronteiras para a distribuição de lotes e a criação de novos currais eleitorais, digo, bairros, em Brasília. No ano em quem completa 50 anos, Brasília corre o sério risco de dar um passo para trás. De vários anos.

quarta-feira, 24 de março de 2010

DF: e agora, José?

Já já começa tudo de novo. Estou falando da campanha política. Vão desaparecer os pilantras e em seus lugares, só homens honestos, gente de bem, trabalhadora, preocupada com o bem-estar da população que os elegerá.
O termômetro é sempre o começo dos trabalhos. Será que a patota atual vai aumentar os próprios salários no fim do mandato e assim criar uma espécie de vínculo com a patota nova? Quer melhor elemento de barganha que isso? Favorzinho aqui e dá-lhe favorzinho nos próximos quatro anos.
Aqui no DF vivemos a tensão da possibilidade de volta do famigerado Joaquim Roriz. O homem tem um curral eleitoral inabalável e seu gado é fiel e do tipo revanchista. O deposto Arruda até que ia bem. Seu governo realizou muita coisa e ele passava a impressão de realmente estar trabalhando direito. Mas sua política revelou ser parecidíssima com a de outro político famoso: "rouba mas faz". Como se o fato de governar direito lhe desse carta branca para as falcatruas. Os rorizistas já estão por aí dizendo "viu? depois dizem que o Roriz é que é ladrão". Triste. O aniversário de 50 anos de Brasília acontecerá em menos de um mês e em meio a essa pataquada. Boa parte das obras não pararam, pois se tratam de obras que trarão benefícios reais à população, como a linha verde, que é uma ampliação da via que leva de Taguatinga ao Plano Piloto, passando por Águas Claras e Guará. Vai dar uma bela desafogada no trânsito e trazer mais conforto por quem tem que usar transporte coletivo para fazer aquele deslocamento. A já famosa Feira da Torre vai ser modernizada e ampliada. A ligação entre a Avenida das Nações e a L2 também já está quase concluída e vai desviar parte do trânsito da Esplanada dos Ministérios. Mas as eleições me dão medo. O PT tem de decidir entre dois candidatos mas Roriz tem um peso assustador. Só nos resta esperar que o bom senso prevaleça.

terça-feira, 16 de março de 2010

Tirando a poeira

Dei o primeiro passo: abri a bolsa da câmera e troquei a lente, rearranjei as coisas. Daqui a pouco vou baixar as fotos que ainda estão lá e ver o que fazer com elas. Dei uma geral no meu armário. Já é alguma coisa, não?
Vou, aos poucos, colocando ordem no barraco. As cortinas vão ser instaladas na quinta. Vai ficar faltando a persiana e as prateleiras do escritório. Pera lá, devagar. Uma vez de cada coisa. A persiana tem que ser medida, cortada, etc. Minha animação ainda não chegou lá.
Mas vou ter minhas férias. Nossas, digo. John People, aqui vamos nós. Trocamos o carro. Agora quero trocar a moto, mas não acho que vá rolar, ainda. A saúde andou combalida, provavelmente efeito da longa temporada sem férias.
Comecei a ler as Mil e Uma Noites. Versão traduzida para o português com prefácio de Malba Tahan. Não é a versão mais apimentada que, segundo Tahan, tem pouco ou nada a ver com a original. É uma edição em dois livros da Ediouro (aquela dos Coquetéis) e razoavelmente bem apresentada. Li umas poucas páginas, estou sem ritmo. Depois eu conto. Tá bom já, né? Fui.

segunda-feira, 8 de março de 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A praga do modelo novo


Admiro quem não se encanta com modelo novo. De qualquer coisa, iPod, TV, computador, relógio, carro, etc. Entretanto, quantos de nós conseguem resistir ao menos ao sonho de ter aquele carro que acabou de sair, que é muito mais bonito do que o carro que dirigimos? Carro não é meu problema. Acabo de comprar um novo e não há modelo novo à vista. Pelo menos não no Brasil. Minha coceira atual é com o modelo da minha moto. A fábrica acaba de lançar o modelo 2010, muito bonito e atualizado. Pronto. Eu, que planejava, em alguns meses, trocar a minha moto por uma maior, me surpreendi fazendo contas para trocar o modelo atual pelo modelo novo. "Sai mais barato", disse para mim mesmo, mais para justificar a vontade que para me convencer do bom negócio.
Pela foto, dá quase para se convencer a continuar na mesma cilindrada. A pressão psico-mercadológica é tal que sempre buscamos justificativas para a troca que, frequentemente, não se justifica.
Meu equipamento de som atual nasceu como equipamento de som e evoluiu para home theater e recentemente foi demovido/promovido para a condição de aparelho de som muito bom. Demovido porque decidi não utilizá-lo mais como home theater - não aceita DTS, não tem entradas HDMI, nem componente. Promovido porque é um P-U-T-A equipamento de som que agora só trabalha com música. O receiver pesa lindos 22kg, desenvolve 160 watts reais, as caixas de som são de madeira de lei, com alto-falantes (2 x 12" + midrange e tweeter) isolados e medem quase 1,50m de altura e o som, acreditem, é inacreditável. Todo o equipamento pertence à família Yamaha chamada de Natural Sound. Em tempo, disponho de algo que a moda trouxe de volta mas que tenho há tempos, um toca-discos Sony, manual. Nem invejo nada ultra-moderno no que diz respeito a som. Danem-se os últimos modelos, meu Yamaha é simplesmente insubstituível.
Mas ainda estou indeciso com relação à moto...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Alguém revogue a lei de Murphy, please!

Pois é, acabamos decidindo ir assim mesmo. Tempo fechado, ameaçando chuva, mas com uma nesga de possibilidade de abrir aquele solão. Não abriu. Já saindo da garagem, senti os primeiros pingos. Em poucos minutos de estrada já estávamos encharcados. Bem, o asfalto estava bem molhado e isso foi o suficiente para detonar botas e pernas de calças. Eu usei uma jaqueta impermeável, mas achei desnecessário parar para colocar a calça impermeável. O resultado foi que boa parte da viagem fiz com as pernas do jeans ensopadas e sujas. A água acumulada desceu pelas meias e os pés acabaram meio gelados. Mas...lá pelo Goiás, a chuva deu um tempo. Na nossa primeira parada, numa ex-barraca de beira de estrada, hoje um belíssimo restaurante cum café, famoso na região, encontramos outros 15 motociclistas que tinham saído para aproveitar o dia de sol. Logicamente que eles não eram de Brasília...
Entramos em Anápolis, cidade chamada de coração econômico de Goiás, onde se encontram, entre outras coisas, a Base Aérea onde "estacionam" os Mirage da FAB e a futura fábrica da Hyundai. Bem, não vimos nada de mais na cidade. Tiramos algumas fotos na Praça do Avião, que recebeu esse nome porque a Força Aérea Brasileira doou uma sucata de Mirage para que fosse feito um Monumento, "em agradecimento à cidade que recebeu a Base Aérea". Tentamos visitar a Base Aérea, mas aparentemente não é acessível a civis. Seguimos pela BR-060 em direção a Goiânia, para almoçar num restaurante que nos foi recomendado pelo meu irmão, e que tem o "charmoso" nome "Brioso e Manhoso". O restaurante, que fica à beira da estrada, é muito simpático, a comida é excelente, e o lugar é muito bacana, seguindo o estilo rústico, típico da região. Comi risoto de linguiça com gueroba e queijo, farofa de cebola, quiabo refogado, abobrinha ralada e, suponho, amanteigada, com uma bela fatia de pernil de porco assado. Excelente!!
Na volta, já em Brasília, pegamos uma chuva. Digo, uma senhora chuva, daquelas que provocam enxurradas que atravessam a estrada em corredeiras. Monstruosa. Quando achávamos que estava tudo bem, já em pleno eixo monumental, seguindo rumo à minha casa para um reconfortante whisky single malt, eis que cai outra mostruosa chuva, que acabou de encharcar meu colega, o nobre lord Wavell, que não trajava roupas apropriadas para a ocasião.
Mas, chegamos e avaliamos a experiência como válida. Foi divertido, enfim.
Agora...banho quente e alguma comida na barriga.

Planos e a lei de Murphy

Eu e um colega planejamos a semana toda sair hoje para um passeio de moto. Foz sol e um calor horrendo a semana toda. E o que acontece ontem à noite? Exatamente, começa a chover. Foi legal, pois o calor estava insuportável, mas agora nosso passeio está em cheque. Não é um passeio especial, nem nada. Apenas colocamos as motos na estrada e vamos embora. Mas meu colega não tem e nem gosta de roupa de chuva. Surge o problema. Decidiremos em 40 minutos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Sexta-feira.

Ah, o fim-de-semana. Tanta coisa para se fazer que as idéias fervilham com as possibilidades. Tem coisas que se quer fazer por obrigação e coisas que se quer fazer por prazer. Não raro, o que acontece é que acaba-se não fazendo nada e o fim-de-semana rola chinfrim.
A solução para isso seria planejamento. Mas aí, o elemento espontaneidade vai para o espaço.
Cruel, não? Por exemplo: há vários fins-de-semana que planejo, entre outras coisas, instalar prateleiras e trilhos de cortinas no apartamento. Na hora H acabo fazendo qualquer outra coisa que não estava programado e a coisa toda vai morro abaixo. Quando me dou por conta, é segunda-feira. Nem me lembro mais quando foi a última vez que saí com o firme propósito de fotografar. A última vez que minha câmera viu a luz do sol foi no início de dezembro, em Taiwan. Aí eu culpo a falta de inspiração. Ok, pode-se dizer que parte é culpa da falta de inspiração, mas o restante é acomodação mesmo. Acontece também de ter tanta coisa para fazer que acaba-se escolhendo aquilo que, no fim, toma boa parte do seu tempo como, por exemplo, levar o carro para lavar e passar horas na fila.
Este finds não é diferente dos outros. Tem muito o que fazer, muito o que quero fazer, mas não vou planejar. Deixarei o momento decidir. Depois eu conto o que rolou. Bom fim-de-semana.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Fotografia: arte na era digital

O título deste post guarda dois assuntos: fotografia e arte, e fotografia na era digital.
Vira e mexe alguém publica algum artigo discutindo a velha questão "fotografia pode ser considerada arte?". Há não muito tempo li um artigo numa tradicional revista de fotografia brasileira que tratava do tema. Texto absolutamente chato, com longas considerações de gente da área falando uma tonelada de baboseiras, citando filósofos e críticos de arte de hoje e de ontem. Enfim, um horror. Ainda me surpreendo com a quantidade de gente que perde tempo discutindo essa questão. Meu ponto de vista é muito mais simples: se um sujeito, considerado "artista", pode fazer uma "obra" na qual ele empilha tijolos, expõe no MASP dizendo que aquilo simboliza, sei lá, todas as possíveis interações do ser humano, e ainda põe o monte de argila assada à venda por milhares de reais e isso ser considerado arte (ok, moderna, vá lá), então digo com toda a certeza que sim, fotografia é arte. Definitivamente. Encerrado o assunto? Não? Então vamos lá. Não entendo de arte, nunca entendi, mas acho que uma boa definição de arte poderia ser "a interpretação do artista do mundo que o rodeia". Ou algo do gênero. Ora, a fotografia não é um processo meramente mecânico. Ela envolve enquadramento, leitura e interpretação da luz ambiente, ajuste correto da câmera, posicionamento do fotógrafo, escolha do ângulo, etc. O que faz um pintor? Escolhe tudo isso e aplica à tela. O único pecado do fotógrafo seria, se fôssemos procurar pelo em ovo, o fato de ele representar mais fielmente o mundo que o rodeia. Se bem que vários truques - entre eles, desfocar propositadamente a cena - permitem que se atinja efeitos até abstratos. Entre aqui: http://www.davidnoton.com/ e digam-me, se tiverem coragem, que esse fotógrafo não é um artista.

O outro tema é a discussão fotografia digital x fotografia tradicional. Recuso-me a usar o termo "analógico" como o fez um jornal local recentemente. Acho admirável quando entusiastas ou fotógrafos profissionais defendem a fotografia tradicional, de filme. Eu mesmo ainda tenho câmera de filme e não pretendo vendê-la. Na dita matéria, um dos entrevistados chegou a ponto de dizer que a fotografia digital é mais pós-produção, enquanto a tradicional tem a ver mais com o conhecimento, o trabalho na câmera. B-O-B-A-G-E-M-!
O conhecimento das técnicas fotográficas é tão importante em uma quanto na outra. A diferença é que na digital o fotógrafo tem condições de ver ali, na hora, se está no caminho certo. Ele tem a vantagem de acessar suas fotos e analisá-las no momento imediatamente após o clique. Ter uma câmera digital não faz de ninguém um bom fotógrafo. Conhecimento das técnicas básicas, como luz, abertura, distância focal, regra dos terços, enquadramento, ainda é essencial. Pós-produção sempre houve. Ou vão querer me convencer que ajustar o tempo de exposição de um negativo, controlar o tempo de mergulho da foto em produtos químicos não é pós-produção? Programas como o Photoshop emulam esses processos no computador. Eles ainda existem, e ainda são um bocado complexos. Argumenta-se que a fusão de duas fotos para se conseguir uma foto perfeita é trapaça. Ué, não se fazia isso nos tempos em que o filme era rei? Não se manipulava imagens? Até onde eu sei é perfeitamente possível sobrepor dois negativos e expô-los sobre papel fotográfico, obtendo assim uma foto "manipulada". O que eram o retoque e a pintura manuais, senão manipulações do processo fotográfico? Tem muito a se discutir ainda sobre o tema. Prefiro não tomar partido. Acho que fotografia é arte, sim. Se você não acha, tudo bem. E a velha discussão digital versus tradicional? Bem, o vinil está voltando com força, não?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Nada

Estou meio que em compasso de espera. O ano começou agitado. Tragédia em Angra. Tragédia no Haiti (Taiti, para algumas "celebridades" brasileiras que deviam ser proibidas de twitar). Ataques suicidas em Kabul e no Iraque. Where is the next one coming from?
Minha falta de inspiração continua a me assolar. Vergonhoso, verdade. Decidi muito pouca coisa para este ano. Férias: a única certeza. E a troca do carro, claro. Aliás, depois de anos acompanhando o mercado no exterior, passei o último ano acompanhando o mercado brasileiro. Temos coisas boas, verdade, mas nosso mercado é ingrato para quem já morou lá fora. A prática de manter carros antiquados em linha (porque vendem bem, assim dizem as fábricas) é no mínimo desalentadora. Algumas marcas têm dois ou três modelos disputando o mesmo público-alvo, com um carro mais ou menos novo, um mais velho e outro jurássico. Havíamos escolhido três modelos para ajudar na decisão. O primeiro foi descartado porque a fábrica vai mexer nele. Mas já descobri que a "mexeção" não será profunda mas, como sói acontecer em terras brasilis, apenas cosmética. Bem, há rumores de um novo motor. O segundo modelo...bem, ainda não chegou às lojas. Por isso optamos (90% de chance) por um modelo que, se não é novo nem novidade, ainda mantém um certo frescor. Entretanto, essa marca peca pela estranheza de seus opcionais e pacotes disponíveis.
Já disse que vou prestar um concurso? Pois é. Mas não tenho muita chance. Estou tentando mais para ver se consigo atingir o ritmo necessário para estudar. Concurseiro profissional abre mão de tudo para passar nos melhores concursos. Poucas vagas, salário beeem melhor que o que percebo hoje. Tough.
2010 é ano eleitoral, não? Here we go again. Acho que vou fazer minha a decisão de ano novo do Toni Belotto: não assistir ao horário eleitoral. Bem, raras vezes fiz isso, de qualquer modo. Já sei que vai ser a mesma pataquada. Se já decidi em quem votar? Claro que não, mas pelo cenário que se forma, as opções são poucas. Apesar do auê em torno da candidatura de Marina Silva, não acho que ela vá ter algum peso decisório. De qualquer modo, acho que faltaria cancha para o cargo de Presidenta. Sei lá, nunca analisei isso a fundo. Apesar de ter toda a máquina governamental a seu favor, está difícil tornar Dilma na candidata em que as pessoas queiram votar. Votar nela só porque é a candidata do Presidente? Conheço muita gente que está reticente. Por outro lado, significa a continuidade de um governo que fez muito e que, ainda que tenha permitido que acontecesse muita coisa errada, não foi nem de longe um mau governo. O país vai bem e a população sente isso. Mas Dilma não encanta. Dilma não empolga. Bem, vamos esperar a corrida começar para valer.
That's it.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Haiti

A pergunta que muitos estão se fazendo esses dias é: como é que pode um povo tão sofrido, continuar a sofrer tanto? Catástrofe atrás de catástrofe.
A mobilização humanitária foi imediata e geral. Sou testemunha do esforço que o Brasil, como líder da missão de paz naquele país, empreendeu. Nossa Embaixada em Porto Príncipe foi atingida, sem vítimas. A sede da missão de paz, no entanto, não teve tanta sorte. Até agora 14 militares já tiveram suas mortes confirmadas. O Brasil tem um efetivo na região de cerca de 1300 homens. Segundo informações, o número dois da MINUSTAH, o diplomata brasileiro Luiz Carlos da Costa, estaria entre os mortos da missão de paz.
A situação no país é gravíssima, mas a ajuda não tardou. O Brasil enviou, além de homens para auxiliar nos trabalhos de resgate, equipamentos de potabilização de água, alimentos e remédios. O dia todo de ontem foi de muito trabalho para minha divisão. Logo cedo recebemos um grupo de 20 bombeiros militares que foram receber, em caráter emergencial, passaportes de serviço para que pudessem embarcar em vôo da FAB que partiu às onze da manhã. Uma pequena força-tarefa deu conta do serviço em cerca de 15 minutos. Logo em seguida soubemos que teríamos de ir à Base Aérea de Brasília para fazer o mesmo para um grupo de bombeiros militares vindos do Rio de Janeiro. Esse grupo trabalhou nas operações de resgate e salvamento em Angra dos Reis. Traziam consigo cães farejadores além de mais equipamentos. Em cerca de uma hora emiti, à mão, dado o caráter emergencial da situação, 24 passaportes para esse grupo, que reembarcou imediatamente, junto com um segundo grupo de bombeiros de Brasília. Antes disso, outro grupo de cerca de 20 homens da Força Nacional, passou por nossa divisão para também receberem seus passaportes. Devo acrescentar que é impressionante a serenidade que eles apresentavam, face ao trabalho que eles vão ter que encontrar por lá.
As fotos abaixo mostram os bombeiros, entre eles dois médicos, aguardam o momento de reembarcar e o Sucatão, na pista da Base Aérea, aguardando o reembarque dos homens .
Muito boa sorte, então, aos nossos valorosos bombeiros e soldados da Força Nacional e que o povo haitiano consiga, na medida do possível, por mais essa tragédia para trás.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Ano novo, cara nova

Por falta de inspiração, resolvi dar uma repaginada no Peri.
Vou desenterrar minhas câmeras e logo logo postarei algo novo por aqui. Meu fotocoiso anda igualmente abandonado. Tá rolando um desânimo que não é normal. Gotta shake it off.

domingo, 10 de janeiro de 2010

2010 e mais música

Falei num post anterior sobre o DVD da Fernanda Takai. Então aqui vão algumas considerações sobre ele: se outros artistas brasileiros resolvessem fazer um show tão bacan, simpático e bem arranjado como esse, o cenário musical brasileiro seria realmente show.
A direção musical de John Ulhoa - cujos talentos foram mais do que comprovados pela carreira do Pato Fu - aliada aos arranjos minimalistas e elegantes (vou usar muito essa palavra aqui) de Lulu Camargo dão o toque absolutamente charmoso ao set list muito bem escolhido. Calcado, evidentemente, no disco gravado por Fernanda em homenagem a Nara Leão, mas com uma boa série de surpresas. O que mais chama a atenção é o fato de que o show foi muito bem ensaiado, as músicas estão sendo tocadas sem o menor esforço pela excelente banda, composta dele, John nas guitarras, violões e teclados, de Lulu Camargo nos teclados, Thiago Braga no baixo e violão e a bela Mariá Portugal, cuja bateria simples e elegante e vocais que complementam lindamente os vocais de Fernanda, são um dos pontos altos desse show. A versão em japonês para "O Barquinho", turbinada com bateria e arranjo mais rápido é simplesmente uma das coisas mais divertidas feitas no Brasil em anos recentes.
A mistura inclui Michael Jackson ("Ben"), Roberto Carlos ("Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos"), Eurythmics ("There Must Be An Angel") entre outras preciosidades como a versão de "Odeon" e "Sinhá Pureza". Partes do show foram filmadas em preto e branco, o que amplifica o minimalismo. Recomendo. Ou melhor, RECOMENDO.
Outro presentinho de minha adorada cara-metade, foi, como já mencionei, a caixa Salve Jorge! Só o que posso dizer é que o homem é realmente um gênio. Sei, muitos já sabiam disso. A produção dele, dos anos 80 para a frente, incluindo o sucesso reencontrado com WBrasil, etc., está muito aquém do material incluído nessa caixa, que reúne seus discos gravados entre 1963 e 1978. Ouvi quase a metade deles e o bacana de fazê-lo dessa forma é que a evolução do artista é muito mais clara. Os arranjos vão ficando mais elaborados, o estilo vai-se formando. Felizmente para todos nós a gravadora, àquela época, não sabia o que tinha nas mãos. Forçando Jorge Ben a gravar com violão, quando ele já tocava guitarra, forçou-o a passar por essa adaptação em seu estilo. Mas ele tinha que que tocar daquele jeito, o único que ele conhecia. E assim nasceu o samba-rock. Jorge Ben, com Jor ou sem (perdoem a rima) é, definitivamente, um dos artistas brasileiros mais influentes do século XX.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

2010

Feliz ano novo, blá, blá, blá.
Você fez resoluções de ano novo? Nada mais inútil, não? Não conheço uma só pessoa que as tenha feito e conseguiu atingir os objetivos.
Nossas resoluções limitaram-se a pôr o apartamento em ordem, de uma vez por todas, além de outras providências menores que, por uma razão ou outra, deixaram de ser tomadas no ano passado. Decidi prestar concurso. Tardiamente, pois as primeiras provas acontecerão em fins de fevereiro. 66 vagas. Not a chance. Mas decidi prestar assim mesmo. Investi em apostilas e estou vagarosamente tentando achar o ritmo de estudo. Falta saco.
Decidimos trocar o carro. Escolhi 3 modelos. Já risquei um da lista, pois a versão que me interessa só é vendida no modelo velho - coisas de Brasil. Estou para riscar o outro, pois os opcionais que me interessam são caros e o seguro também. Ainda resta a opção de adquirir esse modelo semi-novo. O terceiro modelo...há rumores de uma reestilização este ano. Se compro o modelo atual, ele pode de desvalorizar demais, após o lançamento do modelo novo. Decisions, decisions. Pior, antes de tomar essa decisão precisamos gastar uma grana no carro atual, antes de vendê-lo, sob risco de não conseguir preço bom.
A saúde vai bem, obrigado. No fim de dezembro fiz um hemograma completo, teste de urina 24h e uma densitometria óssea. Deu quase tudo normal, exceto o ácido úrico (meio alto) e outro troço que não consigo pronunciar. A seguir, dentista.
Estou fora da equipe que vai terminar as implantações do sistema novo nos consulados. Pedi para ser deixado de fora. Vou me concentrar em estudar para o concurso e em pôr nossa casa em ordem.
Sim, ganhei de presente da minha adorável esposa altos presentes musicais: o DVD do show da Fernanda Takai, o disco em honenagem à Nara Leão e...tcham-tcham-tcham...a caixa Salve Jorge!, que reúne 13 discos do Jorge Ben, lançados entre 1963 e 1978, além de um CD duplo com inéditas e raridades. Vou comentar separadamente sobre eles.
Desejo a todos um ótimo 2010. Fui.

IBILCE: 60 anos da minha Alma Mater

Escrevi a crônica abaixo, a pedido da amiga Nilce, atual editora da revista Notícias Ibilce, por ocasião dos 60 anos do nosso querido In...