sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Sexta-feira.

Ah, o fim-de-semana. Tanta coisa para se fazer que as idéias fervilham com as possibilidades. Tem coisas que se quer fazer por obrigação e coisas que se quer fazer por prazer. Não raro, o que acontece é que acaba-se não fazendo nada e o fim-de-semana rola chinfrim.
A solução para isso seria planejamento. Mas aí, o elemento espontaneidade vai para o espaço.
Cruel, não? Por exemplo: há vários fins-de-semana que planejo, entre outras coisas, instalar prateleiras e trilhos de cortinas no apartamento. Na hora H acabo fazendo qualquer outra coisa que não estava programado e a coisa toda vai morro abaixo. Quando me dou por conta, é segunda-feira. Nem me lembro mais quando foi a última vez que saí com o firme propósito de fotografar. A última vez que minha câmera viu a luz do sol foi no início de dezembro, em Taiwan. Aí eu culpo a falta de inspiração. Ok, pode-se dizer que parte é culpa da falta de inspiração, mas o restante é acomodação mesmo. Acontece também de ter tanta coisa para fazer que acaba-se escolhendo aquilo que, no fim, toma boa parte do seu tempo como, por exemplo, levar o carro para lavar e passar horas na fila.
Este finds não é diferente dos outros. Tem muito o que fazer, muito o que quero fazer, mas não vou planejar. Deixarei o momento decidir. Depois eu conto o que rolou. Bom fim-de-semana.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Fotografia: arte na era digital

O título deste post guarda dois assuntos: fotografia e arte, e fotografia na era digital.
Vira e mexe alguém publica algum artigo discutindo a velha questão "fotografia pode ser considerada arte?". Há não muito tempo li um artigo numa tradicional revista de fotografia brasileira que tratava do tema. Texto absolutamente chato, com longas considerações de gente da área falando uma tonelada de baboseiras, citando filósofos e críticos de arte de hoje e de ontem. Enfim, um horror. Ainda me surpreendo com a quantidade de gente que perde tempo discutindo essa questão. Meu ponto de vista é muito mais simples: se um sujeito, considerado "artista", pode fazer uma "obra" na qual ele empilha tijolos, expõe no MASP dizendo que aquilo simboliza, sei lá, todas as possíveis interações do ser humano, e ainda põe o monte de argila assada à venda por milhares de reais e isso ser considerado arte (ok, moderna, vá lá), então digo com toda a certeza que sim, fotografia é arte. Definitivamente. Encerrado o assunto? Não? Então vamos lá. Não entendo de arte, nunca entendi, mas acho que uma boa definição de arte poderia ser "a interpretação do artista do mundo que o rodeia". Ou algo do gênero. Ora, a fotografia não é um processo meramente mecânico. Ela envolve enquadramento, leitura e interpretação da luz ambiente, ajuste correto da câmera, posicionamento do fotógrafo, escolha do ângulo, etc. O que faz um pintor? Escolhe tudo isso e aplica à tela. O único pecado do fotógrafo seria, se fôssemos procurar pelo em ovo, o fato de ele representar mais fielmente o mundo que o rodeia. Se bem que vários truques - entre eles, desfocar propositadamente a cena - permitem que se atinja efeitos até abstratos. Entre aqui: http://www.davidnoton.com/ e digam-me, se tiverem coragem, que esse fotógrafo não é um artista.

O outro tema é a discussão fotografia digital x fotografia tradicional. Recuso-me a usar o termo "analógico" como o fez um jornal local recentemente. Acho admirável quando entusiastas ou fotógrafos profissionais defendem a fotografia tradicional, de filme. Eu mesmo ainda tenho câmera de filme e não pretendo vendê-la. Na dita matéria, um dos entrevistados chegou a ponto de dizer que a fotografia digital é mais pós-produção, enquanto a tradicional tem a ver mais com o conhecimento, o trabalho na câmera. B-O-B-A-G-E-M-!
O conhecimento das técnicas fotográficas é tão importante em uma quanto na outra. A diferença é que na digital o fotógrafo tem condições de ver ali, na hora, se está no caminho certo. Ele tem a vantagem de acessar suas fotos e analisá-las no momento imediatamente após o clique. Ter uma câmera digital não faz de ninguém um bom fotógrafo. Conhecimento das técnicas básicas, como luz, abertura, distância focal, regra dos terços, enquadramento, ainda é essencial. Pós-produção sempre houve. Ou vão querer me convencer que ajustar o tempo de exposição de um negativo, controlar o tempo de mergulho da foto em produtos químicos não é pós-produção? Programas como o Photoshop emulam esses processos no computador. Eles ainda existem, e ainda são um bocado complexos. Argumenta-se que a fusão de duas fotos para se conseguir uma foto perfeita é trapaça. Ué, não se fazia isso nos tempos em que o filme era rei? Não se manipulava imagens? Até onde eu sei é perfeitamente possível sobrepor dois negativos e expô-los sobre papel fotográfico, obtendo assim uma foto "manipulada". O que eram o retoque e a pintura manuais, senão manipulações do processo fotográfico? Tem muito a se discutir ainda sobre o tema. Prefiro não tomar partido. Acho que fotografia é arte, sim. Se você não acha, tudo bem. E a velha discussão digital versus tradicional? Bem, o vinil está voltando com força, não?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Nada

Estou meio que em compasso de espera. O ano começou agitado. Tragédia em Angra. Tragédia no Haiti (Taiti, para algumas "celebridades" brasileiras que deviam ser proibidas de twitar). Ataques suicidas em Kabul e no Iraque. Where is the next one coming from?
Minha falta de inspiração continua a me assolar. Vergonhoso, verdade. Decidi muito pouca coisa para este ano. Férias: a única certeza. E a troca do carro, claro. Aliás, depois de anos acompanhando o mercado no exterior, passei o último ano acompanhando o mercado brasileiro. Temos coisas boas, verdade, mas nosso mercado é ingrato para quem já morou lá fora. A prática de manter carros antiquados em linha (porque vendem bem, assim dizem as fábricas) é no mínimo desalentadora. Algumas marcas têm dois ou três modelos disputando o mesmo público-alvo, com um carro mais ou menos novo, um mais velho e outro jurássico. Havíamos escolhido três modelos para ajudar na decisão. O primeiro foi descartado porque a fábrica vai mexer nele. Mas já descobri que a "mexeção" não será profunda mas, como sói acontecer em terras brasilis, apenas cosmética. Bem, há rumores de um novo motor. O segundo modelo...bem, ainda não chegou às lojas. Por isso optamos (90% de chance) por um modelo que, se não é novo nem novidade, ainda mantém um certo frescor. Entretanto, essa marca peca pela estranheza de seus opcionais e pacotes disponíveis.
Já disse que vou prestar um concurso? Pois é. Mas não tenho muita chance. Estou tentando mais para ver se consigo atingir o ritmo necessário para estudar. Concurseiro profissional abre mão de tudo para passar nos melhores concursos. Poucas vagas, salário beeem melhor que o que percebo hoje. Tough.
2010 é ano eleitoral, não? Here we go again. Acho que vou fazer minha a decisão de ano novo do Toni Belotto: não assistir ao horário eleitoral. Bem, raras vezes fiz isso, de qualquer modo. Já sei que vai ser a mesma pataquada. Se já decidi em quem votar? Claro que não, mas pelo cenário que se forma, as opções são poucas. Apesar do auê em torno da candidatura de Marina Silva, não acho que ela vá ter algum peso decisório. De qualquer modo, acho que faltaria cancha para o cargo de Presidenta. Sei lá, nunca analisei isso a fundo. Apesar de ter toda a máquina governamental a seu favor, está difícil tornar Dilma na candidata em que as pessoas queiram votar. Votar nela só porque é a candidata do Presidente? Conheço muita gente que está reticente. Por outro lado, significa a continuidade de um governo que fez muito e que, ainda que tenha permitido que acontecesse muita coisa errada, não foi nem de longe um mau governo. O país vai bem e a população sente isso. Mas Dilma não encanta. Dilma não empolga. Bem, vamos esperar a corrida começar para valer.
That's it.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Haiti

A pergunta que muitos estão se fazendo esses dias é: como é que pode um povo tão sofrido, continuar a sofrer tanto? Catástrofe atrás de catástrofe.
A mobilização humanitária foi imediata e geral. Sou testemunha do esforço que o Brasil, como líder da missão de paz naquele país, empreendeu. Nossa Embaixada em Porto Príncipe foi atingida, sem vítimas. A sede da missão de paz, no entanto, não teve tanta sorte. Até agora 14 militares já tiveram suas mortes confirmadas. O Brasil tem um efetivo na região de cerca de 1300 homens. Segundo informações, o número dois da MINUSTAH, o diplomata brasileiro Luiz Carlos da Costa, estaria entre os mortos da missão de paz.
A situação no país é gravíssima, mas a ajuda não tardou. O Brasil enviou, além de homens para auxiliar nos trabalhos de resgate, equipamentos de potabilização de água, alimentos e remédios. O dia todo de ontem foi de muito trabalho para minha divisão. Logo cedo recebemos um grupo de 20 bombeiros militares que foram receber, em caráter emergencial, passaportes de serviço para que pudessem embarcar em vôo da FAB que partiu às onze da manhã. Uma pequena força-tarefa deu conta do serviço em cerca de 15 minutos. Logo em seguida soubemos que teríamos de ir à Base Aérea de Brasília para fazer o mesmo para um grupo de bombeiros militares vindos do Rio de Janeiro. Esse grupo trabalhou nas operações de resgate e salvamento em Angra dos Reis. Traziam consigo cães farejadores além de mais equipamentos. Em cerca de uma hora emiti, à mão, dado o caráter emergencial da situação, 24 passaportes para esse grupo, que reembarcou imediatamente, junto com um segundo grupo de bombeiros de Brasília. Antes disso, outro grupo de cerca de 20 homens da Força Nacional, passou por nossa divisão para também receberem seus passaportes. Devo acrescentar que é impressionante a serenidade que eles apresentavam, face ao trabalho que eles vão ter que encontrar por lá.
As fotos abaixo mostram os bombeiros, entre eles dois médicos, aguardam o momento de reembarcar e o Sucatão, na pista da Base Aérea, aguardando o reembarque dos homens .
Muito boa sorte, então, aos nossos valorosos bombeiros e soldados da Força Nacional e que o povo haitiano consiga, na medida do possível, por mais essa tragédia para trás.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Ano novo, cara nova

Por falta de inspiração, resolvi dar uma repaginada no Peri.
Vou desenterrar minhas câmeras e logo logo postarei algo novo por aqui. Meu fotocoiso anda igualmente abandonado. Tá rolando um desânimo que não é normal. Gotta shake it off.

domingo, 10 de janeiro de 2010

2010 e mais música

Falei num post anterior sobre o DVD da Fernanda Takai. Então aqui vão algumas considerações sobre ele: se outros artistas brasileiros resolvessem fazer um show tão bacan, simpático e bem arranjado como esse, o cenário musical brasileiro seria realmente show.
A direção musical de John Ulhoa - cujos talentos foram mais do que comprovados pela carreira do Pato Fu - aliada aos arranjos minimalistas e elegantes (vou usar muito essa palavra aqui) de Lulu Camargo dão o toque absolutamente charmoso ao set list muito bem escolhido. Calcado, evidentemente, no disco gravado por Fernanda em homenagem a Nara Leão, mas com uma boa série de surpresas. O que mais chama a atenção é o fato de que o show foi muito bem ensaiado, as músicas estão sendo tocadas sem o menor esforço pela excelente banda, composta dele, John nas guitarras, violões e teclados, de Lulu Camargo nos teclados, Thiago Braga no baixo e violão e a bela Mariá Portugal, cuja bateria simples e elegante e vocais que complementam lindamente os vocais de Fernanda, são um dos pontos altos desse show. A versão em japonês para "O Barquinho", turbinada com bateria e arranjo mais rápido é simplesmente uma das coisas mais divertidas feitas no Brasil em anos recentes.
A mistura inclui Michael Jackson ("Ben"), Roberto Carlos ("Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos"), Eurythmics ("There Must Be An Angel") entre outras preciosidades como a versão de "Odeon" e "Sinhá Pureza". Partes do show foram filmadas em preto e branco, o que amplifica o minimalismo. Recomendo. Ou melhor, RECOMENDO.
Outro presentinho de minha adorada cara-metade, foi, como já mencionei, a caixa Salve Jorge! Só o que posso dizer é que o homem é realmente um gênio. Sei, muitos já sabiam disso. A produção dele, dos anos 80 para a frente, incluindo o sucesso reencontrado com WBrasil, etc., está muito aquém do material incluído nessa caixa, que reúne seus discos gravados entre 1963 e 1978. Ouvi quase a metade deles e o bacana de fazê-lo dessa forma é que a evolução do artista é muito mais clara. Os arranjos vão ficando mais elaborados, o estilo vai-se formando. Felizmente para todos nós a gravadora, àquela época, não sabia o que tinha nas mãos. Forçando Jorge Ben a gravar com violão, quando ele já tocava guitarra, forçou-o a passar por essa adaptação em seu estilo. Mas ele tinha que que tocar daquele jeito, o único que ele conhecia. E assim nasceu o samba-rock. Jorge Ben, com Jor ou sem (perdoem a rima) é, definitivamente, um dos artistas brasileiros mais influentes do século XX.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

2010

Feliz ano novo, blá, blá, blá.
Você fez resoluções de ano novo? Nada mais inútil, não? Não conheço uma só pessoa que as tenha feito e conseguiu atingir os objetivos.
Nossas resoluções limitaram-se a pôr o apartamento em ordem, de uma vez por todas, além de outras providências menores que, por uma razão ou outra, deixaram de ser tomadas no ano passado. Decidi prestar concurso. Tardiamente, pois as primeiras provas acontecerão em fins de fevereiro. 66 vagas. Not a chance. Mas decidi prestar assim mesmo. Investi em apostilas e estou vagarosamente tentando achar o ritmo de estudo. Falta saco.
Decidimos trocar o carro. Escolhi 3 modelos. Já risquei um da lista, pois a versão que me interessa só é vendida no modelo velho - coisas de Brasil. Estou para riscar o outro, pois os opcionais que me interessam são caros e o seguro também. Ainda resta a opção de adquirir esse modelo semi-novo. O terceiro modelo...há rumores de uma reestilização este ano. Se compro o modelo atual, ele pode de desvalorizar demais, após o lançamento do modelo novo. Decisions, decisions. Pior, antes de tomar essa decisão precisamos gastar uma grana no carro atual, antes de vendê-lo, sob risco de não conseguir preço bom.
A saúde vai bem, obrigado. No fim de dezembro fiz um hemograma completo, teste de urina 24h e uma densitometria óssea. Deu quase tudo normal, exceto o ácido úrico (meio alto) e outro troço que não consigo pronunciar. A seguir, dentista.
Estou fora da equipe que vai terminar as implantações do sistema novo nos consulados. Pedi para ser deixado de fora. Vou me concentrar em estudar para o concurso e em pôr nossa casa em ordem.
Sim, ganhei de presente da minha adorável esposa altos presentes musicais: o DVD do show da Fernanda Takai, o disco em honenagem à Nara Leão e...tcham-tcham-tcham...a caixa Salve Jorge!, que reúne 13 discos do Jorge Ben, lançados entre 1963 e 1978, além de um CD duplo com inéditas e raridades. Vou comentar separadamente sobre eles.
Desejo a todos um ótimo 2010. Fui.

IBILCE: 60 anos da minha Alma Mater

Escrevi a crônica abaixo, a pedido da amiga Nilce, atual editora da revista Notícias Ibilce, por ocasião dos 60 anos do nosso querido In...