sexta-feira, 18 de junho de 2010

Copa 2010

Você trabalha o ano todo. Economiza, pensando naquela viagem, faz planos, pesquisa roteiros. Você adquire uma câmera nova, porque vai querer registrar a viagem com circunstância. Chega o dia da viagem, você vai e...não era o que esperava. O lugar não é tão bonito, as pessoas não são agradáveis, o clima não ajudou, o vôo foi horrível.
Estou assim com a copa do mundo. Toda aquela preparação, toda a ansiedade e a expectativa. E o que ganhamos? Jogos piores do que os campeonatos estaduais. Jogadores sem motivação, técnicos sem inspiração. Assistir aos jogos pela tevê hoje só encanta aqueles que podem ter canais em alta definição em casa. Futebol mesmo...
Como em toda copa alguém tem sempre de inventar uma moda. Nesta, inventaram (rá, rá, rá) a tal da vuvuzela. Não é invenção nenhuma, essas irritantes cornetas existem há séculos e podem ser encontradas em qualquer campo de várzea. Tenho até a impressão de que a Federação Sul-Africana contratou metade da população só para ir aos jogos (não importa de quem) e tocar as malditas cornetas. Os locutores vão ao delírio e exaltam a balbúrdia da torcida. A verdade é que às vezes chega a ser impossível ouvir o que os locutores dizem, pois há microfones espalhados pelos estádios, registrando a "animação" da torcida. Soma-se a isso o espetáculo pífio que tem sido o futebol apresentado e temos uma senhora copa do mundo pronta para ser esquecida.
Daqui a quatro anos tem mais.

sábado, 12 de junho de 2010

Turning american

A tradução do título é "virando americano".
Acompanho o mundo automobilístico e motociclístico há anos, através de revistas, programas de tevê, etc. Os norte-americanos sempre foram conhecidos pelo desperdício. Carros enormes, com motores enormes, para motoristas enormes. As crises de anos recentes tem feito com que os consumidores daquele país passassem por uma transformação. As fábricas de automóveis daquele país, hoje, começaram a lançar carros antes inimagináveis naquele mercado. Carros minúsculos como o Smart passaram a ser vistos com outros olhos. De desconfiança, passaram a ser vistos com admiração e cobiça. Eles finalmente entenderam que um carro não precisa ser gigantesco para ser eficiente ou confortável e que motores pequenos e econômicos são mais do que uma mera necessidade no mundo de hoje.
Nós, brasileiros, estamos virando americanos, no entanto. A recente pujança econômica por que passa nosso país despertou o consumista enrustido que havia em nosso povo. Basta dar uma olhadinha em nossas ruas. Alguém já notou a quantidade de SUVs que vemos rodando por aí? Algumas marcas chegam a ter três modelos diferentes desses veículos. O cliente compra o menor, porque seu dinheiro só compra aquilo. Mas logo ele cobiça o modelo ligeiramente maior, e logo, logo o maior ainda e por aí vai. E esses carros são equipados, na maioria das vezes, com motores potentes, a gasolina. Até há pouco tempo, nos EUA, SUVs e pick-ups enormes vinham equipadas com motores V8 a gasolina. O americano só está descobrindo as vantagens dos modernos motores a diesel agora. O etanol também existe por lá, mas me parece que ainda há uma aura de desconfiança cercando esse tipo de combustível. Mais medo de ficar sem carro tem o americano de ficar sem comida.
E nós, com nossa ascensão econômica, estamos indo no mesmo caminho. Claro que, ao contrário dos americanos, temos uma cultura de carros pequenos e econômicos. mas também temos a cultura do querer sempre mais, do achar que o do vizinho é melhor, e não é raro ver gente solteira desfilando em seus SUVs orgulhosamente. Fazer o quê. Temos a impressão - equivocada, na minha opinião - de que nosso etanol salvará a pátria. É uma alternativa, sim, não uma panacéia. As fábricas tem anunciado com orgulho versões de suas caminhonetes com motores flex. Isso significa carros de quase três toneladas movidos por motores a gasolina/etanol. Nada econômicos. Sim, o meio ambiente agradece o uso do etanol, menos poluente. Mas não vai agradecer quando o mercado exigir o aumento da produção, porque o número de carros beberrões movidos pelo combustível renovável disparou. Isso sem falar que hoje, na maioria dos estados brasileiros, não compensa rodar com álcool. Perdão, etanol. O nosso fantástico etanol perdeu toda sua vantagem sobre a gasolina. Acho que precisamos de um exame de consciência urgente. Onde vamos parar com isso? O que vai acontecer daqui a alguns anos com esse monte de SUV? Bem, eles vão estar velhos e mais baratos e vão parar nas mãos daqueles que os cobiçavam mas não podiam comprá-los. Vão estar desatualizados e seus donos não terão grana para mantê-los em perfeita ordem de funcionamento. Entenderam onde quero chegar, não?

quarta-feira, 9 de junho de 2010

ON de novo

Eu tinha me esquecido dele. Já fiz um post sobre o homem, sobre como ele pensa que pode dizer o que fazer com Brasília. Escrevi sobre a absurda praça da República (acho que era esse o nome), com seu ridículo obelisco de concreto que ele queria encravar no coração da cidade. Dizia que a cidade estava precisando de praças. Não as dele.
Recentemente, durante nossa passagem por João Pessoa, fui lembrado de sua existência. Ao passarmos pela Cidade da Ciência e Tecnologia (acho que é esse o nome), o nosso bugueiro orgulhosamente apontou para os prédios e disse que eram obra dele. Vejam:

Parece óbvio que a "obra" é dele, não? E é óbvio simplesmente pela ausência de verde. Não falo de grama, falo de árvores.
Não nego que o sujeito tenha sido um gênio no seu tempo. Hoje, infelizmente, suas obras guardam a marca registrada do gênio, mas não têm nada de genial, sendo meras reciclagens do que ele já fez por aí. Como gênio teve seu auge e deixou sua marca. Como arquiteto, parou no tempo. Dá para ver o Museu de Arte Contemporânea de Niterói no prédio de João Pessoa, assim como dá para vê-lo no Museu da República em Brasília - que, aliás, é uma obra extremamente mal executada. As mesmas rampas estão lá. O prédio que eu mostro ali em cima lembra muito o Memorial JK, também em Brasília, aquele bloco de concreto que qualquer criança desenha numa brincadeira inocente, tal a falta de imaginação. A Biblioteca, argh, Leonel Brizola, foi feita à imagem e semelhança de outros edifícios na cidade.
Aqui, na capital federal, existem pessoas que não podem ouvir falar no nome do arquiteto que se molham de êxtase. Exagero? Houve gente que achava que, sim, a Praça da República - ou seja lá qual for o nome da coisa - tinha que ser construída, sim.
Mas eu desafio essas pessoas a darem um passeio com o arquiteto pelas ruas da cidade, numa segunda-feira, lá pelo meio-dia. Lúcio Costa, com certeza, não iria gostar do cenário. Nas áreas centrais da cidade não há um espaço sequer que não esteja ocupado por carros. Carros, carros, carros e mais carros. Por todo canto. Nas áreas próximas aos setores de autarquias sul e norte, setores hoteleiros sul e norte, setores comerciais sul e norte, as faixas da extrema direita das ruas viraram estacionamento. A polícia nem se dá ao trabalho de multar mais, pois não há alternativa. Os edifícios não tem vagas suficientes. Na Esplanada, os ministérios não tem vagas sequer para seus funcionários. Gostaria de ver ON propor uma solução para esse problema. Adoraria ver uma obra sua que não seja uma proposta vazia, e nem me importo que seja um bloco de concreto saído direto da Rússia comunista. Desde que tenha uma função e que a cumpra. Brasília está ficando cada vez mais sufocada. Não política nessa área. O governo trabalha para melhorar o acesso à cidade. Beleza, assim mais e mais pessoas poderão tirar seus carros da garagem e vir para Brasília onde não terão onde parar!
No Brasil não se incentiva o uso de veículos mais práticos como a motocicleta e similares. Em Brasília não é diferente. Vagas exclusivas para motos são raras. Detalhe: numa vaga onde se estaciona um carro pequeno, dá para parar até seis motos.
O transporte público deveria cobrir essa lacuna. Nem vou entrar no mérito dessa questão. O que se vê são terrenos e mais terrenos vazios que poderia estar sendo utilizados para edifícios-garagem, mas que acabam virando prédios de escritórios chiques para abrigar os lobistas que circulam pela capital. Há uma infinidade de áreas que poderiam virar estacionamentos subterrâneos e que não afetariam o "Plano Original" da cidade tombada. Até mesmo nas entrequadras residenciais esse tipo de empreendimento poderia ser implantado. Bastaria licitar direito e entregar os projetos e a exploração à iniciativa privada. Quando uma cidade carece de conforto para seus habitantes, deve-se começar a buscar alternativas e, por que não, cobrar por elas. Esperar para que o governo sozinho dê solução é acreditar em Papai Noel e coelhinho da Páscoa.