segunda-feira, 19 de julho de 2010

Jean Carlo Schulz - 1969-2010

Perdi um grande amigo, um irmãozinho.
Parece que foi ontem, no meu primeiro dia de aula. Terceira série, cidade nova, escola nova. A primeira conversa foi com ele. Nascia ali nossa amizade. Éramos muito diferentes. Opostos até. Ele, extrovertido e bonachão, não tinha dificuldades em fazer amizades. Sempre de bem com a vida, não me lembro de vê-lo bravo com alguma coisa ou alguém.
Com ele aprendi a andar de moto, a ouvir rock. Aprendi o que é ser amigo. Éramos melhores amigos. Assim eu o considerava.
O tempo passou e a gente se separou. Mudei de estado, para estudar, mas ainda havia um certo contato. Ele nunca foi muito de escrever, não era a praia dele. Certa vez, para me sacanear, escreveu uma carta em papel higiênico. Dos mais vagabundos. Sacaneei de volta escrevendo uma em folhas soltas, fora de ordem.
Finalmente, por mudanças de ritmo na vida de todos nós, por falta de atenção até, sabe Deus, perdemos contato. Isso foi lá pelos idos de 1989. Reestabelecemos um breve contato em 1994. Depois disso, mais silêncio. Fui para o exterior, minha vida virou de pernas para o ar, mas a lembrança daquele branquelo brincalhão e de sua família maravilhosa nunca me deixou. Finalmente, em 2007, graças à internet, reestabelecemos contato. Houve trocas breves de e-mails, mensagens e chats pelo Orkut. Sabia que a vida não andava lá muito boa para ele. Algumas coisas ruins vinham acontecendo e ele por vezes ficava estranho. Mas vez por outra o velho e bom amigo dava as caras.
Não sei explicar porque nunca conversamos por telefone. Eu, o velho procrastinador, ficava sempre deixando para depois. Recentemente, depois de mais de vinte anos, reencontrei sua mãe e irmãs, a quem considero mãe e irmãs minhas. Ficou a promessa de não mais perdermos contato. Ficou pendente uma reencontro com todos. Prometi que ligaria para ele. Procrastinei.
Falhei com você, irmãozinho. Agora, deixo minhas palavras aqui. Algum dia vou bater com você aquele papo que sempre ficou para depois. Vai com Deus, alemão. Ficam sua memória e a saudade.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Riders For Health

Existe um mundo de ONGs por aí que se dispõem a levar o que quer que esteja faltando a um lugar remoto do mundo qualquer. Uma infinidade delas tem o dedo de celebridades. Dessas, muitas são realmente honestas e não tem preocupação com outra coisa que não cumprir o objetivo a que se dispuseram.
Uma dessas ONGs chama-se Riders For Health (Pilotos Pela Saúde). No início dos anos 80, um grupo de pessoas começou a levantar fundos para países pobres nos paddocks de competições motociclísticas. Numa de várias viagens à África, para verificar a utilização desse dinheiro, Barry e Andrea Coleman, juntamente com o piloto Randy Mamola, descobriram que veículos adquiridos para levar ajuda a locais mais remotos estavam parados por falta de manutenção. Em muitos casos, uma mísera peça de 3 dólares impedia que esses veículos saíssem das garagens. Locais inóspitos, áridos e de poucos recursos representavam um desafio insuperável para os veículos que para lá eram enviados.
Surgiu então a Riders For Health. Essa instituição levanta fundos não somente para aquisição de veículos, mas promove, nas comunidades onde atua (sete países africanos, hoje), cursos de pilotagem de motocicletas e de manutenção de veículos em geral. O RFH detectou que não bastava apenas mandar dinheiro, medicamentos e veículos para regiões desprovidas de assistências. O problema principal era a falta de manutenção desses veículos. Barry voltou dessas viagens determinados a criar sistemas de manutenção de veículos em regiões inóspitas, o que acabou se tornando uma especialidade premiada da instituição. Andrea organiza mundialmente a arrecadação de fundos, que apoio total da comunidade motociclística mundial. Recentemente a Yamaha doou cinco unidades das novíssimas SuperTénéré 1200 para a instituição. Em eventos motociclísticos no Reino Unido é possível encontrar o "helmet park" da Organização, que nada mais é que um ônibus no qual os visitantes podem "estacionar" seus capacetes até o fim do evento.
Clique no link para um vídeo de apresentação: http://www.youtube.com/RidersForHealthTV#p/search ou acompanhe o trabalho deles no www.youtube.com/RidersForHealthTV
Fica difícil não pensar no nosso próprio país, que sofre de problemas parecidos e que aind anão encontrou soluções tão simples quanto eficientes.

sábado, 3 de julho de 2010

Cabô

Ontem pela manhã eu ia ao supermercado quando um sujeito que passava por mim comentou que a cidade estava vazia. E completou: "o Brasil podia perder logo, para esse povo voltar a ralar".
Taí, "irmão" (foi como ele se dirigiu a mim). Hora de voltar a ralar.

IBILCE: 60 anos da minha Alma Mater

Escrevi a crônica abaixo, a pedido da amiga Nilce, atual editora da revista Notícias Ibilce, por ocasião dos 60 anos do nosso querido In...