domingo, 23 de janeiro de 2011

Não tô entendendo

Estou vendendo minha moto. A outra. E, do mesmo que jeito que há um ano, quando coloquei o carro à venda, começou o festival de esquisitices.
Na minha concepção, uma transação comercial entre particulares vai mais ou menos assim: sujeito A tem algo para vender. Sujeito B se interessa. Sujeito A estabeleceu um preço e espera vender o objeto por aquele preço ou algo mais próximo.
O roteiro natural dessa transação deveria ser: sujeito B se interessa e liga para sujeito A. Indaga sobre o objeto. Sujeito A esclarece as dúvidas do sujeito B, que faz uma contra-oferta, na tentativa de reduzir um pouco o preço. Sujeito A, de início, rejeita, mantendo o preço original. Mais um pouco de conversa e o sujeito A concorda em reduzir um pouco o preço. Desse modo, logo chegam a um consenso e o objeto troca de mãos, assim como o valor combinado.
Minha história vendendo o carro e a moto tem sido diferente. Anuncio a moto, com quilometragem, etc. Recebo a primeira ligação e o sujeito me pergunta o preço. Eu digo e ele diz que está cara, sem sequer ver a moto (que aliás está em excelente estado de conservação). Em seguida me pergunta por quanto faço, assim, para pagar à vista. Hã? Ele pensou, por acaso, que eu ia financiar pra ele? What's wrong with this picture? Eu respondo que o preço é aquele, esperando que o sujeito faça a tal contraproposta. Ao que ele segue perguntando por quanto eu faço, quanto eu tiro do preço. Será que as regras de negociação mudaram tanto assim? A economia brasileira mudou tanto que as pessoas que querem vender algo é que tem que fazer contrapropostas à suas próprias propostas? Que maluquice é essa, Zé?
O pior é o sujeito "julgar" minha oferta sem sequer ver a moto com seus próprios olhos. Outros dizem que estão vendendo suas motos menores e que o negócio está quase fechado, dando a entender que não vão ter aquele dinheiro todo, mas que querem comprar a moto assim mesmo. Tenho cara de banco, por acaso, maluco? Eu, hein!?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Já tive várias crises de criatividade, umas piores que as outras. Às vezes falta assunto, às vezes falta saco.
Muitas vezes, ao ler outros blogs, fico impressionado com a torrente de assuntos que algumas pessoas tiram sei lá de onde. Ok, nem todo blog tem alguma coisa a dizer. Tem gente que fica só no "acordei hoje sem vontade de escrever"...e escreve assim mesmo. Tem gente que narra até as idas ao banheiro. Exagero, não.
Os poucos que acompanham este espaço sabem que sou meio bissexto. Só escrevo quando dá na veneta ou quando tenho algo legal pra dizer. E já deu pra perceber que estou enchendo linguiça. Mas é enchendo linguiça que chegamos a algum lugar.
Em algumas semanas tenho certeza de que vou ter assunto. Explico: vou em viagem de trabalho à Etiópia. Pois é. O que tem pra fazer por lá? Hã...vejamos: www.google.com > busca: Addis Ababa > Wikipedia
"Addis Ababa (sometimes spelled Addis Abeba, the spelling used by the officialEthiopian Mapping Authority) is the capital city of Ethiopia. (In Ethiopian languages:Amharic, Addis Abäba [adːiːs aβəβa] "new flower"; Oromo, Finfinne; Ge'ez ኣዲስ ኣበባ) It is the largest city in Ethiopia, with a population of 3,384,569 according to the 2007 population census.[1]

As a chartered city (ras gez astedader), Addis Ababa has the status of both a city and a state. It is where the African Union and its predecessor the OAU are based. Addis Ababa is therefore often referred to as "the political capital of Africa", due to its historical, diplomatic and political significance for the continent.[2] The city is populated by people from different regions of Ethiopia – the country has as many as 80 nationalities speaking 80 languages and belonging to a wide variety of religious communities. It is home to Addis Ababa University. The Federation of African Societies of Chemistry (FASC) and Horn of Africa Press Institute (HAPI) are also headquartered in Addis Ababa."

Deu pra ti?

Ocorre que, pelo que parece, internet por lá é coisa problemática. E a razão de nossa missão é testar uma solução alternativa, para que o setor consular de nossa embaixada por lá não pare. Não bastasse a longa viagem, Adis Abeba (em bom português) fica a cerca de 2400m de altitude! E isso a parte baixa da cidade. Ouch!

Essa é uma daquelas viagens que ninguém quer fazer. It's a dirty job but someone's gotta do it.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Viva o Borges


No dia do Fusca, Borges recebe um mui merecido banho de espuma. Parabéns a todos os fuscas deste mundo e seus apaixonados donos.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Ser motociclista


Objeto de desejo. Meio de transporte. Aquele-negócio-que-fica-na-garagem-e-que às-vezes-me-lembro que existe. Três definições.
Outras três definições: motociclista de coração. Motociclista. Domingueiro.
O primeiro simplesmente gosta de moto, faz tudo o que pode com ela, chova ou faça sol, dá nome ao seu objeto de desejo, cuida, não empresta, não vende e não dá. O segundo quis deixar de depender do precário transporte público, ou simplesmente buscou uma alternativa econômica para seu transporte diário. Não é necessariamente um apaixonado. O terceiro comprou a moto porque podia. Ela é geralmente grande, potente, inversamente proporcional à sua habilidade. A moto é para mostrar, roda pouco e é vendida tão logo seu dono caia o primeiro tombo.
Eis a frase chave aqui: cair o primeiro tombo. O único ou o primeiro de uma série, cair para quem anda de moto é praticamente inevitável. Meu moto, aprendido com meu saudoso amigo Jean, sempre foi "caio para levantar e continuar a andar de moto e tentar não cair de novo". Mas se acontecer, subo na moto outra vez e sigo tentando não cair.
Na minha humilde opinião, os três tipos merecem algum respeito apenas pelo fato de terem moto. O primeiro tipo é o verdadeiro. Anda na chuva, sabe a importância de andar equipado e, se cair, levanta e segue em frente. Vender a moto para ele é algo impensável. Acho que me encaixo nessa definição. Frequentemente me perguntam se não tenho medo de andar de moto no enlouquecido e mal-educado trânsito de Brasília. Respondo sempre que sim, mas que também tenho medo de ser atropelado por um ônibus descontrolado enquanto espero na parada. tenho medo de motorista bêbado que não respeita sinal vermelho. Faço a minha parte para evitar ou, pelo menos, minimizar as consequências. Andar equipado é a primeira coisa com que se preocupar. Prestar muita, muita atenção no que acontece à sua volta é essencial. Saber reconhecer todos os sinais de algo está para acontecer é vital. Essas características fazem do motociclista de coração menos sujeito a acidentes graves, nem tanto para o motociclista comum e colocam o domingueiro na linha de frente do hospital. Andar pouco, esporadicamente, de moto não ajuda a desenvolver reflexos essenciais para uma pilotagem segura. Não raro, o domingueiro usa uma moto custom, sai de casa de bermuda e tênis e ainda faz paradas para aquele chopinho...receita para dar m****. Aí o sujeito culpa a moto, diz que é perigoso e a vende, além de sair por aí vilipendiando o veículo que só pedia para ser conduzido com segurança e atenção.
Moto é veículo perigoso? Até pode ser, afinal desafiamos constantemente a lei da gravidade, além de estarmos mais expostos no trânsito. Rebato dizendo que poucas coisas são mais prazerosas que um passeio de moto, seja em estrada a 120 km/h, seja na cidade a 50. Sozinho ou com garupa, andar de moto é um tesão. Mas um tesão que requer cuidados. Só quem pode criticar um motociclista é quem anda de moto. Quem só dirige automóvel não faz idéia do que é estar sobre duas rodas. Portanto da próxima vez que você sentir um impulso de xingar ou reclamar de um motociclista, pense duas vezes e tente se colocar no lugar dele.
Eu respeito motocicleta. E eu respeito a vida.