segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

África, pte. 2

Último dia da viagem, saímos com um amigo para uma volta na cidade e umas compras. Segundo
ele, melhor comprar souvenires em galerias pois a procedência era mais garantida, apesar dos preços ligeiramente mais altos. A foto ao lado mostra uma avenida, a Champs Elisées, nas palavras de nosso amigo belga. Carros muito velhos se misturam a outros muito novos. Vi muito Gol e Fox por lá. Mas os campeões de audiência são os táxis azuis, normalmente Ladas ou Fiats, muito, muito velhos.
O movimento nas calçadas é intenso. Nesta área, por exemplo, onde o comércio era razoavelmente ativo, centenas de pequenas lojas, vendendo de tudo - até Maxi Ducha Lorenzetti -

disputam espaço e fregueses. O vai-e-vem frenético nos alcança numa parada de semáforo. Pedintes cercam o carro. Nosso guia alerta para não darmos nada a uma mulher com uma criança no colo. Diz ele se tratar de estratagema para mendicância. Esta chega a ser desconcertante. Caras de piedade - muitas genuínas, eu sei - e uma ladainha da qual só entendemos um ocasional "money" ou "hungry".
Não era o caso aqui, mas em alguns países, cabras são mesmo utilizadas para "aparar" gramados.
Cenas como esta são muito comuns num país onde toda e qualquer forma de se chegar a um nível aceitável de sobrevivência, vale.
Vale observar que esta foto foi tirada em bairro considerado bom. Neste ponto, à nossa direita (é meu chefe caminhando à minha frente) fica a sede das Nações Unidas em Adis Abeba, além das residências de várias embaixadas. Esta rua, à noite, não tem iluminação a não ser a de algumas casas e de uns poucos postes de luz, provavelmente instalados ali em algum momento remoto do passado.
Exceto pelos mendigos, as pessoas tendem a cuidar de suas vidas. Caminhei por esta rua à noite, sozinho, e em momento algum me senti ameaçado, nem fui importunado.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

20 anos

Calma, o tempo não passou tão rápido assim. Este post não é sobre 20 anos de casamento, mas 20 anos de formatura. Uma colega de faculdade enviou um e-mail há umas duas semanas, eu acho, lembrando a todos do nosso aniversário coletivo.
Eu vinha há muito sem contato com a maioria de minhas colegas (e meu colega, pois éramos dois benditos frutos entre as mulheres). A vida faz isso, nosso dia-a-dia nos coloca em caminhos que nos distanciam de coisas que não deveriam ser esquecidas. Há alguns anos algumas delas conseguiram fazer uma pequena reunião em São José do Rio Preto, mas parece que o quorum desta vez é esmagador. Já conseguimos contato com quase todos da turma. Alguns conseguiram realmente desaparecer do radar, mas em tempos de internet, facebook, orkut e quetais, vai ser só uma questão de tempo até restabelecermos contato.
Anyways, a reunião vai sair e estou realmente muito contente em ter notícias de todos. Algo que lamento muito é não ter fotos daqueles quatro anos de faculdade. A paixão e o interesse fotográfico só despertaram alguns anos depois e fiquei sem qualquer registro. Daí ser tão importante para mim o reencontro com minhas honoráveis colegas (com meu honorável colega tenho contato através do Orkut, pois é um ocupadíssimo professor de latim).
E aí é quando a gente para e tenta se dar conta desse número: 20 anos. É uma vida. Estão todos, ou quase todos, casados. Todos, de novo, ou quase todos, tem filhos. E ninguém, até onde eu sei, mexe com tradução.
Eu tentava imaginar o que os outros poderiam estar fazendo. Como tinha alguma contato com um ou dois amigos ainda, eu recebia cacos de informação: fulano casou, tá trabalhando em tal lugar; beltrano tem dois filhos e parou de trabalhar, e por aí vai.
Estou um bocado ansioso e acho que vai ser muito bacana.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

10 anos

Há dez anos nós assinávamos a papelada, entrávamos na igreja, trocávamos alianças e selávamos nossos destinos juntos.
Há dez anos tenho a felicidade de acordar todos os dias ao lado do amor da minha vida. Sei que sou um homem de sorte e ela, uma mulher de muita paciência.
Nada do que eu possa dizer aqui chega perto de expressar o que eu sinto, então direi simplesmente: amo você, mulher da minha vida.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Bye

Minha fiel Fazer 250, a Juju, finalmente mudou de dono. Nunca me deu dores-de-cabeça nem desapontamentos, sempre competente dentro de suas limitações - e minhas também, afinal ela foi o meu "reaprendizado" no mundo motociclístico. 17.000km e dois anos depois, alguns passeios em estrada na bagagem, muitas perambulações em domingos de manhã, sessões fotográficas e nenhum defeito mecânico. Valeu, bichinha.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

África, pte.1

Adis Abeba, Etiópia. Acordo e esta é a paisagem que vejo da sacada do meu quarto de hotel. Talvez eu deva dar um crédito à cidade, afinal ao chegar na noite anterior eu estava cansado, com a barriga cheia da comida horrorosa do avião. E de saco cheio de avião, também. À noite a cidade me pareceu aterradora, apesar de estarmos muito próximos do aeroporto e num bairro "bom". De fácil acesso, just in case. Bem, a rua que nosso motorista tomou para me deixar no hotel, próximo à embaixada, estava às escuras e parecia estar entupida de gente, casebres e carros caindo aos pedaços. Jesus, Mary, Joseph and all the camels, pensei. Apesar da má impressão, o hotel me aliviou um pouco a alma. Após passar pela recepção de hoteleco do interior, encontro um quarto simples, mas limpo e bem arrumado. A roupa de cama bem lavada e sem cheiros estranhos - diferentemente das toalhas que devem ter sido lavadas com aqueles sabões que se faziam no interior do Brasil, de sebo cozido em tachos enormes.
Ao acordar, resolvi dar uma chance a Adis Abeba. Minha cabeça pesava a essa altura. Cansaço ainda? Não, secura extrema e os efeitos da altitude. 2400m acima do nível do mar, para ser mais exato. Café da manhã...bem, pulemos essa parte.
Ganho as ruas, e fico sem fôlego nos primeiros cem metros. Tentando acompanhar um colega de pernas mais longas, logo estou ofegante. A rua que parecia horrenda à noite, ficou menos (mas não muito) horrenda de dia;
Repare na ausência quase total de calçadas e postes de luz. Esta rua é de mão dupla. À noite os carros acendem o farol alto ao perceberem pedestres, cegando estes...
A falta de infraestrutura é patente. Para onde se olhe há exemplos de coisas feitas, como dizer, "nas coxas". Andaimes de construção são um espetáculo à parte, veja:

Eles constroem tudo dessa forma. E sai tudo direitinho...