sábado, 30 de abril de 2011

Gastronomic Friday

Sexta-feira, dia de enfiar o pé na jaca. Combinamos de encontrar o Elard aqui em Roterdã, para irmos a uma taberna caribenha muito simpática e com excelente comida. Enquanto esperávamos, Bia torceu o tornozelo e agora está de molho.
Fomos ao restaurante e começamos imediatamente a entornar umas Dommelsch e pedimos cinco pratos - sugestão da dona da casa - a saber:
Tostones de banana com chutney de manga.
Camarões com molho ligeiramente picante.
Croquete picante de abobrinha. Excelente.
Ah, sim. Batata doce com molho de alho e leite de coco. Perfeitas.
Last but not least, bacalhau refogado com bananas fritas. Divino e maravilhoso.
Nesse lugar os pratos vêm em porções pequenas, quase como tapas e essas três porções foram suficientes para nós três. Chama-se Taberna Dushi e fica no número 40 da Pannekoekstraat, em Roterdã. Rrrrecomendo.
Depois terminamos a noite em dois lugares diferentes tomando cerveja. Seguiram-se Dommelsch e Brand. Excellent.

-- xx --

Hoje os zola comemoram o dia da Rainha. Na verdade o aniversário da rainha-mãe. O povaréu toma as ruas para vender suas quinquilharias. Vou tirar fotos, e verão que não minto.
Fui.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Círculos

Já postei fotos da ponte Erasmus antes? Tem certeza? Ok, já postei mas...e aquele prédio no fundo? Há! Ele estava sendo construído quando saímos daqui há dois anos. Terra reclamada. Está onde antes havia rio.
Reencontramos hoje a Dra. Alice. Super figuraça de quem sentíamos a maior saudade. Excelente papo regado a cerveja de trigo e comida oriental.
Bateu a hora, tínhamos que sair. Vamos juntos até o ponto do tram? Beleza. Lá fomos, felizes batendo papo. Diz dra. Alice: da próxima vez vamos nos encontrar aqui, no Zatkine, e sentaremos na calçada, ao sol. Okidoki. Pequeno aparte para explicar o que se seguiu: lá nos idos de 2003, quando chegamos a R'dam, moramos por uns 40 dias no Home Hotel, em plena Witte de Wittstraat, defronte ao Zatkine, que é um ótimo restaurante/café/bar. Nesse restaurante conhecemos um dos proprietários, Cor, que reencontramos em nosso segundo dia aqui. Conhecemos também Herman. Um baixote careca extremamente simpático com quem fizemos amizade no primeiro contato. Umas semanas depois, quando nos preparávamos para mudar para o nosso endereço definitivo na Karel Doormanstraat, fomos jantar no Zatkine e Herman nos dava as boas novas de que ele e o irmão John haviam assumido a administração de um restaurante mexicano no centro da cidade, a dois quarteirões de onde moraríamos. Beleza, viramos fregueses assíduos do lugar, que por sinal era ótimo. Perto de irmos embora, descobrimos que Herman estava numa não muito boa e ia largar o restaurante. Seu irmão já tinha pulado fora. Nos despedimos, e lá se foram dois anos e pedrada.
Pois bem, passando por ali hoje, conversando com dra. Alice, a Bia dá aquela parada em frente ao Zatkine e faz uma cara gozada. De repente, sai lá de dentro, de avental preto, quem? Quem? HERMAN!
Wow, what are the odds??? Aparentemente ele estava por ali cobrindo umas folgas de colegas, mas ficamos de nos encontrar para saber das histórias que ele garantiu vai contar, sobre o que aconteceu com ele desde então. Bizarro, não? Círculo que se fecha? Prefiro pensar que é outra volta de uma parábola. Perdoem-me os matemáticos se falo besteira. Ao fim de um dia estranho, que excelente encontrar dra. Alice e Dom Herman. Life's Good.

E mais outro

Gente, estou me sentindo inútil. Hoje só consegui fazer o que tinha começado ontem e com ajuda. Estou me sentindo inútil e perdido. Sei que isso é normal, mas essa síndrome do primeiro dia está indo longe demais. tenho experiência em serviço consular, mas é como se nunca tivesse visto o serviço na vida. Não me pergunte. Não sei. Rotina é uma coisa. Entrar nela quando se precisa é complicado. Sei que são só os primeiros dias, mas estou frustrado.
Vai passar.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Trabaia, cabra.

Day 2. Como era de se esperar, a coisa se soltou um pouco mais, atendimentos aqui e ali, ajudas aqui e ali, mas ainda pegando o jeito.
Recuperei as placas do meu ex-carro aqui: BN-82-57, onde o BN significa que sou um sujeito de fora do Brejo Baixo, parafraseando a insuperável Dra. Alice "Pitaqueira" Barreto. Vai parar na parede do quarto de som, em Brasília.
Está difícil arrumar a agenda. Queremos sair e encontrar um monte de gente, as gentes estão querendo nos encontrar e o esquema vai ficando complicado. Mas tudo se ajeita. Sábado é o dia em que o povo do BB põe os cacarecos nas ruas para vender sem pagar os impostos à Rainha. Nós vamos, claro, dar aquela explorada básica nos itens à disposição. Mais por diversão que por vontade/necessidade de adquirir os ditos itens. Tirarei fotos do evento.
Bem, vamos assistir a The Adjustment Bureau daqui a pouco. No Brasil saiu como "Agentes do Destino", com Matt Damon e Emily Blunt. Depois eu conto.
Fui.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Primeiro dia. De novo.

Olá, crianças.
O primeiro dia transcorreu sem problemas. Reencontrei os amigos, conheci gente nova, mas fiquei longe do público. Cuidei de uma papelada eleitoral e consegui transferir meu cadastro para o Consulado. Síndrome do primeiro dia funciona até em lugares onde já se trabalhou. Experimentei uma sensação curiosa: apesar de já ter trabalhado cinco anos no Consulado, tudo está diferente. O que tornou este primeiro dia um verdadeiro primeiro dia. Fiquei meio sem rumo, pois apesar de saber os procedimentos bateu uma insegurança, afinal, todo chefe acaba sempre mudando alguma coisa.
Preciso definir minha estratégia gastronômica. Na Holanda é costume lanchar no almoço e depois das seis, jantar. Exatamente o oposto do que estou acostumado. Estou tentado a optar por manter o esquema que tenho hoje, para daqui a 45 dias não ter que me readaptar. Daí vai rolar muita cozinha à noite e esquentadinha no dia seguinte.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Rotterdam, Mk II

Chegamos. Em pleno domingo de Páscoa, com dia lindo, sol de brigadeiro. As saídas do Brasil - minha e de Bia, que voou em outra companhia - ocorreram sem tremores. Ambos passaram por poucas e boas turbulências, fora isso, tudo tranquilo. Ao deixar a Bia no aeroporto tive ainda que levar a Becky, nossa Jack Russell, para o hotel/canil onde ela ficará até dia 10 de maio.
O apartamento que alugamos é um quarto e sala até que bem espaçoso. Faltam algumas coisinhas, mas isso não pesa num aluguel de 45 dias. Vai dar para viver aqui sem o menor problema. O edifício é bem localizado, tem transporte público fácil, restaurantes agradáveis bem próximos, além da orla caminhável do rio Maas e o parque a poucas centenas de metros.
Acima, a vista da sacada frontal. Há outra, menor, virada para dentro da quadra.
Ontem, após chegarmos, cheios de fome, fomos dar uma volta pela cidade, para ver o que havia mudado, e procurar um lugar para comer.
Hoje, após um café da manhã às onze horas, composto de cappuccino e enormes panquecas de queijo e bacon, na ainda famosa Panekoekenhuis (acho que é assim que se escreve), voltamos a caminhar e fomos passando em certas lojas que abriram apesar do feriado. Fizemos uma pequena compra no supermercado, sendo que boa parte dela servirá para manter-me por aqui nos próximos 45 dias. O apartamento é mobiliado, mas certas coisinhas fazem falta.  Não tínhamos coisa alguma para sequer preparar um café.

Acima, duas vistas do cafofo consular temporário.
Amanhã is back to the grind.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Quando as coisas dão muito, muito errado

O sábado não acabou bem.
É curioso como certas coisas acontecem. Num momento está tudo bem, tudo tranquilo. Poucas horas depois, instala-se o caos.
Tive culpa em muito do que aconteceu na tarde daquele dia que começou lindo. É bem verdade que os bons goianos não são lá muito bons em dar informações.
Saio de Inhumas, teoricamente em direção a Pirenópolis. Não tinha mapa comigo, a não ser um roteiro impresso do Google Maps. Não estava bom. Muito menos completo. Perdi a saída, rodei uns tantos quilômetros e cheguei numa cidadezinha cujo nome já me esqueci. Ao ver a confusão no trânsito na saída da cidade perguntei a um policial pelo caminho certo. - Pirenópolis? Ih, você tá longe.
Aquela deveria ter sido minha deixa para voltar pelo caminho por onde tinha vindo, afinal não ando mais de 250, mas numa potente 600 cilindradas. Segui a indicação do policial, que me levaria por uma estrada estadual, via umas duas ou três cidades, até Pirenópolis, de lá seria fácil até Brasília.
Na cidade seguinte, descobri que a indicação do policial incluía 17 quilômetros de estrada de terra, que ele classificou como "um pedaço ruim da estrada", não como o que realmente era. Nuvens carregadas no horizonte me diziam para não seguir. Perguntei novamente por direções. Um sujeito me disse com toda a segurança: - Pega a Belém. É até mais rápido. Só tem obra nas pontes. O resto tá novinho.
Triste hora em que resolvi seguir a indicação do sujeito. Ele podia ter me dito que com minha moto seria melhor não tentar aquele caminho. Lá fui. Ignorando a vozinha que me dizia para voltar, segui em frente. Topei com o primeiro trecho "em obras". Haviam acabado de canalizar um riacho e o resto era terra. Transitável, mesmo com minha moto. Mas...lá na frente a coisa ficou feia e a terra batida virou atoleiro. Mais uma vez perguntei se havia muitos trechos como aquele. Recebi respostas vagas. Como alguém pode não dar uma resposta precisa tendo acabado de passar pelos trechos em questão?
Mais um trecho difícil e a moto junto com o moral foram ao chão. Quase me desespero ao ver a Branca ali, no barro, fumaça saindo do motor quente em contato com a lama fria. Reuni forças para levantar o bicho de mais de 200kg e consegui. Santa Adrenalina. Salvo a sujeira e um manete fora do lugar, nada quebrado.
Seguiram-se outros trechos muito difíceis que só consegui transpor graças à ajuda de transeuntes que por ali se achavam. Mais à frente, num trecho de terra bem batida que, com a água transformou-se num barro muito liso e grudento, chão de novo. A esta altura eu não acreditava que tinha me metido numa enrascada daquele tamanho. Fotografar aquela situação toda me passou pela cabeça num único momento. Mas o que eu queira era sair dali o mais depressa possível, pois se com aquela garoa a coisa estava daquele jeito, quando caísse o chuvão que estava prometendo, só de trator.
Finalmente, depois de mais dois trechos menos complicados, encontrei a BR-153 e muito movimento de veículos, o que àquelas alturas me pareceu ótimo. Parei num posto para reabastecer e tentar descobri onde eu estava afinal de contas. Eis a situação da Branca, nesta parada:
A frentista me disse que a próxima cidade seria Anápolis e que se eu quisesse ir para Pirenópolis, bastava pegar uma saída antes da cidade. Pensei comigo: nem pensar. Já beirava cinco da tarde, horário em que era para eu estar chegando em Brasília. Faltavam mais de 200 quilômetros. Enfim, decidi pelo certo: vou para Anápolis, pego a 060 que é duplicada e já já estarei em casa. Falei com Bia, que já estava muito preocupada - sorry, honey - e disse que o pior já tinha passado e que ia demorar um tantinho mais. E eis que, chegando em Anápolis cai a chuva das chuvas. Não quis parar, o trânsito não estava complicado, apenas diminuí a velocidade e deixei que a chuva lavasse o barro da moto e de mim. Paradinha rápida, já noite, na 060 para relaxar e vamos que vamos. Cheguei em casa passava das 9 da noite, dores por todo o corpo, a mão direita quase sem movimento e várias lições aprendidas: na dúvida, fique com o certo. Se o certo não for alternativa, esteja preparado (carregar um mapa é sempre uma boa idéia). Voltar nem sempre significa andar para trás.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Bate-e-volta

Tempo ajudando amanhã rola bate-e-volta. Vou ver qualé do encontro de motociclistas em Inhumas-GO. Aparentemente o evento rola em três dias e comemora o aniversário de um motoclube local. Se não estiver bom, volto pela rota alternativa, via Pirenópolis. Depois eu conto.

-- xx --
Abaixo, algumas fotos do evento.



Frase excelente na jaqueta de um coroa de Goiânia: "Motoqueiro é a puta que o pariu".
Explicação dele: "porra, tenho 40 anos de moto, piloto a Rainha das motos (uma Harley Road King) e ainda vem me chamar de motoqueiro?".
Tá certo. Concordo em gênero, número e grau, motoqueiro é a puta que o pariu.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Indignações rápidas de mau-humor nada rasteiro

A Copa vem aí. Infraestrutura: zero. Aeroportos: zero. Estádios: zero. Possibilidade de fiasco: 100.

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Veja descobre que está cheio de terroristas zanzando livremente pelo Brasil. Depois a gente fica indignado quando os americanos apontam o dedo dizendo que somos o paraíso para tudo quanto é tipo de escória.

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Tiririca, aquele palhaço eleito por mais de um milhão de palhaços, contratou dois palhaços para trabalhar em seu gabinete. E eles nem se dão ao trabalho de aparecer. Palhaçada.

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Perdão aos palhaços do mundo pelo uso do vocábulo.

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Governo resolve aumentar em 4 (quatro) pontos a taxação sobre as compras com cartão de crédito feitas no exterior. Santo Anacronismo, Batman!

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Se reduzissem a carga tributária de maneira a tornar, tanto as compras como o turismo, mais baratos no Brasil, não precisariam recorrer a esse expediente ridículo.

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Jaqueline Roriz ainda não deu as caras no Congresso depois de revelada sua participação no embrólio da Caixa de Pandora.

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E ainda continua recebendo salário...

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Hmm, de repente deu uma azia...

domingo, 3 de abril de 2011

Galhardia na MotoGP


GP de Jerez  de la Frontera, Espanha. Pista molhada. Segunda temporada e o campeníssimo Valentino Rossi saiu-se muito bem nos treinos. Igualmente para Casey Stoner que saiu na pole position. Lá pelo meio da corrida Rossi, que vinha ganhando terreno, arrisca uma ultrapassagem por dentro numa curva para a direita, sobre Stoner, que abre a trajetória ao perceber a manobra.  Para infelicidade de ambos a moto de Rossi sai de frente na pista lisa - no mesmo local onde vários outros pilotos sofreriam o mesmo tipo de queda no decorrer da prova - e leva o australiano com ele. Casey cai da moto, que fica sobre a moto de Rossi que fica sobre o próprio. Os fiscais de pista os ajudam a se levantar, mas quase todos vão ajudar Rossi, o que deixa - com razão - Stoner muito irritado. Rossi volta para a corrida - em penúltimo e inicia uma corrida de recuperação: ele acabou a prova em quinto. Stoner não tem a mesma sorte.
Ao final da prova, após deixar a moto no box, Rossi vai para o box da Honda, de capacete e tudo, pedir desculpas a Stoner, que as aceita graciosamente.
Vale ressaltar que, a meu ver, o único erro que Rossi cometeu foi aproveitar a oportunidade e tentar a ultrapassagem, coisa que o próprio Stoner teria feito, em seu lugar.
Agora eu pergunto: qual foi a última vez que alguém viu uma demonstração de cavalheirismo, de galhardia, em qualquer esporte em tempos recentes? Vamos lá, qual foi a última vez que algum piloto de fórmula 1 cometeu ato parecido?


sexta-feira, 1 de abril de 2011

Show da donzela

Nunca fui fã de carteirinha do Iron Maiden. Sei várias músicas de cor, mas nunca fui fã fervoroso. Mas quando a banda anunciou novo show em Brasília, pensei "por que não?".
Lá fomos eu e meu irmão mais velho encarar a pancadaria. Se a organização cometeu algum deslize foi com a banda de abertura. O local do show previa uma capacidade máxima de 30 mil pessoas. Venderam cerca de 15 mil ingressos, o que deixou o ambiente do show muito tranquilo. Pais como seus filhos, casais casados e casais de namorados, grupos de amigos, roqueiros solitários, tinha de tudo. E tudo num ambiente de tranquilidade, muito longe da imagem que faz a maioria de um show "metaleiro".  O palco não tinha firulas nem pirotecnias - reservados, provavelmente, para shows bem maiores - e o som era de boa qualidade. Pontuais, os músicos atrasaram só dez minutinhos. Exemplo para aquelas "estrelas" que acham que o pagante tem obrigação de esperar por 30, 40 minutos, às vezes até mais.
O show foi isso mesmo: um show. Competência que só quem tem décadas de estrada consegue angariar. Cantamos, pulamos, berramos, punhos no ar, tudo o que temos direito. Uma peculiaridade chamou atenção, no entanto: o baixista, Steve Harris, não parecia muito bem. Ficou o tempo todo na posição clássica de baixista, lá atrás, junto da bateria. Veio pouquíssimas vezes para a frente do palco, coisa que ele costuma fazer nos shows. Tocando, no entanto, era o velho Harris de sempre. No fim, sentimos que valeram todos os reais cobrados (pagamos meia, por sermos assinantes de um jornal local e por termos pago com cartão Visa) e fomos para casa cansados, mas felizes. Que venham mais shows assim. Rock on!