terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Buenos Aires, pt.5

Chuva na madrugada. Ouvi a chuva que batia na janela. O dia amanheceu nublado e com temperatura bem amena., o que nos animou a dar um passeio. Decididos a conhecer o tão falado Puerto Madero, descemos a Corrientes até os diques.
Caminhamos para lá e para cá e paramos para umas bebidas e uma pizza hororrosa.



Confesso que, enquanto projeto de recuperação de área degradada, PM segue a cartilha à risca. Bons passeios, restaurantes, apartamentos carésimos, barcos antigos ancorados, velhos guindastes deixados ali como lembrança do que era o lugar. Mas não demorou muito para bater o desapontamento. O paisagismo mais a necessidade de se manter a vista livre para moradores e frequentadores dos restaurantes ditam a proibição de árvores mais frondosas. Resultado: os bancos que ficam sob árvores que dão alguma sombra são disputados a tapa em dias de sol forte. Não ficamos embasbacados com o lugar.
A margem oposta a esta aqui onde estamos é ainda pior.
Daqui tomamos um táxi para os parques entre Palermo e a Recoleta. Queríamos explorar melhor a Recoleta a pé, já que anteontem saímos de lá de táxi.
Parada para tirar foto do monumento móvel Floralis generica:



Essa flor fecha-se à noite e há um jogo de luzes que, dizem, é muito bonito.
Descendo pela Recoleta, íamos "comprando"  todos os apartamentos que achávamos bonitos pelo encantador e pacato bairro.


Já quase na avenida 9 de julho, chamam atenção a residência oficial da Embaixada do Brasil:
e a Embaixada da França:

Quase no fim deste passeio, passamos pelo belíssimo Teatro Colón:



Fim da tarde e pausa para um sorvetinho, um helado, como dizem os hermanos. BsAs se orgulha de suas sorveterias. E deveria mesmo. Seguem a mais deliciosa tradição italiana. Os helados são absolutamente deliciosos, como o do centenário El Vesúvio, na Avenida Corrientes, pertinho do Obelisco. Este café, restaurante, bar e sorveteria foi a primeira "heladeria" fundada na capital argentina.
À noite, a pior escolha e a maior frustração da viagem. Queríamos conhecer o tradicional Chuiquilín, mas deixamos para a noite de 25 e ele não abriu. Atravessamos a rua e fomos no Las Cañas. Carne horrível, atendimento mais ou menos, cobrança de uma tal taxa absurda, demora. As piores batatas fritas da história, servidas de qualquer jeito num pratinho que elas nem chegavam a cobrir. Apesar das avaliações do Trip Advisor, fuja como o diabo da cruz. Aliás, nós ainda vamos fazer a nossa avaliação do Los Coños, ops, perdão, Las Cañas. Péssimo. E para completar, neste lugar mordi fortemente minha bochecha e ainda estou com a dolorosa ferida para me lembrar desse estabelecimento.


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Buenos Aires, pt. 4

Então é Natal. Bom, ainda é dia 24. Acordamos não muito cedo e saímos com o propósito vago de fazer umas compras e revisitar alguns lugares com mais calma. Lodo de cara vimos que o dia seria diferente, pois estava muito mais úmido e quente que nos dias anteriores. Fomos à Catedral  na Praça de Mayo para umas fotos.





Tiramos mais fotos da Casa Rosada,



comemos umas empanadas no centro e, depois de umas voltinhas, voltamos cozidos para o hotel. Hoje estava realmente insuportável.
À noite tínhamos reserva para jantar em um ótimo e modernoso restaurante. Lá pelas onze, já satisfeitíssimos e sem lugar mais para comida ou bebida e tortos de calor, apesar do ar-condicionado ligado, pedimos um táxi. Tarefa difícil. O rádio táxi informou ao pessoal do restaurante que só haveria carros disponíveis depois de uma ou duas da manhã (e olhe lá). Os que passavam pela rua, com seus luminosos de "libre" acesos, ignoravam solenemente aos acenos e se recusavam a parar.
Um dos garçons, o Fábio, percebendo nossa - e de outro casal de brasileiros, hospedados no mesmo hotel - aflição, ofereceu-se para nos levar em seu próprio carro, oferta mui gentil que prontamente aceitamos. Nossa tentativa de dar alguma gorjeta por esse serviço foi recusada, no mais puro espírito natalino.
Na nossa opinião, o Hotel falhou gravemente em não nos alertar sobre essa indisponibilidade dos táxis.
Chegamos e está tudo bem. Há previsão de chuva forte para a madrugada. Feliz Natal.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Buenos Aires, pt. 3

Um  pouco descansados, bolamos um programa mais leve, afinal é domingo e aniversário da Bia. Depois do café, tomamos o metrô, aqui chamado de Subte, de "subterrâneo". O Subte completará 100 anos em 2013 e, honestamente, nota-se. As linhas de transmissão são aéreas, as estações sujas e mal-conservadas, assim como os trens. A passagem custa ARS 2,50. Mais barato que o de Brasília. Descemos na Plaza Italia, em Palermo. Caminhamos ao longo do zoológico, em direção ao Jardim Japonês.






Os dias estão surpreendentemente amenos. Faz calor, mas não o calor e a umidade que esperávamos. Tínhamos decidido fazer a pé o caminho que o ônibus fez ontem.  Tomamos a Avenida del Libertador e fomos nos embasbacando com os lindos edifícios  de apartamentos e a calçada larga e arborizada, em direção à Recoleta. Ao chegar, demos uma conferida na feirinha de artesanato e decidimos parar para descansar e comer alguma coisa. Escolhemos o agradável La Biela - recomendado pelo meu irmão - e nos sentamos sob um para-sol, à sombra de uma imensa figueira.




A cerveja (chopp) aqui é servida em canecas de cerâmica e o sanduíche de filé é gigantesco. O interior do café é tão agradável quanto o exterior.


Em seguida visitamos a Igreja de Nossa Senhora de Pilar e o cemitério da Recoleta. Não, não visitamos o túmulo da Evita. Tomamos um táxi e, cozidos, voltamos para o hotel para descansar.






À noite fomos levados a um antigo teatro transformado em casa de shows, para assistir a um dos muitos shows de tango apresentados na cidade. O jantar estava incluído. Adianto duas coisas sobre esse evento: uma parte, a do show, é ótima. A outra é pura empurração para turista. Nos fazem entrar e, de cara, sugerem que tiremos fotografia com dançarinos do show, fazendo pose. Passo. Daí o caminho para dentro do salão passa, bizarramente, por uma lojinha de souvenires, que oferecem desde bebidas (poucas delas típicas), produtos "da casa" como canecas, DVDs, CD, camisetas e até bizarrices que não tem nada a ver com nada, como bonés da Yamaha MotoGP (???). O jantar incluía bebidas até as onze da noite e não estava lá essas coisas. O show em si foi bacana, com excelentes músicos e dançarinos, intercalados com canções - sempre tudo ao vivo, nada de playbacks. Teve também dois blocos alternativos com músicas e danças mais típicas, com tambores e boleadeiras e música andina com zampoñas e afins. Ponto forçação de barra do show: versão em espanhol para "My Way" e "No Llores Por Mi, Argentina", com a cantora toda de branco numa sacadinha falsa à beira do palco. Já entendi, vocês adoram a Evita. Ambos os cantores donos de potentes vozes, mas os microfones altos demais acabavam por incomodar. O show foi um bocado longo e já não víamos a hora de acabar. Na saída todo mundo passando pela lojinha de novo e mais uma oferta de fotos com os artistas, todos perfilados no saguão para os agradecimentos finais. Bacana. Este sim, um toque simpático.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Buenos Aires, pt. 2

Tentar acordar cedo foi inútil. Dez e meia, uma sensação de ressaca e fome. Café da manhã no Íbis Obelisco. Nada espetacular, mas acima da média para a rede. Assomamos à Avenida Corrientes com um sol fortíssimo e céu azul, e fomos na direção geral do rio da Prata. A avenida logo nos leva ao Obelisco.


A luz está ótima e as fotos prometem. O plano é seguir indicações é de guias e fazer um roteiro básico no microcentro. Seguimos, assim, pela Calle Florida, calçadão onde se concentra o grosso do comércio, inclusive a magnífica Galerías Pacífico, em direção à Plaza San Martin.
Somos acossados, por toda a extensão da Florida, por gente oferecendo câmbio, câmbio, câmbio. E passeios dos mais variados além de city tours. Já defronte à Plaza San Martin somos abordados por um simpático sujeito de nome Daniel, que nos oferece city tours e shows de tango. Perguntamos o preço e vejam a técnica dos caras: nunca informam o preço ali mesmo. Eles levam você até a agência, com ar-condicionado para bater um papo. Pois bem, na agência o sr. Norberto trata de nos convencer. Contratamos um city tour para dali a duas horas e um show de tango com jantar para a noite seguinte, aniversário da Bia. O passeio terá a duração de três horas.
Cruzamos a rua e almoçamos um belo contra-filé no El Establo.
Dali descemos para a plaza San Martin para descansar e apreciar um pouco a deliciosa praça, com suas imensas árvores e microclima extremamente agradável.




O ônibus percorreria parte do que pretendíamos ver neste primeiro dia. Como estávamos cozidos e mal-dormidos, achamos uma ótima ideia. Nosso guia, o Diego, mistura com impressionante facilidade inglês, português e espanhol. Enquanto o motorista negocia o trânsito complicado do centro, Diego vai misturando e repetindo à exaustão o que vamos ver a seguir. Plaza San Martin, rumo à Recoleta e Palermo. Passando pelos parques de Palermo, resolvemos que voltaríamos no dia seguinte, a pé, para explorar melhor o lugar. Continuamos pela Avenida del Libertador, passando rapidamente pela Recoleta, em direção à 9 de julho e à Plaza de Mayo.  Vamos voltar porque o tempo escasso de parada não me permitiu fotografar direito a Casa Rosada ou a Catedral. Daqui seguimos para La Boca e o famoso Caminito. Mas antes, parada para conhecer a Bombonera. A área ao redor do estádio respira Boca Juniors.




O Caminito nada mais é que uma rua na qual se concentram músicos, artistas de todo tipo, onde há alguns bares simpáticos e dançarinos de tango. A região é repleta de casas revestidas com metal ondulado, todas construídas em sua maioria com material de demolição ou sobras de construções, por imigrantes italianos no início do século XX. São igualmente pintadas com qualquer resto de tinta que se puder conseguir, daí as casas serem multicoloridas e de cores muito vivas. Aqui o conselho geral é: não se afaste da rua principal. O bairro é considerado barra pesada.





O cansaço e o tempo curto não nos permitiu explorar adequadamente o local. Na volta passamos pelo chique - meio insípido, na minha opinião - Puerto Madero, que exploraremos melhor no dia 25. Nos disseram que é interessante passar por aqui a noite de 24, para ver fogos de artifício. Descemos do ônibus próximo às Galerias Pacífico e subimos a Florida. Tomamos um táxi para a livraria El Ateneo, na Avenida Santa Fé. Esta loja está instalada em um antigo teatro, por isso herdou teto em abóbada magnífico.

O palco foi preservado e nele encontra-se um café. Pode-se ainda pegar um livro para ler mais sossegadamente em algum dos balcões.
Mais tarde, lá pelas dez, uma pasta no Palácio de la Papa Frita - eu sei, mas não tínhamos fome o bastante para encarar outro bifão com fritas - para fechar a noite. A pasta estava razoável, mas o molho com pedações absurdamente tenros de terneiro estavam de lamber os beiços. Mas o cansaço estava insuportável.
A boa impressão do dia é a limpeza das ruas na maioria dos locais por onde passamos. Até agora Buenos Aires causa uma boa impressão.

IBILCE: 60 anos da minha Alma Mater

Escrevi a crônica abaixo, a pedido da amiga Nilce, atual editora da revista Notícias Ibilce, por ocasião dos 60 anos do nosso querido In...