quinta-feira, 26 de abril de 2012

O gosto pela escrita e o talento que me falta

Gosto de escrever. Aprendi a gostar há muito tempo, mas há menos tempo do que aprendi a gostar de ler. Não é novidade que devemos incentivar as crianças a ler desde pequenas, seja lá o que for. Vale até catálogo de móveis. Um bom começo - tem gente que torce o nariz, acredite - é a leitura de gibis. Nós os líamos aos montes, de Mickey Mouse a Recruta Zero. Eu lia até alguns Pasquins do meu pai. Àquela tenra idade confesso que entendia patavina.
A transição das revistinhas com desenhos e figuras para os livros foi feita com literatura de bolso, mais especificamente livrinhos de bang-bang, com eram conhecidos - olhaí, gente torcendo o nariz de novo. Meu pai os comprava ou trocava com os amigos Tínhamos até autores preferidos, como Keith Luger (pseudônimo do escritor espanhol Miguel Oliveros Tovar), Silver Kane (pseudônimo do também espanhol Francisco González Ledesma) e Marcial Lafuente Estefanía (não é pseudônimo, mas obviamente espanhol). Literatura rasteira ou não, o fato é que aqueles livrinhos despertaram minha imaginação: ia lendo e "montando" os cenários na cabeça. As histórias eram emocionantes, bem escritas e até onde me lembro, bem traduzidas. Lia muito desses livros, enquanto meus colegas ainda trocavam gibis.
Dos bang-bangs para livros de mistérios foi um pulo. Agatha Christie foi o passo seguinte, com as intrigantes aventuras de Hercule Poirot. O contraponto a esta altura dava-se pela lista de leitura obrigatória da rede pública de ensino. Éramos obrigados a ler Machado de Assis e outros clássicos em plena 6ª série. Não é de se  admirar que tanta gente não gostasse de ler.
Ainda houve uma fase de livros de combate, de forças de elite, mercenários, etc. Trash, sim, mas na época eu os devorava e na verdade isso é o que importa. O gosto pela leitura estava lá. Em 1984 comecei a colecionar revistas. Inicialmente sobre motociclismo - até hoje -  mas depois também sobre música.
Meu gosto pela escrita - para a qual não tenho muito talento, infelizmente - veio lá pela 6ª série. Naquele ano, 1981, começamos a ter aulas de redação. Na 5ª série ainda tínhamos caligrafia. Pensando hoje sobre aquelas aulas vejo que não aprendíamos técnicas de redação nenhuma, apenas praticávamos sobre temas propostos pela professora (Edna, que eu adorava) e temas livres, alternadamente. E era nesses que eu viajava. Frequentemente inspirado por algum livro que estivesse lendo, deixava a imaginação correr solta e quase sempre enchia duas ou três páginas de caderno grande.
Anos depois, já no colegial, trocava correspondência com pessoas de várias partes do Brasil e até de Portugal. Um desses "penpals" ainda é minha amiga - né, Mari? Essas trocas de cartas me ajudaram muito quanto a organizar as idéias de forma mais clara no papel. Esse hábito passou anos abandonado. Os "penpals" desapareceram e as trocas de cartas com colegas da faculdade minguaram à medida em que cada um de nós caía no mundo cuidando da vida. Essa época coincidiu com o advento do e-mail. Tenho uma conta no Hotmail desde 1995. Com o e-mail vieram mensagens mais rápidas, mais sucintas, menos rebuscamento e um certo empobrecimento. Ficou pior com os "chats" e mensagens instantâneas.
Blogar foi uma tentativa mais recente de polir um pouco meus dotes de escriba e alongar os músculos do cérebro. Não ligo muito para quantas pessoas leem meus blogs ou os acompanham. Gosto quando comentam, mas escrevo mais por mim e para mim.

Tenho necessidade de escrever, apesar de muitas vezes não ter inspiração e a coisa sai (quando sai) meio sem graça. Daí meu hábito de ter blocos, cadernos e afins espalhados, para sempre ter onde e como escrever (paralelamente desenvolvi uma certa fixação por canetas). Este texto, por exemplo, foi escrito com uma Bic num caderno Moleskine, um dos vários que tenho pela casa.
E tudo isso começou lá atrás, com gibis e livrinhos de bang-bang.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Difíceis escolhas

Quem nunca se deparou com a dúvida na hora de comprar qualquer coisa? Carro, câmera, telefone, massa de tomate, macarrão, arroz...para praticamente tudo tem opção a dar com pau.
Nem sempre foi assim. Houve um tempo em que poucas marcas dominavam certos mercados. A indústria automobilística, por exemplo, pré abertura das importações, em 1992 - única coisa decente que fez aquelle collorido despirocado - tinha poucos modelos espalhados por pouquíssimas marcas. Hoje a dúvida na hora de escolher um carro é muito mais difícil de dirimir. Tem preço, design, marcas de preferência, confança no pós-venda e por aí vai. E na hora de trocar o celular, por exemplo? A indústria usa características técnicas insondáveis para o consumidor comum como armas de venda. Daí esse mesmo consumidor tem que buscar avaliações na internet que, na maioria das vezes, não soluciona nada e só complica. O tecniquês só serve para nerds. No vai e vem desencontrado de informações certas bobeiras acabam sendo difundidas. Recentemente li numa matéria sobre carros na internet que tal modelo tinha freios com antibloqueio e ABS. Faltou conhecimento ao escriba do significado da sigla ABS: anti-lock breaking system, ou sistema de frenagem anti-bloqueio. Em suma, freio que não trava.
Com isso, o consumidor com menos conhecimento acaba exigindo coisas em suas compras que ele não faz a mais vaga idéia do que sejam. "Não, não, meu novo celular tem que ter câmera de 12 megapixels". É uma tristeza, pois a maioria sequer faz idéia da serventia disso. Já falei em post anterior sobre a guerra dos megapixels. Megapixel não é nada sem lente de qualidade. Então não adianta comprar a câmera xing-ling de 16Mp que é baratinha. Sem lente decente, sem hardware de boa qualidade e sem conhecimento mínimo não vai sair fotografia que preste. Economia é a base da porcaria.
De onde saiu isso tudo? Até semana passada era minha melhor metade às voltas com a escolha de um novo celular. Eu estou há algum tempo tentando definir o que vou comprar daqui a alguns meses. E eu tinha isso definido até hoje, quando de curiosidade resolvi ler umas avaliações de um modelo mais barato, que eu de cara já tinha descartado. E quer saber? Acho que é o modelo ideal. E pela metade do preço do que eu já tinha meio que escolhido.
Ler e comparar fichas técnicas, principalmente de celulares, não é para quem tem coração fraco. Meu uso de celulares (e de smartfones) resume-se a fazer chamadas, envio de SMS, tirar uma foto ou outra e, mais recentemente, uso light de internet. Daí que certas siglas não significam muito para mim. E tem coisas malucas. Vejam só: existe uma versão de um sistema operacional que chama-se Symbian^3, ou algo assim...Hã? Sou eu, ou neguinho viajou na maionese? O que há de errado com Symbian 3, ou 3.0?
Felizmente, alguns blogs e sites acabam mesmo ajudando os menos esclarecidos. Mas no fim acho que esse é o preço da modernidade. Consumidor - principalmente com grana para gastar - fica exigente e aí variedade é tudo.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Equipamentos pt. II


Essa aí é a Givi T469, a mais nova aquisição. Bem, acabei de encomendar na Soul Moto pela módica quantia de R$ 616,00. Cada bolsa tem capacidade para 20/32l (elas são expansíveis), são presas com duas longas tiras de velcro e possuem ainda uma terceira fita para fixação. Para melhor acomodação da bagagem há elásticos internos (como o de malas) e elas têm reforço rígido nas bordas. A proteção contra a chuva vem de capas removíveis e ainda tem uma alça de ombro para carregá-las. Acho que agora o capítulo equipamentos está completo.

xx -- xx

Capítulo menos alegre tem sido o serviço nas concessionárias Yamaha do DF. Como sobraram apenas três concessionárias (pequenas) a coisa está degringolando. Quando levei a Branca para a troca de óleo, a Saga de Taguatinha, não tinha o filtro disponível. Nesta semana comecei a telefonar atrás de pastilhas de freio, pois terei que trocar antes da viagem. A Saga respondeu que demoraria 20 dias úteis (!!!) para receber e que cada par custaria cerca de R$ 280,00. Nas revendas Lince e Federal, da Ceilândia, nem sombra das peças. Em Anápolis a coisa foi melhor. Custando R$ 250,00 o atendente disse que conseguiria para o dia seguinte. O único senão seria ter que ir até lá, 160 quilômetros de distância. Um colega de trabalho da minha melhor metade se dispôs a comprar as pastilhas para mim. 
A solução, entretanto, veio de São Paulo. Bastaram dois telefonemas e alguns e-mails. O pessoal da Leste RR, a Débora, para ser mais exato, informou que o par de pastilhas sairia por R$ 197,00, mas R$ 60,00 de Sedex. Beleza. As peças estão a caminho e não sei se levarei a alguma autorizada para realizar a troca. Essa operação ainda está além das minhas habilidades mecânicas.
Estou considerando seriamente comprar alguns itens todo mês, a fim de evitar surpresas desagradáveis como essa. Filtro de óleo, ar, pastilhas, por exemplo.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

The trip

Já disse antes que viagem de moto não se faz assim, de qualquer jeito, requer um certo planejamento. Paradas para descanso são muito mais frequentes e essenciais do que quando se viaja de carro. Assim, meu primeiro dia de viagem terá paradas a cada 90 minutos, mais ou menos. Os reabastecimentos deverão ser feitos a cada 330km, tendo como base um consumo de 22 km/l - espero fazer mais que isso, em torno de 24 km/l. A parada para pernoite, não importando a que hora isso aconteça, será feita no Maquiné Park Hotel, a cerca de 700km de Brasília (estou confiando no Google Maps). Não pretendo sair muito cedo de Brasília, mas tenho que ter em mente que o sol se põe bem mais cedo no inverno.
A saída do segundo dia deverá acontecer mais cedo, em torno das seis da manhã, por uma razão muito simples apesar de ser uma perna ligeiramente mais curta que a primeira, vou ter um trecho de serra na região de Teresópolis, no qual a velocidade de cruzeiro terá que ser reduzida drasticamente. Assim, saindo cedo consigo fazer bom uso do tempo e das boas estradas, para compensar o trecho de serra. Tenho ainda que levar em consideração o fato de que o dia 6 será véspera de feriado prolongado, o que aumenta as chances de trânsito mais intenso. O ideal mesmo seria dormir em Belo Horizonte, ou mais adiante ainda. Mas para isso eu teria que sair muito cedo de Brasília e rodar quase 800 km no primeiro dia. Sendo minha primeira viagem de moto, prefiro a alternativa mais segura. Para não passar por apertos, terei que estar na estrada para Búzios no meio da tarde. Não seguirei para Rio das Ostras pela BR 101, mas pela RJ 106.
As paradas para descanso serão rápidas, de 10 a 15 minutos, tempo suficiente para uns alongamentos, comer alguma coisa, beber água, falar com o Miguel, etc. Algumas dessas paradas poderão ser combinadas  com paradas para abastecimento.
Quanto aos equipamentos, estou considerando a possibilidade de comprar um par de alforges da Givi, modelo T438N, encontrável por razoáveis R$ 600,00. Com capacidade básica de 21l, expansível para 27, possui capa de chuva e alças de ombro, parece ser uma ótima opção e ainda ser passível de utilização até para viagens rápidas de fim-de-semana. Veremos.


terça-feira, 10 de abril de 2012

Em mais um capítulo da novela "coisas que motociclistas usam", mais dois produtinhos. Um deles não é específico de motociclistas, mas todo mundo que já tomou uma chuva de surpresa, sabe a falta que faz uma destas:
Ah, mas o que é isso, você se pergunta? Isso é uma toalha ultra-absorvente. Tem o tamanho de uma toalha de rosto - vem em vários tamanhos, na verdade - cabe em qualquer lugar. Por ser fabricada em microfibra também seca rapidamente. Acho que, assim como meu canivete suíço, vai ser companhia constante nas minhas viagens e passeios por aí.
Sempre fui muito chato com certas coisas. Por exemplo, quando passei a usar óculos, há 250 anos, não suportava manchas nas lentes. Ainda não suporto. Óculos embaçados, cheios de marcas sempre me deram nos nervos. Mais tarde, quando aprendi a dirigir, passei a ser intolerante também com pára-brisas. Me dá verdadeiro ódio quando, na estrada, aquele besourão vem bater exatamente no meu campo de visão. Bem ali, naquele ponto. E com todo o pára-brisas para ele acertar, ele vai e acerta ali. Bem na minha frente. Pois bem, quem anda de moto - e uma moto sem carenagem como a minha - tem problemas com isso também pois, onde você acha que vão parar os mosquitos, besourões e afins? Exatamente. E é aqui que entra outra daquelas criaçõezinhas de gente que, como eu, detesta certos tipos de situações. Ladies and Germs, eu lhes  apresento...Muc-Off. Traduzindo dá alguma coisa como "Fora Meleca". Este produtinho, que vem na forma de um kit com um bem-bolado estojo, um pano de microfibra e o próprio Muc-Off, serve para tirar a caca da viseira do capacete, dos óculos, da carenagem, etc.
O uso é simples, basta uns borrifos, espere um tiquinho até ele amolecer a meleca, e use o pano de microfibra para limpar e dar acabamento. Uma mão na roda em viagens, quando simplesmente ficar parando para lavar a viseira não é uma opção.

Designers existem para tornar nossas vidas mais cheias de graça, beleza, funcionalidade.
Muitos desses profissionais deveriam mudar de ramo. Entretanto, há aqueles que definitivamente tem o usuário em mente quando desenham um produto.
Eis um ótimo exemplo:

A foto mostra a colocação de uma bolsa de tanque com o sistema Tank Lock da italiana Givi. Os sistemas até então utilizados por motociclistas do mundo todo eram por tiras fixadas ao tanque ou magnéticos. Estes, mais práticas, tinham o inconveniente de não se poder colocar na bolsa - ou perto dela - cartões magnéticos, telefones, etc., devido à alta potência dos ímãs. No sistema Tank Lock, um anel é instalado no bocal do tanque de gasolina. A bolsa tem um sistema de encaixe no fundo, que permite a colocação e retirada em literalmente um segundo.

O modelo acima, a T489, tem-se mostrado excelente no dia-a-dia. Cabe meus impermeáveis, o par de sapatos - não piloto com eles, mas de botas - e outros pequenos objetos, espalhados em bolsas laterais. A T489 possui ainda capa de chuva, porta-mapas, porta-navegador/telefone e é expansível, chegando a 18 litros de capacidade. A alça que se vê à direita na foto é uma alça de segurança, que vai presa no guidão. 

sábado, 7 de abril de 2012

Moto e jazz

Faz tempo que não menciono minha viagem para Rio das Ostras. Precisei confirmar algumas coisas, mas a preparação voltou aos trilhos. Na viagem a São Paulo aproveitei para comprar luvas impermeáveis e um conjunto de segunda-pele. A preparação física é que não decolou ainda. Sim eu, eterno procrastinador. Para piorar as coisas, semana que vem tenho que procurar um dentista. Já adiei essa visita demais.
On the other hand, finalmente preenchi uma proposta para nos associar ao Minas Brasília Tênis Clube. Um dos clubes de Brasília com a melhor estrutura e não muito longe de casa. Acho que semana que vem mesmo começo a nadar com regularidade, o que espero ajude a regular meu sono e contribua para meu condicionamento físico. Venho aos poucos identificando pontos que poderão me causar algum transtorno e assim busco soluções. Cheguei à conclusão de que o capacete ideal para esta viagem é o Zeus:

A segunda opção seria o AGV K3, um capacete de orientação mais esportiva. O Zeus tem como pontos negativos o peso e o barulho excessivos. Bom, o peso não é tanto assim, mas dirigir horas a fio com 1,4kg na cabeça exige algum preparo, sem falar no vento na cabeça. Quanto ao ruído, fui na onde de um teste de uma revista inglesa, que indicou o nível de ruído desse capacete como aceitável. De qualquer modo, nunca pego estrada sem protetores nos ouvidos. Na verdade, esse capacete pede protetores o tempo todo, pois o ruído aerodinâmico dele começa em torno de 60 km/h. Mas é um capacete confortável e ainda tem a viseira fumê embutida, o que dispensa carregar uma segunda viseira. A ventilação dele também é ótima. Hoje pela manhã, ao seguir para a concessionária para trocar o óleo da Branca, trafeguei em um trecho da rodovia a 105km/h e notei que a essa velocidade a pequena carenagem que instalei reduz um tanto a turbulência. 
Outro problema é que eu havia mais ou menos determinado minha velocidade de cruzeiro em torno de 100-110km/h. Acontece que há uma zona de vibração em torno de 6.000 RPM, exatamente nessa velocidade. Vou ter que ajustar ou arriscar a chegar com a bunda dormente.
Apesar de ter adquirido as ferragens para instalação de baú, não devo usar essa solução para esta viagem. Um baú de boa qualidade e tamanho vai sair por não menos que R$ 800,00, sem contar com a base. Então posso contar com cerca de R$ 1.000,00 nessa brincadeira. Pois é. Alforges laterais são uma opção mais econômica, pois há modelos por até R$ 480,00. Um amigo mencionou e ofereceu um conjunto que ele tem e que não utiliza mais, o que provavelmente aceitarei. Adicionalmente, minha bolsa de tanque servirá para levar itens mais delicados e coisas das quais posso precisar com mais frequência, como documentos, moedeiro, carteira, câmera fotográfica, impermeável, etc. Ainda tenho a possibilidade de usar uma de minhas bolsas de câmera - sem as divisórias internas - presa à garupa. Elas tem capa de chuva embutida e podem ser igualmente muito úteis. Só lançarei mão desse recurso se os alforges se revelarem pouco espaçosos. As luvas que levarei na viagem serão as Rev'It Club e Giri.
Vários outros acessórios e afins vão se somando à lista: spray para limpeza de viseira, para higienização de capacetes, para limpeza e lubrificação da corrente, protetor para o pescoço, toalha ultra-absorvente...mais aí fica para outro post.
Quase esqueço de mencionar de novo: vou para Rio das Ostras para o Festival de Jazz e Blues.