segunda-feira, 25 de junho de 2012

Conclusões nada apressadas

Lições. Eis o que tiramos todos os dias das coisas que acontecem em nossas vidas.
Quando tive a ideia de ir para Rio das Ostras de moto, sabia que ouviria um monte de "você é louco", "arruma companheiro", etc. Com uma boa dose de teimosia e muito, muito planejamento, acabei colocando o bloco na rua. Sei que minha adorada Bia passou vários dias preocupada, mas meu planejamento tinha como principal objetivo evitar roubadas. Daí que mesmo com a "bola curva" do tempo minha segurança não foi prejudicada. Houve mais desconforto, sim, mas mais riscos, não.
E que lições deu para tirar desta viagem? Várias, na verdade. O mau tempo conseguiu abalar meu humor e, por mais que eu tentasse, foi difícil não ficar chateado e muito frustrado. Teria sido melhor se eu tivesse ido na companhia de alguém? Sim, teria sido mais divertido e, provavelmente eu não teria sucumbido ao desânimo por várias vezes. Por outro lado, eu ainda teria ficado encharcado e sujo. Fazer o trajeto em dois dias foi o ideal? Sim e não. Se por um lado eu tinha data para chegar, por outro os locais por onde passei mereciam paradas mais longas. A preocupação com os tempos meteorológico e cronológico me fez desencanar da minha sempre presente necessidade de fotografar tudo. Hoje sinto uma certa frustração, pois tenho poucas fotos dos lugares por onde passei. Tendo a acreditar que o mau tempo do segundo dia me desequilibrou. Perdi muito tempo e acabei tendo dificuldades no fim do dia.
Faria de novo? Com certeza, mas provavelmente com companhia - e não por razões de segurança, mas por companhia mesmo. Numa próxima vez eu talvez, se houver tempo, faria a viagem em três dias, parando mais tempo em lugares como Teresópolis e Nova Friburgo. Acabei não saindo para lugar algum, como tinha planejado, pois o tempo esteve ruim todos os dias. Búzios é logo ali e ainda tem outros lugares que poderiam ser bacanas de visitar. Descobri que, se minha moto não é ideal para viagens, também não fica devendo nada. Em nenhum momento detectei queda de rendimento ou qualquer outro problema. Muito orgulhoso da Branca, minha valente Yamaha XJ6n. Valente e bonita. Chamou atenção em praticamente todas as paradas que fiz. Minha inexperiência com bagagem talvez tenha alguma culpa em qualquer desconforto, mas a disposição dela sobre a moto não atrapalhou. O cômputo final:
Quilômetros percorridos: 2.787,2
Litros de gasolina consumidos: 116,078 l
Gastos com combustível: R$ 339,04
Consumo médio: 24,01 km/l
Menor marca de consumo: 19,62 km/l
Maior marca de consumo:  25,45 km/l
Menor preço pago por litro: R$ 2,749 em Paraopeba, MG
Maior preço pago por litro: R$ 3,099 em Rio das Ostras, RJ
Total pago em pedágios: R$ 32,35

xx -- xx

Até uma próxima.

terça-feira, 12 de junho de 2012

1.441,1 quilômetros

Essa foi a quilometragem total da volta. Cerca de 100 quilômetros a mais do que na ida, graças à mudança de rota, incluindo Nova Friburgo no roteiro.
Acordei cedo, fui até a parada de ônibus e tomei um café com leite acompanhado de um misto quente, assistindo ao fabuloso nascer do sol.
Passava pouco das 7 da manhã quando apontei a moto na BR 040. Parei logo depois para abastecer e mandei brasa. Fiz poucas paradas durante o dia. Ainda ventava um bocado e em boa parte da manhã enfrentei o frio. Não deixei que isso me tirasse o ritmo, e mantive a velocidade de cruzeiro entre 110 e 120 km/h.
Acima a vista do belíssimo lago de Três Marias. Como dá para ver, o dia estava fantástico. Apesar do tráfego intenso, foi possível manter boas médias. Esse ritmo mais elevado cobraria seu preço mais cedo.
Nas paradas bebi muita água e mandei para dentro os biscoitos salgados que tinha levado. As barras de cereais acabaram ontem. Não senti necessidade de comer nada mais pesado. Via claramente a possibilidade de chegar no meio da tarde.
Aqui, na penúltima parada, em Paracatu, descobri que o frasco de óleo que tinha colocado na mochila, rachou e vazou, lambuzando tudo. Felizmente, meus sapatos e minha jaqueta estavam embalados num saco estanque, bem como o forro térmico. A lambuzeira pegou mais a mochila mesmo.

A última parada, para abastecimento, aconteceu em Cristalina, e em cerca de duas horas eu estava estacionando na garagem do prédio. Não tirei fotos, não estava com saco pra isso. Enfim, após 1.441km, home sweet home.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

On the road again - 11 de junho

Fiz um monte de coisa errada hoje. Cedinho, à guisa de café da manhã mandei para dentro um pedaço de pizza e uma garrafinha de Alpino. Lá pelas 6:30 entrei na rodovia. Confesso que estava ansioso. O tempo estava bom, confirmando a previsão para a segunda-feira. Não senti muito frio, mas segui com as luvas impermeáveis e com o forro da jaqueta, pois sabia que lá no alto da serra o bicho ia pegar.
Não sei exatamente por onde saí, mas acabei pegando um pedágio só, de 4 pilas. A estrada estava relativamente vazia, o sol deu as caras e o ânimo estava elevado.
Acatei a dica do taxista e toquei para Nova Friburgo. E a ideia até que não foi de todo má. A RJ 116 é pedagiada, mas motos não pagam e tem pavimentação boa. Peguei um bocado de trânsito por aqui, mas nada impossível. O chato é o monte de lugarejos que a gente acaba por ter que cruzar. O tempo enfeiou à medida em que subia a serra em direção a Teresópolis. A pista molhada me fez segurar a onda. Mas foi possível manter um bom ritmo. Passar por Teresópolis vindo de Nova Friburgo foi ainda mais fácil do que na ida, pois dei a volta na cidade e acabei na estradinha para Itaipava, direto. 

Entre Teresópolis e Itaipava foi super tranquilo.


Achei que estava fazendo um super-tempo, quando me toquei que já eram quase 11 da manhã. Rapidinho cheguei à 040, com sol, o que me animou a simplesmente entrar na rodovia e mandar ver.
BH estava a bons 300 quilômetros de distância e decidi fazer o tempo render. Bia não gostou, porque não mandei nenhuma mensagem até que parei perto de Barbacena.
Com isso, parei pouco e me cansei um bocado, pois apesar do bom tempo, como dá para ver na foto acima, ventava pra cacete. Surprise, surprise, o trecho entre Congonhas e BH foi tenso, intenso, cansativo, poeirento e frio. Apenas uma retenção no anel viário todo e rapidinho eu estava em estrada aberta. Antes de entrar no anel, fui obrigado a fazer uma parada para limpar a viseira do capacete, coberta de insetos e poeira.
Caetanópolis a cerca de 90 quilômetros e minhas mãos, braços, punhos, nuca e lombar ardem. Estou quase decidido a pegar mais leve amanhã, afinal são "só" 600 quilômetros. A Branca, aliás, fez 25 km/l na primeira  metade da viagem e se comportou muitíssimo bem. Que moto! A suspensão regulada na posição standard não parece sentir os quase 15 quilos extras. Em umas poucas vezes senti a traseira querer sair, mas porque forcei um pouco. Além disso, chamou atenção em praticamente todas as paradas que fiz. Fiquei chateado apenas com as "cicatrizes" que ela ganhou na viagem. Nada incorrigível, além do mais impossível usar a moto e não querer que ela adquira marcas do tempo.
Ao chegar em Caetanópolis, um pequeno susto: não tinha feito reservas e a moça da recepção disse que não havia quartos disponíveis. Quase no mesmo instante ela disse ter havido um cancelamento. Respirei aliviado. Mais tarde, entretanto, ao percorrer o corredor notei vários quartos vazios. Não sei se ela quis valorizar, se estava me sacaneando ou se estava mesmo cheio. Jantei, regulei e lubrifiquei a corrente da moto, rearranjei a bagagem e cama. Estou ansioso por chegar em casa, matar as saudades da minha adorada cara-metade. Senti muita falta da Bia nesta viagem. Acho que não sei mais viajar de férias sem ela.

domingo, 10 de junho de 2012

Domingo, 10

Apesar da previsão - que venho acompanhando a cada cinco minutos - o dia amanheceu muito chuvoso. Parece difícil que ainda saia sol. Fico na expectativa. Vou preparar a bagagem para chuva, com tudo acondicionado em sacos plásticos. Planejo sair bem cedo e estou tentado a seguir a dica do taxista e seguir em direção a Nova Friburgo, via Cachoeira de Macacu. De lá para Itaipava via Teresópolis. Desconheço o trecho para Cachoeira de Macacu, mas aparentemente o trecho entre Nova Friburgo e Teresópolis é muito bom.
A ideia de embalar a bagagem em sacos plásticos não é nova, data de tempos em que não havia equipamentos específicos para uso em motocicletas e muito menos impermeáveis. Dado o que aconteceu na vinda para cá, estou cogitando aplicar uma boa camada de Scotch Guard na parte externa das bolsas em complementação às capas disponíveis, quando voltar para casa. Tenho a impressão de que a água entrou pelas brechas que ficaram por causa dos elásticos de fixação. A aplicação de Scotch Guard evitaria que a água eventualmente acumulada passasse para a bagagem.
A programação do Festival hoje restringe-se aos palcos menores, com Fabiano de Castro, Duke Robillard e a Billy Cobham Band, na Praça São Pedro, em Iriry e Tartaruga, respectivamente. Este último é o único palco em que ainda não vi shows.

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Tanque cheio, pneus calibrados, óleo checado e corrente lubrificada - resolvi não ajustá-la, mas vou ficar de olho durante a viagem. Agora falta a bagagem. Comprei sacos plásticos para acomodar as roupas e prevenir outra "tragédia". A chuva deu um tempo, mas as nuvens não abriram. Ainda há a possibilidade de começar o dia amanhã com chuva. Mas...não adianta especular, o melhor é prevenir, na medida do possível.
A foto não tem nada a ver com o post, pois foi tirada
no sábado à noite.

Sábado, 9

Frustração parece ser o tema desta viagem. Pouca coisa saiu como planejado, sobretudo graças ao mau tempo. Não sei bem o que vou fazer hoje, tomar um táxi para o centro e bundas um pouco por lá, provavelmente. Segundo a meteorologia o tempo melhora a partir de amanhã. Tudo o que quero na volta é tempo seco para compensar os trechos de serra que terei pela frente. A possibilidade de esticar até Caetanópolis não está descartada. Se der certo, vai me permitir chegar mais cedo em Brasília. Um taxista recomendou-me que evitasse Magé e subisse por Nova Friburgo, via Cachoeira de Macacu. Disse que a estrada é ótima. estou considerando a sugestão. A quarta-feira vai ser dedicada a lavações em geral, da moto, das roupas, etc. A moto recebeu uma camada de óleo de mamona misturado com óleo diesel, o que deve dar alguma proteção contra o pó de minério das Minas Gerais.

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Fui para a rua e tomei uma van para o centro da cidade, decidido a comprar um guarda-chuva ou uma capa. Desci e logo encontrei um por R$ 10,00 num ambulante. O primeiro show do dia foi do guitarrista cearense Artur Menezes. Show muito bacana. O sujeito é muito bom - já abriu para o Buddy Guy no Brasil. Num certo momento do show ele sai do palco e toca por longos dez minutos em meio ao público. Na música "Early to Marry", que tem uma mistura de baião e blues bem bacana, ele contou com a participação do gaitista Jefferson Gonçalves.

Depois do show tomei outra condução para a Lagoa de Iriry. A condução, no caso, era uma Kombi que tinha um sistema automático de abertura da porta, com um gigantesco tanque de ar sob um dos bancos traseiros (que medo). O motorista dirigia feito um maníaco. O comentário, ao descermos, foi: condução com emoção. Nesta altura do dia, fazia sol forte e calor, condição que não iria durar. No palco Iriry tocaram, às 14 horas, os novaiorquinos da Michael Hill Blues Mob.


 Saí um pouco antes do fim, tirei umas fotos do local:



Comi uma pizza e tomei um táxi de volta pra pousada pra banho e cama até a hora dos shows da noite. Acabei acordando às 22:20 e, munido do meu guarda-chuva recém-adquirido fui para a cidade do jazz. Cheguei a tempo para os show do David Sanborn e do Roy Rogers, que é um monstro do slide guitar. Saí antes do fim, pois a chuva aumentou, e já beirava as duas da manhã. Sanborn fez um show competente, sua banda compensa o som por vezes enjoativo do seu sax. Já Roy Rogers mostrou uma habilidade fora do comum. Sua banda, os Delta Rhythm King, é uma cozinha competentíssima. Impossível não dançar, memso no lamaçal woodstockiano em que se se transformou o local.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Sexta-feira, dia 8 de junho

Um novo dia que amanheceu do mesmo jeito, e com um problema novo. Assim como tinha acontecido em Caetanópolis, hoje estou sem água quente no quarto. O atencioso Washington ofereceu-me um quarto para tomar banho, na outra ala. Prontamente aceitei, pois o banho da noite anterior fora com água morninha. A primeira providência do dia foi lavar a Branca, que tinha chegado em estado lastimável. Queria relubrificar a corrente, mas precisava tirar a lama de minério dela primeiro. No dia anterior soube um lava-jato bem próximo dali, que também lidava com motos. Fui lá cedinho, mas saí três horas depois, tamanho o trabalho que deu. Infelizmente, para limpar a sujeira, os caras do local usaram muito solupan e agora a Branca apresenta várias partes metálicas, principalmente cabeças de parafusos, esbranquiçadas. Tem jeito, mas vai dar trabalho.
Depois disso resolvi dar uma volta por ali para ver se achava algum comércio e um local para comer. Uma informação furada depois e eu tomava muita chuva na cabeça. Passei num mercadinho onde comprei uns panos e uma esponja para limpar as coisas, umas besteiras para comer e voltei pra pousada, puto que só.
Fiz a limpeza e me larguei na cama até a hora de ir para o Festival. Passei para comer uma pizza, que estava ótima e encarei os dois primeiros shows.
Armand Sabbal-Lecco fez um show eletrizante. Tão eletrizante que o Mike Stern ficava pulando na lateral do palco, empolgadíssimo.
Quando chegou a sua vez, ele não se fez por menos e mandou muito bem na companhia do também guitarrista Romero Lubambo.
A área do festival a esta altura estava uma lama só, resultado da chuva que caiu o dia todo.
O público era muito maior que na noite anterior. Deu para notar que muita gente não estava ali pela música, mas pelo acontecimento. Dá um pouco nos nervos ficar perto de gente que só quer encher a cara e tagarelando sem parar, nem aí para o que acontece no palco. Pouco antes do segundo show a chuva voltou a cair, forçando todo mundo a procurar abrigo nos pavilhões:
A falta de onde sentar, o excesso de gente, a chuva e a dor nas costas pelo tempo que já estava em pé me fizeram desistir de esperar pelos dois shows seguintes, de Duke Robillard e da Big Street. Frustrante? Sim, sem dúvida, mas realmente não dava para ficar mais. 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Day 3

Feriado. O dia amanheceu quente e com nesgas de sol. Está difícil usar qualquer roupa, tudo úmido e cheirando a mofo. Após o café da manhã - até agora a única coisa realmente boa a respeito da pousada - saí em direção à praia. Na ciclovia, fiéis preparavam os tapetes para a procissão de mais tarde.
O material que eles trabalham aqui é o sal. Fui até o píer para algumas fotos:


Continuei pela orla rumo sul, em direção ao centro da cidade. Muitos barzinhos e quiosques sugerem uma vida praiana agitada. Os quiosques de praia, de arquitetura meio datada, já estão precisando de reformas urgentes. Há muita pichação nas ruas, muros, prédios, o que dá um certo desapontamento. Há vários mirantes, áreas de proteção ambiental e informações turísticas. 


Fui seguindo em direção ao centro. Assim eu imaginei. A cidade, cortada pelo Rio das Ostras, tem uma distribuição estranha e me vi várias vezes em locais desertos, com bairros ainda em desenvolvimento. Cheguei finalmente à praça São Pedro, onde ocorreria o primeiro show do dia, do saxofonista Gabriel Leite. Há uma concha acústica na praça, com um anfiteatro.
Tudo muito bom, até a chuva começar a empatar a vida. Após o show, perambulei um pouco por ali. A ideia era esperar até as 17 horas pelo show do Mike Stern, no palco da praia da Tartaruga, dali a quatro horas. Chuva e muito tempo de espera. Chequei o programa e vi que o show se repetiria no palco principal no dia seguinte. Deixei para lá e resolvi matar o resto da tarde na pousada.
À noite fui decidido a assistir todos os shows. A chuva tinha outros planos. Horas depois, me dei por vencido. Comprei uma camiseta, um CD e me pus a caminho de volta pro hotel. 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Segundo dia

Depois de oito horas na cama, levanto para checar um barulhinho e ver a temperatura do lado de fora. E, para minha surpresa, descubro que está garoando! Sair com frio e chuva vai ser fantástico...Para completar o café da manhã no hotel só a partir das sete da manhã. Saio com um misto-quente do dia anterior e um todinho.

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Foi pior do que eu esperava. Quase desisti da empreitada toda. Os três engarrafamentos em BH consumiram quase uma hora do meu tempo, sob garoa, aos quais se seguiram por horas horrorosas no infeliz trecho da 040 depois de BH. Entre a capital e Congonhas o tráfego de caminhões basculantes que carregam minério da unidade da Vale ali, deixam a estrada em mau estado e cheia de um pó negro que gruda em absolutamente tudo. Para completar, chovia e eu tinha que lidar com o "spray" dos carros e caminhões, o que torna impossível enxergar qualquer coisa. Ainda por cima, por causa da estrada não muito boa, não consigo imprimir velocidade suficiente para escoar a água da viseira, por isso tenho que ficar limpando o tempo todo com a luva, que a este ponto já está ficando encharcada. As luvas "impermeáveis" em pouco tempo estavam totalmente encharcadas. Tirá-las e calçá-las novamente tornou-se uma tarefa complicada. Minha roupa, a Branca e o capacete totalmente lambuzados pelo que virei a descobrir depois ser a tal lama de minério, difícil de tirar da moto.

Percebi, na parada acima, que as capas de chuva dos alforges estavam pegando água. Não sei se não soube instalá-las direito ou se elas não são feitas para esse tipo de uso, com muita chuva e asfalto imperfeito. O fato é que ambas pegaram muita água. E água suja. Isso traria ainda mais dissabores, mais tarde.
Antes deste trecho um susto. Numa descida leve sou ultrapassado por um Celta em alta velocidade, e mais alguns veículos. Entramos todos numa curva, à qual se seguia uma baixada. Vejo o Celta levantar uma parede de água e só aí percebo que tem uma poça gigantesca cobrindo as duas pistas no sentido em que seguia. Consigo ver também o Celta perder o controle e dançar pela pista. Meu instinto voltou-se rapidamente para o problema da poça à minha frente, pois eu vinha a uns 100 km/h. Rapidamente chequei o retrovisor para confirmar se havia veículos vindo atrás de mim. Tudo limpo, juntei com coragem nos freios, tocando ligeiramente para a beira da pista da direita. Ao ver que não havia trânsito atrás ou na pista oposta, desviei da poça e só então vi que o Celta estava encravado no barranco do outro lado da pista. Por sorte do rapaz não havia trânsito na via oposta e ele safou-se de um acidente mais grave. Vários carros pararam. Enquanto dois sujeitos ajudavam o rapaz a desencalhar o Celta, eu sinalizava para que os carros, ônibus e caminhões diminuíssem a velocidade naquele ponto. Um grande susto. Tive sorte de ter o Celta me ultrapassando daquela forma, caso contrário eu teria entrado naquela poça muito rápido e corria o risco de eu mesmo sofrer uma queda ali.
Lá pelo meio-dia, num trecho já bem melhor da estrada, mas o com o espírito abalado pelo trecho difícil, fiz uma longa parada, para comer, abastecer e fazer uma análise da situação. Até aqui eu já considerava alterar a programação, desistir de Rio das Ostras, ou até mesmo dormir em algum lugar e acabar de chegar no dia seguinte. Perdi um tempo precioso neste segundo dia e chegar a Rio das Ostras com luz parecia uma tarefa impossível. Considerei várias alternativas. Aproveitei a parada longa e fiquei tentando pôr ordem nas ideias. Mandei mensagem para a Bia, genérica. Papeei com uns caras, que me disseram que a estrada melhorava muito dali para a frente. Até a chuva diminuiu. Tive que fazer uma segunda parada, para tentar me secar e tirar a água das bolsas. Ficava cada vez mais difícil tirar e colocar as luvas. Não queria utilizar o segundo par, que não é impermeável, enquanto o tempo não firmasse, pois aí eu teria dois pares de luvas encharcados e inúteis. A estrada e o tempo melhoraram e fui tocando. Troquei as luvas e me desliguei dos alforges, deixei para resolver quando parasse naquele dia.
Fiquei mais animado quando entrei no estado do Rio de Janeiro, o sol quis mostrar as caras, a estrada é ótima e a paisagem fantástica. Fiz uma parada rápida para abastecimento em Itaipava, enviei mensagem para a Bia de novo e toquei em frente. Fiz uma parada no mirante da estradinha entre Itaipava e Teresópolis para umas fotos rápidas e voltei a andar, pois ainda pegaria vários trechos de trânsito muito intenso.


Muito trânsito em Teresópolis, descida complicada pela BR 116 e chego a Magé. Entre Magé e a BR 101, mais trânsito e perdi um tempo horroroso aqui. Nesta altura, percebi que não chegaria com luz, mas que já estava perto o bastante para um último "push". Consegui, finalmente, entrar na 101. Parei num posto para um repouso, conversei com um sujeito de Rio das Ostras que me recomendou que não pegasse a estrada para Búzios, que continuasse na 101 depois de Rio Bonito, pois os pedágios eram mais baratos e a estrada boa. Continuei, à noite. Tomei alguns sustos com gente tentando atravessar a pista, enfrentei faróis altos de motoristas muito, muito mal-educados, e finalmente cheguei, 1346,1 km depois.

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Ao abri a porta do meu quarto, o cheiro de mofo quase me fez pedir um quarto novo. Os pulsos e as mãos, principalmente, doíam muito. Tirei as roupas das bolsas e descobri que 98% das peças estavam molhadas ou molhadas e sujas. Espalhei tudo pelo quarto, tomado por um desânimo sem tamanho. Liguei o ar-condicionado, tomei um banho e decidi sair para a Cidade do Jazz, local do palco principal do Festival, não muito longe de onde estava hospedado. Lá comi alguma coisa, assisti a um pedaço do show da Orquestra Kuarup e uma das apresentações da Orleans Street Jazz Band:
Esta passeava entre o público, interagindo com ele. Lá pelas dez da noite, me dei por vencido e voltei para a pousada para desabar na cama. Mas demorei para pegar no sono...

terça-feira, 5 de junho de 2012

Primeira etapa

Saio às 7:25 da manhã. Faz sol e um pouquinho de frio. Arrumei a bagagem com as bolsas expandidas. Na última hora resolvi colocar uma mochila para aliviar algum volume dos alforges. Muito trânsito na manhã de Brasília, felizmente não na direção em que vou seguir.
Parada em Cristalina para descanso. Cerca de 90 minutos de viagem até aqui, parada dentro do planejado.

Está sendo possível manter um bom ritmo na ótima 040, apesar de ainda não estar no trecho duplicado. É fácil manter velocidade de cruzeiro em torno de 115-120 km/h. Ultrapassagens são feitas em grandes problemas, graças ao bom torque do motor, dispensando até reduções de marcha. Não alterei a regulagem da suspensão traseira que está no ajuste padrão, de fábrica, e até agora não deu problema, mesmo com os quase 15 kg extras. O consumo oscila entre 21 e 24 km/l, o que está dentro do previsto.
Aqui na parada mais longa que fiz, numa pamonharia, em algum ponto de Minas Gerais.

Acima e abaixo, parada rápida para fotos na travessia do Rio São Francisco.
Após 660km, chego em Caetanópolis, MG, para o pouso. Cheguei às 16:30, mais ou menos, com sol suficiente para me levar até BH, pelo menos. O segundo trecho da viagem foi mais cansativo, pois depois de João Pinheiro a estrada parece não acabar mais. Pouso no Maquiné Park Hotel. Aproveitei o tempo de sobra para descansar bastante, rearranjar a bagagem (reduzi a largura das bolsas) e fechar a noite com um surubim à baiana, no restaurante ao lado do hotel. O hotel é bem honesto, onde fui recebido por 3 funcionárias muito simpáticas e atenciosas. O hotel não é novo, mas passou por alguma reforma recentemente, mas os colchões já passaram da hora de serem trocados. Espero não acordar com dores
pelo corpo. Amanhã tem mais.

domingo, 3 de junho de 2012

Tudo pronto

Ou quase. O que está menos pronto sou eu, que descuidei da preparação física. Vamos lá.
O planejamento das paradas está feito, acessórios e equipamentos comprados e instalados, moto revisada. Para hoje a tarefa é separar a bagagem e começar a acomodá-la nos alforges e na bolsa de tanque. Algumas das quinquilharias:
Calibrador de pneus, protetores auriculares, bloco de notas, cabo da câmera, spray para corrente, canivete suíço (não viajo sem ele), lanterna de leds. Não, os CDs não vão.
Meu "porta-malas" tem capacidade máxima de 82 litros, sendo que os alforges recebem 64, no máximo, quando expandidos. Não acho que será necessário.
A bolsa de tanque e os alforges, do lado os elásticos de fixação, uma pequeno saco estanque e o Muc-Off, para limpeza da viseira.
A previsão para os locais por onde vou passar é de frio à noite e dias quentes. Isso complica um pouco o planejamento, mas nada insolúvel. A ansiedade é grande e a vontade de viajar é maior ainda. A cabeça precisa descansar um pouco. Parte desta viagem vai ser exploratória, pois tenho planos de fazer uma road trip (de carro) com minha melhor e adorada metade pelo interior do Rio de Janeiro, passando pela região dos lagos, pela região serrana, etc. Preocupa um pouco a possibilidade de chuvas, aliada ao frio. É mais fácil lidar com uma ou outro. Os dois juntos tornam as coisas mais difíceis. Ontem fiz um teste de instalação das bolsas, a fim de determinar a melhor forma de fixá-las na moto.
O conjunto da Givi vem com dois ganchos elásticos, para fixação da parte frontal e da parte traseira das bolsas à moto. A fixação traseira ficou ótima, com o elástico passando sob a luz da placa - sem bloqueá-la. Já a dianteira precisou de uma solução diferente e menos ideal:
Uma velha aranha dupla resolveu a parada e não me atrapalha.
Aqui uma das bolsas com a capa de chuva instalada (ela fica armazenada num compartimento atrás da bolsa e não é possível removê-la pois é costurada):
Além do conjunto de segunda-pele da Rev'It, vou usar uma jaqueta Spidi 7 H2Out (impermeável), que também conta com um forro térmico removível. A calça também é Spidi e conta com forro H2Out removível e proteções nos quadris e joelhos.
O forro H2Out tem a função adicional de quebra-vento. Para proteger a cabeça e pescoço, capacete Zeus, balaclava e pescoceira dão conta do recado.
Protetores de ouvido são indispensáveis, por isso ontem comprei mais dois pares, para completar os três de que já disponho. As mãos serão protegidas por luvas Rev'It: a Giri, de verão, e a Club H2O impermeável (e de couro). Lá embaixo aparecem as botas Diadora impermeáveis. Para registrar tudo levo a Canon Powershot A3100IS e mais o celular Nokia E71.
Mais tarde mostrarei a arrumação da bagagem. Inté.