segunda-feira, 30 de julho de 2012

Falta de assunto?

Não, não. Estou só é com desanimação para escrever.
Acabei o livro sobre Hiroshima. Comecei a ler a biografia do grande Lobão.
Se você não curte biografias, pule fora. Se você gosta de Lobão, leia hoje mesmo. O livro é muito bacana, revelador e o editor decidiu por manter quase intacta a maneira de se expressar do artista. Há alguns deslizes, mas nada que comprometa o livro. Divertido, revelador, dramático e muito sincero. Vale a pena. Depois desse, virá este, ainda a caminho (foi comprado na Amazon do Canadá):
Mais uma história fantástica do brilhante Haruki Murakami. Conto mais depois. Ou vocês podem fuçar no Google, dá na mesma.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Música

Não esperem análises profundas, música por música, dos discos que tenho para indicar e comentar. Não estou com saco e nem ouvi direito nenhum deles.
Primeirão vem o disco novo da gracinha Norah Jones. A cada disco eu gosto mais dela, que não tem medo de mudar completamente e deixar a crítica doidinha porque a cada rótulo criado, ela vem e muda tudo, deixando os críticos com cara de pateta. Ei-lo:
Com produção de Danger Mouse o disco tem um quê modernoso, sem ser eletrônico puro. O desvencilhamento da Handsome Band já no disco anterior deu a Jones a liberdade criativa de que ela precisava. Sua música ainda é um bocado intimista, mas ela não pode mais ser encaixada no estereótipo de "cantora de jazz". Que bom! Norah é ótima e isso transparece em cada uma das faixas do novo álbum. A capa de "cartoon" também ficou muito bacana.
Não é de hoje que eu venho ouvindo artistas que tem a música country como influência. Vem lá de trás com  Kathleen Edwards, cujo novo disco, "Voyageur" ainda não ouvi suficiente sequer para mencioná-lo aqui. Ou até mesmo antes disso com J.J. Cale, que não nega a influência e a usa onde e sempre que pode. Pois bem. Lendo matérias aqui e ali, topei com os Jayhawks. Hank Williams on speed, como já foram chamados, seu som passeia numa sonoridade de raízes, sem se fincar em rock, blues ou country, mas extraindo boas doses de cada um desses estilos.
Essa antologia é um excelente ponto de partida para compreender um pouco da obra dessa excelente banda de Minneapolis. O espectro, em vinte músicas, é amplo, e conta com pérolas como "Two Angels", "Blue" e "Save It For a Rainy Day". A versão que adquiri é a de disco simples, sem os extras de estúdio e versões alternativas, essa uma edição dupla. Vale muito a pena partir desse disco para o descobrimento do restante de sua discografia.
Outro artista com influências do estilo é Dave Alvin. Co-fundador do The Blasters, construiu sólida carreira solo. O som é essencialmente californiano, rock´n´roll, com pitadas fortes de blues e country. Sua voz grave e marcante complementa a guitarra apimentada, podendo ser classificada - se é que queremos mesmo fazê-lo - como música americana.
"Eleven Eleven" é seu mais recente trabalho. Destaque para as faixas "Johnny Ace is Dead" e "Murrietta´s Head". Álbum delicioso de se ouvir parado, de carro, com o som no máximo ou só como música de fundo. Altamente recomendado.
Existem aqueles artistas que, vindo de carreiras sólidas, mas sem destaque, de repente se veem com um hit mundial. Ao não emendarem outro deixam a impressão de terem caído no ostracismo, quando na verdade eles simplesmente retomaram suas carreiras como se aquele hit fosse apenas mais um acontecimento. Muitos lidam muito bem com isso. Entre esses artistas está, definitivamente, Joan Osborne. Depois da bela, mas irritante "One of Us", pareceu ao público geral que ela caíra no esquecimento. Nada disso. Joan simplesmente continuou cantando, gravando, cuidando de sua vida. Aqui ela faz o indefectível disco de influências, que não deve ser desmerecido por isso. Osborne sabe o que faz e o que ela fez aqui foi um tremendo disco com influências de blues e soul, para ser ouvido em alto e bom som.
Esse disco traz material próprio misturado com pérolas de Ike Turner, Sonny Boy Williamson, Ray Charles, Al Green e John Mayall, entre outros.
R-E-C-O-M-E-N-D-O.

Livros

Mas...bora lá falar de outras coisas.
No último mês adquiri e estou aos poucos degustando algumas coisas interessantes. Em matéria de livros, recomendo dois:
"O Som da Revolução - Uma História Cultural do Rock 1965-1969", do Rodrigo Merheb
O autor é colega de Ministério e um apaixonado por música. Passou quase oito anos pesquisando para escrever esse tomo, aproveitando-se de sua passagem por Chicago, onde trabalhou no Consulado-Geral do Brasil. O livro trata do período em questão de forma muito didática, com linguagem acessível e sem floreios literários. Não quer dizer de forma alguma que seja um livro de linguagem pobre, apenas que a mensagem é transmitida de maneira muito clara, de forma que mesmo quem não faça ideia de quais bandas estejam sendo mencionadas tenha uma excelente ideia do que foi aquele rico período na história cultural mundial. Devorei o livro em questão de semanas e agora me preparo para obter boa parte dos discos mencionados na discografia. Obrigatório para quem gosta de música e também para quem não gosta. Leitura leve, divertida e muito esclarecedora.
Depois desse entrei de cabeça num livro que me foi indicado por uma grande amiga brasileiro-holandesa (oi Kika) que possui laços muito fortes com o Japão por conta de seu trabalho.

Numa viagem ao Brasil ela me indicou este livro:
Charles Pellegrino é PhD em zoologia e escreveu dezenas de livros, entre eles "Her Name",  "Titanic" e "Ghosts of the Titanic", utilizados por James Cameron como base para seu blockbuster. Neste, ele toma como ponto de partida os relatos de sobreviventes das bombas atômicas, lançadas sobre o Japão em agosto de 1945. Dessas histórias - todas elas dramáticas - destacam-se a dos duplos sobreviventes. Pessoas que, tendo sobrevivido à primeira bomba, sobreviveram também à segunda. A riqueza de detalhes e a "câmera lenta" de que faz uso o autor para descrever os milisegundos em cada reação, fusão, fissão daquele trágico artefato, levam o leitor a reviver de forma dramática toda a fúria daqueles dias. Ele percorre cada momento de vários ângulos, da senhorinha que cuidava das hortas e não teve tempo de sequer entender o que acontecia, ao estudante do primário, salvo por ter derrubado um objeto e se abaixado para pegá-lo, descrevendo toda a ação em riqueza de detalhes jamais posta em texto. O clarão, o estrondo, as cores, os fenômenos raros registrados momentos após as explosões, as reações das pessoas, os efeitos da radiação, imediatos ou não, e o pós-explosão, quando as pessoas tinham que escavar o que restara de suas casas atrás de seus entes queridos, quando os sobreviventes tinham que buscar forças onde já não havia nenhuma, para conseguir comida e ajuda. Um relato detalhado e dramático, visto também pelos depoimentos dos pilotos que participaram daquela ação. Não se trata de um livro fácil de ler, mas considero-o como leitura obrigatória para ajudar a entender um pouco melhor o que foram aqueles dias em que o inferno parecia ter mesmo se instalado sobre a terra.

Rescaldo

Faz um mês desde meu retorno e quase um mês desde o último post. Depois do balanço, resolvi fazer um pequeno resumo do que posso chamar de danos (nenhum deles irrecuperáveis).
Ainda não cuidei de limpar os alforges da lama de minério. Estão encostados no chão do quarto desde minha chegada. A moto já passou por duas lavagens mas infelizmente não passa por um escrutínio maior. Parafusos e diversos tipos de partes metálicas mostram as cicatrizes do banho de solupan recebido em Rio das Ostras. Peças esbranquiçadas e sem brilho. Um pequeno teste mostrou que é possível recuperar um pouco do charme com pasta de polimento. Mas há locais de difícil acesso. Nesses vou ter que utilizar uma mini-retífica para dar polimento. Nos discos de freio podem ser vistos pontos de ferrugem nos anéis que unem o rotor ao miolo. Ainda vai ser preciso desmontar as partes plásticas da moto para uma limpeza mais detalhada. Vou também experimentar WD-40 em algumas peças, pois descobri que esse produto serve não só para lubrificar, como também para limpar e polir, inclusive borrachas e couro.
Os elásticos que usei para firmar os alforges causaram danos às laterais da rabeta, na área junto do assento. Juntei a isso a necessidade de pintar a lateral esquerda do motor, riscada numa infeliz incursão em estrada de terra e pedi um orçamento para o reparo. A brincadeira vai custar R$ 350,00.