terça-feira, 19 de março de 2013

Bocha´s Bar

Esse é o nome atual de um botequim que existe lá em Pirapó há décadas. Continua o mesmo ponto de encontro que sempre foi. Ficou conhecido por muito tempo como o bar do seu Cardoso. 
O bar, que fica defronte a um posto de gasolina, um dos mais antigos, senão O mais antigo da cidade, sempre foi movimentado. Em algumas épocas, aos sábados e domingos, a televisão de cachorro cheia de frangos assados e a farofa da esposa do seu Cardoso garantia a freguesia e o almoço de domingo de muita gente. Ela fazia também um molho de pimenta que era um sucesso com os salgados vendidos no bar. Meu pai foi uma das poucas pessoas, senão a única, que conseguiu a receita do tal molho. Isso porque não morávamos em Pirapó ainda.
O bar trocou de mãos algumas vezes. A saúde do seu Cardoso não lhe permitiu seguir tocando o bar. E eis que, há algum tempo, o bar foi adquirido por outra grande figura, o Beto. Esse cidadão de Palmital, ex-agricultor, distribuidor de cachaça e gente boa de carteirinha resolveu tocar o negócio. Não, não estou fazendo propaganda gratuita para um amigo. Beto tem muito superlativo a respeito de sua pessoa: sua circunferência avantajada, seu coração gigantesco, sua alegria, competência e o carinho quase infinito para com os amigos. Beto colocou algumas coisas nos seus lugares, enxotou alguns indesejáveis - e ainda enxota, é só dar nos nervos do homem - manteve a cara geral do lugar, melhorou as instalações, passou a servir comidinhas e quitutes de ótima qualidade e assim resgatou a fama do lugar. Não brinque com ele, no entanto. 
Mas, divago. Esse bar, desde tempos imemoriais, tinha como principal atrativo a pista de bocha. O jogo, trazido pelos imigrantes italianos, era jogado nos fundos do bar quase todos os dias da semana. É praticamente impossível encontrar alguém em Pirapozinho, com mais de 30 anos, que nunca tenha colocado os pés na bocha do bar do seu Cardoso. 
A foto é recente. As instalações pouco ou nada receberam de melhorias ou reparos ao longo desses longos anos. O espaço hoje é pouco utilizado, a bocha praticamente esquecida. Beto comenta com uma certa tristeza que a garotada não redescobriu esse divertido passatempo. Aqueles com mais de 30 igualmente não querem mais saber desse "jogo de velho". E assim, Beto resignou-se e decidiu por desmanchar a histórica instalação. 
É triste realmente ver algo assim acontecer. A cidade perde sua identidade a cada dia que passa. Casas construídas há 50 anos ou mais acabam por dar lugar a monstruosidades de dois andares para comércio. Somem pequenos jardins, somem quintais, somem varandas. 
Nesta pista de bocha batalhas memoráveis foram travadas, apostas ganhas e perdidas, amizades feitas e desfeitas (estas, acredito, foram poucas). A ideia do jogo é muito simples: um bolete (bolinha pequena) é jogada. 






Alternadamente, cada jogador joga suas bolas e tenta deixá-las o mais próximo possível do bolete. Quando mais bolas, mais pontos. O curling de hoje é jogado pelo mesmo princípio. 

Infelizmente não há mais interesse pelo jogo na cidade. Outras pistas de bocha já foram abandonadas antes. Esta era a última. Não sei o que Beto pretende fazer no lugar. Gostaria que ele reconsiderasse. Uma reforma patrocinada do local, um evento como um campeonato talvez pudessem fazer reviver o interesse pelo jogo. Sozinho, Beto não tem condições de fazê-lo. O lugar precisa dar lucro, é a vida. Após uma conversa com ele, resolvi fotografar o lugar, antes que desaparecesse. Queria fazer um apelo ao amigo, mas acho que não tenho esse direito. 
Ficam memórias de outros tempos, como a bem humorada placa que ficava sobre o "placar",
o caixote, ainda utilizado, para jogar as tampinhas de garrafa (honestamente não sei se já foi utilizado para outra coisa, como guardar as bolas, por exemplo, talvez sim).
















Aqui na frente a vida continua.
















Lá atrás, mais uma página da história da cidade vai ser virada. E não sei quantos vão se lembrar dela.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Em Paris.

Pozinho.
Se você leu sobre a viagem lá no VW-Borges, sabe que cheguei um pouco cansado, mas bem. A viagem foi até tranquila e cansei menos do que o esperado. O calor é o que mais atrapalha. E faz calor pra danar aqui. Toda vez que venho para cá (da última vez até a Becky passou mal) é a mesma coisa: levo dias para me acostumar. Enquanto isso, 3 a 5 banhos por dia. Só assim. Entre rever os parentes e os amigos, comidinhas da mamãe e quentes noites de sono, fui curtindo o que pude.
Parada obrigatória é o Bar do Beto, oficialmente chamado Bocha´s Bar. Não tem jeito. É Bar do Beto mesmo. O lugar é tradicional na cidade, desde os tempos em que o Seu Cardoso era o proprietário. Infelizmente, a bocha que dá nome hoje, e que durante décadas foi ponto de encontro na cidade, vai ser desmanchada. Pirapozinho está gradativamente perdendo sua identidade. As charmosas casinhas construídas nos anos 40, 50, estão dando lugar a prédios mistos de comércio e apartamentos, feios e sem a menor personalidade. Mas quem compra os terrenos ou imóveis, não está nem aí para isso. A primeira onda de transformação grande veio com as grandes remessas de dinheiro do Japão. Negócios floresceram e edifícios foram aumentados, ampliados. Virou tendência. Tudo quanto era prédio antigo tinha que ser aumentado e os novos tinham que nascer grandes, empurrando as antigas construções para o esquecimento. Ótimo para a cidade. Péssimo para a cidade. A casona dos Padovan, numa esquina central, não resistiu, assim como muitos outros imóveis cidade afora. As antigas casinhas de madeira quase não existem mais. Foram substituídas por casas de alvenaria que parecem saídas de linhas de montagem, tal a semelhança entre elas. Quem tem mais grana constrói casas gigantescas, de dois andares que ocupam o terreno todo. Meu amigo Laerte foi um dos que fizeram isso, mas a dele tem um projeto bem particular e original  com a casa alinhada à esquina, em L, protegendo a área interna.  O resto é mais do mesmo.
xx--xx
Beto aproveita minhas visitas para escapadelas da cidade. Da primeira vez levou-me a um pesqueiro muito pitoresco, bem pertinho da cidade. Desta vez, fomos e outro. Tomando a velha conhecida, mas bastante modificada - estradinha da Boa Vista, rumamos em direção a Presidente Prudente. A estradinha, antes estreita e ruinzinha, está mais larga e cascalhada. Passamos pelo odioso curtume e finalmente chegamos ao pesqueiro, para almoçar. O lugar é muito agradável e, pelo número de mesas, deve servir muita gente nos fins de semana. O proprietário faz, de vez em quando, porco no rolete, o que suponho deve atrair multidões.

Algumas cervejas, um delicioso almoço e muita conversa depois, tomamos o caminho de volta, pois Betão tem que voltar para o trampo.
Permitam-me colocar uma foto da Igreja Matriz da cidade, pois acabou sendo a única foto "urbana" que tirei  na viagem.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Férias

Pessoas, tirei férias curtinhas para visitar a família. Vão rolar posts alternadamente entre o Peri e o VW-Borges. Isso porque a viagem está sendo feita no Borges e lá em Pirapó ele vai receber umas pecinhas novas e eu tenho em mente dar uma garibada no bichinho.
Entonces, alternem entre o Peri e o Blog do Borges e da Branca, que ficou na nova garagem do Borges, lá em Brasília.
Uberlândia, MG. Pôr do sol visto do hotel.

IBILCE: 60 anos da minha Alma Mater

Escrevi a crônica abaixo, a pedido da amiga Nilce, atual editora da revista Notícias Ibilce, por ocasião dos 60 anos do nosso querido In...