segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Jampa 2013

Férias. Merecidas. Curtas. Deliciosas.
Inicialmente o plano era sair de Brasília, de carro, e ir até Monte Verde, MG, e de lá para Petrópolis e passando na volta por Ouro Preto e Mariana, pois teríamos duas semanas em setembro. Good. O problema foi que tive que ir a Cuba e as férias ficaram prejudicadas. Sobrou uma semana e road trip estava fora de cogitação. Praia, então. Para onde? Bia queria Bahia, mas desistiu da ideia. Floripa ainda estaria muito fria para praia. Aracajú era a melhor possibilidade, mas Bia estava meio "nhé" com a ideia. Finalmente decretei: vamos para João Pessoa de novo.
E assim foi. Vou postar algumas fotos de lá já já. A cidade mudou um pouco em três anos. Muitos edifícios de apartamentos pipocaram principalmente em Cabo Branco e Tambaú, mas também em Intermares, Bessa e, em menor escala, Manaíra. Loteamentos ao longo do litoral também cresceram.
Há um certo boom imobiliário, mas locais falam em bolha. A cidade é subsede na Copa do Mundo, o que pode explicar parcialmente o interesse, aliado à proximidade com o Recife e à melhor estrutura. Boa surpresa da viagem, Coqueirinho está mudada. Há três anos, a praia tinha uma pequena estrutura de quiosques. Infelizmente eles estavam em área de preservação.
A administração local, então, fez algo admirável. Retirou os quiosques da praia, cercou a área de preservação e, numa área próxima, fez uma espécie de praça de alimentação, na qual os quiosques são padronizados, de bom tamanho, dispostos em U, com uma área no meio com chuveiro e voltados para o mar.
Ótimo, grande ideia. A praia mesmo voltou a ser quase selvagem. E continua maravilhosa.
Aproveitamos o carro alugado e conhecemos Ponta dos Seixas, mas foi rapidola, só entramos e saímos. Barra do Gramame estava muito diferente da última vez. A maré baixa expôs os bancos de areia e formou um cenário especial.
Num dos dias, seguimos a avenida litorânea passando por Bessa, Intermares e chegando a Cabedelo, onde fizemos um passeio - totalmente dispensável - a Areia Vermelha. O lugar nada mais é que um grande banco de areia cercado de corais, que forma piscinas naturas na maré baixa. Há um barco restaurante que explora a área, com cadeiras, mesas e guarda-sóis e um atendimento de última. Conselho: leve seu isopor com bebidas.
Nesse passeio reconheci um sujeito aqui de Brasília. Motociclista, já tínhamos batido um papo antes, mas não chegamos a nos apresentar. Puxei conversa e acabamos conhecendo o Rogério e a Cláudia, sua esposa. Ambos gente finíssima, acabamos nos encontramos depois em Coqueirinho e para um jantar à noite.
O resto do tempo que passamos lá foi só curtindo a praia, a cidade, a vista.
E agora mais algumas fotos.
De snorkel em Picãozinho
Corais em Picãozinho
A fauna local "trabalhando"
Barra do Gramame
Ponta dos Seixas

Até a próxima, bela Paraíba.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Cuba

Ao fim e ao cabo de trinta dias intensos na ilha de Fidel, acho que tenho condições de analisar o que vi por lá mais apuradamente.
Passados os primeiros dias quando tudo é novidade, alguns aspectos da vida e dos costumes ficam mais claros, como é de se esperar. A idolatria da Revolução é muito mais imposta que sentida genuinamente. Tive a impressão de que as pessoas sabem que a Revolução foi importante, mas que a esperada liberdade não chegou por completo. Para manter os ideais socialistas o Governo usa de força. Não força bruta, apesar de já ter sido o caso, mas de regras estritas, limitações, racionamentos, etc. Sim, boa parte da situação difícil da ilha é causada pelo embargo, ou o foi em algum momento. O embargo, aliás, parece ser financeiro apenas. Operações bancárias e de cartões de crédito, por exemplo, são complicadas. Já o comércio com países do mundo todo vai de vento em popa. Parece-me que Cuba compra o que der de onde puder, tal a variedade de origens para os produtos industrializados vendidos na ilha. Nós, por exemplo, vendemos muito para eles, biscoitos, produtos de limpeza, entre outros.
Em conversas com alguns locais, apura-se que há um certo orgulho no fato de Cuba ter feito a Revolução e suportado - se é que pode-se dizer isso - os efeitos do embargo. É como se as pessoas pensassem "sim, a Revolução foi ótima, mas o que essa 'vitória'  nos traz hoje?". Não há fome, mas não há fartura. O pouco que há é controlado pelo governo, cujos membros, obviamente, não passam pelas mesmas provações que a população. Socialistas do mundo todo olham Cuba com olhos maravilhados, mas os cubanos não dividem essa visão romantista. Ver Cuba de longe é lindo, viver lá, como eles, é outra história. Há intelectuais de esquerda brasileiros que adoram flanar pela ilha dos Castro, mas ficam hospedados no Meliá e viajam de executiva.
A escassez de produtos variados e as dificuldades na importação - de novo, causadas não somente pelo embargo, mas também pela burocracia e intervenção local - tornam, por exemplo, uma simples reforma num martírio.
Mas nem tudo são dificuldades. Há alguns anos, um lento mas, a meu ver, irreversível processo de abertura tem sido posto em prática pelo mais radical dos irmãos Castro, Raúl. Assim, os locais puderam ter acesso à telefonia celular, o mercado imobiliário começa a deixar as mãos do governo e negócios privados pipocam por toda a parte. Em grande parte esse processo foi impulsionado pela necessidade de se impulsionar (a repetição é intencional) o turismo, fonte segura e quase inesgotável de recursos. A ilha tem muitas belezas e ainda há o turismo ideológico. Em anos recentes, muitos restaurantes privados chamados "paladares", foram abertos. Eles receberam esse nome graças ao sucesso da novela "Vale Tudo", na qual a personagem de Regina Duarte sobe na vida vendendo sanduíches na praia e acaba por montar um império chamado Paladar. Esses restaurantes são de gastronomia refinada, acessível para os padrões internacionais, mas ainda restritos a uma parcela pequena da sociedade cubana.
A infraestrutura é deficiente. As ruas principais, as grandes avenidas, são bem mantidas e de boa qualidade. Os reparos, quando necessários, são bem feitos. Já as ruas de menor movimento e em bairros da periferia são de qualidade atroz, esburacadas na melhor das hipóteses. Nota-se assim a preocupação de não assustar os turistas.
Fazer essa viagem serviu para desmistificar muitas coisas e serviu para ver que, não importa que nome se dê, regimes totalitários e centralizadores não deveriam mais existir e são uma excrescência no mundo de hoje, ainda que o povo a ele submetido aparente concordar e estar satisfeito.