quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Arrumações

Você já deve ter sido tomado, em algum momento de sua vida, por uma necessidade de renovação, de fuga da rotina, de mudança. É um momento em que nada parece certo, no lugar. Dá vontade de imprimir uma reviravolta completa, de jogar tudo para o alto, de começar de novo. Até que a razão entra em cena, claro.
Às vezes o remédio é simples, ainda que por vezes temporário. Basta uma rearrumada em alguma coisa, uma simples limpeza de escritório, ou da despensa. Decisões de vida são mais complexas, mais difíceis de serem postas em prática. Se você é como eu terá uma resistência natural a coisas arriscadas, a grandes decisões e mudanças radicais.  "Garrei" a pensar nisso conversando com uma amiga que parou com tudo e foi estudar ioga. E está feliz e contente da vida.
Não estou pronto para grandes mudanças na minha vida. Tenho pequenos planos que em algum momento vão ser postos em prática. Por outro lado, tem outras coisas que me incomodam, mais mundanas, mais cá à terra.
Temos muita coisa em casa. Móveis demais, quinquilharias demais, coisas que em um momento tinham utilidade e que deixaram de ser importantes mas ficaram por ali, usando espaço. E o tempo passa e a gente acaba por deixar de notar aquelas coisas, elas passam a "fazer parte da paisagem". E isso é péssimo. Você começa a sentir que algo está atrapalhando e não sabe o quê.
Sinto que estou chegando a uma fase dessas e começo a olhar em volta na tentativa de identificar o que não tem mais utilidade. A lista é longa. Tem muitas coisas com as quais que eu não sei o que fazer. Tenho resistência a simplesmente jogar fora. O lixo de um homem é o tesouro de outro, é o que dizem, não? Tenho sempre a impressão de que aquilo que já não me serve poderá ter utilidade para alguém, ainda que como lixo. Mas resisto à ideia de simplesmente jogar fora. Assim, começo a pensar no que eu posso pôr à venda. Coisas como filmes em VHS e fitas cassete podem simplesmente ser digitalizados e liberam, assim, espaço. Livros são mais complicados. Papeis. Impressionante a quantidade de papel que acumulamos em pouquíssimo tempo, não? Ontem reparei que tenho uma pilha de molduras, posteres e quadros num canto do quarto. De duas uma, ou vão para a parede de novo, como parte de um novo projeto de decoração, ou vão para o lixo.
A mesa de jantar, com oito cadeiras, é grande demais. Temos utensílios em demasia, eletrônicos em demasia (muitos fora de uso). Coisas que até outro dia tinham algum valor, hoje, depois de considerar cuidadosamente a respeito, vejo que não há razão para mantê-las guardadas. E assim, sou tomado de um comichão: o comichão do desfazimento. Quero ver essas coisas longe o mais rápido possível, quero arrumar o quarto, dispor as coisas de forma diferente, mudar o sofá de lugar, liberar espaço na estante. Quero ver o que não tem utilidade para mim ser de serventia para outrem.
Dar o primeiro passo é difícil, mas será dado. Depois eu conto.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Letra traduzida

Faz tempo desde a última do gênero que postei. E, dando continuidade à onda inspiratória gerada pela leitura - ainda não terminei - do livro "Ghost Rider - Estrada Para a Cura", do Neil Peart, vai aqui a letra de "Ghost Rider", com o vídeo da música gravado ao vivo. Adquiri ontem o álbum "Vapor Trails", de 2002, que contém essa faixa e que foi o primeiro disco gravado depois do período de "fuga" descrito pelo músico no livro.
Vamos lá:

GHOST RIDER
Motoqueiro Fantasma
(Lee, Lifeson, Peart)


Pack up all those phantoms
Junte todos aqueles fantasmas
Shoulder that invisible load
Carregue aquele peso invisível
Keep on riding north and west
Siga rodando para o norte e para oeste
Haunting that wilderness road
Assombrando aquela estrada selvagem
Like a ghost rider
Como um motoqueiro fantasma

Carry all those phantoms
Carregue todos aqueles fantasmas
Through bitter wind and stormy skies
Através do vento amargo e céus tempestuosos
From the desert to the mountain
Do deserto à montanha
From the loest low to the highest high
Do baixo mais baixo ao alto mais alto
Like a ghost rider
Como um motoqueiro fantasma

Keep on riding north and west
Siga rodando para o norte e para o oeste
Then circle south and east
Dê a volta para o sul e para o leste
Show me beauty, but there is no peace
Mostre-me beleza, mas não há paz
For the ghost rider
Para o motoqueiro fantasma

Shadows on the road behind
Sombras na estrada que ficou
Shadows on the road ahead
Sombras na estrada adiante
Nothing can stop you now
Nada pode parar você agora

There´s a shadow on the road behind
Há uma sombra na estrada que ficou
There´s a shadow on the road ahead
Há uma sombra na estrada à frente
Nothing can stop you now
Nada pode parar você agora

Sunrise in the mirror
A alvorada no espelho
Lightens that invisible load
Alivia o peso invisível
Riding on a nameless quest
Rodando numa jornada sem nome
Haunting that wilderness road
Assombrando a estrada selvagem
Like a ghost rider
Como um motoqueiro fantasma

Just an escape artist
Só um escapista
Racing against the night
Correndo contra a noite
A wandering hermit
Um ermitão errante
Racing toward the light
Correndo em direção à luz

From the White Sands
Das Areias Brancas
To the Canyonlands
Às Terras dos Cânions 
To the redwood stands
Aos bosques de sequóias
To the Barren Lands
Às Barren Lands (tundras do Ártico)

Sunrise on the road behind
A alvorada sobre a estrada que ficou
Sunset on the road ahead
Pôr-do-sol sobre a estrada à frente
There´s nothing to stop you now
Não há o que pare você agora
Nothing can stop you now
Nada pode parar você agora

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Cartas

Estou lendo o livro "Ghost Rider - Estrada para a Cura" do Neil Peart, baterista do grupo canadense Rush. No livro ele conta tudo o que ele vivenciou durante o processo de reconstrução pessoal ou, como ele mesmo colocou "de juntar os cacos de minha vida despedaçada", após a perda de sua filha num acidente e de sua esposa, mais tarde, para um câncer. Peart conta que o melhor que podia fazer para não ser esmagado pelas dolorosas lembranças era ficar sempre em movimento. Assim, decidiu pegar sua moto e cair na estrada sem destino e sem muito planejamento.
Nessas viagens ele se dedicou ainda mais à leitura - o livro é um excelente guia nesse sentido - à observação de pássaros, hobby que desenvolvera durante a estadia em Barbados, pouco antes do falecimento de Jackie, sua esposa e à observação da flora pelos lugares por onde passou. Isso tudo aconteceu entre 1997 e 1999, principalmente.
Outra "ocupação" a que ele se dedicou foi escrever cartas e cartões postais para amigos e familiares, sobretudo àqueles que estiveram mais presentes durante o que ele chama de "tempos de escuridão". E longos trechos do livro são transcrições dessas cartas, nas quais ele alterna períodos de bom humor e esperança com períodos mais tomados pela depressão e incerteza. Essa dedicação ao ato de escrever me trouxe lembranças.
A velocidade da informação hoje é algo ao mesmo tempo fabuloso e cruel. Em poucos cliques sabemos o que nossos amigos estão fazendo do outro lado do mundo. Por outro lado, a informação está cada vez mais diluída. Ninguém mais se preocupa em anotar o endereço do outro, basta entrar numa rede social e procurar o amigo. Em poucos minutos uma mensagem e a resposta. E lá se foi o encanto. Nem mesmo e-mail as pessoas tem trocado, pois isso significa escrever um pouco mais, debruçar-se mais sobre o texto, elaborar.
Desde minha adolescência eu gostava de receber coisas pelo correio. No começo eram cartas, de meus correspondentes espalhados pelo Brasil afora. Já tive até correspondentes no exterior. Era muito gostoso abrir a caixa postal e encontrar uma carta para mim lá. Corria para casa e abria o envelope com capricho. Lia o conteúdo mais de uma vez e já me sentava para tratar da resposta. Eu era ligeiro nisso, nunca deixava para depois. Aliás, tem pessoas com quem comecei uma amizade assim e com quem mantenho contato até hoje (alô, Mari Goterra!). Eu adoro receber coisas pelos correios. Fico ansioso quando compro algo e não sossego até receber o pacote em casa. Mas cartas... Essas já caíram em desuso.
Durante nossas andanças no exterior eu sempre procurei mandar postais para familiares e amigos. Acho muito legal essa atitude. Mas caiu em desuso, pois é mais fácil tirar uma foto e compartilhar pelo telefone. Mais fácil e com menos charme, com menos encanto. E não dá para pregar na geladeira também.
E aí, "garrei" a pensar: será que eu consigo convencer pessoas a trocar correspondência comigo? Sem prejuízo, naturalmente, dos contatos mais imediatos pelas redes sociais. Mas cartas, são mais pessoais. Você, quando escreve uma carta, pensa bem antes de escrever, edita, passa a limpo. Você se preocupa mais com a impressão que você quer passar com sua missiva. A carta vira instrumento para trocar ideias, além de apenas dizer como você está. Assuntos podem se arrastar por meses e até anos, através dela. E ainda tem a maravilhosa sensação de recebê-la pelo carteiro ou em sua caixa postal. Tem aquela antecipação toda, tipo "o que será que ele (a) conta?".
Vai me dizer que você nunca trocou cartas com aquele romance de verão?
Grande parte da minha correspondência, no entanto, se perdeu. Minha adorada esposa ainda me critica por eu não ter guardado a correspondência por nós trocada. Houve atenuantes. Toda a correspondência que mantive depois que saí da casa de meus pais, acabou se perdendo nas mudanças. O que sobrou estava na casa deles. Bem, ela guardou bastante coisa.
O ritual da escrita era quase sagrado para mim. Começava com a ida à papelaria para comprar o bloco de cartas. Tinha que ser de papel de seda, fininho. As canetas eram escolhidas com cuidado.  Cada parágrafo era pensado, bem pensado, antes de ser colocado no papel, pois tinha que caprichar na letra e nas ideias. Se borrasse, passava tudo a limpo.
Lembro-me de uma troca curta de cartas com meu saudoso amigo Jean. Ele não era muito afeito à escrita. Depois de uma ou duas, recebo uma carta dele escrita em papel higiênico. Piadista, hein? A resposta foi em pequenas folhas tamanho A5, mas misturadas. Cada folha era numerada e, ao final de cada página, um número de referência para a próxima página. Deve ter dado trabalho para ler. Já escrevi cartas em espiral também. Dá tanto trabalho para elaborar quanto para ler.
Ainda hoje eu adoro escrever. À mão. Adoro e sinto falta. Parte desse gosto pela escrita foi satisfeito com os blogs. Mas ainda sinto falta de escrever e receber cartas. Por isso decidi que vou tentar por essa ideia em prática. Quer fazer parte dessa rede? Mora em cidade distinta da minha? Põe uma mensagem aí, nos comentários.


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Preto ou branco

Odeio polarização. Odeio radicalização.
Nas últimas semanas recebemos doses exageradas disso. Sim, estou falando de eleições e da imbecilização disfarçada de politização espalhada aos quatro ventos e em todos os bits e bytes da internet. Chegou um ponto em que ficar em dúvida não é permitido. Não, você tem que escolher: bom ou mau. Bem ou mal. Vermelho ou azul. Situação ou oposição. Preto ou branco. Vai ou fica. Não, mas..."Não tem mas, você tem que se posicionar!", esbravejam uns e outros.
É, democracia virou um palavrão. E os que o preferem com mais frequência e intensidade se esquecem de que, se vivêssemos mesmo em uma democracia, não teríamos que escolher entre A ou B. Teríamos liberdade para escolher entre escolher ou não. Assim eu não seria obrigado a votar em branco ou anular meu voto. Essa área que considero cinza, para muitos é sinônimo de covardia. Não vejo o voto branco como interessante. Nunca votei em branco. Mas já anulei. Na minha opinião o voto nulo não significa que eu não queira tomar posição - isso é votar em branco - mas que as opções a mim apresentadas não são boas o bastante.
Ah, mas não pode, você tem que tomar posição, nem que seja para "acabar com tudo isso aí." E enquanto isso, no Congresso, pouca ou nenhuma renovação. Contra-senso, né? Aqueles protestos todos serviram para quê mesmo? O cara que endividou o GDF logo depois da prisão do Arruda, foi eleito deputado federal. Ó? E gente muito boa ficou de fora, por causa das malditas coligações e legendas.
Odeio gente que espalha o terror dizendo que o Brasil vai virar Cuba. Nunca foram a Cuba, isso é certo. Miami é mais legal. Será que é fácil transformar o Brasil em Cuba? Se isso acontecesse, onde estariam os 48% dos que se dizem "brasileiros", deixariam mesmo que a coisa chegasse a esse ponto? Tão brasileiros que ao primeiro sinal de contrariedade, dizem que vão embora. Hmm. Eu fico e luto. Eu vivo o país, com suas belezas e mazelas. Eu trabalho para melhorá-lo. Eu vou cobrar daqueles que tem que ser cobrados. Não sou covarde por anular meu voto, mas não vou me anular por não ter votado em uma das opções. E não vou deixar de vigiar, fiscalizar, cobrar, trabalhar.
Odeio gente que espalha babaquices preconceituosas contra gays, pobres, negros, nordestinos. Vocês não me representam. Como se São Paulo não estivesse coalhado de nordestinos. Como se esses mesmos nordestinos não tivessem ajudado - e ainda ajudam - a fazer de São Paulo o que é hoje. Vocês, por acaso, vão deixar de tirar suas férias nos Lençóis Maranhenses? Vão deixar de ir ao Carnaval de Salvador? Vão abrir mão das maravilhosas praias da Paraíba? E a Chapada Diamantina, desistiram de conhecer? Se vão, aproveitem e boicotem os restaurantes de comida nordestina. Tava cheio de carro com adesivinho do 45 no estacionamento do Mangai/Nau outro dia, aqui em Brasília. Se vão continuar com esse preconceito imbecil, então que o façam por completo. Nada mais de queijo coalho com carne de sol para vocês. Só coxinha.
E gente que vive no exterior há dezenas de anos decretando o fim do Brasil porque o governo continuou como está? Será que se o resultado fosse diferente essas pessoas todas voltariam para cá? Duvideodó. Muita gente saiu lá pelos idos de 94/95, não? Bem antes de "tudo isso que está aí" se instalar. E me lembro que em muitos lugares no exterior o resultado das urnas foi favorável ao "tudo isso que está aí". Vou reiterar algo aqui, se já não ficou claro: não estou tomando partido, não estou defendendo este ou aquele lado. Estou odiando os dois lados. E tenho amigos, familiares, conhecidos e colegas em ambos.
Durante esse tempo todo evitei tomar qualquer posição, fazer qualquer comentário no Facebook, preferi observar à distância, por mais que certos comentários me enojassem. Sim, enojassem. Preferi manter laços de amizade. Teve absurdos proferidos pelos partidários de ambos os lados. Cheguei a deixar de seguir uns e outros.
Mas sou considerado um pária, covarde.
Não estou mandando ninguém ir embora. Fiquem e lutem. Façam a sua parte, pois governo, qualquer que seja, deve ser para todos, inclusive para este "covarde" aqui.
Não estou postando fotos com a bandeira do Brasil de luto, em lágrimas. Essas pessoas já desistiram.
Eu não.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Jesus te ama

Ele vinha a duas dezenas de metros de uma faixa de pedestres. Notou o carro parado e imediatamente freou forte, parando bem ao lado do carro, antes da faixa, enquanto os olhos treinados escaneavam a faixa e a calçada. Um rapaz atravessava a faixa e outro preparava-se para fazê-lo, vindo da direita. Quando o segundo rapaz terminava de atravessar, ouviu o motorista do carro dizer-lhe algo. Com as viseiras do capacete fechadas e seu rosto parcialmente coberto, fez um gesto de "o quê?" com a cabeça e o motorista repetiu: "Jesus te ama", com uma expressão serena no rosto. O motociclista meneou a cabeça ligeiramente, "ok".
E assim partiram, quase juntos. A minivan na frente, com seus adesivos de frases religiosas. Logo atrás o motociclista, ainda sem entender o porquê daquela frase, no início da manhã. Será que o motorista diz isso para alguém todos os dias? Será que ele disse aquilo porque o motociclista respeitou a faixa? Ou disse porque o motociclista...bem, estava de moto? Mais do que a frase, aquele semblante sereno é que o acompanhou o dia todo. 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Relutei muito para escrever sobre eleições. E a razão para isso é simples: não me acho capacitado para emitir opiniões e sou péssimo em debates e confrontações. Não seria um bom político ou um advogado. Admito que minha primeira reação é sempre acreditar no que leio por aí. E quando começo a ler opiniões refutando esta ou aquela posição, instala-se a dúvida. Quanto às "provas" apresentadas pelo defensores deste ou daquele candidato, elas mais atrapalham que ajudam. Pode ser um pouco de preguiça da minha parte - e provavelmente é - mas isso é outra história.
Olhando as coisas que são publicadas no Facebook, por exemplo, tenho amigos (ou contatos no FB) que defendem Dilma e o PT com a faca entre os dentes e sangue nos olhos. Lançam mão de gráficos, números, relatórios, pesquisas e opiniões "ilibadas" e ainda atacam sem dó os outros candidatos. Este é o ponto que me chama atenção: se seus números são irrefutáveis e as pesquisas tem pouca margem de erro, não bastaria rebater as afirmações/acusações dos adversários? Aparentemente não. Ataques, discussões acaloradas e "trocas de gentilezas" estão no cardápio diário. Petistas são os donos da verdade e não ouse contrariá-los.
Do outro lado tem os que são contra o PT e se dividem, basicamente, entre os eleitores do Aécio e da Marina. Os primeiros passam o tempo repetindo o que leem pela internet sem sequer ter a preocupação de verificar sua autenticidade - geralmente contra o PT, mas mais recentemente contra a Marina também, no caso dos aecianos. Isso será usado pelos petistas contra os psdebistas e assim dá-se continuação ao bate-boca. A poucos dias do pleito, Aécio ainda não tem plano de governo - apesar de afirmar que sabe o que está errado com o país e que sabe o que fazer para consertar. O cara já tinha sido considerado para a eleição passada e seu partido ainda assim não teve a capacidade de elaborar um plano de governo? Plano de governo, aliás, deveria ser de apresentação obrigatória quando do registro de candidatura para prefeito, governador e presidente. Para os que pretendem cargos no legislativo então, a zona é generalizada. Ninguém tem plataforma clara e a maioria dos candidatos às câmaras estaduais confundem suas atribuições com as dos candidatos à câmara federal. Sem falar que tem candidato a deputado federal cuja plataforma é lutar por esta ou aquela região. Esquecem que, eleitos, são deputados FEDERAIS, portanto tem que trabalhar para o povo brasileiro, sem distinção. Bem, viajei agora. Voltemos.
O pessoal do Aécio defende não sabe bem o quê, mas tudo o que eles  tem certeza é de que Dilma e PT tem que sair. O que é mais ou menos o que defendem os eleitores da Marina. Esse povo todo aí é o povo do "Deus Me Livre!". Dilma e PT? Deus me livre. Aécio? Deus me livre. Os apoiadores da Marina se acham os mais inteligentes, porque ela é a solução. Ela é mágica. Ela vai fazer e acontecer. Os eleitores do Collor também achavam a mesma coisa. Escolheram aquela que herdou uma candidatura e que não conseguiu ter seu novo partido aprovado (inédito isso, viu?). Tem pouca experiência, não fez um bom trabalho quando teve a chance e desce o pau nos outros dois. E leva pancada também. Muita. E apesar de tudo e sem ter muita certeza do porquê, escolheram-na como saída alternativa para "tudo isso que está aí".
Entendam que não estou aqui defendendo ou atacando este ou aquele candidato, nem gostaria que meus amigos se chateassem com minhas mal escolhidas palavras. Meu intuito é tão somente fazer uma pequena leitura do que vejo todos os dias nas redes sociais neste que é MEU espaço, ainda que eu permita um certo nível de abertura, pois qualquer um pode comentar aqui. Só me reservo o direito à censura, pois não admito comentários ofensivos. O espaço é democrático mas não é a casa da mãe Joana.
Tem coisas curiosas.  Petistas - ou dilmistas - adoram dizer que a Marina fala em renovação na política mas faz acordos e anda de mãos dadas com a velha política. Logo eles que quando chegaram ao poder há distantes doze anos, foram obrigados a fazer...chamemos de acordos - conchavo é palavra forte - com Sarney, Collor, Calheiros, para citar alguns mais notórios.
Marina fala da defesa do meio ambiente mas sua passagem pelo Ministério do Meio Ambiente foi, no mínimo, desastrosa.
O Aécio...correndo atrás. Batendo em todo mundo e levando de todo lado.
Vejam que telhado de vidro todo mundo tem. E pedra na mão também. Admitir isso é outra história.
Assim, rolando a página inicial do FB, dou de cara com um festival de verdades tão grande quanto o festival de bobagens. De todos os lados. Discussões e ofensas abundam. Desde que começaram a pipocar tenho evitado curtir, comentar e compartilhar posts políticos. A gente discute no bar, na roda de amigos, mas meu voto ainda é meu. Sei que este governo fez coisas boas, assim como o anterior. Mas ambos também fizeram merdas. Eu tomo como exemplo o governo de Agnelo Queiroz no DF. Votei no cara. Era o melhor candidato. Votaria nele de novo? Não. E não porque acredite que tenha feito uma administração ruim, mas porque poderia ter feito uma muito melhor. Verdade que Agnelo pegou o DF combalido e endividado e teve que se virar porque teria Copa das Confederações e Copa do Mundo pela frente. Deixou a desejar em várias frentes. Ainda assim, no fim de seu governo, tem obras em andamento e obras em fase inicial. E muita gente não vê isso. Mas seu governo não foi o que poderia ter sido e por isso não leva meu voto este ano. Fiz uma análise racional. Há quem discorde de tudo o que escrevi aqui. Mas quer saber? Vá reclamar com o padre.

sábado, 23 de agosto de 2014

Serras do Sul, dia 15: São José do Rio Preto a Brasília

O último dia guardava a promessa de boas estradas e muita fluidez. Isso nós tivemos, mas uma vez mais nosso inimigo comum foi o vento. Esse danado tornou a viagem extremamente cansativa. Graças às grandes retas da BR 153, que já mostra sinais de sua privatização, foi possível descansar a mão direita. Este acessório, emprestado pelo Cesinha, foi um grande alívio, ainda que seja meio chatinho de usar às vezes:
Ele é preso à manopla de acelerador e, ao se atingir a velocidade desejada, é girado com o indicador até que repouse sobre o manete de freio, travando o acelerador. O ajuste fino é difícil de ser conseguido, mas é suficiente para descansar a mão direita.

Acima, a parada no Jerivolta - Jerivá que fica no sentido Goiânia-Brasília. Primeira para comer no dia e última da viagem.
Chegando no DF, na divisa com Goiás, na BR 060, um atropelamento com morte causou um engarrafamento. O desvio era feito por cerca de 30 metros, em pista de terra (de novo). Quase de volta ao asfalto, vislumbrei a chance de contornar uma perua e um caminhão pela direita. As ondulações fizeram com que a já bem frouxa corrente, escapasse. Meu medo na hora foi de que ela tivesse arrebentado. Fiz sinal para o Cesinha e tentei colocá-la de volta. Consegui na segunda tentativa. Seguimos mais lentamente, o que atrasou nossa volta para casa. Cesinha me escoltou até a entrada da minha quadra. A true gentleman.
Muito cansado, eu só pensava em abraçar minha adorada Bia e tomar um longo e quente banho.
Um pequeno resumo, em números desta longa, cansativa, mas fantástica viagem foi publicado no VW-Borges.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Serras do Sul, dia 14: Ponta Grossa a São José do Rio Preto

Com a promessa de estradas melhores, começamos o dia com sono, mas com gás.
Entra para aqui e vai para ali e desembocamos na BR153, a Transbrasiliana. Está boa em alguns trechos, mais ou menos em outros. O duro foram certos pedágios: R$ 4,10 e R$ 6 no Paraná. Em SP caiu para R$ 1,75, mas achamos o fim da picada cobrar de motos, que pouco ou nenhum dano causam às vias. À medida que subíamos, aumentava o calor. Chegamos a Rio Preto com um calorão fenomenal. Cesar foi providenciar a troca de óleo da Transalp.
Saímos à noite com um amigo para umas cervejinhas e uns objetos. O bairro de Santa Cruz em Rio Preto está se tornando uma Vila Madalena. Fomos a um local chamado Confraria do Espeto, que recomendo fortemente.
Foto by Garçon
Amanhã etapa final, pela BR153 e depois pela 060. Inté.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Serras do Sul, dia 13: Gramado a Ponta Grossa

Nada de espetacular para relatar sobre o dia de hoje. Saímos de Gramado (quase) à hora marcada.
Odômetro à saída de Gramado, RS



Foto by Marília

Foto by Marília

Foto by Marília
Enfiamos a cara e a mão na BR 116, mas o diacho do dia não rendeu. As estradas estavam boas, mas serra atrás de serra e o cansaço foi inevitável e pesado. Chegamos a Ponta Grossa já à noitinha. Demos uma volta tentando achar um lugar legal para comer e acabamos num restaurante bem na frente do hotel - que precisa desesperadamente de uma modernização. Dois chopes Eisenban e um hambúrguer horroroso depois, cama. As fritas salvaram a noite. 

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Serras do Sul, dia 12: Canela, de leve

Aliviado por ter resolvido os problemas com a moto ontem, acordei mais tarde.
Só que me toquei de que não aproveitei para trocar - não me lembrei, mais precisamente - o óleo da Branca, que já completara 5.000 quilômetros. Sem problemas. No dia em que cheguei, Michel, recepcionista do Hotel Sky e motociclista, indicou uma oficina aqui em Gramado. Fui até lá e rapidamente a rapaziada trocou o óleo da Branca a R$ 23,00/litro. Agora sim, pronta para a viagem.
Saímos em direção a Canela. Fomos passear no teleférico que tem próximo ao Parque do Caracol, uma enorme e linda cascata. O teleférico permite visualizar a cascata, o vale e as montanhas a partir de três mirantes diferentes. Muito bacana e o passeio custa R$ 32,00.






Making of da foto seguinte
Foto by Clau

Almoçamos, batemos um pouco mais de perna por Canela.
O Castelinho













À noite, depois do jantar nos reencontramos, eu, Cesar e Marília no pub irlandês Santa Brígida, bem em frente ao meu hotel, mas que só hoje fui conhecer.


Foto by Marilia

Foto by Marilia

Foto by Marilia

Foto by Marilia

Foto by Marília
Lugarzinho muito bacana, cujos donos são profundos conhecedores do riscado, além de serem extremamente simpáticos. Recomendo. Tomei duas stout americanas ao som de Rush e de Rolling Stones. Cesinha ainda tomou uma quadruppel belga, a Goud Draaak 9000.
Agora é terminar de arrumar as malas, que amanhã tem muita estrada. Inté.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Serras do Sul, dia 11: Bento Gonçalves e o rescaldo do rali

O rali de Cambará deixou marcas. Na Branca. Retentor da bengala esquerda estourado e parafuso da capa de corrente perdido. Ontem, na filial da concessionária em Canela só foi possível fazer a regulagem da corrente. O pessoal foi muito prestativo, no entanto, e me ajudou a localizar a peça para troca. A revenda Motolak Yamaha, de Bento Gonçalves tinha uma única unidade do retentor. Assim, às sete e meia, parti para lá. O caminho passa por Nova Petrópolis, Caxias e  Farroupilha.
A nota tétrica do dia ficou por conta de um acidente com a morte de um motociclista. Não deu para entender o que aconteceu, mas preferi não descobrir.
Achar a concessionária foi fácil. O pessoal de lá, a quem quero agradecer: Leonardo, Luís e o mecânico cujo nome começa com J, mas que não me lembro. Vocês são nota 10. Fizeram o trabalho e cuidaram da Branca com o maior carinho, inclusive lavando a bichinha na faixa.
Valeu mesmo, galera. E ainda por cima aceitaram regular e lubrificar correntes da Transalp e da F 800GS.
Foto by Marília
Coisa que eu deveria ter comprado aqui antes de sair, foram estes protetores de mãos, conhecido na região de Bento Gonçalves como "charutos". Usei pouco, mas quebrou um galhão.
As piadinhas com referência ao Mickey Mouse ainda ecoam...
Depois de um tempão, acabamos nos abalando, depois de almoçar, para o Vale dos Vinhedos para umas degustações. Antes disso, percorremos o Caminhos de Pedra, um roteiro muito bonito e bacana, no qual as atrações são identificadas por placas com números e que aparecem também num grande mapa no início do trajeto.
Casa da Ovelha
 
Na Casa da Ovelha comprei mais um item para meu arsenal chapelório. Não é feito localmente. Mais tarde, no hotel, descobri que é feito pela tradicional Cury, conhecida por ser a fabricante dos chapéus utilizados pelo personagem Indiana Jones no cinema. 


Tem que dar a volta, viu? É pra lá.

Ameixeiras em flor

Casa da Erva-Mate

Os Quatro Cavaleiros

Foto by Clau
Foto by Marília
Vale dos Vinhedos:
Foto by Marília

Foto by Marília

Casa Valduga. Foto by Marília

Garibaldi. Foto by Marília
Foto by Marília

Casa Valduga. Foto by Marília.
Miolo

Spa do Vinho




O que não consegui fazer neste dia - e que era a parte mais importante - foi visitar minhas queridíssimas Lori e Jeane, mãe e irmã de meu saudoso amigo Jean. Aproveitaria também para conhecer o marido de Jeane, Raymundo. Mas não foi desta vez. Quando finalmente terminamos já era tarde para passar por Caxias. Sairíamos de lá muito tarde, com o frio aumentando e provavelmente encararíamos a serra à noite.
Foto by...hã, o guia da vinícola
Tem uns detratores por aí que insistem em dizer que o Clau não bebe. Temos vários registros fotográficos do cara fazendo fundo seco, como este.

Terminamos a noite com um jantar. Comi javali.

Não me lembro o que o Clau comeu. Frango? Foto by Marília.

Foto by Marília.

Javali. Foto by Marília.

Foto by garçon
Branca está nova em folha e pronta para a viagem de volta.