quarta-feira, 12 de março de 2014

Ainda rabugento e muito puto

Quase um mês desde o último post. O Brasil está caindo aos pedaços, né? Cadeias lotadas não sei onde. Administrações que não sabem lidar com a falta d´água e impõem racionamento quando deveriam ter feito uso racional do recurso natural e por aí vai.
Brasília então, vive dias de caos. Obras que começam do nada, sem sinalização adequada, transformam o dia-a-dia de quem circula pela cidade num calvário. E olha que eu ando mais de moto. Não é segredo para ninguém que tem carro demais por aqui. Reflexo da política desastrada do governo de dar mãozinha para a indústria automobilística, como se esta precisasse de mãozinhas. Todo mundo desandou a comprar carro. Hoje, parado num semáforo, fiz um exercício: de cada 10 automóveis que passaram por mim, 9 levavam apenas o motorista. De cada 3 que passavam com mais de uma pessoa dentro, dois eram táxis. Não é difícil entender porque o trânsito na capital federal está uma bela merda. Meu, não está fácil nem para quem anda de moto, dá para acreditar?
Com o recente imbroglio do tal Expresso DF - que na minha humilde opinião não deve resolver coisa alguma - o caos atingiu de vez o já combalido transporte público. A licitação para renovação da frota, feita no ano passado ainda não surtiu efeito. Sim, de fato há muitos ônibus novos pelas ruas, mas os velhos problemas continuam. A licitação não mudou o modelo de ônibus, apenas acrescentou alguns itens que eles deveriam ter. Continuam os modelos baratosos com ruidosos motores dianteiros e de piso alto. Ônibus urbano tem que ser baixo, para começo de conversa. Nada, o governo aceitou que as empresas usassem o mesmo modelo de ônibus. Nem vou mencionar a falta de preparo dos motoristas. A coisa piora quando olhamos para os novos "zebrinhas". Para quem não é de Brasília, os zebrinhas são micro-ônibus que fazem rotas exclusivamente dentro das duas asas do Plano Piloto. Sua tarifa é mais alta e eles deveriam, em tese, ser mais ligeiros. Os novos veículos vieram com o piso a ridículos 70cm de altura. Pouquíssimas pessoas conseguem subir nos carros sem dificuldades. Vergonhoso. Algumas empresas que perderam a boquinha simplesmente deixaram de pagar rescisões dos contratos dos funcionários que passariam para as novas empresas. Com isso, eles não trabalham pela antiga e nem podem ser contratados pela nova. Um claro caso de retaliação. Não à toa entre as empresas envolvidas nessa prática estão uma pertencente aos Constantinos e outra pertencente a Wagner Canhedo.
Esta semana o GDF pôs em prática o plano de reforma da rodoviária do Plano Piloto para receber os ônibus do Expresso DF. Com isso, fechou as baias dos ônibus que vem do Entorno do DF - de novo, para quem não é daqui, são aquelas cidades que ficam em Goiás, mas dependem de Brasília para tudo, dada a proximidade. Esses passageiros, hoje, ficam amontoados em tendas improvisadas no piso superior da Rodoviária numa bagunça sem tamanho. A rodoviária é de uma época em que havia meia dúzia de linhas de ônibus. Hoje, cada cidade satélite tem um sem-número de linhas e a maioria delas vem para o Plano Piloto. É ônibus demais para uma cidade cujo projeto original não previa nada disso. O caos impera. A avenida W3, uma das mais importantes da cidade, vive engasgada com o excesso de ônibus. Nem a via exclusiva dá conta, pois ao chegar aos pontos - feitos para um ônibus de cada vez - acabam saindo para as faixas centrais, pois não há onde parar. Há linhas saindo de todas as cidades satélites e do entorno, mas o transporte é de uma qualidade sofrível.
Saída há, basta vontade de por em prática. Mesmo o caso acima, dos ônibus do entorno, teria uma solução fácil, mas não menos trabalhosa. Na minha humilde opinião de urbanista leigo a única solução possível seria a criação dos terminais de integração, antes da entrada no Plano Piloto. Assim, teríamos quatro terminais: sul, norte, leste e oeste. O terminal oeste já existe, bastando reconfigurar a velha Rodoferroviária para receber as linhas. Desse terminal sairiam, a cada dez minutos em horários de pico, ônibus articulados em direção ao centro da Capital. Fariam tão somente esse trajeto. No máximo, até a Esplanada, ida e volta. Resolveria o problema de muita gente. Mas esse trajeto teria que ser integrado para aqueles que descerem na Rodoferroviária. Existe um terminal na Asa Sul, de onde poderiam partir igualmente as linhas que cortariam o Plano Piloto de Norte a Sul, o Grande Circular, o L2 Sul-W3 Norte, oW3 Sul-L2 Norte e por aí afora. A mesma coisa na entrada Norte. O resultado disso seria a redução drástica na quantidade de veículos grandes circulando na cidade, um melhor serviço tanto para quem vem das satélites ou do Entorno e mais tranquilidade para quem vive no PP. Hoje não passa pela minha cabeça usar ônibus. Mas, com mudanças assim, ficaria mais fácil e rápido usar transporte público. Nada disso, entretanto, anula a necessidade de investimentos em metrô, trens - que na minha opinião seriam a melhor solução para os moradores do Entorno. A rodoferroviária está lá, lembrem-se. Mas, sem vontade política e competência para planejar, licitar, executar e fiscalizar, isso tudo não passaria de exercício de imaginação. Em ano de eleições, tudo o que vemos é o GDF gastando em propaganda mostrando que fez o que não fez e o caos generalizado que vivemos só tende a piorar.  

IBILCE: 60 anos da minha Alma Mater

Escrevi a crônica abaixo, a pedido da amiga Nilce, atual editora da revista Notícias Ibilce, por ocasião dos 60 anos do nosso querido In...