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Mostrando postagens de Outubro, 2014

Preto ou branco

Odeio polarização. Odeio radicalização.
Nas últimas semanas recebemos doses exageradas disso. Sim, estou falando de eleições e da imbecilização disfarçada de politização espalhada aos quatro ventos e em todos os bits e bytes da internet. Chegou um ponto em que ficar em dúvida não é permitido. Não, você tem que escolher: bom ou mau. Bem ou mal. Vermelho ou azul. Situação ou oposição. Preto ou branco. Vai ou fica. Não, mas..."Não tem mas, você tem que se posicionar!", esbravejam uns e outros.
É, democracia virou um palavrão. E os que o preferem com mais frequência e intensidade se esquecem de que, se vivêssemos mesmo em uma democracia, não teríamos que escolher entre A ou B. Teríamos liberdade para escolher entre escolher ou não. Assim eu não seria obrigado a votar em branco ou anular meu voto. Essa área que considero cinza, para muitos é sinônimo de covardia. Não vejo o voto branco como interessante. Nunca votei em branco. Mas já anulei. Na minha opinião o voto nulo não sign…

Jesus te ama

Ele vinha a duas dezenas de metros de uma faixa de pedestres. Notou o carro parado e imediatamente freou forte, parando bem ao lado do carro, antes da faixa, enquanto os olhos treinados escaneavam a faixa e a calçada. Um rapaz atravessava a faixa e outro preparava-se para fazê-lo, vindo da direita. Quando o segundo rapaz terminava de atravessar, ouviu o motorista do carro dizer-lhe algo. Com as viseiras do capacete fechadas e seu rosto parcialmente coberto, fez um gesto de "o quê?" com a cabeça e o motorista repetiu: "Jesus te ama", com uma expressão serena no rosto. O motociclista meneou a cabeça ligeiramente, "ok".
E assim partiram, quase juntos. A minivan na frente, com seus adesivos de frases religiosas. Logo atrás o motociclista, ainda sem entender o porquê daquela frase, no início da manhã. Será que o motorista diz isso para alguém todos os dias? Será que ele disse aquilo porque o motociclista respeitou a faixa? Ou disse porque o motociclista...bem…
Relutei muito para escrever sobre eleições. E a razão para isso é simples: não me acho capacitado para emitir opiniões e sou péssimo em debates e confrontações. Não seria um bom político ou um advogado. Admito que minha primeira reação é sempre acreditar no que leio por aí. E quando começo a ler opiniões refutando esta ou aquela posição, instala-se a dúvida. Quanto às "provas" apresentadas pelo defensores deste ou daquele candidato, elas mais atrapalham que ajudam. Pode ser um pouco de preguiça da minha parte - e provavelmente é - mas isso é outra história.
Olhando as coisas que são publicadas no Facebook, por exemplo, tenho amigos (ou contatos no FB) que defendem Dilma e o PT com a faca entre os dentes e sangue nos olhos. Lançam mão de gráficos, números, relatórios, pesquisas e opiniões "ilibadas" e ainda atacam sem dó os outros candidatos. Este é o ponto que me chama atenção: se seus números são irrefutáveis e as pesquisas tem pouca margem de erro, não bastaria …