terça-feira, 18 de novembro de 2014

Letra traduzida

Faz tempo desde a última do gênero que postei. E, dando continuidade à onda inspiratória gerada pela leitura - ainda não terminei - do livro "Ghost Rider - Estrada Para a Cura", do Neil Peart, vai aqui a letra de "Ghost Rider", com o vídeo da música gravado ao vivo. Adquiri ontem o álbum "Vapor Trails", de 2002, que contém essa faixa e que foi o primeiro disco gravado depois do período de "fuga" descrito pelo músico no livro.
Vamos lá:

GHOST RIDER
Motoqueiro Fantasma
(Lee, Lifeson, Peart)


Pack up all those phantoms
Junte todos aqueles fantasmas
Shoulder that invisible load
Carregue aquele peso invisível
Keep on riding north and west
Siga rodando para o norte e para oeste
Haunting that wilderness road
Assombrando aquela estrada selvagem
Like a ghost rider
Como um motoqueiro fantasma

Carry all those phantoms
Carregue todos aqueles fantasmas
Through bitter wind and stormy skies
Através do vento amargo e céus tempestuosos
From the desert to the mountain
Do deserto à montanha
From the loest low to the highest high
Do baixo mais baixo ao alto mais alto
Like a ghost rider
Como um motoqueiro fantasma

Keep on riding north and west
Siga rodando para o norte e para o oeste
Then circle south and east
Dê a volta para o sul e para o leste
Show me beauty, but there is no peace
Mostre-me beleza, mas não há paz
For the ghost rider
Para o motoqueiro fantasma

Shadows on the road behind
Sombras na estrada que ficou
Shadows on the road ahead
Sombras na estrada adiante
Nothing can stop you now
Nada pode parar você agora

There´s a shadow on the road behind
Há uma sombra na estrada que ficou
There´s a shadow on the road ahead
Há uma sombra na estrada à frente
Nothing can stop you now
Nada pode parar você agora

Sunrise in the mirror
A alvorada no espelho
Lightens that invisible load
Alivia o peso invisível
Riding on a nameless quest
Rodando numa jornada sem nome
Haunting that wilderness road
Assombrando a estrada selvagem
Like a ghost rider
Como um motoqueiro fantasma

Just an escape artist
Só um escapista
Racing against the night
Correndo contra a noite
A wandering hermit
Um ermitão errante
Racing toward the light
Correndo em direção à luz

From the White Sands
Das Areias Brancas
To the Canyonlands
Às Terras dos Cânions 
To the redwood stands
Aos bosques de sequóias
To the Barren Lands
Às Barren Lands (tundras do Ártico)

Sunrise on the road behind
A alvorada sobre a estrada que ficou
Sunset on the road ahead
Pôr-do-sol sobre a estrada à frente
There´s nothing to stop you now
Não há o que pare você agora
Nothing can stop you now
Nada pode parar você agora

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Cartas

Estou lendo o livro "Ghost Rider - Estrada para a Cura" do Neil Peart, baterista do grupo canadense Rush. No livro ele conta tudo o que ele vivenciou durante o processo de reconstrução pessoal ou, como ele mesmo colocou "de juntar os cacos de minha vida despedaçada", após a perda de sua filha num acidente e de sua esposa, mais tarde, para um câncer. Peart conta que o melhor que podia fazer para não ser esmagado pelas dolorosas lembranças era ficar sempre em movimento. Assim, decidiu pegar sua moto e cair na estrada sem destino e sem muito planejamento.
Nessas viagens ele se dedicou ainda mais à leitura - o livro é um excelente guia nesse sentido - à observação de pássaros, hobby que desenvolvera durante a estadia em Barbados, pouco antes do falecimento de Jackie, sua esposa e à observação da flora pelos lugares por onde passou. Isso tudo aconteceu entre 1997 e 1999, principalmente.
Outra "ocupação" a que ele se dedicou foi escrever cartas e cartões postais para amigos e familiares, sobretudo àqueles que estiveram mais presentes durante o que ele chama de "tempos de escuridão". E longos trechos do livro são transcrições dessas cartas, nas quais ele alterna períodos de bom humor e esperança com períodos mais tomados pela depressão e incerteza. Essa dedicação ao ato de escrever me trouxe lembranças.
A velocidade da informação hoje é algo ao mesmo tempo fabuloso e cruel. Em poucos cliques sabemos o que nossos amigos estão fazendo do outro lado do mundo. Por outro lado, a informação está cada vez mais diluída. Ninguém mais se preocupa em anotar o endereço do outro, basta entrar numa rede social e procurar o amigo. Em poucos minutos uma mensagem e a resposta. E lá se foi o encanto. Nem mesmo e-mail as pessoas tem trocado, pois isso significa escrever um pouco mais, debruçar-se mais sobre o texto, elaborar.
Desde minha adolescência eu gostava de receber coisas pelo correio. No começo eram cartas, de meus correspondentes espalhados pelo Brasil afora. Já tive até correspondentes no exterior. Era muito gostoso abrir a caixa postal e encontrar uma carta para mim lá. Corria para casa e abria o envelope com capricho. Lia o conteúdo mais de uma vez e já me sentava para tratar da resposta. Eu era ligeiro nisso, nunca deixava para depois. Aliás, tem pessoas com quem comecei uma amizade assim e com quem mantenho contato até hoje (alô, Mari Goterra!). Eu adoro receber coisas pelos correios. Fico ansioso quando compro algo e não sossego até receber o pacote em casa. Mas cartas... Essas já caíram em desuso.
Durante nossas andanças no exterior eu sempre procurei mandar postais para familiares e amigos. Acho muito legal essa atitude. Mas caiu em desuso, pois é mais fácil tirar uma foto e compartilhar pelo telefone. Mais fácil e com menos charme, com menos encanto. E não dá para pregar na geladeira também.
E aí, "garrei" a pensar: será que eu consigo convencer pessoas a trocar correspondência comigo? Sem prejuízo, naturalmente, dos contatos mais imediatos pelas redes sociais. Mas cartas, são mais pessoais. Você, quando escreve uma carta, pensa bem antes de escrever, edita, passa a limpo. Você se preocupa mais com a impressão que você quer passar com sua missiva. A carta vira instrumento para trocar ideias, além de apenas dizer como você está. Assuntos podem se arrastar por meses e até anos, através dela. E ainda tem a maravilhosa sensação de recebê-la pelo carteiro ou em sua caixa postal. Tem aquela antecipação toda, tipo "o que será que ele (a) conta?".
Vai me dizer que você nunca trocou cartas com aquele romance de verão?
Grande parte da minha correspondência, no entanto, se perdeu. Minha adorada esposa ainda me critica por eu não ter guardado a correspondência por nós trocada. Houve atenuantes. Toda a correspondência que mantive depois que saí da casa de meus pais, acabou se perdendo nas mudanças. O que sobrou estava na casa deles. Bem, ela guardou bastante coisa.
O ritual da escrita era quase sagrado para mim. Começava com a ida à papelaria para comprar o bloco de cartas. Tinha que ser de papel de seda, fininho. As canetas eram escolhidas com cuidado.  Cada parágrafo era pensado, bem pensado, antes de ser colocado no papel, pois tinha que caprichar na letra e nas ideias. Se borrasse, passava tudo a limpo.
Lembro-me de uma troca curta de cartas com meu saudoso amigo Jean. Ele não era muito afeito à escrita. Depois de uma ou duas, recebo uma carta dele escrita em papel higiênico. Piadista, hein? A resposta foi em pequenas folhas tamanho A5, mas misturadas. Cada folha era numerada e, ao final de cada página, um número de referência para a próxima página. Deve ter dado trabalho para ler. Já escrevi cartas em espiral também. Dá tanto trabalho para elaborar quanto para ler.
Ainda hoje eu adoro escrever. À mão. Adoro e sinto falta. Parte desse gosto pela escrita foi satisfeito com os blogs. Mas ainda sinto falta de escrever e receber cartas. Por isso decidi que vou tentar por essa ideia em prática. Quer fazer parte dessa rede? Mora em cidade distinta da minha? Põe uma mensagem aí, nos comentários.