quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Pra fechar

Acho que não escreverei mais este ano. Viajarei dia 25 e pretendo ficar longe de qualquer coisa que lembre computador ou tablet. Ok, não vou ficar longe do telefone, mas não escrevo posts com ele.
Assim, pra encerrar os trabalhos de 2015, uma coletânea de fotos tiradas durante minha estada em Porto Príncipe.
Feliz Natal e que 2016 seja, no mínimo, melhor que 2015. We deserve it.

Fish on a baguette: just wrong.

Peito de frango empanado com purê de batatas. Ótimo.
Sorvete de manga servido...na manga.
Cai a noite.

Música boa com gente boa.


Flying home.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Game of Thrones: a saga continua.



Ok, vou "humour" uma amiga minha e tentar continuar a bagaça. Veremos se tenho mesmo talento.
Quer recapitular? Leia aqui. Onde estávamos mesmo? Rainhas, dragões, anões, lordes sem cabeça. Já disse que o reizinho filha-da-puta é um...bem, filha-da-puta, certo? E ele fica mais fdp ainda. Sabe a filhota do lorde sem cabeça? Pois é, a bichinha sofre que só na mão do sádico playboyzinho. A guerra come solta no norte.
O filho mais velho do lorde sem cabeça vira o Rei do Norte.
Olha só: tem o Reizinho que é oficialmente o Rei. Dos ândalos, dos primeiros homens, da puta que o pariu. Tem o "único rei de verdade" (é o que ele acha, vou fazer o quê?) que é irmão do Rei pai do Reizinho, e que bateu com as caçuletas. Nessa pegada o URdV deu um jeito de matar o outro irmão (que também se intitulava o URdV) com ajuda de uma bruxa - não, desculpe, sacerdotisa - muito gostosa e muito mazinha também. Como sempre alianças se desfazem com a mesma rapidez que gente morre. Morre gente pra caramba, vou te contar.
O rei do norte, prometido para a filha de um crápula que domina uma passagem importante e é pai de uma pancada de mulher mais feia que bater em mãe por causa de mistura, se apaixona pela filha de um outro lorde que ele conhece  num campo de batalha. Nem preciso dizer o que rola. Blá-blá-blá, ele casa e engravida a moça, o que deixa o lorde da ponte puto que só.
Sim,o Assassino de Rei é capturado pela rapêize do Rei do Norte e o plano é trocá-lo pelas duas irmãs que estão lá na capitar. Só que Arya a esta altura está largada no mundo, mas ninguém sabe disso.
Pá de lá e pá de cá, lá pelas bandas do Muro - achou que eu tinha esquecido do bastardo? - os homens de preto começam a topar com as criaturas estranhas do norte. Primeiro vão levar um lero com o cara que come as filhas e mata os bebês homens. E continua a comer as filhas, que viram suas esposas e tal e tal. Rola um entrevero doido lá e o comandante da Patrulha da Noite é morto por uns amotinados. O resto foge e se manda para o muro.
A mãezinha dos dragões vaga mundo à cata de seguidores e de um exército. Vai liberando escravos pelo caminho até que chega a uma cidade onde são produzidos em massa super-soldados eunucos. Chamemo-los de Intocados. Conversa vai e conversa vem, a lindinha manda os dragões fazerem churrasco dos senhores da cidade e assim vaza com 8 mil Intocados sem pagar nadinha. E a galera toca a segui-la chamando-a de mãe.
Saca aquelas alianças que mencionei em algum ponto? Pois então, a famiília do reizinho anda meio quebrada. A Coroa deve até as calçolas da Rainha-mãe-puta - se é que ela as usa -  e assim faz uma aliança com seus inimigos mais do sul. Eles são meio que os árabes da história. São cheios da grana e bons de briga.
A esta altura um novo casamento é planejado e assim a Sonsa, a filha do Lorde Sem Cabeça é posta de lado, mas continua como brinquedinho do reizinho sadiquinho filho-da-putinha.
No norte, o Rei resolve amenizar a situação que criou quando quebrou o combinado que era se casar com uma das barangas filhas do lorde da ponte. Acordam que seu tio vai se casar com uma delas e assim a "metida de pata" será relevada. Ou seria. Só que não. No dia do casório rolou um bafafá e a patota toda do Rei do Norte é massacrada de barriga cheia no meio da festa. Até a mulher do Rei do Norte, de barrigão e tudo. A mãe dele também dança.
Um fuzuê danado e metade do país comemora porque isso significa o fim da guerra. Só que não, pois nos Sete Reinos tem sempre alguém querendo ser o único rei da porra toda.
Enquanto isso rolava, ou antes, já não me lembro, teve a batalha da baía da Água Negra, nos portões da capitar. Graças à inteligência do anão, os inimigos são repelidos, mas morre gente pra caramba e a casa quase cai. O pai do anão chega bem na hora para acabar com a zona e colher os louros. O anão sofre uma tentativa de assassinato a mando daquela flor que é a irmã dele, mas sobrevive. Acorda num quarto, sem título e tendo que ouvir o porrinha do sobrinho se gabar da batalha da qual ele fugiu. Ah, e papai mandando em tudo e ainda esculhambando com ele no processo.
Sim, o irmão dele, o Assassino de Rei, é solto pela mãe do Rei do Norte e ele é escoltado para a capitar por uma grandalhona que é mestre em jurar lealdade. São capturados no caminho e cortam a mão de bater punheta do Assassino de Rei. Boo-hoo.
Arya anda para lá e para cá agora na companhia do Cão, um gigante que bate e mata só pra ver cair, mas tem medinho de fogo.
Lá no Além Muro, o bastardo se força a ser capturado para virar agente duplo entre os selvagens. Que são gente como a gente, só um pouquinho mais briguenta. Nessa ele conhece uma ruivinha gatinha que cai de quatro - literalmente - pelo cara e vive dizendo que ele não sabe nada. Ele prova que de língua é bom. E assim a história segue e ele vendo o dia que vai ter que escalar o Muro e invadir a própria casa.
Aliás, vamos falar do Muro. A bagaça tem centenas de quilômetros de comprimento, mais de duzentos metro de altura e é grossa feito junta destroncada. A Patrulha da Noite não tem celibatários suficientes para patrulhar a coisa toda. Não dá para entender por que os selvagens não escolhem um trecho não patrulhado e escavam o Muro. É feito de gelo, pelamordedeus. Derrete o troço com um foguinho amigo. Bom, eles são selvagens, né?
Parei de mencionar o moleque que cai da torre e fica paralítico porque a história dele vai ficando chatinha. Ele tem a habilidade de "entrar" em animais e comandá-los. Então fica viciado em fazer isso para poder compensar a falta das pernas. Na fuga rumo ao norte eles encontram um casal de irmãos. A menina é boa de mira. O garoto tem lá seus poderes e diz que vai ajudar o moleque a se encontrar. [vou abrir um comentário aqui: acho que o George Martin se encheu da história desse moleque, que vai ficando cada vez mais esquisita, tipo "Lost", saca? E desconfio que ele não sabe bem como terminá-la. Veremos se no livro seis ele retoma].
Aí, no dia do casamento o reizinho babaquinha é envenenado, depois de humilhar mais uma vez seu tio-anão. No rebuliço Sonsa é ajudada a fugir (yay) e o anão se ferra e vai parar na masmorra. Armam um tribunal para que ele tenha um julgamento justo, no qual o juiz é seu pai, o segundo é um dos "árabes" que vai fazer o que o juiz mandar e o terceiro não conta. Com nenhuma testemunha a seu favor e todos contra, já viu onde vai dar isso, né? Não, estamos nos Sete Reinos e aqui ele pode pedir o Julgamento por Combate. Ele escolhe como seu campeão o árabe que veio com sangue nos olhos para vingar sua irmã, cujo assassinato ele acredita foi mandado pelo pai do anão. Um rolo, né? Então, não se perde. No rolo da briga, ele quase ganha do Montanha (irmão do Cão). Mas dá uma de mané e acaba se ferrando. Assim, o anão é condenado à morte.
Lá no norte a coisa vai mal. O idiotinha que tomou conta do castelo do lorde sem cabeça se ferra todo, é capturado e torturado. Vira um quase vegetal e faz tudo o que o outro bastardo manda. Bem merecido, ele é um crápula.
A mãezinha dos dragões continua lá tentando virar rainha, mas não manja muito de governar. Perdeu o controle dos dragões e teve que apriosionar dois deles. Há uma revolta generalizada na cidade que capturou e gente morre a torto e a direito. Tá meio sem rumo a bichinha.
O URdV anda para lá e para cá seguindo - e comendo - a sacerdotisa fogueta. E queimando gente como sacrifício. Tá tão sem rumo que acaba indo para o norte, para as bandas do muro, para começar uma nova guerra a partir de lá. Vai ajudar o pessoal de preto com os selvagens e acampar no forte por uns tempos. Mas, claro, o inverno se aproxima.
Lá embaixo o anão é libertado por seu irmão maneta e, na fuga, enfia duas flechas no querido paizinho e esgana a puta que ele tentou proteger e que andava dando pro velho. Se manda da capitar num caixote, protegido pelo eunuco que é dono de todos os espiões do mundo e mais alguns. Com o reizinho enterrado, entronam o irmão mais novo, mais bonzinho e mais bobo e já emendam o casamento deste com a ex-quase-viúva (hein?) do reizinho. A aliança tem que permanecer.
Arya acaba embarcando numa viagem para uma terra estranha onde vai virar uma freira assassina (??). Ela ainda é um personagem top.
Sonsa acaba no castelo da sua tia maluca que tem um filho mimadíssimo que, aos dez, ainda mama no peito de mamãe e é um chato de galochas. Dedinho - ainda não tinha mencionado ele - que foi quem ajudou Sonsa a fugir e quem realmente matou o reizinho envenenado, acaba por matar a tia com quem acabara de casar - acho que não aguentou o jeito barulhento dela transar. Afinal, ele só quer o castelo, o título e o "pudê"
Sonsa ainda vai se lascar um bocado, porque Dedinho contem sua vontade de traçar a beldade e a casa com um sujeitinho mais sádico ainda, o bastardo que tomou o castelo do lorde sem cabeça e cujo pai matou a mamis e o brother dela, lá no tal casamento de sangue. E o bicho é sádico que só ele.
Mas ela vai fugir com o vegetalzinho que virou bichinho de estimação.
Sim, o outro bastardo, filho do lorde sem cabeça? Acaba morto pelos "irmãos" da Patrulha. Tosco, né?
Acabei saindo dos livros e resumindo a série de TV, que começou a fugir dos livros, que são "infilmáveis" do quarto pra frente.
Deu pra ti?

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Eleições 2015

Não, não estou ficando maluco. Eleições no Haiti. Neste fim-de-semana a loucura tomará conta do país. Haverá eleições para o congresso e para presidente. E, saca só: são 52 candidatos! Sim, cortaram dois. Acharam demais.
A coisa aqui é séria. Há um aumento vertiginoso na violência nos dias que antecedem as eleições e até depois de sair o resultado, já que serão 51 desgostosos e seus puxa-sacos. Na semana passada uma missionária norte-americana que vivia e trabalhava no Haiti há muitos anos, foi assassinada sem razão aparente. Uma cidadã francesa foi, segundo rumores, sequestrada e até agora não se tem notícias deles.
Não dá para saber exatamente por que eles se voltam contra estrangeiros. Provavelmente tem a ver com aquele ódio mal-disfarçado em relação a brancos que mencionei num post anterior. E branco aqui é quase sempre estrangeiro.
A recomendação é ficar quieto, low profile, só sair em grupos e se for estritamente necessário.
As ruas estão entupidas de cartazes. Dá para notar que, dos 52 candidatos, alguns tem grana para gastar. São os cujas carotas vemos mais coladas nos postes, muros e carros.
Hoje, ao me dirigir para um restaurante, topei com um carro-palanque. Uma caminhonete com sistema de som, um candidato (a quê, não sei) falando aos berros no microfone e um monte de puxas-sacos atrás. Eles andavam pelo bairro onde estamos, Pétion-Ville, gritando seus slogans e vendendo suas mentiras, digo, sua plataforma.
Eleições são coisas podres em qualquer lugar, não é? Por aqui não seria diferente, ainda mais com o país no estado em que está.
O atual presidente é de uma das famílias mais ricas do país e seu filho recentemente foi preso por tráfico nos EUA. A fiança? USD 5 milhões, pagas rapidinho. Daí dá para ver porque as coisas insistem em não melhorar por aqui. Soa familiar?


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Alegrias e agruras de morar em hotel

Há algum tempo um conhecido disse que seu sonho de consumo era viver em hotel, sem as preocupações que normalmente acompanham os meros mortais que alugam ou são donos dos imóveis em que residem: IPTU, água, luz, manutenção em geral. Quebrados que éramos concordamos que de fato era um belo sonho,
Meu recorde é de 30 dias morando em hotel, recorde esse que será quebrado ao fim desta viagem, com 95 dias. Assim, acho que estou mais que capacitado para dar um, digamos, parecer sobre o assunto. E o papo é o seguinte: se você for abastado o suficiente para morar em um bom 5 estrelas, vai fundo. Se no máximo conseguir um bom 4 (são poucos. Essa estrela a menos faz uma diferença...), talvez a viagem não vá ser assim lá tão suave. E isso levando em consideração que você vai morar num lugar minimamente interessante.
As duas primeiras semanas são normais. Você vai estar se acostumando com a nova cidade/país de qualquer jeito, então alguma trepidação já é de se esperar. Quando digo trepidação quero dizer diarreia mesmo.
Na terceira semana tudo vai começar a ficar esquisito. Você vai começar enjoando do café da manhã e vai fazer malabarismos para não ficar sem comer, afinal seu pacote inclui o breakfast. Isso é ainda pior se sua morada for o tal 4 estrelas que não se preocupa muito em variar o buffet, a não ser em alta temporada. Sorte a sua, hein?
Adoro ovos mexidos e já não consigo sequer olhar para os danados. Se a cidade tiver boas e acessíveis opções você não corre o risco de enjoar da comida do restaurante do hotel. Sim, no singular, já que estamos considerando nosso amigo de uma estrela a menos. Se sua morada for o de 5, pare aqui e vá comer uma lagosta, pô.
Com o tempo as pequenas escorregadelas do hotel vão começar a lhe irritar cada vez mais. Camareiras que passam duzentas vezes pelo seu quarto naquele exato dia em que você quer mais é se afundar nos travesseiros, por exemplo. Sim, porque não adianta colocar aquele aviso de "não perturbe"na porta, elas não enxergam aquele papelucho e mandam ver na campainha ou direto na porta. Não satisfeitas vão passar o cartão e abrir a porta que, se você foi precavido, passou a correntinha/trinco de segurança. Se não, ela vai ter um susto ao ver você ali expostão.
Vez por outra elas - ainda estou falando das camareiras -  vão arrumar o banheiro e esquecer de repor a toalha ou o tapete, ou qualquer outra coisa.
Pode ser que você queira economizar e usar o mínimo possível da lavanderia do hotel, que pode não ser lá essas coisas, meu caso. Aí dia sim, outro também, vai baixar a Zildilene em você e seu quarto vai ficar repleto de coisas molhadas penduradas na frente do ar-condicionado. Depois tem que passar, se você tiver a sorte de ter tábua e ferro no seu quarto. No seu 5 estrelas eles jamais deixarão que você faça isso.
A propósito, estou começando minha quarta semana morando num hotel. 4 estrelas. Mais ou menos mixurucas. Num lugar não muito interessante.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Posé, posé, bon bagai!

Duas semanas, alguns desarranjos intestinais, uma gripe, muita tosse e dores-de-cabeça depois da última postagem. E muito trabalho também.
A última semana foi especialmente difícil por causa dessa gripe que me deu e de suas consequências que só agora logro mitigar. Quero ter algo parecido com uma rotina, mas enquanto o corpo não se entender com a água, comidas diferentes, horários desregulados, não vou conseguir. Como não tenho conseguido me exercitar com regularidade, o corpo também começa a sentir a falta da atividade física regular, e uma coisa puxa a outra e a vida segue difícil.
A frase que dá título a este post, aliás, quer dizer "beleza, gente boa!", em creole. "Posé" ouve-se o tempo todo. O povo e amigável, como já disse, mas há uma desconfiança generalizada em relação a brancos. E preconceito de negros e mulatos em relação a si mesmos, com os últimos se achando melhores que os primeiros e por aí vai. Nota-se pelas ruas que cidadãos de pele mais clara são mais abastados. Mas como todo pais em situação como a do Haiti, dizer que há um padrão é simplificar demais.
Choca ver carros caríssimos pelas ruas em contraste com as latas-velhas que circulam pelas mesmas ruas. Imagino como deve ser ofensivo para os mais desvalidos, num país que parece ter tão pouco a oferecer. Igualzinho a um certo outro país que conheço, aliás.
Postes de luz e semáforos que funcionam com energia solar
Voltando ao preconceito em relação aos brancos, a tese mais recente dá conta de que deve-se ao tsunami humanitário que tomou conta do país desde o terremoto. Há muitas organizações sérias, mas em meio a essas há as oportunistas. Os caras levantam milhões em nome dos desabrigados, gastam uma fração com o objetivo final - a tal ajuda humanitária - embolsam milhões e se mandam para colher os louros em casa. Eu também ficaria com um pé atrás.
Testando a função HDR do telefone


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Mais um país, mais uma missão

Estou na estrada de novo, crianças. O trabalho me trouxe desta vez ao Haiti, pedaço de ilha no Caribe que já passou por poucas e boas, como ditaduras sangrentas e catástrofes naturais. Já esperava encontrar desorganização, miséria e confusão. Como qualquer país pobre, há um lado mais colorido na paisagem cinza. Estamos em Petion Ville, bairro mais abastado da capital Porto Príncipe. Aqui as ruas estão em melhor estado, há casas muito bonitas e grandes espalhadas pelos morros - e dividindo esses morros com favelas, isso lembra algo? - e muitos, muitos SUVs. A proporção é de um automóvel normal para uns cinquenta SUVs. A razão disso? Pode ser a geografia da região, pode ser o fato de as ruas estarem destruídas, ou simplesmente porque são veículos mais indicados para o local. Como em muitos países na mesma situação, há uma parcela da população que não parece passar pelos mesmos problemas, que ostentam seus carrões enormes e novinhos para lá e para cá, parecendo ignorar as massas de gente que vende qualquer coisa na rua para continuar vivendo.
O haitiano, colonizado por franceses, fala francês, mas dá preferência para o creole, língua que mistura o francês com dialetos locais e soa como francês mal faladoÉ um povo simpático, trabalhador. A impressão que se tem pelas ruas da cidade é que ninguém fica ali à toa, todo mundo está se virando como pode. Uma vez até agora vi uma mulher com os filhos a tiracolo pedindo esmola. Isso não quer dizer que não haja miséria, ela é patente. A foto acima ilustra bem: no morro, mais à esquerda, casas modernas e grandes dividindo espaço com a favela. Nessa foto não é possível ver, mas a cor dessas casas é cinza, pois foram reconstruídas recentemente. Há uma porção da favela que é toda colorida.

Casa em estilo "gingerbread" defronte ao meu hotel

Há tantas motos quanto há SUVs. Na grande maioria são táxis. Capacete é algo raro de se ver e estão quase sempre desafivelados. Dizem que há algum tempo o governo tentou tornar obrigatório o uso do equipamento. Não deu certo.
Comunicações parecem funcionar bem e vê-se muitos carros de organismos internacionais e ONGs que trabalham na reconstrução do país. Usar cartões de crédito e de débito aqui não é o problema que foi em Cuba. No lobby do hotel em que estou hospedado pude realizar um saque de minha conta no Banco do Brasil de Miami sem o menor problema.
Já fui a um supermercado nesta região - há vários deles - e não há escassez de qualquer coisa.
Perdi minha virgindade com relação a malas perdidas. Desde que comecei a viajar por esse mundão, no longínquo 1995, isso nunca tinha acontecido comigo. Uma de minhas malas não chegou, mas a American Airlines, que presta um servicinho horroroso nas linhas entre o Brasil e os EUA e o Caribe, com aviões velhos e staff de segunda linha, encontrou a mala e a enviou no voo seguinte. Só não entregaram no Hotel, o que seria normal.
Bem, essas são as primeiras impressões. Mais em breve, pois ficarei por aqui mais 93 dias.
Inté.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Perseverei

Sim. Mesmo no dia em que meu instrutor resolveu mudar a rotina, o que acabou por me deixar super-dolorido e sete dias afastado da academia.
Já não estou vendo academia como uma obrigação chata. Talvez isso tenha a ver com o bom trabalho e atenção dos instrutores. Não sei se estou próximo da meta estabelecida para mim, mas não estou preocupado. O que me importava, nesta fase de reintrodução à malhação, era não forçar e aumentar o ritmo aos poucos. Já sinto os (bons) efeitos do exercício regular. Ainda não tão regular como eu gostaria, mas vamos devagar com o andor. O sono melhorou, dores que eram constantes sumiram. Sinto que, mesmo muito devagar, minha forma física está melhorando.
Mas aí vem mais uma das minhas viagens a trabalho. E esta vai ser mais longa, 95 dias. O destino? Porto Príncipe, mes amis.
Em tempos de cortes orçamentários, o ministério está oferecendo poucas missões. Algumas interessantes. Outras, nem tanto. O esquema haitiano é parecido com o de Havana, de 2013. Vou para tratar de emissão de vistos (minha área), tão somente, sem maiores envolvimentos com a rotina do posto.
Ficaremos hospedados em hotel, que por sorte tem uma pequena sala de ginástica. Assim, poderei continuar a me exercitar com alguma regularidade. Talvez até mais, pois não terei muito o que fazer depois do trabalho. Vai ser exercício e leitura. E música. Já estou lotando o iPod.
Não quero ter que recomeçar quando voltar, em dezembro, mas retomar de onde parei, na medida do possível. Well, that´s all for now.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Marombeiro. #SQN

Estou frequentando academia. E estou gostando. Nunca pensei que fosse dizer isso um dia. Mas, vamos devagar, só estou nessa há duas semanas.
Em fevereiro deste ano comecei a fazer exames, à guisa de check-up. Primeiro, o cardiologista. Nada de errado, tudo joinha, hemograma completo revelou algumas coisinhas fora do recomendável. Nada sério. Mas, como não poderia deixar de ser, o médico indicou que algumas mudanças deveriam ser consideradas, mais exercícios, atenção à alimentação, e tal.
Não me considero sedentário, mas não sou atleta. Não faço atividades físicas com regularidade e mudar isso, desta vez, trouxe um peso diferente. Com 45 anos, meu corpo não responde da mesma forma que respondia há alguns anos. Veio a constatação de que eu precisaria de regularidade, de comprometimento desta vez, não bastaria caminhar ao redor da quadra nos fins de tarde, ou a pedalada no parque uma vez ou outra. Assim, tomei a decisão de dar uma chance à academia. Não gosto talvez porque minha única experiência até hoje, em Rotterdam, não tenha sido muito incentivadora. De certa forma, fico sempre com a impressão de que, se não me dispuser aos programas massacrantes e musculantes dos professores, meu caso não vai ser interessante para eles, e assim serei mais um cliente. E só. E não tem nada pior do que você ser completamente ignorado numa academia, justamente quando o que você mais precisa é atenção no acompanhamento. Assim, fui fazer uma avaliação e até aí, tudo bem. Essa avaliação revelou alguns acúmulos de gordura que deverão ser eliminados, mas uma boa condição física, com percentual de gordura baixo para quem não se cuidava lá muito bem. Abramos parênteses aqui: minha alimentação é boa, não abuso de açúcares, não sou avesso a verduras e legumes. Há talvez cafeína e álcool demais mas, no geral acredito que minha alimentação seja boa. Com a boa avaliação, joguei limpo com o professor e disse que não tenho grande paixão por academias. Acho que é importante salientar isso, de outra forma, meu treinamento vai ser uma tortura para mim e uma frustração para ele. No fim, comprometi-me com um treinamento básico inicial, para ir adquirindo resistência e ritmo. Como ainda trato uma tendinite no braço direito, musculação nos membros superiores ainda está fora de cogitação. Sigo o programa completo três vezes por semana: 20 minutos de esteira rápida, depois uma série de cinco máquinas e abdominais para fechar. Nos demais dias, faço só esteira por enquanto, cerca de 45-60 minutos de caminhada acelerada.
A obrigação de ir à academia já está moldando minha rotina. Não tenho desculpas, tenho que ir  pois estou pagando. E saio de lá pouco suado, mas me sentindo bem. Acho que isso é o que importa. Não vou me martirizar se a meta estabelecida para mim não for cumprida. Meta que, aliás, é de ganhar 1,6kg em massa muscular e perder 400g de gordura em três meses. Não parece muito difícil.
Acho que o que desanima muita gente em academias é a sensação de competição. Algumas vezes me surpreendi pensando no que os outros estariam pensando de mim, caminhando por 60 minutos ali na esteira, admirando o Lago Paranoá – para minha sorte, a academia que frequento fica bem de frente para ele. E assim que me dou conta desses pensamentos, tiro-os da cabeça pois estou ali para cuidar de mim, não para ficar me comparando com os "profissas".

Então vou continuar curtindo essa nova rotina, sem paranoias. O próximo passo é mudar outras coisas como alguns hábitos alimentares, mas isso logo vai acontecer.

terça-feira, 26 de maio de 2015

­Meu primeiro contato com a língua inglesa foi há 35 anos, se não me falha a memória. Na 5ª série passamos a ter aulas de inglês. A professora, infelizmente, ainda fazia um curso no Yázigi e pelo que me lembro não era boa aluna. Naquele ano, o livro-texto era bem básico, com pequenos textos bem acessíveis. Mas teve uma aula, que me lembro hoje com vergonha alheia, em que ela ensinou a pronunciar e a escrever as letras em inglês. Até aí tudo bem. Até que ela disse: "vamos escrever o nome de cada um em inglês (sic)". O meu, no espírito da aula, saiu assim:
Dãbliu-i-él-él-ái-én-dgi-ti-ou-én.  (risos mal contidos). Sim, ela queria ensinar a soletrar, mas acabou nisso.
No ano seguinte a coisa ficou pior, porque então a lógica já me indicava o caminho correto nas traduções dos textos dos livros. Assim, "There is a book", de acordo com a profe saía "Ali está um livro", enquanto que para mim já soava como "Há um livro". Bem, minha matéria preferida na época era o português, cuja professora, a Edna, era um doce. 
Ao mesmo tempo, em outra frente, comecei a ouvir músicas em inglês (The Beatles), e queria cantar certo, mesmo que não soubesse o que significavam as letras. Meu saudoso amigo Jean gravava fitas e eu pegava os encartes e copiava as letras na Triumph do meu pai. Catando milho, lógico.  Mas ao fazer isso eu cantarolava junto e ia pegando o jeito da pronúncia e acabei por absorver o "padrão" da língua. Ainda hoje tenho facilidade em observar padrões em línguas estrangeiras, o que ajuda muito.

Essas centenas de páginas datilografadas ainda existem e recebi ontem três pastas que continham essas e muitas outras coisas, inclusive minha "obra" poética dos tempos da faculdade. Minha mãe guardou tudo em casa. Tinha muita coisa da faculdade, mas não dava para guardar tudo, então fiz uma limpeza rápida, respirei fundo e joguei bastante coisa fora. A primeira letra que copiei? Ora, foi "Please, Please Me", que abre o disco duplo vermelho.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Um relato e uma micro resenha

Ando sumido, eu sei, mas acho que meus poucos leitores não se incomodam mais com isso. Tem pouco menos de um mês que postei um poeminha (veja logo aí abaixo), daqueles que aparecem do nada e, se não colocar no papel, desaparece sem deixar vestígios.
Nesse meio tempo participei de uma greve de poucos dias. Negociações são sempre complicadas e, quando se tem um grupo heterogêneo como o nosso, com gente de diversas carreiras, gente no Brasil com certas necessidades e anseios, que são diferentes dos daqueles que estão no exterior, a coisa fica ainda mais difícil. Uma votação apertada cujo resultado teve apenas quatro votos de diferença, entre cerca de 400 votantes, foi o suficiente para uma explosão de discussões em uma rede social. Acusações de todos os lados, ofensas, xingamentos. Estou há quase três dias sem acessar minha conta no Facebook, justamente porque esse tipo de coisa me tira do sério e me entristece. Pela falta de união, pela falta de delicadeza, pela grosseria gratuita. No calor das discussões, temos que ler, de colegas e amigos, palavras que realmente magoam. Tento me colocar no lugar deles e até entendo a raiva, mas não consigo relevar. Voltei aos tempos pré e pós eleições, quando era impossível acessar o FB e não topar com alguma bobagem, alguma idiotice, alguma opinião a favor deste ou daquele candidato mas com uma coisa em comum: não há espaço para terceira via. Cheguei a escrever sobre isso, a ditadura do preto e branco. Pró e contra. Ou ela ou ele. Se você não a ataca é porque a defende, se você não vota nele é porque é a favor dela. E não votei nem em um e nem na outra. Ponto. Cheguei a deixar de seguir algumas pessoas, porque não aguentava mais o FEBEAPÁ. Para quem não sabe, FEBEAPÁ, ou o Festival de Besteiras que Assola o País, foi uma série escrita por Stanislaw Ponte Preta, aka Sergio Porto, em que ele, em plena ditadura, achincalhava militares, políticos e assemelhados. Não pôde cobrir o período mais negro da história do país porque morreu em 1968.
E agora tenho que encarar um FEBEAPÁ diferente, limitado a um grupo secreto (oi?) no Facebook, mas com tanta virulência e diferenças de opinião que está difícil manter a linha. Melhor dar um tempo, penso eu.

XX – XX

"Colorless Tsukuro Tazaki and His Years of Pilgrimage", título do mais recente romance do japonês Haruki Murakami de quem, já deu para notar, sou fã. Comecei a ler semana passada e estou prestes a terminá-lo. Este abusa menos do elemento fantástico que permeia as obras de Murakami. No entanto, está lá o personagem central masculino, solteiro, pouco ambicioso, presente em vários dos seus trabalhos. O livro conta a história de Tazaki, abandonado sem maiores explicações pelo seu grupo de amigos do colégio. Seus anos de peregrinação começam aí, em busca de sua razão de ser. Com um enredo menos fantástico que de costume, Murakami constrói, mais uma vez, uma história cativante, com poucos personagens explorados a fundo – outra característica sua. Uma vez mais, dei preferência pela tradução para o inglês, esta feita por J. Philip Gabriel. Recomendo.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Um texto muito antigo

A Epopéia do Rock Tupiniquim

O CAPITAL INICIAL foi disputado pela IRA! dos TITÃS e pelas pranchas dos ENGENHEIROS DO HAWAII, restos da batalha entre os 5 GENERAIS da LEGIÃO URBANA contra a PLEBE RUDE vinda do DETRITO FEDERAL.
Ah, se não fosse SEMPRE LIVRE a ESCOLA DE ESCÂNDALO, o BARÃO VERMELHO não teria dificuldade em dominar a FINIS AFRICAE. Mas vieram os PICASSOS FALSOS, vestindo um ULTRAJE A RIGOR e cometeram o CRIME do ano: assassinaram os HERÓIS DA RESISTÊNCIA com uma CAMISA DE VÊNUS, uma picada do KID ABELHA e duas ABÓBORAS SELVAGENS na cabeça.
Então, PREMEDITANDO O BREQUE e gritando SOSSEGA LEÃO, chega a LÍNGUA DE TRAPO num Carrão a Gás sem OS PARALAMAS DO SUCESSO e Tirando chinfra numa Lambreta.
Quando começou o Cinema Mudo, apareceu uma Mosca na Sopa do LOBÃO, que uivava numa Tarde de Domingo Sonhando em ter um Carro Conversível, mas vieram a Polícia e os ROBÔS EFÊMEROS fazendo uma BLITZ e raptaram a Menina Veneno jogando-a nas mãos de uma Chinesa Videomaker, filha de uma Gueixa Vadia, que vivia com os GAROTOS PODRES como RATOS DE PORÃO, sob a sombra da FAMA de AKIRA com as GAROTAS QUE ERRARAM.
APHRODITE SE QUISER, mas as VIOLETAS DE OUTUNO floresciam a uma velocidade de 45 RPM's ao som do TROMBONE que o ASDRÚBAL TROUXE, dizendo Bye Bye, Baby, Bye, Bye, ouvindo a Radioatividade e passando um WEEKEND com Kátia Flávia, que gritava Eu Fui Dar, Mamãe!
Num verdadeiro Faroeste Caboclo, a RITA e o RAUL, cheirando Lança Perfume numa Banheira de Espuma, se atracaram numa puta briga e acabaram perdendo o RUMO de TOKYO.
O DUSEK, berrando Que País é Este? e dizendo que assim eles seriam Barrados no Baile, viu RITA se tornar uma Doméstica e o RAUL um Cowboy Fora-da-Lei, vivendo numa Sociedade Alternativa.
A Virgem MARINA tomava Todas Ao Vivo, ouvia os NOVOS BAIANOS e achava um puta Tempo Perdido a Rebeldia sem Causa do Pobre Paulista.
Já o coitado do Jesus que Não Tem Dentes no País dos Banguelas, não podia comer Comida, e assim a Cabeça Dinossauro explodia de dor. Sem poder colar o Ouvido no Radinho de Pilha, seu Passatempo era espantar os Bichos Escrotos dos Barracos da Cidade, Alagados pela Chuva Inflamável de pétalas das Flores que caíam Em Você.
A estas alturas, Eduardo e Mônica, ela de BIQUINI CAVADÃO, estavam Botando pra Fudê na FÁBRICA FOGUS de Televisão, e acabaram morrendo de Tédio, por causa da Brochura e da Timidez do João Penca que comia Ricota com Tomate com os Miquinhos Amestrados.
Pena que LULU era um ZERO à esquerda, mesmo usando ABSYNTHO, não conseguiu Invadir a Praia com o Ônibus de Will Robinson e seus Robots.
Esta epopéia tetmina quando GREG que Não Respeita a Natureza e sua GANG juntaram-se à BABY e ao PEPEU, mais uma Pessoa Nefasta, foram procurar Independência porque estavam cheios da Pedra do Gênesis. Fizeram um Check-up nos Cavalos Calados roubados dos Índios em ANGRA e foram pra Madagascar, depois de passar por Nicarágua, Capital Manágua.

O texto acima foi escrito a quatro mãos com Valéria Vogliotti, em 31 de maio de 1988.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Volta, 2014.

Sou só eu ou este início de ano está particularmente confuso? Ler jornal, assistir ao noticiário (ou ouvi-lo no rádio) parece só reforçar a impressão de que nada vai bem neste início de ano. E já estamos em março.
A economia vai mal e o governo diz que não é bem assim. Corrupção a torto e a direito e uns e outros dizendo que fulano também roubava. Favorecimentos de cá, rasteiras de lá e a vida segue. Aqui no mundo real tentamos ter um mínimo de esperança. Me lembrei de cena em um filme, ruim por sinal, que trata do julgamento final, em que Deus perdeu a esperança na humanidade e envia seus anjos para passar a régua no mundo. Na tal cena, o anjo Gabriel, a mando do Senhor, prepara-se para passar a régua em mais um humano, que ligara o gás e esperava pelo anjo com um isqueiro na mão. Gravado no tal objeto a palavra "hope", que significa esperança. E bum! Tudo pelos ares. Mas o anjo não foi destruído.
Bem isso né? Vontade de explodir tudo. Mas será que vai adiantar? Não comentei e preferi tomar cuidado em tomar partido quando daqueles protestos todos em 2013 e início de 2014. Adiantou? Vieram as eleições e uma pancada dos mesmos pilantras continua lá. E os que protestavam, onde andam? Se arrependendo de seus votos, provavelmente. Agora tem panelaço e a constatação de que não é só pobre que anda insatisfeito. Ver os que defendem este ou aquele partido - sim, porque a coisa hoje é preto e branco, este ou aquele - é exercício para controlar a ânsia de vômito. Tudo muito nojento.  Andam abafando a pataquada que foi a Copa. Para todos os efeitos foi um sucesso. Mas, as mudanças que todos esperavam no futebol não vieram. Constatou-se que o governo colocou muito mais dinheiro do que havia anunciado. Alguns estádios já estão caindo aos pedaços, outros estão sem uso - Mané Garrincha em Brasília, por exemplo. Uma zona sem tamanho. Parece espelho do que acontece na política.
E lá vem olimpíadas. Daqui a pouco começa a gritaria com a gastação e lá vamos nós mais fundo para o buraco.
E some a isso o aumento nos combustíveis, quando lá fora o petróleo fica mais barato. Aí o dólar sobe e acaba por justificar o aumento na gasolina. Somos pioneiros no uso do etanol como combustível mas hoje importamos etanol de milho dos Estados Unidos. Como é? O governo, através da Petrobrás, segurou o preço da gasolina por tanto tempo, porque então não subsidiou de uma vez o álcool? Assim mais consumidores passariam a usar o combustível, os usineiros - ô, raça - ficariam mais contentes e não seria necessária essa medida tosca de aumentar ainda mais o percentual do combustível vegetal adicionado à gasolina, o que vai prejudicar muita gente. Na cabeça dos gênios do governo todo mundo usa carro flex no Brasil. Uma invenção imbecil, pois pouca gente usa o etanol. E a maioria das motos? E os carros antigos? A resposta do (des)governo? Usem a Podium. Que custa 4 pilas o litro e é difícil de achar. Em outras palavras disseram: "tô me lixando para quem tem carro velho. Compre um novo."
Aumentou tudo, menos o meu salário. Estou quase querendo que 2014 volte.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Resenhando

Faz um tempinho que não resenho (ah, ah, ah, ah) discos. Assim, lá vou eu tentar algo próximo disso. Por uma questão de bagunça mental não vou respeitar datas de lançamento e não falar somente sobre discos novos.
Vamos começar por este:
TheRemedy é a nova banda do meu grande amigo Ahmad Hakeem. Trata-se de um power trio multinacional complementado por Ehab Medhat e James Paul. O disco, integralmente gravado na Arábia Saudita, mixado em Los Angeles e masterizado em Nova York, traz 12 faixas em pouco menos de uma hora. Para quem conhece o Ahmad é fácil reconhecer as influências que permeiam o disco. O som é bem novo, muito diferente de tentativas anteriores solo ou mesmo com a também multinacional The Beagles. Há referências ao pop/rock dos anos 80 e 90 e até mais recentes. As guitarras permeiam lindamente as faixas - o próprio Ahmad me disse ter usado, para meu alívio, segundo ele, Fenders e Gibsons - e não tomam muito espaço. Há teclados econômicos e elementos percussivos que parecem deslocados às vezes. A bateria eletrônica em "Wait" deixa a faixa pouco à vontade na companhia de outras como a que abre o disco "Open" e a seguinte, "Pure". "This War" remete ao disco-demo "From The Heart", com arranjo datado e bem fora do contexto do álbum. Ótima produção, cuidado nos arranjos, na execução e na produção geral fazem deste um disco muito agradável de se ouvir. Outros destaques: "The Hurt", "Angry" e "The Longest Way". Disponível na loja iTunes, Amazon e outras.
Ahmad Hakeem: vocais, guitarras, violão e teclados. Ehab Medhat: bateria, teclados e produção James Paul: baixo
Seguindo, um velho que redescobri recentemente ao convertê-lo para MP3, a partir do vinil:
Se você nunca ouviu esse disco, que vergonha. A música-título é uma regravação da inigualável Nina Simone. Mas Aretha (olha que intimidade) tem caminhões de personalidade e esse disco é uma jóia da primeira à última faixa. Meus destaques: a faixa-título, "Rock Steady" e "All The Kings Horses". Selo "Discoteca Básica".
Não parece, mas já faz seis anos desde "Black Ice". Em meio a problemas de saúde  que vitimaram e culminaram com a saída da banda do inimitável Malcolm Young, substituído pelo sobrinho Stevie; e com a justiça que enrolaram a vida do baterista Phil Rudd, eis que o grupo lança este petardo - não há outra palavra para descrever os discos do AC/DC:

Não vou perder tempo falando das faixas porque, felizmente, este disco é mais do mesmo. Sim, é chavão essa frase quando se trata de novos discos do AC/DC. E é um chavão que se repete, pois ninguém espera, ou quer, que a banda mude seu som. O disco é o que se espera do quinteto e eles não decepcionam. Destaque? Putz. "Play Ball", a faixa de abertura e título "Rock or Bust, "Dogs of War" e "Rock the Blues Away". Ah, dane-se. Põe pra tocar, aumenta o volume e deixa rolar.
Tem muita coisa boa rolando no Brasil, e muita coisa que desconheço. Mas uma descoberta quase tardia foi BNegão e os Seletores de Frequência. São dois discos: "Enxugando Gelo", de 2003 e "Sintoniza Lá", de 2012.
As capas:

Ambos os álbuns são muito bacanas. Tem soul, funk, hip hop, rock e outras coisas, todas em doses exatas. É bacana ouvir um disco como esse feito sem muita eletrônica. Bateria de verdade, baixo, guitarras temperam as faixas e fazem desses dois discos muito divertidos e, quando tocados ao vivo, fique parado se puder.
E os Titãs, hein?
Caraca que diabo é esse "Nheengatu"?
Muito já foi dito sobre esse disco, que está virulento, as letras são de protesto, de raiva, falam contra a discriminação, contra a pedofilia e por aí vai. Sim, isso tudo. Os vocais, divididos hoje entre Branco Mello, Sérgio Brito e Paulo Miklos. Toni Belotto finalmente se lembrou de como fazer riffs e encheu o disco com eles. Tem música que soa grunge, tem música que soa Black Sabbath, tem música que soa Titãs da fase Titanomaquia, tem as que soam como o velho e bom dos tempos do "Cabeça Dinossauro". O fato é que os titânicos paulistanos lançaram um belo disco. E essa capa? O original dessa pintura encontra-se no Museu Boijmans, em Roterdã. No já comentado processo de digitalização de LPs e fitas, acabei redescobrindo os velhos (e muito bons) "Cabeça", "Jesus", "Õ Blésq Blom" e "Titanomaquia".
Outra banda brasileira de que gosto muito e faço sempre questão de comprar o CD físico é o Pato Fu. Depois de lançar e excursionar - quem diria - muito com o show do "Música de Brinquedo" os mineiros foram pro estúdio e preparam outro trabalho.
"Não Pare Pra Pensar" é rock, é pop e é muito bacana. Mantendo a tradição de ter sempre uma faixa em língua estrangeira, este tem "You Have To Outgrow Rock´n´Roll" cantada pelo John (tem um vídeo muito fera aqui).
Vamos à capa:
Xande Tamietti deixou a banda mas deixou gravada "Mesmo Que Seja Eu". O disco tem elementos de pop sessentista, setentista, skate rock, entre outras influências. Uma banda muito criativa, consolidando seu lugar no cenário brasileiro tão inundado e corroído pelos "tche-re-re" da vida. Ouça alto.
E lá do Recife vem os caras de novo. Yes!
Nação Zumbi.
"Cicatriz" é faixa de trabalho e abre o disco. É a Nação na estrada da consolidação do seu som, dezessete anos depois da perda do inimitável Chico Science. Poucas bandas conseguiram atingir essa transição - AC/DC?. No caso da Nação, ao assumir os vocais, Jorge duPeixe conseguiu, de cara, imprimir uma nova identidade ao som da banda, que foi focando menos no maracatu e sons regionais e voltou-se mais para o formato de banda tradicional. Os tambores ainda estão lá, junto com a percussão e a espetacular guitarra do espetacular Lúcio Maia. É isso. Nação Zumbi soando como nunca.
Beleza. Vamos ficar por aqui? Ok.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Letra Traduzida

The Wheel
(Edie Brickell & The New Bohemians)
A Roda


Somewhere there´s somebody who looks just like you do
Em algum lugar tem alguém que se parece com você
Acts just like you, too, feels the same way
Age como você, também, sente da mesma forma
Somewhere there´s a person in a faraway place
Em algum lugar há uma pessoa num lugar distante
With a different name and a face that looks like you
Com um nome diferente e um rosto que parece com o seu

Do you think about who it might be?
Você pensa sobre quem poderia ser?
Do you wonder where you are?
Você se pergunta onde você está?
In a distant foreign country
Num país estrangeiro distante
Riding ´round in another car
Andando por aí num carro diferente

Where the wheels keep on turning and turning and turning and
Onde as rodas vão girando e girando e girando e
Nothing´s disturbing the way they go around
Nada atrapalha o jeito em que elas giram
The wheel keep on turning and turning and turning and
A roda vai girando e girando e girando e
Nothing´s disturbing the way it goes around
Nada atrapalha o jeito em que ela gira

All your thoughts are in another head
Todos os seus pensamentos estão em outra cabeça
Your dreams are sleepin´ in a different bed
Seus sonhos dormem em uma cama diferente
The force that moves you is a circular breath
A força que move você é um sopro circular
Of life and death going round and round and round
De vida e morte girando e girando e girando

Chorus
Refrão

Maybe you ride a different wave
Talvez você surfe numa onda diferente
Maybe you catch a another ray of the sun
Talvez você pegue um outro raio do sol
That I´ve begun to feel
Que eu acabei de começar a sentir
Back and forth and back and forth and back and forth around again
Para trás e para adiante e para trás e para adiante e para trás e para adiante e de volta de novo
Again and again and again
De novo e de novo e de novo

Chorus
Refrão

Back and forth and back and forth and back and forth around again.
Para trás e para adiante e para trás e para adiante e para trás e para adiante e de volta de novo

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Do profano ao sagrado
E de volta
Do ótimo ao péssimo
E de volta
Do justo ao corrupto
E de volta
Do intragável ao saboroso
E de volta
Do novo ao antigo
E de volta
Do começo ao fim
E de volta
Do ébrio ao são
E de volta
Do são ao enfermo
E de volta
Do amor ao ódio
E de volta
Do lento ao célere
E de volta
Do rico ao pobre
E de volta
Do sábio ao ignaro
E de volta
Do inconsequente ao responsável
E de volta
Da volta à ida
E de volta.

Vinil é bom e eu gosto

Tenho amigos que concordam comigo, amigos que discordam e amigos que não se pronunciam.
Eu gosto de vinil. Sempre gostei, desde que o mais próximo que tínhamos de aparelho de som era uma radiola. A radiola era um aparelho que tinha rádio e toca-discos junto. O toca-discos era basculante e o braço da agulha tinha que ficar travado. O toca-discos tinha molas que serviam para eliminar balanços, muito útil em casas antigas com piso de assoalho. A nossa era portátil, mais acessível que aqueles modelos maiores, que eram verdadeiros aparadores - e muita gente os usava com esse fim também.
A grana era curta então não era sempre que rolava comprar disco novo. Era sempre no aniversário, durante muitos anos, que eu "ganhava" um disco. Os primeiros? Bill Haley & The Comets, The Beatles In The Beginning, Isto É Hollywood e os Video/Flipper Hits da vida.
Minha mãe tinha um do Elvis, duplo e um do Simon & Garfunkel. Apesar da "proibição" de ficar ouvindo esses dois, chegamos a furá-los de tanto ouvir.
Nas duas últimas semanas digitalizei alguns discos, fitas e fitas de vídeo (só o áudio) com o auxílio de um conversor.
O aparelho é de fácil utilização e até alguns CDs acabei digitalizando com ele, por causa desse controle de volume de gravação. Muito útil, pois alguns LPs e fitas tem o som muito baixo. Meu toca-fitas (Yamaha) ajuda, pois tem um controle que ajusta a cabeça de reprodução, melhorando o som. Esse aparelho capta as músicas com opção de criação automática de faixas (nem sempre funciona) ou manual. Discos ao vivo, por exemplo, tem que ter as faixas criadas manualmente. 
A interface é o iTunes, numa versão antiga. O que tenho feito é copiar a biblioteca do iTunes, após a captação das músicas, e adicionado os arquivos usando uma versão atualizada, em outro computador. Tocando as músicas no iPod quase não dá para dizer de onde elas saíram.
Assista o mini-documentário abaixo.
Nem precisa dizer mais. O vinil tem essa coisa da experiência tátil e até olfativa. O cheiro do disco novo, o cuidado com o plástico (quando vinha com ele), o cuidado com o próprio disco e a audição ad infinitum. Como não era todo dia que tinha disco novo, a capa era diligentemente estudada e decorada. Era assim que eu identificava, em discos diferentes, um mesmo estúdio, um mesmo músico convidado, o produtor, etc. Me frustrava quando queria muito um disco e ele não vinha com encarte. Achava uma economia tosca. Decorava tudo na capa e se tivesse letras, em uma semana já tinha decorado essas também. O CD trouxe um encantamento diferente. A qualidade do som, a possibilidade de tocar uma certa faixa direto, sem ter que levantar agulha e tal. Gravar fitas era uma baba. Bastava programar as músicas e ajustar o tempo à duração das fitas. Às vezes era necessário fazer um ajuste no final, uma edição, usando o controle de gravação, para não ficar aquele corte brusco. Bacana era quando a gravação ficava justinha. As fitas? Quando tinha grana sobrando, fitas cromo, cujo som era muito melhor. Eram reservadas para as melhores seleções. Fazer a capa também exigia cuidado.
Voltando ao CD, era um passo em direção ao século XXI. Nosso primeiro CD player veio em 92, se não me falha a memória. Era um carrossel Sony que foi acoplado a um aparelho de som da Gradiente, um Roxy II.

O nosso aparelho era igual, as caixas não. Ele vinha ainda com um rack próprio e toca-discos.
Os botões do toca-fitas não eram mecânicos, mas elétricos, mais suaves, davam menos aquele ruído "click" quando se acionava o gravador. Atenuávamos isso com o útil controle de volume de gravação.
Tudo isso fazia parte do ritual que era ouvir música em tempos analógicos. Um disco era rapidamente copiado para os amigos. As tardes eram preenchidas com sessões de gravação sempre que alguém aparecia com um disco que valia a pena ter. Como as fitas eram mais baratas, copiávamos.
Mais trabalhoso, mas não menos divertido, era fazer as famosas "mix tapes". Combinar músicas era uma arte. Dependia de para quem seria feita a fita e que "mensagem" queríamos passar. Quase sempre as fitas era para uso pessoal mesmo. Eu fazia seleções - que mais tarde virariam meus CDs "Road Music" - nas quais combinava as músicas em estilo. Para festas era mais divertido também, pois não precisava ficar trocando o disco a cada 20/30 minutos.
A decisão sobre qual disco comprar com a grana que tinha era frequentemente dolorosa. Muitas vezes eu sabia exatamente o que queria e ia direto. Outras vezes, passava e repassava os discos separando mentalmente os candidatos. Me lembro da época do lançamento do "Afterburner" do ZZ Top, lá nos idos de 1985, se não me falha a memória. Era a primeira vez, que eu me lembre, que eu conseguia encontrar discos do ZZ Top lá no interior. Me frustrei porque não vinha com encarte, mas comprei com certeza, sem a mais vaga sombra de dúvida. 
Esse processo de digitalização acabou por trazer certas dessas experiências de volta. Cabos para lá e para cá, gravações que não dão certo e tem que ser refeitas - e acabamos tendo que ouvir a mesma música várias vezes. Por que estou digitalizando? Porque quero ter a possibilidade de ouvir a música de alguns LPs em qualquer lugar. Porque quero "poupar" meus discos de manuseio exagerado. E...por que não?



segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Primeirão

Começou. 2014 já foi tarde. Êta anozinho marrento. A Copa encheu o saco. Foi bacaninha, mas encheu o saco. Eleições encheram muito o saco. Repito: ANULEI MEU VOTO PARA PRESIDENTE. Digam o que quiserem, porque "my dear, I couldn´t care less".
Dinheiro público rolando a rodo em certos lugares, em outros penúria total. O ano na minha divisão não fechou direito.
Resoluções de ano novo? Para quê? Sério, para no fim das contas nada dar certo e eu ficar com o sentimento de frustração e fracasso? No, thank you. Tem um monte de coisas e coisinhas que quero realizar este ano, mas vou dar conta de uma de cada vez e, quando terminar, comento. Ou não.
Fiz uma tatuagem. Estava adiando há quase dois anos. Fiz.
Quer saber? Não é nada de mais. Não estou com aquele peso de "oh, isso vai ficar na minha pele pro resto da vida". Ficou bonita, é algo que tem a ver comigo. Não rolaria fazer uma tribal ou algo polinésio/zen ou qualquer outra figura. Achei que o galo do zodíaco chinês comprometia menos. E esse desenho que achei na internet era bem o que eu queria.
Andei mexendo no quarto de som/hóspedes também. Quero me livrar de uma TV velha, de um Playstation 2 e seus controles, de duas mesas de apoio e do móvel que costumava abrigar o aparelho de som, que agora fica sobre o gaveteiro de CDs. As caixas de som desceram dele e agora ficam no chão. Ficou bom. Quando a tralha sair do quarto, vou bolar um novo esquema para abrigar os LPs.
Falando neles, comprei um "aparêio" que digitaliza a partir de fontes analógicas. Fazendo testes ao longo do fim de semana, baixei som de discos, fitas e de VHS.
Aquela caixinha quadradinha ali é o conversor, aqui conectado ao toca-discos.
 
 Já enchi a orelha de uma amiga dizendo que este ano vou me livrar de um monte de coisas. Sim, já mencionei que tenho tralha demais em casa. Vai desde pequenos objetos a uma mesa de jantar que se mostra gigantesca desde que voltamos para o Brasil. Vai dançar. DVDs, fitas de vídeo, tudo vai ter um fim. Projetor de slides alemão. Está interessado? Fala comigo, pois vou vender.
Não, não são resoluções de ano novo, são só planos que vem sendo maquinados há algum tempo.
Fica ligado que vou informando. Bom ano novo para todos e toda aquela coisa de começo de ano.