quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Resenhando

Faz um tempinho que não resenho (ah, ah, ah, ah) discos. Assim, lá vou eu tentar algo próximo disso. Por uma questão de bagunça mental não vou respeitar datas de lançamento e não falar somente sobre discos novos.
Vamos começar por este:
TheRemedy é a nova banda do meu grande amigo Ahmad Hakeem. Trata-se de um power trio multinacional complementado por Ehab Medhat e James Paul. O disco, integralmente gravado na Arábia Saudita, mixado em Los Angeles e masterizado em Nova York, traz 12 faixas em pouco menos de uma hora. Para quem conhece o Ahmad é fácil reconhecer as influências que permeiam o disco. O som é bem novo, muito diferente de tentativas anteriores solo ou mesmo com a também multinacional The Beagles. Há referências ao pop/rock dos anos 80 e 90 e até mais recentes. As guitarras permeiam lindamente as faixas - o próprio Ahmad me disse ter usado, para meu alívio, segundo ele, Fenders e Gibsons - e não tomam muito espaço. Há teclados econômicos e elementos percussivos que parecem deslocados às vezes. A bateria eletrônica em "Wait" deixa a faixa pouco à vontade na companhia de outras como a que abre o disco "Open" e a seguinte, "Pure". "This War" remete ao disco-demo "From The Heart", com arranjo datado e bem fora do contexto do álbum. Ótima produção, cuidado nos arranjos, na execução e na produção geral fazem deste um disco muito agradável de se ouvir. Outros destaques: "The Hurt", "Angry" e "The Longest Way". Disponível na loja iTunes, Amazon e outras.
Ahmad Hakeem: vocais, guitarras, violão e teclados. Ehab Medhat: bateria, teclados e produção James Paul: baixo
Seguindo, um velho que redescobri recentemente ao convertê-lo para MP3, a partir do vinil:
Se você nunca ouviu esse disco, que vergonha. A música-título é uma regravação da inigualável Nina Simone. Mas Aretha (olha que intimidade) tem caminhões de personalidade e esse disco é uma jóia da primeira à última faixa. Meus destaques: a faixa-título, "Rock Steady" e "All The Kings Horses". Selo "Discoteca Básica".
Não parece, mas já faz seis anos desde "Black Ice". Em meio a problemas de saúde  que vitimaram e culminaram com a saída da banda do inimitável Malcolm Young, substituído pelo sobrinho Stevie; e com a justiça que enrolaram a vida do baterista Phil Rudd, eis que o grupo lança este petardo - não há outra palavra para descrever os discos do AC/DC:

Não vou perder tempo falando das faixas porque, felizmente, este disco é mais do mesmo. Sim, é chavão essa frase quando se trata de novos discos do AC/DC. E é um chavão que se repete, pois ninguém espera, ou quer, que a banda mude seu som. O disco é o que se espera do quinteto e eles não decepcionam. Destaque? Putz. "Play Ball", a faixa de abertura e título "Rock or Bust, "Dogs of War" e "Rock the Blues Away". Ah, dane-se. Põe pra tocar, aumenta o volume e deixa rolar.
Tem muita coisa boa rolando no Brasil, e muita coisa que desconheço. Mas uma descoberta quase tardia foi BNegão e os Seletores de Frequência. São dois discos: "Enxugando Gelo", de 2003 e "Sintoniza Lá", de 2012.
As capas:

Ambos os álbuns são muito bacanas. Tem soul, funk, hip hop, rock e outras coisas, todas em doses exatas. É bacana ouvir um disco como esse feito sem muita eletrônica. Bateria de verdade, baixo, guitarras temperam as faixas e fazem desses dois discos muito divertidos e, quando tocados ao vivo, fique parado se puder.
E os Titãs, hein?
Caraca que diabo é esse "Nheengatu"?
Muito já foi dito sobre esse disco, que está virulento, as letras são de protesto, de raiva, falam contra a discriminação, contra a pedofilia e por aí vai. Sim, isso tudo. Os vocais, divididos hoje entre Branco Mello, Sérgio Brito e Paulo Miklos. Toni Belotto finalmente se lembrou de como fazer riffs e encheu o disco com eles. Tem música que soa grunge, tem música que soa Black Sabbath, tem música que soa Titãs da fase Titanomaquia, tem as que soam como o velho e bom dos tempos do "Cabeça Dinossauro". O fato é que os titânicos paulistanos lançaram um belo disco. E essa capa? O original dessa pintura encontra-se no Museu Boijmans, em Roterdã. No já comentado processo de digitalização de LPs e fitas, acabei redescobrindo os velhos (e muito bons) "Cabeça", "Jesus", "Õ Blésq Blom" e "Titanomaquia".
Outra banda brasileira de que gosto muito e faço sempre questão de comprar o CD físico é o Pato Fu. Depois de lançar e excursionar - quem diria - muito com o show do "Música de Brinquedo" os mineiros foram pro estúdio e preparam outro trabalho.
"Não Pare Pra Pensar" é rock, é pop e é muito bacana. Mantendo a tradição de ter sempre uma faixa em língua estrangeira, este tem "You Have To Outgrow Rock´n´Roll" cantada pelo John (tem um vídeo muito fera aqui).
Vamos à capa:
Xande Tamietti deixou a banda mas deixou gravada "Mesmo Que Seja Eu". O disco tem elementos de pop sessentista, setentista, skate rock, entre outras influências. Uma banda muito criativa, consolidando seu lugar no cenário brasileiro tão inundado e corroído pelos "tche-re-re" da vida. Ouça alto.
E lá do Recife vem os caras de novo. Yes!
Nação Zumbi.
"Cicatriz" é faixa de trabalho e abre o disco. É a Nação na estrada da consolidação do seu som, dezessete anos depois da perda do inimitável Chico Science. Poucas bandas conseguiram atingir essa transição - AC/DC?. No caso da Nação, ao assumir os vocais, Jorge duPeixe conseguiu, de cara, imprimir uma nova identidade ao som da banda, que foi focando menos no maracatu e sons regionais e voltou-se mais para o formato de banda tradicional. Os tambores ainda estão lá, junto com a percussão e a espetacular guitarra do espetacular Lúcio Maia. É isso. Nação Zumbi soando como nunca.
Beleza. Vamos ficar por aqui? Ok.

IBILCE: 60 anos da minha Alma Mater

Escrevi a crônica abaixo, a pedido da amiga Nilce, atual editora da revista Notícias Ibilce, por ocasião dos 60 anos do nosso querido In...