terça-feira, 26 de maio de 2015

­Meu primeiro contato com a língua inglesa foi há 35 anos, se não me falha a memória. Na 5ª série passamos a ter aulas de inglês. A professora, infelizmente, ainda fazia um curso no Yázigi e pelo que me lembro não era boa aluna. Naquele ano, o livro-texto era bem básico, com pequenos textos bem acessíveis. Mas teve uma aula, que me lembro hoje com vergonha alheia, em que ela ensinou a pronunciar e a escrever as letras em inglês. Até aí tudo bem. Até que ela disse: "vamos escrever o nome de cada um em inglês (sic)". O meu, no espírito da aula, saiu assim:
Dãbliu-i-él-él-ái-én-dgi-ti-ou-én.  (risos mal contidos). Sim, ela queria ensinar a soletrar, mas acabou nisso.
No ano seguinte a coisa ficou pior, porque então a lógica já me indicava o caminho correto nas traduções dos textos dos livros. Assim, "There is a book", de acordo com a profe saía "Ali está um livro", enquanto que para mim já soava como "Há um livro". Bem, minha matéria preferida na época era o português, cuja professora, a Edna, era um doce. 
Ao mesmo tempo, em outra frente, comecei a ouvir músicas em inglês (The Beatles), e queria cantar certo, mesmo que não soubesse o que significavam as letras. Meu saudoso amigo Jean gravava fitas e eu pegava os encartes e copiava as letras na Triumph do meu pai. Catando milho, lógico.  Mas ao fazer isso eu cantarolava junto e ia pegando o jeito da pronúncia e acabei por absorver o "padrão" da língua. Ainda hoje tenho facilidade em observar padrões em línguas estrangeiras, o que ajuda muito.

Essas centenas de páginas datilografadas ainda existem e recebi ontem três pastas que continham essas e muitas outras coisas, inclusive minha "obra" poética dos tempos da faculdade. Minha mãe guardou tudo em casa. Tinha muita coisa da faculdade, mas não dava para guardar tudo, então fiz uma limpeza rápida, respirei fundo e joguei bastante coisa fora. A primeira letra que copiei? Ora, foi "Please, Please Me", que abre o disco duplo vermelho.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Um relato e uma micro resenha

Ando sumido, eu sei, mas acho que meus poucos leitores não se incomodam mais com isso. Tem pouco menos de um mês que postei um poeminha (veja logo aí abaixo), daqueles que aparecem do nada e, se não colocar no papel, desaparece sem deixar vestígios.
Nesse meio tempo participei de uma greve de poucos dias. Negociações são sempre complicadas e, quando se tem um grupo heterogêneo como o nosso, com gente de diversas carreiras, gente no Brasil com certas necessidades e anseios, que são diferentes dos daqueles que estão no exterior, a coisa fica ainda mais difícil. Uma votação apertada cujo resultado teve apenas quatro votos de diferença, entre cerca de 400 votantes, foi o suficiente para uma explosão de discussões em uma rede social. Acusações de todos os lados, ofensas, xingamentos. Estou há quase três dias sem acessar minha conta no Facebook, justamente porque esse tipo de coisa me tira do sério e me entristece. Pela falta de união, pela falta de delicadeza, pela grosseria gratuita. No calor das discussões, temos que ler, de colegas e amigos, palavras que realmente magoam. Tento me colocar no lugar deles e até entendo a raiva, mas não consigo relevar. Voltei aos tempos pré e pós eleições, quando era impossível acessar o FB e não topar com alguma bobagem, alguma idiotice, alguma opinião a favor deste ou daquele candidato mas com uma coisa em comum: não há espaço para terceira via. Cheguei a escrever sobre isso, a ditadura do preto e branco. Pró e contra. Ou ela ou ele. Se você não a ataca é porque a defende, se você não vota nele é porque é a favor dela. E não votei nem em um e nem na outra. Ponto. Cheguei a deixar de seguir algumas pessoas, porque não aguentava mais o FEBEAPÁ. Para quem não sabe, FEBEAPÁ, ou o Festival de Besteiras que Assola o País, foi uma série escrita por Stanislaw Ponte Preta, aka Sergio Porto, em que ele, em plena ditadura, achincalhava militares, políticos e assemelhados. Não pôde cobrir o período mais negro da história do país porque morreu em 1968.
E agora tenho que encarar um FEBEAPÁ diferente, limitado a um grupo secreto (oi?) no Facebook, mas com tanta virulência e diferenças de opinião que está difícil manter a linha. Melhor dar um tempo, penso eu.

XX – XX

"Colorless Tsukuro Tazaki and His Years of Pilgrimage", título do mais recente romance do japonês Haruki Murakami de quem, já deu para notar, sou fã. Comecei a ler semana passada e estou prestes a terminá-lo. Este abusa menos do elemento fantástico que permeia as obras de Murakami. No entanto, está lá o personagem central masculino, solteiro, pouco ambicioso, presente em vários dos seus trabalhos. O livro conta a história de Tazaki, abandonado sem maiores explicações pelo seu grupo de amigos do colégio. Seus anos de peregrinação começam aí, em busca de sua razão de ser. Com um enredo menos fantástico que de costume, Murakami constrói, mais uma vez, uma história cativante, com poucos personagens explorados a fundo – outra característica sua. Uma vez mais, dei preferência pela tradução para o inglês, esta feita por J. Philip Gabriel. Recomendo.